Doce Promessa

18 Dezoito


Notas iniciais
Boa leitura gente, espero que gostem!!! ♥

— O patife do seu marido não veio? Ah, que alívio!

Fora assim que Emília Vicência recebeu as quatro mulheres à porta de sua casa na rua de São Bento, a penumbra da noite tomando conta da Cidade de Olinda. Joana acompanhou a risada das irmãs, destoando a expressão aborrecida de Francisca. Mesmo assim, ela envolveu a irmã mais velha em um abraço apertado, resmungando com os comentários de Emília sobre seu marido e pelo longo tempo em que as duas não se viam, provocando mais um sorriso em Joana.

Com um suspiro, ela ergueu o olhar para encarar a construção azul vibrante, observando que todas as janelas estavam abertas, parecendo as convidar para entrar. Era exatamente isso que a presença de Emília emanava, uma lufada de ar fresco cheia de energia e entusiasmo, arrancando risadas por onde passava. A menos que Manoel não estivesse no mesmo local, Joana refletiu, imaginando que ter seu pai ali tornaria tudo mais divertido.

Emília permitiu a entrada de Francisca, para se concentrar em Matilda e Isabel, as apertando e exigindo saber como as duas cresceram tanto, até chegar a vez de Joana.

— Olha só pra você... – Emília a segurou pelos ombros, os olhos indagadores lhe percorrendo da cabeça aos pés.

— Por que está me olhando assim?

— Eu sempre soube que você se tornaria uma bela mulher. Puxou o nosso lado da família.

As duas compartilharam um sorriso cúmplice. Joana não iria negar. Mesmo com a idade avançando e em todos os seus cabelos brancos e rugas graciosas, Emília era dona de uma altivez digna de admiração, que atraía a atenção de todos para si. Sua elegância revestida por aquele vestido cinzento-azulado cheio de fitas plissadas era quase impossível de ser negada.

Rapidamente, Emília apertou o queixo de Joana entre os dedos finos.

— Espero que não tenha perdido a boca esperta.

— Jamais.

— Essa é a minha garota.

O interior da antiga casa de seus avós parecia exatamente como Joana lembrava, desde a mobília de madeira e verde musgo até os arabescos cornalinas das paredes, decoradas com pinturas da família Vicência e Guimarães. Percorrendo o corredor, espiou pela fresta de uma porta aberta para descobrir que a antiga sala de desenho que um dia servira de local para as costuras de sua avó, fora transformada em uma sala de música quase sem móveis, claramente para permitir muitas pessoas ali. Joana acabou sorrindo para si mesma, porque nada era mais a cara de Emília que isso.

— Eu estava terminando meu jantar. – Emília anunciou ao sentar-se em seu lugar à mesa, enquanto as outras se acomodavam. – Mas ficarei enquanto vocês se servem.

Isabel bateu palminhas animadas, antes de ocupar-se com sua canjica.

— Estou faminta. – provando o sabor do milho, ela voltou-se para Emília. – Sentimos sua falta, tia. A senhora devia nos visitar mais vezes.

— Não tenho mais idade para isso, querida.

— Não é o que me parece, a julgar pelas notícias que chegam até mim. – Francisca exprimiu, analisando a garrafa de vinho do porto quase vazia sobre a mesa, antes de desaprovar a bebedeira da irmã com um franzir da testa.

Emília a olhou, lhe incitando a continuar.

— Soube das suas festas.

Um sorriso estirou os lábios franzinos da mais velha.

— Ah, sim. Encontrei essa ótima distração para os meus dias pacatos. Música, amigos, boas bebidas, belos rapazes para se olhar. O que há de errado?

— Fico surpresa que “belos rapazes” aceitem os convites de uma senhora. – Francisca a provocou, esvaziando a garrafa ao servir a si mesma e empurrar outra taça na direção de Joana.

— Não vamos conversar sobre rapazes, Chiquinha. Você tem um péssimo gosto. Se casou com Manoel de Castro, afinal. O português insofrível que não largava do seu pé.

— Algum dia você vai superar isso?

— Não. Me diverte muito.

Mesmo sob afrontas, as duas tentavam não cair na risada, enquanto as outras três não se continham tanto assim. Joana estava rindo quando levou a taça a boca e bebericou o vinho. Estava longe da biscoutaria, com Isabel e Matilda em seu encalço e nem mesmo pudera se despedir de Joseph, mas não havia dúvidas de que se distrairia naqueles dias.

— Já que tocou nesse assunto, vejo aqui quatro ótimos motivos para darmos um baile. O que acha, Matilda?

— Acho uma ideia excelente. – Matilda confirmou, sendo apoiada por Isabel, que assentia com animação.

— Você vai dar um baile? Aqui? – Francisca quis saber.

— É claro. Afasto um móvel aqui e ali e temos espaço para divertir a todos.

Sentindo que seus dias de descanso e tranquilidade acabavam de desaparecer, Francisca começou a recolher a louça e carrega-la para a cozinha, soltando um suspiro resignado.

— O que eu faço com você, Emília?!

Mesmo que as diferenças de personalidade carregassem boa parte da culpa, Emília sabia que Francisca se preocupava com ela, como fizera a vida inteira, e ela não podia estar mais feliz por ter a família por perto. Sua vida se tornou cercada de agitação depois que ficara viúva, mas Emília sempre enxergara que nada poderia substituir aquilo.

— Anime-se, minha irmã! A vida não é longa o suficiente para vivermos desperdiçando um pouco de diversão de vez em quando.

Levantando-se com alguma esforço, Emília continuou.

— Vou escrever alguns convites. Venha me ajudar, Isabel.

Quando elas seguiram para o salão de entrada e se ocuparam com papel e tinta, Matilda e Joana se dirigiriam para o andar de cima. Decidindo deixar sua mãe confortável em um dos três quartos da casa, Joana carregou suas coisas para o quarto que dividiria com as irmãs. Ela se lavou, amarrou um roupão sobre a roupa de dormir e então sentou-se à pequena penteadeira do cômodo, soltando o cabelo e começando a penteá-lo.

Escovando mecha por mecha distraidamente, seus pensamentos percorreram desde os pedidos da biscoutaria que partiriam hoje para o Rio de Janeiro até quem seu pai deixaria cuidando dos que surgissem naqueles dias que ela não estaria lá, para finalmente pararem em Joseph. O que ele estaria fazendo agora, ela se perguntou. Ele sentira a falta dela naquele dia? Sentiria pelos próximos? Tornara-se boba, pois se importava com as respostas para essas perguntas. Porque ela sentiria a falta dele. Mas a perspectiva de encontra-lo de novo lhe parecia tão boa, que ela permaneceria sorrindo mesmo assim.

— No que está pensando?

A pergunta de Matilda a chamou. Ela observou a irmã acomodar-se sob os lençóis, antes de lhe oferecer um sorriso pequeno.

— Nada em especial.

As duas continuaram a se encarar, ambas parecendo querer dizer mais. Matilda queria confortar Joana ao garantir que entendia porque ela estava mantendo o Sr. Fretcher em segredo. Joana se pegou desejando conversar sobre aquilo com alguém, mas um sentimento de apreensão continuou a impedindo. Indecisa em como mudar o rumo daquela conversa, ela nem mesmo teve tempo, quando o vendaval Isabel irrompeu pela porta.

— Que silêncio é esse?

No final, Joana acabou voltando ao trabalho com os cabelos e Matilda acomodou-se mais, se cobrindo até os ombros.

— Acho que essa viagem me deixou mais cansada do que eu imaginava. – Matilda falou, entre um bocejo.

— Bem, eu não. – Isabel deixou-se cair sobre a cama, agitada. – Estou animada agora que vamos ter uma festa aqui. Nossa tia decidiu que sexta-feira parece um bom dia.

— Você sempre está animada, Isabel. – fora a confirmação de Joana, que Matilda prontamente ergueu um polegar em concordância. – Sente-se aqui.

Com uma corridinha, Isabel lançou-se no espaço que Joana a ofereceu no banco de madeira, as costas voltadas para ela. Joana desfez o penteado de Isabel, as três perdidas em suas próprias reflexões. Quieta, Isabel permaneceu atenta ao modo como Joana movia a escova sobre seus fios, da maneira que ela mesma costumava fazer com as irmãs, um pensamento lhe ocorrendo.

— Eu espero que você seja muito feliz, Joana. – Isabel soltou aquela confissão, surpreendendo as outras duas.

Matilda estreitou os olhos, desconfiada, e a mão de Joana se interrompeu.

— De onde veio isso?

Isabel apenas balançou os ombros em resposta. Após algum tempo pensando em como deveria responder àquilo, Joana acabou sorrindo.

— Também quero que vocês duas sejam felizes. Vou garantir isso.

Um de seus sorrisos enormes no rosto e Isabel virou-se para olhar Joana, quase dizendo algo, mas, por fim, se levantou e começou a preparar-se para deitar. Quando todas estavam acomodadas em seus lugares, com Matilda agarrada aos pés de Joana, Isabel hesitou em apagar a luz das velas.

— Leia um pouco para nós, Matilda. – ela pediu, afofando o próprio travesseiro.

Matilda fungou antes de responder, sem abrir os olhos.

— Estou com tanto sono que mal saberia falar meu próprio nome agora.

— Eu leio para você.

Com um sorriso atrevido à expressão estarrecida de Isabel, Joana contorceu-se para alcançar sua bagagem até Doceiro Nacional estar em suas mãos, o abrindo na página que deixara marcada.

— Não acho que isso seja necessário. – Isabel murmurou por baixo dos lençóis.

— Ah! Doces em calda. Eu amo essa parte.

O murmúrio de Isabel se transformou em um grunhido e Joana precisou morder o lábio para não cair na risada.

— Não se preocupe. Você vai gostar. – ela provocou. – Onde eu estava?! Ah, sim. “A arte de fazer doces em calda consiste em saber fazer penetrar as frutas pelo açúcar, sem que elas percam a sua forma e cor, conservando a maior parte possível do seu gosto peculiar.” ...

Quando Isabel cobriu a própria cabeça com um travesseiro, Joana estava rindo entre as palavras que pronunciava; e quando a viu pegar no sono, sua risada modificou-se em um sorriso carinhoso. Antes de mergulhá-las na escuridão, o último pensamento de Joana foi em como estava grata por elas serem tão diferentes. Que graça haveria se todos fossem iguais?

*

A quarta-feira passou lenta e despreocupada. Pela manhã, Emília arrastara Isabel e Matilda pela cidade para fazerem compras e tomar café, enquanto Joana manteve-se na casa com Francisca. Juntas, elas dividiram espaço e tarefas com os poucos criados que Emília mantinha, aventurando-se então na cozinha durante a tarde com uma receita de massa folhada.

— Você me parece melhor. – Francisca comentou, logo que as duas ficaram sozinhas por alguns minutos.

Joana continuou concentrada em untar toda a superfície da massa com manteiga, se detendo apenas por um momento para a olhar.

— Melhor?

— Sei que estava chateada com toda essa história da biscoutaria.

Abandonando o pincel, Joana sentou-se lentamente na cadeira atrás de si, observando como Francisca habilmente dobrava as pontas para o centro da massa estendida. Joana encarou suas mãos sujas de farinha, pesando o significado que aquela frase possuía.

— Mas agora você parece mais animada. Me pergunto o que mudou.

Francisca alcançou o rolo para estender a massa mais uma vez e Joana não conteve um pequeno repuxar dos lábios. Ah mãe, se você soubesse...

Ela ficou grata quando Francisca indicou que era a hora de mais uma camada de manteiga, aproveitando a deixa para não precisar encará-la. Compenetrada em sua tarefa, Joana estava completamente alheia ao fato de que Francisca era quem a estudava. Ela se perguntou se Joana já sabia do que estava em sua mente há alguns dias e, com medo de que Manoel nunca revelasse até ser muito tarde, Francisca se pegou tentando encontrar um jeito casual de dizer aquilo para Joana.

— Seu pai quer que você cuide da biscoutaria.

De supetão, Joana ergueu o rosto, o instrumento esquecido na mão.

— O que?

Ela havia escutado direito?

Joana estava estática, nem mesmo percebendo que estava prendendo a respiração até sua mãe lhe dar tapinhas nas costas.

— Imaginei que não sabia. Estou contando porque acho que tem o direito de saber e o teimoso do seu pai não vai conversar com você sobre isso, não importa o quanto eu peça.

Lhe tomando o pincel, Francisca passou a ela mesma deslizar a manteiga pelo alimento, já que Joana mal parecia piscar, e continuou.

— Ele ofereceu o lugar para o Sr. Fretcher, para que tomasse a frente da biscoutaria quando seu pai não pudesse mais, mas ele recusou. Seu pai teve que repensar, sozinho, quando eu gostaria que ele tivesse feito isso com você. Já ficou claro que você se importa com aquele lugar tanto quanto ele e ele sabe bem que não haveria mais ninguém além de você. Eu só acabei sabendo por causa do modo como Manoel chegou em casa, furioso por uma discussão que tivera com Alfredo por conta disso...

Francisca continuou a falar, a voz cada vez mais distante para Joana enquanto sua própria mente se afastava, sua expressão que antes se iluminava fechando-se pouco a pouco. Seu pai ofereceu a biscoutaria a Joseph e ela quase queria rir de amargura. Porque ultimamente com Manoel tinha sido assim e ela não ficara surpresa. Estava magoada e perguntando-se por que Joseph não lhe contara isso.

— Diga alguma coisa. – Francisca pediu, preocupada com a falta de resposta de Joana.

— O que eu posso dizer? Mais uma vez meu pai não está pensando que eu tenha capacidade para isso. Sou apenas uma segunda opção. A solução para os problemas dele.

Sentando-se a frente de Joana, Francisca lhe segurou a mão.

— Não acho que seja assim, Joana. Mas não falarei mais do que já falei. Estou confiando essa informação a você porque espero que você tente resolver as coisas com Manoel, já que ele não dará o braço a torcer. Eu me preocupo com os dois e não vou permitir que aquele lugar estrague a relação de vocês.

Joana a respondeu com um aperto forte em sua mão, tentando sorrir. Ela estava sendo ingrata por não estar feliz? Ela o que ela queria, não era? Mais uma vez, não desse jeito. Saber que Manoel preferia a Joseph, um homem que conhecia a apenas poucos meses, de algum jeito, a ofendia.

E, por isso, sua tentativa de sorrir quase falhara.

*

— Você está linda, Joana.

Matilda surgiu por trás, lhe segurando pelos ombros. Era a noite de sexta-feira e Joana tentava se animar, a retribuindo com um sorriso enquanto examinava seu reflexo no espelho. O modelo amarelo-dourado moldurado com rendas pretas era o único vestido apropriado para festas que trouxera consigo, mas Joana estaria feliz até mesmo com um roupão, dado seu estado de espírito. Se ela ao menos conseguisse tirar aquilo da cabeça...

Ainda assim, Joana se esforçaria naquela noite, por suas irmãs e por sua tia Emília, que mereciam um pouco de diversão.

— Vamos? – Isabel surgiu, o semblante animado pela fresta da porta do quarto. – Algumas pessoas já estão chegando.

Aquilo era a definição de algumas pessoas para ela, Joana constatou ao precisar desviar mais uma vez de alguém em seu caminho para o salão de entrada. A casa já parecia repleta delas, que chegavam a cada minuto. A maioria consistia em senhoras e senhores amigos de Emília, que cumprimentavam a ela e Francisca com empolgação. Com as portas da sala de música completamente abertas, o som do piano em que alguém reproduzia uma peça animada de Gottschalk as envolvia enquanto aproximavam-se.

— Aqui estão elas! – Emília cortejou quando as três a alcançaram.

Pelos próximos minutos, Emília as escoltou por toda a casa em apresentações. Joana sorriu educadamente incontáveis vezes, puxou os assuntos corretos e aceitou uma taça de licor de jasmim quando alguém que se apresentou como Caetano da Silva lhe ofereceu, a bebida uma das iguarias de Emília. Entretida e até um pouco confusa com tantos nomes, Joana culpou as diversas voltas pela casa por sua leve tontura, e não o fato de que o licor havia sido substituído por vinho sem que ela nem mesmo percebesse.

Joana apenas notou que os alvos de Emília então se tornaram 30 anos mais jovem que ela quando a mesma envolveu seu braço, a arrastando próxima de si.

— Eu sei o que a senhora está fazendo. – Joana falou com suavidade.

— Não estou fazendo nada, minha querida. – no entanto, Emília tinha um sorriso ardiloso no rosto.

No fim das contas, as duas acabaram compartilhando uma risada, enquanto Joana percorria o lugar com o olhar em busca de Matilda e Isabel. Então, abruptamente, Emília estacou próximo à entrada da casa, a voz dela trazendo a atenção de Joana de volta para o ali e agora.

— Sr. Barboza. Espero que tenha feito uma boa viagem de volta da Bahia.

Enquanto o homem que parecia tão jovem quanto Joana apressava-se em responder Emília, os olhos dele permaneceram fixos em cada movimento dela, a inquietando.

— Joana, este é Matias Barboza, filho do barão de Iguaraçu. Sr. Barboza, minha sobrinha mais velha, Joana de Castro.

Com um interesse evidente, ele tomou a mão de Joana, a beijando em um cumprimento longo demais. Joana esperou, pacientemente, que ele soltasse sua mão antes que seu sorriso apertado se desfizesse. Para sua infelicidade, isso não aconteceu, até um pigarro ser ouvido pelos três.

— Senhora. – um dos criados chamou por Emília. – Esses senhores estão procurando pelo Sr. Elias Pereira.

Assim que Joana, bem como os outros, voltaram-se para quem quer que fosse, ela nem se preocupou em conter o espanto em seu rosto, seguido por um arregalar de olhos.

Ela estava alucinando?

Diante deles, um desgrenhado Joseph a encarava com a mesma perplexidade, acompanhado por Alfredo bem ao seu lado. Nenhum dos dois se moveu, até Joseph desviar o olhar dela para a mão que Matias Barboza ainda segurava. A expressão de Joseph tornou-se ainda mais aborrecida, se isso fosse possível.

— Sr. Fretcher! O que faz aqui? – Francisca aproximou-se, desconcertada. Atrás dela, Isabel e Matilda pareciam igualmente atônitas, alternando o foco entre Joana e Joseph.

Sr. Fretcher?— quis saber Emília, claramente interessada na presença daquele homem.

Enquanto Francisca explicava brevemente de quem se tratava, Joana tentou lhe perguntar o mesmo que sua mãe com o olhar, mas o dele não a retribuía, ainda atento ao homem ao lado dela. Antes que Joseph pudesse abrir a boca, Alfredo o empurrou sutilmente para o lado, tomando sua vez com um sorriso deslavado.

— Viemos falar com Elias Pereira. Assuntos de negócios.

Aquilo fora a gota d’água para Joseph, que não deu a mínima para se parecia pouco educado bufar em público, porque ele o fez mesmo assim. Já era ruim o suficiente que Alfredo tivesse insistido em o acompanhar até Olinda, quando o pedido de Manoel fora exclusivamente para ele. Era infeliz o fato de que Alfredo o fizera viajar até ali em cavalos, que mais lhe pareciam despreparados, os atrasando. Agora Alfredo o empurrava para longe, tomando a frente do que era tarefa sua e adentrando a casa, a procura do homem.

Que fosse então! Sua irritação não poderia ser maior, ele se enganou, observando os olhares atraídos para Joana.

Pela expressão em seu rosto, ela parecia tão surpresa quanto ele ficara ao descobrir que de repente ela viajara. Passara os últimos dois dias sem tira-la da cabeça, imaginando vez ou outra quando Joana entraria pela porta da biscoutaria. Agora ela estava bem ali, a sua frente, tão linda quanto ele se lembrava e completamente inalcançável para ele, enquanto outros tentavam atrair sua atenção.

— Bem, fiquem a vontade então, rapazes. Não lembro o último lugar em que vi Elias Pereira, mas tenho certeza que o encontrarão.

Emília olhou para Joseph por um momento e então para Joana. Ela estava sorrindo quando voltou a conduzi-la.

— Venha, Joana. Vamos pegar seu cartão de dança.

Antes de desaparecer de vista, Joana recebeu um último olhar Joseph, que parecia tão consternado que o coração dela se apertou um pouco. Ela só precisava de um minuto com ele, para saber o que fazia ali, por que estava com Alfredo e o motivo daquilo que via no olhar dele.

Um pequeno grupo de pessoas dançavam uma quadrilha na sala de música, animando a quem assistia em volta. Sorrindo para a agitação, Emília não reparou no momento em que Joana desvencilhou-se dela, furtivamente percorrendo a casa em busca de uma pessoa em especial. Joana observou no caminho Alfredo ao longe conversar com Elias Pereira, que ela logo lembrou se tratar do homem que a tratara tão frivolamente na biscoutaria. Os dois homens pareciam segredar algo, antes de voltarem o olhar para Joana, sorrindo em cumplicidade. O estômago dela se revirou.

Joseph não estava em nenhum lugar onde ela pudesse ver, percebeu com impaciência, mas não era como se ela houvesse conseguido ir tão longe. A todo momento alguém a parava, até mesmo Matilda, que a segurou pelo braço.

— Você está bem?

— Estou ótima.

Matilda segurou um sorriso, pois sabia exatamente a quem aquela agitação estava procurando.

Lá nos fundos.— sussurrou.

Um tanto atordoada, Joana achou ter escutado errado. Por que a cabeça dela começara a doer tanto?

— O que?

— Vá.

A empurrando com delicadeza em direção a cozinha, Matilda desapareceu de vista, deixando Joana confusa sobre o que ela quis dizer. Como ela poderia saber o que Joana estava procurando?

— Você sumiu de repente. – a voz de Emília surgiu ao seu lado, lhe causando um sobressalto.

— Que susto, tia.

— Você não parece estar se divertindo. – e capturando uma taça de vinho de uma bandeja, a colocou nas mãos de Joana. – Aqui, querida.

Joana aceitou a bebida, mas antes que pudesse levava-la a boca, Francisca rompeu pelo outro lado e lhe tomou das mãos.

— Acho que você já bebeu o suficiente.

— Deixe a garota se divertir um pouco, Chiquinha. Venha, vamos dançar.

E puxando a irmã pelo braço, Emília deixou o cômodo com Francisca a contragosto e Joana soltou um longo suspiro, massageando as têmporas. Não conseguia entender por que seus pensamentos estavam tão embaralhados, mesmo tento bebido tão pouco. Seria culpa do calor, ela se perguntou e duvidou, decidindo que precisava de um pouco de ar fresco e dirigindo-se pelo caminho de pedras que circundava o pouco verde dos fundos da casa de Emília, onde alguns senhores conversavam e fumavam.

Joana distraiu-se apertando a testa com a ponta dos dedos, no exato momento em que trombara com alguém, uma mão rapidamente a firmando antes que cambaleasse mais e perdesse o equilíbrio. Ela ergueu o rosto para desculpar-se, encontrando exatamente quem queria ver.

Soltando o ar, Joana fitou o rosto bonito e o olhar preocupado de Joseph.

— Te procurei pela casa inteira.

Joseph olhou em volta discretamente, antes de dar um passo para trás, as mãos escondidas nos bolsos da calça para impedir a si mesmo de toca-la.

— Tem outras pessoas aqui.

— Eu não me importo.

Aquilo lhe provocou um sorriso, que logo transformou-se em uma risada curta quando Joana tentou se aproximar e ele agilmente se afastou, achando graça da expressão zangada no rosto dela.

— Eu senti sua falta. – Joana segredou após alguns segundos o olhando.

— Eu também senti a sua. Mas isso não é uma boa ideia.

Para ela parecia uma ideia perfeita, resmungou, desejando poder correr para os braços dele. Joana remexeu-se no lugar e logo tropeçou mais uma vez quando o salto de seu sapato derrapou em uma pedra.

— O quanto você bebeu? – Joseph sibilou, a detendo.

— Não mais que duas taças.

— Agora sabemos que você não é nem um pouco tolerante a bebidas.

Ele esperou que Joana se recompusesse antes de soltar seu braço.

— Eu estou bem. Apenas com uma dor de cabeça.

— Por que você não entra e descansa?

O tom cuidadoso e preocupado que ele empregara na frase impediu que Joana saísse do lugar. Não era como se ela quisesse deixa-lo, afinal, seu rosto transparecendo tudo que ela sentia por Joseph naquele momento. Joana o olhou e subitamente para ele aquela viagem ruim valera a pena.

— O que você está fazendo aqui?

— Seu pai me pediu para encontrar um negociante de açúcar com urgência e Alfredo fez questão de vir junto, tenho certeza que apenas para me atrapalhar. Que outro motivo ele teria?

Assentindo, Joana aproveitou para colocar para fora o que estava martelando na cabeça.

— Por que não me contou que meu pai te ofereceu a biscoutaria?

Joseph não sabia se podia dizer que estava surpreso, porque imaginava que essa pergunta chegaria um dia, apenas não naquele momento. Procurou sinais de raiva no rosto de Joana, mas só encontrou interesse e descontentamento.

— Vamos conversar sobre isso depois. Entre, por favor. – ele pediu, mas Joana não se moveu.

— Não podemos só causar um escândalo? Quero muito te abraçar agora.

Um sopro de vento fraco agitou uma mecha de cabelos na lateral de rosto de Joana, que Joseph impulsivamente ergueu a mão para prendê-la atrás da orelha. Ele deixou as pontas dos dedos percorrerem suavemente o pescoço dela, tão rápido que Joana se perguntou se tinha imaginado.

— Descanse. Nós nos veremos quando você voltar.

Descansar parecia ser a última coisa que Joana conseguiria fazer, com toda aquele rebuliço. Então, vencida, ela apenas sentou-se em uma namoradeira afastada no salão, ao lado de Francisca, assistindo suas irmãs aproveitarem a festa. Logo as duas estavam rindo e trocando cochichos, à medida que o tempo passava e o número de pessoas ia diminuindo. Joana não notara, mas Joseph passara longas horas ali, disfarçadamente caminhando pelos cômodos onde ela não poderia vê-lo, mas que a deixavam sob seu olhar preocupado. Ele queria por si mesmo leva-la até o quarto e garantir que ela descansasse, mas como não poderia, teria que se contentar com isso.

Em um desses momentos em que se certificava de que ela estava bem, Joseph a viu rir novamente de alguma coisa que Francisca dizia e seu coração se agitou. Pegara-se estancado no lugar, com um sorriso quase imperceptível no rosto e desejando não ter que deixá-la ainda.

— Acha mesmo que vai ficar com ela?

A voz de Alfredo funcionou com uma faísca para sua raiva quase esquecida. Ele virou-se para o homem ao seu lado, o vendo seguir com o olhar para a direção na qual a atenção de Joseph se dirigia antes, com um sorriso evasivo nos lábios.

— Para isso, terá que passar por mim antes. – Alfredo continuou, frente ao silêncio do outro, mas agora lhe encarando nos olhos. – E eu sempre consigo o que eu quero.

Aquilo era tudo que Joseph precisava, o convite perfeito para sua raiva transbordar.

— Sabe o que eu vejo agora quando olho para você, Alfredo Marques? Desespero.

As palavras, que só podiam ser ouvidas pelos dois, desfizeram o sorriso de Alfredo em fúria, enquanto um totalmente sem humor surgia em Joseph, antes que ele prosseguisse.

— É por esse motivo que você está me falando isso. Porque sabe que perdeu. Então, eu que te pergunto agora. Acha que ela vai ficar com você?

E, sem mais uma palavra, Joseph partiu.

*

No final, o mal-estar de Joana não parecia ter relação com a bebida. Ela passara todo os dois dias seguintes indisposta e sendo abarrotada de xarope de agrião por todos naquela casa. Quando finalmente se sentira melhor já era a segunda-feira e, na terça-feira, Francisca decidiu que era hora de voltarem. Enquanto ela conseguia as passagens de trem, e Matilda e Isabel utilizavam disso para um último passeio pela cidade, Joana permaneceu naquele início de tarde acomodada em uma das poltronas do salão de entrada com seu livro em mãos.

— Então... – Emília começou, sentando-se na poltrona em frente a de Joana e lhe chamando a atenção. – Joseph Fretcher parece ser um bom rapaz.

Joana a fitou por cima do livro, apertando os olhos.

— Você esquece que eu sou velha, mas sou boa em ver as coisas.

Voltando a levantar o livro e bloquear a visão de Emília para si por alguns segundos, Joana fechou os olhos. Ela não conseguiria fugir de sua tia nem se tentasse muito.

— O que a senhora viu? – ela perguntou por fim, fechando o livro.

— Ah, eu vi muitas coisas. Como a surpresa quando vocês se encontraram na sexta-feira e o modo como se olhavam, como se conhecessem um ao outro muito bem. Mas aí sua mãe me contou coisas muito interessantes. Que vocês não se suportam, ela disse?! Então eu vi o Sr. Fretcher de olho em você a noite inteira e ele até mesmo voltou aqui no dia seguinte, para saber como você estava.

Joana se espantou.

— Ele veio aqui? Por que ninguém me disse?

— Ele foi muito discreto, é claro. Mas a questão é que isso não me pareceu algo de duas pessoas que se detestam.

Ela fora pega. Joana mordeu o lábio, sem saber o que deveria dizer diante daquilo e do sorriso caloroso de Emília.

— Muitas pessoas acham que eu nunca vivi algo assim, pela história que tive com meu falecido marido. – Emília suspirou, relembrando o que fora uma das fases mais difíceis de sua vida. – Mas a verdade, Joana, é que eu o amei sim. Apenas fui infeliz e enganada, descobrindo tarde demais quem ele era de verdade. Então eu sei reconhecer o amor quando vejo.

— Mas quem disse que eu... Eu não...

Apertando o livro com força desnecessária, Joana sentiu as palavras se desfazerem antes de serem ditas. Porque se ela ousasse dizer que não passara a amar Joseph, não haveria nenhuma verdade nisso. Compreender isso a deixou em pânico, o mesmo tanto que embasbacada. Como ela não notara antes? Como cada beijo, cada abraço, cada confissão trocada, cada coração aberto não lhe mostrara isso? Finalmente perceber era apavorante e libertador, e Joana o amou um pouco mais.

Algo grande crescia dentro de seu peito e ela achou que iria explodir se não o colocasse para fora, a fazendo levantar-se de supetão e encarar admirada Emília lhe sorrir com carinho.

— Eu o amo, tia.

Emília não respondeu, seu sorriso aumentando ligeiramente.

— Preciso contar para ele. – Joana balbuciou, sem fôlego, antes de perceber onde se encontrava. – Contarei amanhã, assim que a biscoutaria fechar.

— O que? – Emília recusou a ideia com um movimento da mão de pele enrugada. – Não. Vá vê-lo agora.

— Não posso ir assim. As pessoas vão descobrir.

— Esse é o problema? – sorrindo astutamente, Emília ficou de pé ao notar a movimentação na entrada. – Eu te dou cobertura.

— Do que a senhora está falando?

Mas Emília não lhe dava mais ouvidos, seguindo até onde Francisca, Isabel e Matilda retiravam seus chapéus.

— Joana ficará comigo um pouco mais. – ela informou subitamente, para o horror de Joana e a confusão das outras. – Decidimos assim, até que ela se sinta completamente bem.

— Você está bem, Joana? – Francisca lhe tocou a testa, preocupada.

Ela tentou responder, mas nada saía da sua boca enquanto tentava repreender Emília com o olhar. Sua tia só podia ser maluca.

— Ela está bem, Francisca. Mas quero que ela fique aqui mais um pouco. Vocês podem ir na frente, eu me encarrego de levar Joana de volta.

— Tem certeza disso, Joana?

— Ela tem.

Emília logo ganhou a discussão e os olhares desconfiados das outras três. Até mesmo suas irmãs questionaram Joana pela decisão súbita, que ela tratou de desconversar antes que ela mesma ficasse maluca. Mas ela já não estava? Joana se questionou quando despediu-se do resto da família, quando esperava Emília voltar da estação e mesmo quando ela a empurrou dentro de uma carruagem alugada horas depois.

— Essa foi uma péssima ideia. – Joana cochichou, apreensiva.

— Apenas vá e agarre o seu homem.

Joana ficou boquiaberta e a repreendeu, o olhar sem graça na direção da criada ao seu lado que a acompanharia até Recife.

Tocando sua bochecha em resposta, Emília lhe sorriu cúmplice como fazia muito bem, sinalizando para a carruagem partir. Quando já estava em movimento, Joana recostou no acento, cobrindo a boca com a mão enluvada para não cair na risada. Onde sua tia havia a metido? Talvez a maluquice fosse de família, ela considerou, lembrando-se que se encontrar com Joseph às escondidas estava se tornando sua especialidade.

Durante todo o caminho de volta, Joana se perguntou se deveria apenas indicar que a deixassem no casarão de uma vez. Mas toda vez que tentava dizer, uma parte pequenininha de si – a parte irracional que queria encontrar Joseph – a impedia. Talvez não tão pequena e, exatamente por isso, no início da noite, Joana se viu na porta do sobrado onde Joseph morava, desejando ao cocheiro e a criada de sua tia uma boa viagem de volta e que ela não fosse vista por ninguém conhecido enquanto batia na porta. Nenhum sinal de vida em resposta e Joana voltou a bater outras vezes, impaciente. Perfeito. Ele não estava em casa e toda aquela loucura tinha sido em vão. Agora ela teria que percorrer essas ruas com...

Então a porta abriu bruscamente, revelando um exasperado Joseph.

— Quem...

Joana não lhe deu tempo para terminar a frase, empurrando suas coisas e a si mesma para dentro do lugar e fechando a porta depressa. Ela viu o semblante de Joseph suavizar ao reconhecê-la, até se tornar pasmo.

— Joana?

— Preciso te dizer uma coisa.

— Agora? – ele perguntou, descrente, o olhar vagando entre ela e a bagagem aos seus pés.

— Agora.

Joseph assentiu lentamente, com receio e bom humor.

— Tudo bem.

Respirando fundo, Joana deslizou as palmas das mãos contra o tecido do vestido. Ela teria que dizer, de um jeito ou de outro.

Ai, caramba, onde ela se metera?

— Eu sei que pode parecer estranho eu surgir aqui assim e a essa hora, até mesmo loucura. Mas talvez seja loucura mesmo e eu deixei minha tia me convencer, mesmo que eu de fato em nenhum momento tenha concordado com ela. Mas a verdade é que eu precisava te dizer de uma vez por todas e você sabe muito bem como eu sou impulsiva. Eu não aguentaria esperar. Ou quem sabe eu simplesmente só queria te ver e talvez você ache o que eu vou dizer inconveniente ou nem mesmo retribua da forma que eu gostaria, mas ainda assim eu vou...

— Joana. – ele a segurou pelos ombros, tentando muito não sorrir. – Respire.

Ela respirou, conforme ele pedia. Bem, Joana tentou, porque um segundo mais tarde as palavras estavam escapando da sua boca.

— Eu te amo, Joseph. Nem mesmo sei como ou quando isso aconteceu, mas por um momento tive medo que um dia fosse tarde demais para te dizer. Não sei quais são seus planos, se você vai ficar ou partir amanhã. Não estou dizendo isso com a intenção de te cobrar nada. Você disse uma vez que esperava que sempre fossemos sinceros um com o outro, lembra? Então estou sendo completamente sincera agora. Eu amo você, amo cada parte de você e não conheço motivos pelos quais eu deveria esconder isso, quando você já conhece cada parte de mim... O que foi?

Joana piscou para o sorriso no rosto de Joseph, notando pela primeira vez que seus olhos começavam a umedecer. Piscando mais uma vez para afastar as lágrimas, ela o observou colocar o pé sobre seu baú e o empurrar para longe do caminho deles, enlaçando o braço em sua cintura para apertá-la contra si.

Ele suspirou e lhe sentiu o cheiro dos cabelos, a comprimindo tanto que Joana achou que iria esmagá-la. Ela estava sorrindo, no fim.

— Você é inacreditável e sabe disso não é? Maluca mesmo. – Joseph murmurou, sorrindo quando Joana o beliscou. – E eu amo você desse jeito.

— Eu já disse que sou...

Então ela se interrompeu e o afastou a uma distância suficiente apenas para o olhar nos olhos, quando se deu conta do que Joseph dissera.

— Espera. Você disse que...?

— Eu disse. Um absurdo, não é? – a provocando, Joseph lhe encaixou a mão na lateral do rosto, colando seus lábios ao dela por um breve momento.

— Não brinque assim comigo.

— Nunca falei tão sério em toda minha vida.

Como se quisesse garantir isso, Joseph capturou o olhar de Joana no seu, a intensidade daquilo fervilhando entre os dois.

— Nunca senti isso por alguém em toda minha vida. – continuou. – Nunca quis tanto alguém em toda a minha vida. Também falo sério quando digo isso. Eu amo, respeito e admiro você, Joana, como a mulher maravilhosa que eu descobri que é.

E aquilo era muito melhor que qualquer coisa que Joana pudesse ter imaginado no caminho até ali e seu coração concordava mil vezes, batendo apressado. Desviando o olhar por um instante, Joana finalmente percebeu onde sua mão estava. Notou a camisa branca aberta, a textura da pele quente sob a palma e o caminho sutil de pelos que desaparecia na calça preta. Voltando seu olhar para cima, percebeu o cabelo molhado e despenteado.

Ela permaneceu imóvel e quando seus dedos flexionaram-se contra o peito de Joseph, a respiração dele mudou. Porque ele também notara a mudança em seu olhar e de repente tudo parecia efervescer em volta deles. Antes mesmo que dessem conta, Joseph a pressionava contra a porta, sua boca exigia a dela e aquele beijo não parecia suficiente. Era desesperado, sôfrego e nenhum dos dois soube quem ofegara quando Joana deslizou as mãos pelos ombros dele, lhe retirando a camisa.

— Joana...

O tom dele lhe parecia um aviso, da mesma forma que pedia alguma coisa. Então ela tentou beijá-lo mais uma vez, mas Joseph voltou a impedir.

— Você tem certeza disso? Por que não sei se...

— Eu tenho. – ela o interrompeu, decidida, porque Joana nunca teve tanta certeza de algo.

Não era sobre aquele momento ou sobre o que faziam. Era sobre ele.

E quando Joseph a envolveu mais uma vez, ela desejou nunca mais voltar atrás.

Notas finais
E é fogo no parquinho no próximo capítulo hahah Até lá!! ♥