Doce Criada

14 Capítulo: confronto


Notas iniciais
Cheguei para os privilegiados leitores do nyah que recebem os cap primeiro. Vamos à leitura?

Escondido no cômodo vizinho, Menma III acreditava ter ouvido a voz de Kawaki. O som chegava abafado, dificultando a compreensão do que era dito. Ele não queria perder a brincadeira e decidiu permanecer em seu esconderijo.

Entretanto, ao ouvir a voz novamente, não conseguiu resistir. Levantou-se rapidamente e saiu do cômodo, decidido a confirmar se realmente era seu irmão. Passou pela escada e se dirigiu ao cômodo vizinho, certo de que a voz vinha daquela parte da casa.

Ao chegar, avistou as costas do Uzumaki mais velho.

— Irmão! — exclamou Menma III, sorrindo enquanto corria para se colocar na frente do rapaz. Percebeu a presença do mordomo e da madrasta.

Abraçando as pernas de Kawaki, o menino, radiante, disse:

— Que bom que acordaste, irmão! Não fuja mais, por favor! Nossa irmã está falando mais palavras! E acho que nosso pai sairá mais vezes do quarto. A gente não precisará esperar apenas datas especiais; ele está mudando, irmão!

Com o rosto ruborizado, Menma III recordava os momentos recentes com Naruto: os dois juntos no quarto, o menino desfrutando do calor e carinho do pai; o jantar de casamento, com o pai à mesa cercado de alegria.

Ele sonhava com uma vida familiar feliz e queria que seu irmão fizesse parte disso. Se Kawaki visse o quanto Miina estava feliz com a Sra. Hinata...

PLAFT!

Os belos e esperançosos pensamentos de Menma foram abruptamente interrompidos por um forte tapa no rosto. Kawaki, em nenhum momento, olhou para o irmão; suas tremulantes íris fixavam-se no rosto feminino à sua frente.

— Menma III! — gritou Hinata, desesperada, tentando socorrer o menino, mas foi puxada bruscamente pelo mordomo.

Kakashi segurou-a pelo braço, utilizando toda a sua força para mantê-la atrás de si. Se não fosse por ele, ela não teria escapado da fúria de Kawaki, que avançara um passo na direção dela, esticando o braço como se quisesse capturá-la.

Kawaki recuou, percebendo o quanto o mordomo a protegia, e meneou a cabeça, negando.

— Não, não é verdade! — bradou, sua voz ressoando com revolta.

“Estou casada com seu pai.”

“Estou casada com seu pai.”

“Estou casada com seu pai.”

As palavras reverberavam em sua mente. Uma criada da família tornara-se sua madrasta! Ele não conseguia assimilar. Agarrando os cabelos, aturdido, encarou o chão.

Viveriam sob o mesmo teto nessa situação? Abaixou as mãos e, tomado pelo ódio, encarou o mordomo.

— SAIA DA FRENTE DELA, AGORA! EU SOU SEU PATRÃO!

— Sinto muito, Sr. Kawaki. Estás descontrolado e não estás em posição de dar ordens. Veja o que fizeste com o pobre Menma III!

O menino se levantava, uma mão no rosto, no local atingido pelo irmão. Seus grandes olhos azuis estavam lacrimejantes.

Kawaki, ainda exaltado, mandou:

— Vá para o seu quarto, Menma III. Depois conversaremos!

— Não! — Menma correu, passando ao lado do mordomo, e se agarrou à saia de Hinata. — Se vais machucar minha segunda mãe, eu não vou sair!!!

O coração do pequeno batia acelerado, temendo perder Hinata. Queria ouvi-la chamá-lo de filho. Queria que ela o carregasse no colo, como fazia com Miina. Desejava experimentar o carinho materno novamente. Sua mãe, Sara, era bondosa; ele tinha certeza de que ela adoraria saber que uma mulher tão generosa quanto Hinata cuidaria dele.

As palavras emocionaram Hinata, mas ela não se deixou levar pela sensação. Sua preocupação era primordial. Imediatamente, ela se agachou para verificar o rosto do menino, notando o inchaço.

Kawaki, vendo a cena, se enraiveceu. As veias grossas pulsavam em seu pescoço.

— Sua megera! Não apenas seduziu aquele velho, como também encheu a cabeça de meus irmãos com ideias de uma mãe perfeita!

Menma III escondeu o rosto contra o ombro de Hinata, que acariciava seus cabelos loiros.

— Sr. Kawaki, eu apenas cumpri meu trabalho! Tratei seus irmãos como trataria qualquer criança de uma família que me contratasse. Não pretendia ser mais do que uma babá, mas após ser dispensada, enfrentei problemas em Bielog. As pessoas espalharam boatos sobre mim e...

— Mentirosa! — ele interrompeu, apontando o dedo. — Eu fiz questão de que a governanta arranjasse outro emprego para você! Conseguiste um novo trabalho graças à família Uzumaki!

— Não foi o suficiente, Sr. Kawaki! Não adiantou nada; as pessoas continuaram a falar. Meu pai decidiu que o melhor seria eu viver em um convento fora de Bielog, mas seu pai veio e tentou me recontratar... mas... meu pai não confiava mais no Sr. Uzumaki e não quis me entregar como criada. Então o Sr. Uzumaki propôs casamento.

Kawaki deu um meio sorriso, balançando a cabeça.

— Seu pai não confiava mais no meu? — Ele parou para rir, uma risada ácida. — Inocente... finges esse ar doce que me enoja! Aposto que isso foi parte do plano do seu pai, já que a produção de lã dos Hyuugas desapareceu do mercado!

Neste momento, Hinata quase perdeu as forças, ciente de que havia, sim, interesses financeiros por trás daquela situação.

— Sr. Kaw...

— Manhe!

Um grito choroso ecoou pelo ambiente. Miina clamava por Hinata, em algum lugar da casa, desejando a presença da madrasta. O apelo da irmã deixou Kawaki furioso; ele decidiu que aquela mulher não permaneceria mais sob seu teto, nem que fosse à força.

Tentou avançar contra ela, mas Kakashi o segurou pelos braços, fazendo força para barrá-lo. A Sra. Uzumaki, por sua vez, recuou, envolvendo Menma III em um abraço apertado.

O menino, com o rosto dolorido, pediu:

— Vamos fugir, Sra. Hinata.

Foi então que a pequena mulher percebeu a chegada de Menma II. Ele havia se escondido com a sobrinha em um cômodo distante, mas, ao ouvir os gritos, resolveu deixá-la com Shizune e investigar o que acontecia. Ao longo do caminho, encontrou algumas criadas preocupadas que lhe apontaram a origem da confusão.

Seu coração disparou ao reconhecer a voz do sobrinho mais velho. Ele praguejou mentalmente por não estar ao lado de Hinata enquanto Kawaki se exaltava. Era evidente que o rapaz já tinha recebido a notícia.

Ao entrar no cômodo, viu Kawaki medindo forças com o mordomo. Menma II enfiou os braços sob os de Kawaki, afastando-o de Kakashi.

— ME SOLTA, TIO! ELES ACABARAM DE DIZER QUE ESTA MULHER...

— Se casou com seu pai, eu sei! — interrompeu Menma II. — Aquiete-se, não é o fim do mundo!

Os braços de Kawaki amoleceram. Ele murmurou, perplexo:

— O senhor sabia... sabia...

— Sim, Kawaki. Eu sabia, e esperava estar presente quando a Sra. Hinata lhe contasse a verdade. Agora, por favor, controle-se. Precisamos conversar com calma.

Ofegante, o rapaz se calou, olhando para o chão.

Aproveitando o silêncio, Menma II voltou-se para Hinata.

— Por favor, Sra. Hinata, vá ver Miina. Leve-a e leve Menma III para seus quartos. Acalme-os.

— Farei isso, mas voltarei. Preciso conversar com o Sr. Kawaki — respondeu ela, séria.

Menma II assentiu.

— Certo, estarei esperando. Desta vez, vou me manter presente durante a conversa. Por enquanto, vá. Eu falarei com esse cabeça quente.

Hinata acariciou os cabelos de Menma III e observou Kawaki, que ainda fitava o chão. O tio, porém, não soltava o sobrinho.

A pequena mulher pediu:

— Poderia pôr o jantar à mesa, Sr. Wittenberg?

Kakashi concordou, ainda ofegante após o confronto.

Junto com a Sra. Uzumaki, ele se retirou do cômodo, e, em algum momento do caminho, se separaram.

— Vá ver Miina... leve-a e leve Menma III para seus quartos... — Kawaki repetia as palavras que ouviu do tio.

Menma II, finalmente, liberou o sobrinho, que permaneceu imóvel. Kawaki ergueu a cabeça, agora olhando para a parede. De costas para o tio, esbravejou:

— Será que o senhor não escutou Miina chamando-a de mãe? Foi por isso que precisei dispensar a criada!

— Escutei bem, Kawaki. Não sou surdo! É normal que Miina ache que ela é a mãe dela. A menina não teve tempo suficiente para cultivar memórias de Sara.

Bruscamente, Kawaki virou-se, encarando o tio de frente.

— E fala isso com tanta naturalidade?!

— Quer que eu fique com raiva? Por que eu ficaria? Miina é uma criança; conforme crescer, ela entenderá a verdade. E, pelo pouco que conheço da Sra. Hinata, tenho certeza de que ela mesma ajudará minha sobrinha a lidar com isso.

Kawaki se apoiou na parede, deslizando para o chão, com as pernas abertas.

— Sério? Também não se incomodas em saber que meu pai casou com uma criada?

— Ué... — Menma II apoiou uma mão na parede e a outra na cintura. — Ele casou com uma criada, e daí?

— COMO ASSIM “E DAÍ”? E O ESCÂNDALO QUE ISSO SERÁ PARA NOSSA FAMÍLIA?!

Kawaki explodiu novamente, quase em lágrimas, vendo tudo que cuidou desmoronar.

Menma II desfez sua postura e sentou-se ao lado do sobrinho, tentando abraçá-lo, mas ele rejeitou.

— Calma, eu sei que é um casamento incomum, mas não é algo que perturbará os negócios da família. Se meu irmão vivesse na cidade grande, eu até entenderia sua preocupação. Na cidade grande, há maior movimentação, eles teriam que socializar com maior número de pessoas, as aparências contam em peso. Mas, estão aqui, em uma casa no campo, longe de Bielog. Eles não precisam interagir com a população todos os dias. Será mais fácil de lidar. Hehehe e aposto que agora um monte de gente de Bielog vai puxar o saco da Sra. Hinata.

Em silêncio, Kawaki derramou lágrimas. Menma II tentou abraçá-lo novamente, e desta vez, Kawaki não negou.

O mais jovem abaixou a cabeça até fitar o próprio colo e, após um momento, perguntou:

— Por acaso... foste seduzido por ela?

— Não comece, Kawaki. — Menma II retirou seu braço do sobrinho, visivelmente aborrecido. — Será que podemos conversar sem ofensas?

Kawaki se levantou, esticando os braços.

— Se não fosse uma criada peituda, o senhor não estaria defendendo-a tanto.

Num movimento rápido, Kawaki sentiu uma mão pesada em seu ombro, foi virado com força e, sem aviso, um soco do tio atingiu seu rosto.

Perdendo o equilíbrio, ele tentou se apoiar na parede, mas acabou caindo no chão.

Menma II, que sempre se mostrava tão alegre, agora estava com o rosto sombrio.

— Escute bem, Kawaki. Não permitirei que ofendas mais a Sra. Hinata. Aliás, a ninguém.

Deitado de lado, Kawaki pressionou a mão contra o rosto, ironicamente no mesmo lugar onde havia ferido Menma III. O tio não percebera o estado do menino, que havia afundado seu rosto no ombro da madrasta até o momento de sua partida.

— Quando se encontrares novamente com a Sra. Hinata, quero que converse como um ser humano decente. — A expressão de Menma II suavizou, e ele deu as costas ao sobrinho, distanciando-se. — Darei um tempo para se acalmares. E não tente fugir, estarei de olho.

~

Uma hora após o jantar, o Sr. Uzumaki despertou.

Rapidamente, percebeu como estava vestido. Sem a máscara, sentiu-se exposto e, com raiva, exclamou:

— Kakashi sabe que não pode tirar minha máscara!

Colocou os pés para fora da cama, mas uma nova preocupação o atingiu.

A imagem de Hinata veio à sua mente.

— Será que ela... — murmurou, seu coração acelerando anormalmente.

Desesperado, procurou sua bengala e tratou de se arrumar o mais rápido possível. Ao colocar a máscara, retirou a capa preta do guarda-roupa, mas praguejou ao notar os buracos causados por uma das ovelhas do Sr. Hyuuga.

Esquecera daqueles buracos.

Rapidamente, buscou outra capa, escolhendo uma preta na parte de trás e uma laranja queimado na frente. Saindo do quarto, seguiu em direção à escada, avistando uma criada.

— Ei, você!

— P-pois não, Senhor? — respondeu a criada, assustada.

— Foi o Sr. Wittenberg quem me trocou de roupa?

— A-acho que sim, Senhor.

— Achas?

— Os criados viram o mordomo e a Sra. Uzumaki o levando para seu quarto, Senhor. E-eu... não estive lá, então não sei quem exatamente fez a troca... mas suponho que os dois juntos...

Naruto crer que o mordomo não deixaria Hinata vê-lo nu, então ficou tranquilo. Ela deve ter ajudado em outras coisas. Continuou em direção à escada. Antes de pisar no primeiro degrau, virou-se para a criada e agradeceu:

— Obrigado.

A criada, atônita, observou o patrão se afastar.

Kakashi, a cada cinco minutos, passava pela escada, esperando que seu patrão aparecesse. Ele não se afastava muito dos degraus, pois não confiava em outro criado para vigiar. Ninguém avisou sobre o despertar de Kawaki, e o jovem Uzumaki acabou encontrando Hinata sem demora.

Se Kakashi não estivesse ali, o que seria da Sra. Uzumaki?

A criada que deveria avisar sobre o despertar do jovem havia se ausentado, alegando que foi usar a latrina. Ao voltar, não sabia que Kawaki havia deixado o quarto. Ela insistiu que foi apenas um momentinho, mas o mordomo sabia que não foi assim.

Ouviu passos e olhou para o final da escada, avistando Naruto de costas, falando com uma criada. Quando o Uzumaki começou a descer, os olhares se cruzaram.

Ao chegar na metade da escada, Naruto segurou o corrimão e parou para descansar.

— Meu amo — disse Kakashi, curvando-se.

— Procuro pela Sra. Hinata — respondeu Naruto, com um tom cortante, evidenciando a urgência.

— Entendido, meu amo. Mas preciso informá-lo de algo importante antes que a encontre.

— Estou sabendo que ela cuidou de mim. Não estou com raiva dela, se é isso que quer saber.

As sobrancelhas de Kakashi se ergueram, surpreso.

— Vá atrás dela... traga-a aqui. Se ela teme minha reação, avise-a que está tudo bem.

Naruto falou com pressa, como se sua saúde melhor lhe permitisse correr atrás dela.

— Isso é muito bom, meu amo. Tenho certeza de que a Sra. Uzumaki se aliviará ao saber — Kakashi respirou fundo antes de acrescentar: — Mas há uma situação mais delicada no momento.

— Que situação?

— O Sr. Kawaki retornou para casa, meu amo.

A princípio, Naruto ficou feliz, mas logo uma preocupação o envolveu. Com seriedade, questionou:

— Ele já soube do casamento? Fez algo grave contra ela?

O mordomo preferiu ocultar sobre o comportamento violento do primogênito. Em breve, o Sr. Uzumaki estaria sabendo.

— Ele soube e ficou muito irritado, mas o tio conseguiu acalmá-lo.

— Tio...

— Sim, meu amo. O Sr. Menma II foi quem trouxe o Sr. Kawaki de volta. E ainda está aqui.

Naruto crispou os lábios, seu corpo se enrijeceu por longos minutos enquanto tentava se controlar.

Assentindo lentamente, ele apertou a bengala.

— Está tudo bem, acredito que informaram à Sra. Hinata que eu o proíbo de vir aqui. Sei que o mandaram embora.

Kakashi, tenso, permaneceu em silêncio, uma reação que desagradou Naruto.

— Já o mandaram embora, correto, Sr. Wittenberg? — questionou Naruto, com a voz rouca.

Evitando irritar ainda mais o patrão, Kakashi respondeu:

— Não, meu amo. Neste momento, o Sr. Menma II, juntamente com o Sr. Kawaki e a Sra. Uzumaki, está em uma das salas de reunião, conversando seriamente sobre a situação.

Notas finais
E tenham uma boa noite, meu querido e respeitável público.