Doce Criada

11 Capítulo: frias núpcias


Notas iniciais
Boa noite, tem alguém que espera a atualização pelo Nyah? Bem, se tiver, desejo que tenham um novo ano de muitas felicidades. E agradeço por lerem minha fic. Vamos ao primeiro capítulo de 2022.

No pós-banquete, a reunião familiar ocorreu em uma das salas de estar. Os adultos se acomodaram em poltronas, enquanto as crianças brincavam no chão.

Miina estava sentada de pernas abertas, colocando entre elas seu coelho de pano e uma boneca de porcelana, fazendo de conta que eles se casavam.

Menma, deitado de barriga para baixo, levantava as canelas de forma alternada, cada mão segurando uma miniatura de cavalo de madeira.

Hanabi se juntou aos pequenos, querendo ser a tia legal e conquistar a atenção deles. Além disso, esperava que falassem dela para o irmão mais velho.

Hinata, com um sorriso nos lábios, observava a cena, com as mãos cruzadas sobre o colo. Sentada ao lado do marido, sua atenção se prendeu gradualmente à conversa que Naruto mantinha com o Sr. Hyuuga.

Hiashi explicou que não pretendia morar na propriedade Uzumaki. Ao ouvir isso, Hanabi fez um bico e apertou a saia do vestido, claramente descontente. Em seguida, cruzou os braços, emburrada, entre as duas crianças que continuavam suas brincadeiras alheias à conversa de adultos.

— Interesso-me mais em reerguer minha propriedade e renovar minha casa — disse Hiashi. — Acredito que consigo alcançar esse objetivo antes que a idade me vença, Sr. Uzumaki.

— Suponho que um incentivo financeiro venha a calhar — comentou Naruto, percebendo a intenção do sogro.

— Dinheiro sempre é bem-vindo, mesmo quando não precisamos — respondeu Hiashi, aceitando a ajuda de forma implícita.

Um desconforto invadiu Hinata ao perceber que, no dia do próprio casamento, seu pai estava pedindo dinheiro ao genro.

~

Em algum momento da reunião familiar, Neji saiu da sala de estar e encontrou uma sala reservada para alguns dos criados. Havia uma pequena hierarquia entre eles, e os criados mais próximos do patrão tinham uma sala particular para suas refeições.

Shizune e Kakashi desfrutavam de uma parte do banquete que lhes era permitida. Assim que o Sr. Wittenberg avistou Neji, levantou-se e perguntou:

— Sr. Neji, podemos ajudá-lo?

— Estou a fim de comer mais. A conversa na sala está chata — respondeu Neji, puxando uma cadeira, virando-a e sentando-se de maneira descontraída.

— Nesse caso, siga-me à sala de jantar; eu lhe servirei, Sr. Neji — disse Kakashi, se preparando para sair.

— Na verdade, eu perguntaria se não seria incômodo comer com vocês. — Mesmo sem esperar a resposta, ele retirou um pedaço de bolo.

Os dois se entreolharam.

— Não nos parece muito adequado, Sr. Neji — Kakashi expressou o que pensava.

— Ah, parem! Sei que sou parente da patroa de vocês, mas meu tio não pretende morar aqui, e que eu saiba, ainda sou um pobre que mora no campo — disse, jogando o pedaço na boca e mal mastigando antes de engoli-lo. — Ainda sou um de vocês.

Kakashi e Shizune se entreolharam novamente. No final, ela deu de ombros, e o mordomo retornou ao seu assento. Os criados, cansados, só queriam aproveitar um pouco da noite, após a correria do repentino casamento.

~

No final da noite, Hanabi estava reanimada. Afinal, a ajuda financeira que o pai receberia significava que, futuramente, sua condição melhoraria. Não era de todo mal; só precisava de paciência.

Naruto pediu que a família da esposa se acomodasse nos quartos de hóspedes e sugeriu que, pela manhã, o cocheiro da propriedade os levasse de volta.

— Não se incomode, Sr. Uzumaki. Já fez muito por nós. Não estávamos preparados para passar a noite fora e paguei alguém para vigiar as ovelhas somente por hoje — respondeu Hiashi, educadamente negando, enquanto colocava uma mão no ombro do genro.

— Você e minha filha precisarão de mais espaço. Acredito que tenha disposição para dar a ela maior atenção e evitar receber outros hóspedes durante a semana — acrescentou, com um olhar significativo.

Naruto assentiu, entendendo o recado sobre a consumação da semana nupcial. Ao lado do marido, Hinata sentiu as maçãs do rosto ardendo em um tom avermelhado.

Hanabi sorriu, tentando conter a risada ao ver o constrangimento da irmã. Depois, observou o cunhado, refletindo: “Será que ele tem disposição mesmo?”

Desconhecia a extensão do dano causado pelo incêndio. O que Hanabi via era que o Uzumaki não largava a bengala e, sempre que possível, apoiava-se na parede para ajudar na locomoção.

“Coitada da minha irmã, ele já está tão acabado; acho que não conseguirá engravidá-la”, pensou Hanabi. Em seguida, sorriu ao considerar: “Ainda bem que ela não casou com Kawaki; assim, sou a última esperança de prover bebês com a mistura das linhagens Uzumaki e Hyuuga.”

De olhos fechados, apertou as mãos, sacudindo-se para lá e para cá, toda apaixonada por um rosto que ainda não conhecia.

— Hanabi! — chamou Hiashi, irritado.

Hinata já havia se despedido do pai e do primo, restando apenas a despedida da irmã. Corando, Hanabi pediu desculpas pela distração. Encaixou-se nos braços de Hinata, recebendo um beijo na testa. Em seguida, despediu-se formalmente do cunhado.

Por fim, restava se despedir das crianças, que já dormiam exaustas na sala de estar, rodeadas pelos brinquedos.

~

Após a partida da família Hyuuga, Hinata encaixou as mãos diante do ventre, nervosamente mexendo os dedos. O casal permanecia no portão do muro baixo, e a carruagem já não era mais visível.

— Está muito frio aqui fora — quebrou o silêncio Naruto. — É melhor entrarmos logo.

Com cuidado e apoiado pela bengala, o loiro virou-se em direção à casa. A perolada se abraçou, observando o céu estrelado.

Depois, impulsionou-se para alcançar o marido, acompanhando seu passo.

— Sr. Uzumaki, vou cuidar de Miina e depois irei ao seu quarto.

— Ele é seu quarto também, fique à vontade. Acredito que meu mordomo já encheu a nossa banheira.

“O nosso quarto.” Aquela expressão fez com que o rosto de Hinata ruborizasse. A partir dali, ela teria objetos compartilhados com o marido.

— Acordarei Menma III — avisou Naruto.

— Tudo bem, Sr. Uzumaki.

Repentinamente, ela parou de andar, olhando para seu vestido. O tecido era de um tom azul pastel, com mangas até o meio dos braços, babados no acabamento e um decote reto em babado branco.

— Oh céus.

— Algum problema? — perguntou Naruto, parando e virando-se para ela, a seis passos de distância.

— Sr. Uzumaki, lembrei-me de que não trouxe minhas roupas de casa. Esse vestido foi a Sra. Hollingshead quem me arranjou.

Os olhos azuis do loiro percorreram o vestido da esposa. Ele apertou a bengala com força.

Virando-se, continuou a andar, revelando:

— Há vestidos que minha falecida esposa não usou. Espero que não se incomode em usá-los.

Impressionada, a perolada se manteve estática, questionando-o:

— E-e... esse é um deles?

— Sim.

Ela apressou-se em alcançá-lo, retornando ao lado do marido.

— Eu não me incomodo. Na verdade, deveria ser eu a perguntar se está tudo bem para o sen...

— Como eu disse — interrompeu Naruto —, são vestidos que Sara não chegou a usar. Está tudo bem. São novos.

— Tudo bem então — Hinata apertou as mãos. — Mas... — corou. — E as peças íntimas?

Naruto parou diante da porta da sala de estar, sem saber se havia peças íntimas não utilizadas por Sara.

— Amanhã, vá a Bielog fazer compras, acompanhada de Shizune. Escolha quantas peças achar necessário.

— Agradeço, Sr. Uzumaki.

Ele aguardou que ela passasse na frente. Agradecida, a perolada entrou na sala, seguida pelo marido.

Miina tornou-se o foco da atenção de Hinata, que caminhou até a menina, abaixou-se e, com cuidado, a carregou nos braços. Naruto observou a esposa sair com a pequena, a bengala tremendo em sua mão, apertada com força.

Ele lamentava não poder fazer o mesmo com Menma III, que estava jogado no chão. Por um momento, em sua visão, a imagem do filho foi substituída pela de um Kawaki mais novo.

~

Mais tarde, com Miina adormecida na cama, Hinata saiu do quarto com uma sensação terna no coração. Durante o asseio, a menina acordou e pediu que a perolada lesse uma história.

Hinata pegou seu livro de contos. Não importava que a história fosse repetida; a ruivinha escutava como se fosse a primeira vez. Seus momentos com Miina tornaram-se mais doces, pois agora a via como uma filha. Era tão gostoso ser mãe.

Perdida nesses pensamentos, chegou ao corredor do quarto que compartilharia com o marido. Para sua surpresa, seu enteado loirinho a aguardava diante da porta.

O pequeno Uzumaki vestia um pijama com bordado de carneirinhos, uma gracinha. Ao se aproximar a dois passos dele, Hinata perguntou:

— Sr. Menma III, aconteceu algo?

— Ah... eu vim... vim desejar boa noite.

— Boa noite, Sr. Menma III — respondeu ela, com um sorriso gentil.

Ele abaixou o olhar, encarando os dedos dos pés, que mexia sem parar, com os braços atrás do corpo.

Hinata se moveu mais, posicionando-se de frente para o menino. Curvou-se, apoiando as mãos nos joelhos, e o questionou:

— Tens certeza de que é só isso, Sr. Menma III?

— É sim. Boa noite, Sra. Hinata — ele respondeu, desviando-se dela e correndo para fora do corredor em poucos segundos.

— Cuidado, Sr. Menma III — pediu ela, temendo que ele caísse.

A madrasta permaneceu imóvel, estranhando, observando a direção pela qual o menino havia ido. Então, se perguntou se Menma III permitiria que ela aumentasse a intimidade entre eles. Ela adoraria ser mãe de um menino; ele era tão doce.

Confirmando que o pequeno não retornaria, Hinata se concentrou na porta.

— Sr. Uzumaki — chamou suavemente.

Desferiu três leves batidas contra a madeira. Aguardou um minuto e repetiu a sequência de batidas. Estranhando a falta de resposta, resolveu entrar assim mesmo.

Empurrou a porta e anunciou:

— Estou entrando.

Para seu desagrado, o ambiente se encontrava vazio. Ao andar pelo cômodo, a perolada notou a predominância de cores escuras no quarto do marido. O luto não se refletia apenas em seu comportamento, mas também em seus pertences.

Não havia decoração, tudo era simples e sem vida. Até na simplicidade poderia se encontrar beleza, mas no quarto dele...

Afastando as cortinas negras de um canto, encontrou a banheira, que estava cheia até a metade. Procurou ao redor, mas não encontrou um bidê. Isso entraria na lista de itens que precisaria comprar quando fosse a Bielog.

A água fria não incomodou Hinata. Banhos quentes eram raros, já que se acreditava que a água quente fazia mal à saúde. Mesmo no inverno, nas poucas ocasiões em que as pessoas se banhavam, evitavam aquecer a água.

Após o banho, enxugou-se com a toalha que havia deixado dobrada sobre um tamborete de madeira. Sentou-se ali, a ex-Hyuuga se secando cuidadosamente. Quando terminou, levantou-se, apertando a toalha contra o corpo. A maciez do tecido a fez supor que era feito de lã de ovelha.

Caminhou até o kas, o grande armário de duas portas. Dobrando a toalha e colocando-a sobre o ombro, abriu o armário e se deparou com uma pilha de vestidos, todos bem dobrados. Porém, não encontrou nenhum chemise.

Mais um item para adicionar à lista. Pensando melhor, decidiu que, quando fosse a Bielog, visitaria sua antiga casa para buscar seu chemise.

Não era apenas porque agora estava em uma situação financeira melhor que se sentiria à vontade para gastar sem necessidade.

— Bem... para a noite de hoje, acredito que não precisarei de chemise, nem de peça íntima.

Comentou ficando vermelhinha.

Guardou sua toalha sobre o tamborete e se encaminhou à cama, pusera-se sob a confortável coberta, e aguardou seu marido.

Sabia sobre os detalhes que lhe aconteceriam na consumação matrimonial.

A idosa de quem cuidou, em seu último trabalho antes da propriedade Uzumaki, ela lhe explicou tudo.

Sorriu.

Naruto jazia sendo tão gentil, que já não acreditava que ele se ausentaria de seu compromisso como marido.

Esperou-o motivada.

O tempo passou.

E passou.

A esperança da perolada foi se encurtando.

E a tristeza crescendo.

Deviam ser duas horas da madrugada, quando Hinata não resistiu mais.

Não conseguiu esperar o marido mais que aquilo, foi um dia tão agitado e cansativo que se entregou à exaustão, adormecendo de vez.

~NH~

Na manhã seguinte

Quarta feira.

~NH~

Após seu despertar, Hinata se espreguiçou deliciosamente. Aquela cama era um milhão de vezes mais confortável que a sua antiga, que, por sua vez, já contava com um colchão reforçado com pelagem de ovelha.

Sentando-se, esfregou as pálpebras para se livrar do sono. Porém, ao abaixar as mãos, decepcionou-se ao encontrar o vazio ao seu lado na cama.

Seu marido não pretendia consumar a relação íntima, confirmava.

Uma dor atravessou o coração de Hinata, que abraçou as próprias pernas. Ela sonhava em cuidar dos filhos de Naruto e, quem sabe, aumentar a família. Uma casa tão grande, cheia de espaço para correr e brincar, era perfeita para acolher muitos filhos.

Respirou fundo e esfregou o nariz, decidida a não se deixar levar pelas lágrimas. Agora ela tinha uma família e lutaria por ela. A primeira coisa que faria seria verificar se seu enteado mais velho já estava melhor. Queria saber o que ele tinha, para poder preparar algo que melhorasse sua saúde.

Hinata saiu do quarto vestindo um vestido do mesmo modelo que usara na noite anterior, mas em um verde abacate vibrante. Desprendeu os cabelos do toucado, apenas prendendo-os em um coque, permitindo que suas madeixas azuladas caíssem suavemente emoldurando seu rosto.

Caminhou em direção ao corredor dos quartos das crianças. Corou ao cruzar com algumas criadas, que se curvaram em respeito.

— Bom dia! — desejou, seguindo seu caminho.

Ao chegar à entrada do corredor, Hinata se emocionou ao avistar Miina adormecida no chão, em frente ao quarto que ela usava quando era babá. A pequena parecia ter se esquecido de que Hinata não dormiria ali.

Erguendo a saia pelos lados, apressou-se até a menina, abaixando-se para dar um leve empurrão no ombro da ruivinha.

— Acorde, meu amor.

Miina bocejou, ainda sonolenta. Quando seus olhinhos se abriram, ela não disse nada, apenas estendeu os braços para Hinata, que rapidamente a carregou no colo e a levou para o quarto.

A criança dormiu novamente antes mesmo de chegarem ao destino. Deixando Miina bem embrulhada na cama, a madrasta acariciou seus cabelos curtinhos e lisinhos, antes de se retirar silenciosamente do cômodo.

Saindo do quarto da pequena, Hinata dirigiu-se ao quarto de Kawaki e bateu levemente na porta.

— Sr. Kawaki, estás acordado?

Esperou, mas recebeu apenas silêncio. Usou um pouco mais de força ao bater e encostou o ouvido contra a porta.

— Posso conferir se estás febril, Sr. Kawaki?

— Meu irmão não está aí. — Menma III avisou, aparecendo na porta.

Hinata olhou para o quarto do loirinho, fixando seu olhar curioso nele. Sonolento, Menma III segurava a maçaneta com uma mão enquanto a outra esfregava um olho.

— Ele saiu do quarto, que bom! Isso significa que o Sr. Kawaki está melhor.

— Não, ontem escutei os criados conversando. — Menma III se aproximou da Sra. Uzumaki e, com um dedo indicador, a chamou.

Hinata se curvou para ouvir o que ele tinha a dizer.

— Quando meu pai foi buscá-la, ele e meu irmão brigaram. Depois disso, quando papai retornou, Kawaki já havia fugido.

Dilatando os olhos, Hinata endireitou a postura, apertando nervosamente a saia do vestido.

— Por que eles brigaram?

— Não sei. Os criados não falaram disso. Eu também queria saber.

— Achas que brigaram por minha causa, Sr. Menma III?

— Hum...

O menino hesitou, sem saber a resposta. Para não preocupar o loirinho, Hinata sorriu suavemente.

— Bem, espero que o Sr. Kawaki reapareça. Eu mesma conversarei com ele. Menma III, que tal fazer sua higiene matinal para compartilharmos a refeição? Aposto que sobrou muita coisa deliciosa de ontem.

Menma III, animado, espantou a sonolência e assentiu.

— Só uma pergunta, Sr. Menma III. Viste seu pai hoje?

Menma abaixou a cabeça, seu olhar vagou pelo chão antes de retornar à madrasta.

— Ontem eu o vi indo para a sala que tem o quadro da mamãe.

Hinata franziu a testa, intrigada. Ela ainda não conhecia aquele cômodo.

— Ah, é? E onde fica essa sala?

Notas finais
Bons sonhos, querido público.