Doce Criada
13 Capítulo: visitante
Sai cessou o transporte, observando que havia recém-chegados na propriedade Uzumaki.
Quando Shizune avistou uma sege parada em frente ao portão do baixo muro, soube imediatamente a quem pertencia o transporte.
Duas carroças, uma atrás da outra, jaziam paradas atrás da sege.
Assim como a sege na frente do portão, as carroças não pertenciam à propriedade Uzumaki.
Delas desciam os criados que procuraram pelo filho do patrão.
Iruka Flynn abriu o portão e viu Kawaki descer da sege.
Rapidamente, o Flynn disse:
— Seja bem-vindo de volta, Sr. Kawaki.
O cabisbaixo jovem passou pelo estribeiro, sem dizer nada.
Logo em seguida, um homem loiro desceu da sege, cumprimentou o estribeiro e desejou-lhe uma boa tarde.
O sujeito loiro apressou-se para alcançar o jovem Uzumaki, colocando uma mão no ombro dele para consolá-lo.
O Flynn deu espaço para a sege passar pelo portão e apontou aonde o cocheiro deveria conduzir os cavalos.
O mesmo valeu para os condutores das carroças.
Os criados que haviam descido delas já se espalhavam pela propriedade Uzumaki.
— É o Sr. Menma II! — exclamou Sai, preocupado. — E-ele trouxe o filho do Sr. Uzumaki de volta.
Uma notícia ruim e outra boa ao mesmo tempo.
Menma II e o jovem Uzumaki entraram na casa.
Apressada, a Sra. Hollingshead pegou o embrulho de compras e desceu do transporte, ordenando:
— Rápido, Sr. Diskin, leve o bidê para dentro da casa. Depois, o Sr. Wittenberg o leva ao quarto do Sr. Uzumaki.
— Sim, Sra. Hollingshead.
Sai pegou o bidê, a carga mais pesada, e pisou fora do transporte.
Dentro dos muros, Diskin deixou o bidê ao lado do portão e correu ao estábulo, chamando pelo Flynn.
Em sua pressa, a governanta entrou na casa.
O estribeiro conversava com os condutores das carroças e o condutor da sege que trouxera Menma II e Kawaki.
Uma sucessão de expressões surpresas se desencadeava em Iruka a cada nova informação que ele obtinha.
Interrompido pelos chamados do colega, o Flynn pediu licença aos homens e foi ao encontro de Sai.
— Iruka, leve a minha sege ao estábulo. Preciso levar um bidê para dentro da casa do patrão.
O estribeiro aceitou de bom grado:
— Faço isso, e volte rápido para eu contar tudo o que aconteceu com o Sr. Kawaki.
— Já sabe de tudo?! — admirou-se Sai.
— Sim, acabei de saber. — Iruka se afastou, indo buscar a sege da propriedade.
— GRRR — Diskin detestava se corroer de curiosidade.
Quando Iruka subiu na sege, fitou o céu, distinguindo a coloração acinzentada se apoderando das nuvens.
— Interessante, bem quando o irmão do patrão chega, o céu arma uma chuva.
Bem, era outono, afinal, uma estação com muitas chuvas.
~
Shizune se aproximava do quarto do casal Uzumaki no exato momento em que Kakashi informava à ex-Hyuuga:
— O Sr. Kawaki está acompanhado do tio, Menma II. Meu amo não tem uma boa relação com o irmão; será um problema se ele souber que esse parente está em casa.
— Oh, sim. O Sr. Menma III me contou que o tio está proibido de aparecer por aqui — lembrou-se Hinata, abraçando o próprio corpo. Ela ficou de lado para a porta, movendo apenas o rosto em direção à cama, fitando seu marido.
Depois, retornou a observar seu mordomo, considerando:
— Mas ele trouxe o Sr. Kawaki. Talvez seja um bom motivo para o Sr. Uzumaki permitir que o Sr. Menma II fique aqui apenas por hoje, como forma de agradecimento.
— És muito otimista, Sra. Uzumaki — disse Shizune, fazendo-os notarem sua presença.
Mais um problema bem grave de família, lamentava Hinata, que perguntou:
— Como está o Sr. Kawaki?
— Foi direto para o quarto e não saiu de lá. Não falou com ninguém, Sra. Uzumaki — respondeu Kakashi. — Ele parecia triste.
— Ele saiu daqui sem saber do casamento... achas que ele ficou sabendo enquanto estava fora, Sr. Wittenberg?
— O Sr. Menma II me alertou que o Sr. Kawaki ainda não sabe, Sra. Uzumaki.
— O Sr. Menma II? — espantou-se Hinata. — O irmão do Sr. Uzumaki já está sabendo, mas o filho não?
Kakashi ergueu os ombros, também desentendido, e opinou:
— Bem, eu suponho que o Sr. Menma II ficou sabendo por um dos criados que mantiveram segredo do Sr. Kawaki.
Fazia sentido, pensou Hinata.
— Permita-me, Sra. Uzumaki? — perguntou Shizune, fazendo-se notar novamente. Levantou o embrulho de compras.
Hinata assentiu, arredando-se, permitindo a passagem da governanta.
A Sra. Hollingshead entrou no quarto e, por um momento, observou as crianças.
Menma III, curioso, assistia aos adultos, atento à conversa.
Sentada no chão, Miina brincava com o cavalinho do irmão.
Shizune guardou o embrulho dentro do kas. Voltando-se para a esposa do patrão, orientou-a:
— Precisa receber seu cunhado, agradecê-lo e se despedir dele antes que o Sr. Uzumaki acorde. O Sr. Menma II sabe muito bem o que o irmão acha da presença dele, então não precisa inventar desculpas para tirá-lo daqui.
Emudecida e pensativa, Hinata fitou as crianças e, depois, alternou seu olhar entre os criados, pedindo-lhes:
— Sirvam algo para o Sr. Menma II. Eu descerei em breve.
~
De vestido branco, estampado em violetas e com os cabelos presos em um coque, deixando que uma madeixa emoldurasse cada lado da face, Hinata chegou à sala de refeição.
Ela deixara Menma III e Miina no quarto dele.
A pedido da madrasta, o menino ficou distraindo a irmã com seus brinquedos.
Impressionava-se Hinata ao observar o perfil do homem loiro.
Ele fechava as pálpebras, saboreando um pedaço da última fatia de cordeiro restada da noite anterior.
Mergulhou um pedaço no purê de batata e, novamente, conduziu a colher em direção à boca.
O mordomo que servira o loiro, e ainda se fazia presente no ambiente, avisou ao visitante sobre a chegada da perolada:
— Sr. Menma II, apresento-lhe a Sra. Hinata Uzumaki.
A colher travou centímetros diante da boca aberta. Menma II abaixou o objeto, devolveu a porção de comida ao prato e virou o rosto.
De imediato, Menma II se ergueu da cadeira, seus rotundos olhos azulados chamejavam sobre a figura feminina.
Aproximando-se dela, encantado, disse:
— Agora eu entendo por que meu irmão casou com a babá.
Curvando-se, pegou a mão da perolada e beijou as costas dos dedos magros.
— Que pequenina e macia mão!
Menma II elogiou e levou alguns segundos para soltá-la completamente. Segurou os próximos elogios, evitando ser interpretado de modo errôneo.
— Encantado em conhecê-la, cunhada.
De lábios meio abertos, Hinata seguia impressionada, fitando o rosto masculino.
— Sra. Uzumaki — cumprindo as formalidades, Kakashi prosseguiu: — Apresento-lhe o irmão de meu amo, o Sr. Menma II Namikaze Uzumaki.
Em Hinata, uma surpresa se sobrepôs à anterior. Recordando-se daquela palavra, interrogou:
— Namikaze? Não é o sobrenome da propriedade que tem a maior fabricação de linho?
— Que bom que conhece o outro grande sucesso de nossa família — falou Menma II, sorrindo orgulhoso, segurando as pontas de sua casaca e abrindo-a um pouco, exibindo a roupa branca e abotoada por baixo.
— Pela sua surpresa, meu irmão sequer mencionou o sobrenome do meio.
— Sen-sendo sincera, Sr. Namikaze...
— Menma II, se não incomodá-la — ele a interrompeu, em tom cauteloso, para não soar como grosseria.
— Sr. Menma II — ela recomeçou. — Esclarecendo-lhe mais, mesmo na época em que ele morava entre os habitantes de Bielog, não usava o sobrenome Namikaze.
Menma II esfregou o queixo, assentindo e murmurando:
— Entendo... entendo... Bem, é compreensível, desde aquela época ele já detestava o primeiro sobrenome. — Olhou para a mesa e depois de volta à cunhada. — Importa-se se eu continuar comendo?
Hinata rapidamente observou o mordomo; a expressividade de Kakashi indicava que ela deveria negar. Respondeu:
— De modo algum, à vontade.
Enquanto Menma II puxava a cadeira para se sentar, a perolada fitou o Sr. Wittenberg com uma expressão de desculpas.
Hinata se juntou à mesa, e Kakashi ficou em seu canto, à espera caso qualquer um dos dois precisasse de algo.
— Sr. Menma II, poderia me explicar mais sobre a questão do sobrenome? — perguntou a Uzumaki, bem interessada.
— Claro. Meu pai, Minato Namikaze, amava tanto minha mãe, Kushina Uzumaki, que em vez de fazê-la substituir o próprio nome, ele aumentou o nome dele, acrescentando o dela.
Pausou para mastigar e engolir. Em seguida, pegou um pouco de água e saciou sua sede.
— Meu irmão pode ser distante de nossos pais, mas digamos que ele tolera mais nossa mãe do que nosso pai. Por isso, ele prefere assumir o sobrenome Uzumaki. Mas qualquer documento que ele assine, há um “N” antes de Uzumaki. A letra “N” é de...
— Namikaze.
— Isso. Conhece algumas letras, Sra. Uzumaki? — ele sorriu.
— Todas, eu sei ler, Sr. Menma II.
— Mesmo tendo sido uma criada a vida inteira? — ele se surpreendeu.
Enquanto o cunhado mastigava novas porções, a perolada explicou:
— Meus pais chegaram a desfrutar de uma boa condição financeira. Minha mãe teve acesso a vários livros, e ela me ensinou a ler e escrever. Mas eu cresci quando os negócios da família já estavam decadentes, infelizmente.
— Me permitiria saber quais eram os negócios de sua família?
— Produção de lã.
— Um mercado grande. O que causou a decadência?
— Meu pai não conversa de negócios com as mulheres da família, por isso eu nunca soube o que aconteceu para chegarmos à falência.
— Entendo. E qual o seu sobrenome mesmo? O sobrenome antes de se casar com meu irmão.
— Hyuuga.
— Família Hyuuga... lã... — Menma II gravou as duas últimas palavras.
Terminando sua refeição, pegou um lenço e passou-o sobre os lábios.
E retornando a observar as feições femininas, perguntou:
— Cunhada, por que me olhas como se estivesse assustada com algo?
— Oh, me perdoe... é que... mesmo o Sr. Menma III tendo mencionado sobre ter um tio, ele não revelou que o Sr. Menma II era...
— Irmão gêmeo de Naruto. — O cunhado completou, passando a compreender a reação dela. — Um detalhe que meu irmão gostaria de esquecer. Menma III já devia ter se esquecido como eu era; passei a ser apenas "o tio que envia presentes". Nossos pais não podem comentar sobre mim perto dos meus sobrinhos. Já é muito Naruto permitir que eles repassem meus presentes.
Alcançou sua taça de água, e sacudiu o objeto circularmente antes de sorver um pouco do líquido.
Refrescando-se, devolveu a taça à mesa.
A imagem do Namikaze seria a de Naruto se ele estivesse saudável: um homem com cabelo mais comprido e mais loiro, de pele mais bronzeada e sem marcas, lábios nada ressacados e um porte físico avantajado; uma expressividade natural que expandia grande ar de sociabilidade e uma postura exemplar, tanto para se sentar quanto para andar.
Em resumo, Menma II era tudo o que Naruto não era.
— Qual... qual sua idade, Sr. Menma II?
— Trinta e oito.
— Trinta e oito! — ela colocou as duas mãos sobre a boca. Abaixou-as, pousando-as sobre o colo. Ele parecia muito mais jovem. — Desculpe-me, e-eu...
— Ahahaha, está tudo bem. Mas estou surpreso, significa que tu ainda não sabias a idade de meu irmão.
— Não. Ainda não conversamos... muito...
— Entendo, entendo. Aposto que ele aparenta ser dez anos mais velho.
Hinata não precisou responder; a expressividade dela dizia tudo.
— E tu, cunhadinha, quantos anos tens?
— Vinte e quatro.
— Jura? Apenas dois anos mais velha que Kawaki. Parece mais jovem; pensei que tivesse dezoito.
— Vinte e quatro. — Ela reafirmou, sorrindo um pouco.
— Não estou duvidando, é que você é muito baixinha. Bem, vamos falar da situação atual. Acredito que veio aqui me expulsar, correto?
Hinata abriu a boca, mas nenhum som proferiu. Havia até se esquecido daquilo. No fim, assentiu.
— Entendo. Deixe-me contá-la: meu sobrinho mais velho apareceu na minha casa, querendo morar lá. Um dos criados de meu irmão chegou à minha propriedade e, quando soube da presença de Kawaki, segredou-me sobre o casamento. Eu logo achei que foi por esse motivo que Kawaki fugiu daqui, mas o criado me esclareceu a tempo que meu sobrinho ainda não sabia do matrimônio.
— E-eu mesma contarei para ele, Sr. Menma II.
— Que ótimo. Não foi fácil convencê-lo a voltar; ele não queria ficar perto do pai. Ele pode estar bem tristinho agora, mas não se engane, conheço o temperamento explosivo de meu sobrinho. Por isso, peço que me permita estar por perto quando contar para ele.
— Mas...
— Eu sei que se preocupas com a reação de meu irmão. Deixe-me resolver isso com ele. Eu imploro, pois também quero passar um tempo com meus sobrinhos. Estou morrendo de saudades deles.
As mãos da azulada espremeram a saia, lembrando-se de que Menma III falava que recebia os presentes do tio. E inclusive, o menino achava os presentes do tio melhores que os do pai.
— Claro... fique...
Feliz, ele sorriu e se levantou, curvando-se em agradecimento.
Hinata notou a preocupação de Kakashi diante de sua decisão.
Naruto permanecia em seu descanso da ressaca.
Kawaki, em algum momento, adormeceu no interior de seu quarto.
O Namikaze abraçou e beijou seus sobrinhos com bastante força.
Emocionado, seus orbes chegaram a lacrimejar.
Miina e Menma III se admiraram ao reconhecer a semelhança entre o pai e o tio.
O menino teve inveja por não herdar os tracinhos horizontais em cada bochecha. Achava-os maneiros, assemelhando-os aos bigodes de tigre.
Menma II insistiu para Hinata se juntar a ele e às crianças em uma brincadeira de esconde-esconde.
Inicialmente, a perolada aceitou sem se desfazer de sua preocupação.
Gradualmente, a felicidade das crianças a envolveu.
No final da tarde, Hinata eliminou a preocupação totalmente.
Ela se encantava com como o cunhado trazia alegria aos pequenos.
Menma II agia como um meninão perto dos sobrinhos.
A Sra. Uzumaki saboreava seu ar de infância, contando de um até dez para procurar os outros.
— Lá vou eu! — gritou, erguendo sua saia pelas laterais, dando uma pequena corrida pela casa.
Dirigiu-se ao cômodo situado no andar abaixo da ala dos quartos dos irmãos Uzumakis.
Depois de vasculhá-lo, ela sairia dali. Todavia, foi detida pelo mordomo que a perguntou:
— Sra. Uzumaki, devo adiar o jantar?
— Acho que...
— POR QUE A CHAMASTES DESTA FORMA?!
Hinata gelou.
Kakashi deu meia volta, avistando a imagem de Kawaki.
A perolada deu um passo para o lado, obtendo a vista do rapaz.
O coração dela disparou de modo anormal.
— "Eu pedi para os criados ficarem de olho quando o Sr. Kawaki acordasse..." — pensou, não entendendo o porquê de não ter sido avisada.
Recém-acordado, o jovem Uzumaki caminhou a passos pesados em direção aos dois.
Protetor, o mordomo retornou a cobrir a imagem da pequena mulher, pondo-se na frente dela, mantendo-se frontalmente ao filho do patrão.
— Sr. Kawaki, por favor, acomode-se em uma cadeira.
— Não me venha com essa, Sr. Wittenberg! — Kawaki cessou a três passos do mordomo. — Que seja uma brincadeira besta entre vocês. Digam-me que é isso!
Hinata engoliu a seco e colocou uma mão no ombro de Kakashi; ele a observou por cima do ombro.
Ela assentiu, informando-o pelo gesto que estava tudo bem.
Respirando profundamente, a pequena mulher andou para o lado e avançou um passo, pretendendo contar a verdade, fitando diretamente o rosto do jovem
Kakashi não voltou a se colocar na frente dela, atendendo ao mudo pedido da azulada. Entretanto, ele ficaria atento a qualquer movimento brusco do rapaz.
Vincos na testa se formavam em Kawaki, que reparou no vestido novo e na ausência do toucado da perolada.
Ela não se vestia como uma criada.
Precisava ser uma maldita brincadeira!
— Sr. Kawaki... — começou Hinata. — Estou casada com seu pai.
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