Doce Criada

21 Capítulo: de novo, Kawaki?!


Kabuto elevou um sorriso ansioso, admirando a imensa determinação do Sr. Uzumaki. Ele decidiu sugerir:

— Semana que vem? Se o senhor quiser, acompanhe-me à Bielog amanhã; realizarei o procedimento em meu laboratório.

— Amanhã? — Naruto questionou, surpreso. Em seguida, sussurrou para si mesmo: — Sim, amanhã.

Sua esposa iria à igreja e passaria algum tempo com o pai e a irmã na propriedade Hyuuga. Ele pediu que ela levasse as crianças.

Analisando a hesitação do loiro, Kabuto considerou que Naruto poderia ter outros compromissos. Então, sugeriu:

— Se estiver muito em cima da hora, podemos remarcar para a semana que vem, Sr. Uzumaki. Eu pos...

— Não. — Naruto negou, sério. — Amanhã será perfeito. Mas seria possível realizar esse procedimento em minha casa, Dr. Dittman?

— Se o senhor se sentir mais à vontade. — Kabuto respondeu, sem problemas. Era um pedido comum de pacientes, já que, dependendo do procedimento, o deslocamento poderia aumentar o risco de complicações. Portanto, era mais apropriado ser atendido no próprio lar.

Após a visita do doutor, que durou cerca de dez minutos, Naruto se arrumou para encontrar sua família. Aproveitaria o restante do dia na companhia da esposa e dos filhos, desfrutando de um último belo passeio em família antes do procedimento.

A ideia do procedimento o assustava, mas ao pensar no resultado, o medo se tornava pequeno como um grão de areia.

Ele colocou uma máscara que imitava o olho de uma raposa, com um canto que se assemelhava a uma orelha pontuda e não muito longa. A nova máscara era laranja-avermelhada, e ele usava uma capa laranja, ambas escolhidas por Menma III e Miina, e finalizadas por sua doce e dedicada esposa.

A capa se sobrepunha a uma roupa branca de mangas longas e gola alta, sobre a qual um colete cinza escuro se prendia. A calça marrom-café se encaixava nas botas pretas de cano longo. Em suas costas, ele sustentava um mosquete — fazia tempo que não usava um. Levava-o apenas por hábito, não esperando encontrar perigo real na floresta.

Ao encontrar Sai, pediu que ele fosse à frente, a cavalo, para alcançar Hinata e as crianças.

— Diga a eles que estou a caminho, Sr. Diskin.

— Sim, senhor.

O cocheiro foi ao estábulo enquanto Naruto seguiu a pé, apoiando-se em sua bengala. Não demorou muito para que o Sr. Uzumaki fosse ultrapassado por Diskin.

Durante sua caminhada, o loiro se surpreendeu ao chegar ao início da floresta sem precisar pausar para descansar. Riu, lembrando que, no começo do mês anterior, teria desmaiado antes de completar o caminho entre as plantações de batata.

Reencontrou Diskin, que, sem sair da montaria, estendeu o braço e orientou com a mão:

— Eles estão nessa direção, Senhor. Animaram-se ao saber estás indo encontrá-los; aguardam-no ansiosos.

O rotundo azulado flamejou.

— Obrigado, Sr. Diskin.

Naruto agradeceu, assentindo. Ansioso, avançou com sua bengala para mais dentro da floresta. Sai observou seu patrão se distanciar, sorrindo enquanto sacudia as rédeas e voltava ao estábulo, refletindo sobre o quanto o loiro mudara. Até a voz não era mais tão rouca como antes, combinando com aquele novo visual um pouco mais vibrante.

O rosto da Sra. Uzumaki se iluminou ao ver seu marido se aproximar. Ela e as crianças aguardavam sob uma árvore sem folhas, como quase todas as outras ao redor, restando apenas algumas que sustentavam folhas outonais.

A pequena ruivinha correu para abraçar as pernas de seu papai Fera. Menma III se empolgou ao ver o pai fora de casa com o novo visual. Nas outras vezes em que Naruto experimentou o novo visual, limitou-se a permanecer dentro do lar.

Miina agarrou a mão enluvada esquerda do pai e, com a outra mãozinha, apontou para as marcas na lama meio seca, avisando:

— Olha, papai, são pegadas de raposa!

Naruto fitou as marcas, pensativo. Soltou a mão da filha e retirou o mosquete das costas. Agora uma mão sua continuaria ocupada com a bengala, e a outra, com a arma. Se visse algum perigo, teria que ser rápido em largar a bengala e usar a outra mão para posicionar o mosquete com maior precisão.

— Não tenho certeza se são pegadas de raposa. Podem ser de um lobo ou de outro animal de grande porte.

Menma III agitou os braços, argumentando:

— Mas pai, estamos longe do território dos lobos. O único animal possível de estar próximo é a raposa que já vimos uma vez.

Reflexivo, Naruto ponderou:

— Estamos entrando na estação invernal. É um período em que a caça se torna difícil para alguns animais, e é possível que um lobo passe de seus limites territoriais quando a fome aperta.

Sentiu um arrepio ao perceber que sua família havia passeado pela floresta mais de uma vez, sem companhia de alguém armado. Relaxara demais em relação à segurança deles. Mesmo que o perigo fosse baixo, a ideia de um lobo atacando-os longe de seu território atormentava sua mente.

— É melhor voltarmos para casa. — Sugeriu Hinata, colocando-se entre os pequenos e agarrando a mão de cada um. — Não quero que vejam o pai de vocês matando um lobo; era para ser um passeio tranquilo.

As crianças se desanimaram ao ouvir isso. O pai observou os rostos tristes por alguns segundos.

— Podemos prosseguir com o passeio. — Naruto disse, trazendo de volta a animação das crianças, que saltitaram de alegria.

Ele acrescentou:

— As marcas indicam que é só um lobo. Atirarei para o alto se ele aparecer. Um lobo sozinho, longe de seu território, se limitará a pequenas presas; não se arriscará a enfrentar-me.

Olhou seriamente para os membros da família e estabeleceu uma nova regra:

— Mas daqui por diante, se eu estiver ausente, peçam ao Sr. Diskin ou ao Sr. Flynn que os acompanhem. Eles sabem manusear mosquetes e atirarão para o alto sempre que um lobo aparecer. — Então, fixou a vista no filho. — Menma III, está na hora de retomar suas aulas de caça e começar a trazer um mosquete também.

— Está bem, pai, mas quem vai me ensinar? Kawaki não sai do quarto e, quando sai, é para caçar sozinho.

Como seu irmão era quem lhe ensinava tudo, as aulas de equitação, leitura e escrita também foram interrompidas. O pouco que aprendia sobre escrita e leitura vinha de Hinata, mas sem um horário fixo.

— Arranjarei alguém. — Respondeu Naruto, segurando-se para não revelar que ele mesmo ensinaria o filho, assim que recuperasse sua boa forma.

O menino, inquieto, perguntou:

— Podemos continuar andando?

— Raposa, raposa! — Miina gritou, agitada.

O marido e a esposa trocaram olhares, e a perolada, mais tranquila, respondeu:

— Está bem, mas não se soltem de mim.

Ela agarrou uma mão de cada pequeno Uzumaki, decidida a não soltá-los tão cedo.

Menma III comentou, um tanto desconfortável:

— Não temos como soltar, mãe.

Naruto avançou à frente da família.

— Esconde a arma, papai. — Miina pediu. — A dona raposa vai ficar com medo.

— Não, amor. Seu pai precisa estar preparado para atirar para o alto se algum lobo solitário aparecer. — Hinata ressaltou.

— Huuum. — Miina fez bico, mas parecia satisfeita.

~

Conforme o tempo avançava, o passeio voltava à sua tranquilidade. Eles pisavam onde a lama estava mais seca e escolhiam passar por cima de pedras e troncos caídos.

Ao chegarem às proximidades do lago, Naruto avistou a casa abandonada mencionada pela família.
Menma III comentou:

— É aqui que achamos que o leprechaun mora, pai.

— Ela é muito bonita. — Elogiou Naruto.

— Eu queria que fosse um ponto de descanso para nós. — Hinata revelou. — Nossos passeios pela floresta estão se tornando frequentes.

— Concordo. Nada que uma boa reforma não resolva. Poderíamos até dormir aqui.

O marido apoiou a ideia, fazendo a esposa sorrir amplamente.

Menma III arregalou os olhinhos e questionou:

— Então ficaremos com a casa do leprechaun?

— Claro, cuidaremos dela para ele. — Respondeu Naruto.

O menino comemorou.

— A raposa, a raposa! — Miina apontou para o outro lado do lago.

— Olha, lá está ela! — Menma III exclamou, contente.

Hinata sorriu, soltando as crianças e colocando as mãos na frente do corpo, admirando a pelagem daquele belo animal.

A raposa exibia sua elegância natural, com a pata superior direita dobrada, enquanto abaixava a cabeça para que sua língua alcançasse a superfície gelada do lago. Sua cauda volumosa balançava suavemente.

Ela notou a presença deles.

Em movimentos lentos, Naruto colocou o mosquete nas costas, evitando que o belo animal se sentisse ameaçado. Compreendendo que eles não pretendiam cruzar o lago, a raposa continuou saciando sua sede.

— Como ela é linda! — Elogiou Hinata, maravilhada.

Miina prendeu o beiço inferior com os dentes, apertando e abrindo as mãozinhas, louca para acariciar a linda criatura da natureza. Menma III lambeu o dente enquanto contemplava a raposa.

BANG!

Um tiro acertou a pata superior direita da raposa. Miina e Hinata gritaram ao mesmo tempo. Menma III abriu a boca, de olhos arregalados, em pânico. Prestes a brigar com seu pai:

— Papai, nã...

O menino se interrompeu, pois, ao virar o rosto, constatou que o pai não havia retirado o mosquete das costas. A face do Sr. Uzumaki se convergia para onde o tiro havia sido disparado. Com o olhar, Menma III seguiu a direção em que Naruto fixava a vista. Dilatou suas pupilas ao localizar o culpado que segurava o mosquete. Decepcionado, o menino murmurou:

— Não... Kawaki.

O visual do rapaz era predominantemente preto, e ele fitava a raposa que, cambaleante, fugia. Ignorando a família, o rapaz intencionou atravessar o lago para alcançar a raposa. Naruto se colocou em seu caminho, barrando-o. O loiro largou a bengala e cingiu suas mãos ao mosquete do filho. Kawaki cerrou os dentes; a raposa sumia na mata, saindo de seu campo de visão. Pai e filho mediram forças, ambos objetivando tomar posse da arma, assistidos pela família assustada. Hinata abraçou Miina, impedindo-a de continuar testemunhando a briga.

Menma III gritava ininterruptamente para que os dois cessassem o embate.

— O que pensas que estás fazendo?! — bradou Kawaki. — Estás atrapalhando minha caça!

Naruto usava toda sua força, ignorando as dores que surgiam nos músculos. Respondeu:

— A raposa não faz parte dos alvos de caça desta região. Cace outros animais!

— Aquela raposa dará um bom dinheiro, não viste a pelagem dela?!

— Ainda és meu herdeiro, não pretendo tirar sua herança! Não precisas arranjar dinheiro, Kawaki!

— Não quero teu dinheiro! — exclamou o rapaz, de olhos cerrados. — Conseguirei minha própria fortuna e partirei daqui depois que o inverno acabar!

— Não parta, Kawaki! Eu não serei totalmente feliz se partires. És um pedaço de Sara que quero perto de mim.

Naruto largou o mosquete, erguendo as mãos à altura dos ombros, completamente rendido. Kawaki, segurando a arma rente ao peito, ficou estático, de boca semiaberta e pupilas dilatadas.

— Eu peço perdão por tudo! — gritou Naruto, com voz trêmula. E continuou, sem abaixar as mãos: — Estou passando por um momento de renovação, quero passar por isso contigo. Se não, sempre restará um pedacinho não renovado, que é a minha falha como pai. Se nunca puderes me amar como pai novamente, apenas sua presença será o bastante, mas não fique longe de mim, eu imploro.

Naruto avançou lentamente, abraçando o jovem Uzumaki, que permaneceu estático. Por cima do ombro do pai, Kawaki observou o irmão esfregando as pálpebras, e depois pousou o olhar em Miina, sendo consolada pela madrasta. Hinata espremia os lábios e exibia algumas lágrimas de preocupação. Com força, o rapaz fechou os olhos novamente e desferiu uma joelhada no estômago do pai.

— Sr. Uzumaki!

A pequena mulher gritou, de coração acelerado. Miina gritou também, sem entender o que acontecia, mas assustada pelo grito da mãe.

Naruto proferiu um longo gemido de dor, ajoelhando-se.

— Falou isso somente por causa dela. — Kawaki se referiu à madrasta. Largou o mosquete e saiu correndo. Esqueceu-se da raposa e do cavalo que o aguardava nas proximidades. Simplesmente escolheu qualquer caminho na floresta, pretendendo se distanciar de todos.

Menma III, chorando, foi socorrer o pai. Hinata, sem largar a menina, se aproximou do esposo. Naruto alcançou sua bengala, dolorosamente, e disse:

Não se preocupem comigo... voltem e busquem ajuda para encontrá-lo...

— Não o deixaremos aqui, Sr. Uzumaki — falou Hinata, sem pressentir algo bom vindo da fala do marido.

— Eu tenho que ir atrás dele, enquanto vocês voltarão e me esperarão em casa. Deixem que eu e criados cuidem da busca pelo meu filho. — Naruto se ergueu e em meio à dor, encarou-os, utilizando-se de um tom grave nas seguintes palavras: — É uma ordem.

Pelo olhar do esposo, a pequena mulher percebeu que ele se enfureceria se não fosse obedecido.

— To-tome cuidado — Hinata pediu.

Ele a assentiu e observou que Menma III se mantinha esfregando os olhos. O menino não conseguia conter as lágrimas.

Miina pálida e sem saber o que pensar apenas se agarrava ao pescoço da mãe com toda a firmeza possível.

Naruto colocou o mosquete do filho nas costas, passando a carregar duas armas, e com sua bengala, e ainda sustentando dor, avançou pela direção que o jovem Uzumaki correu.

Não perderia seu filho, não importava quantas joelhadas ele lhe desse.

~

Hinata retornou com as crianças.

No caminho, Menma III reconheceu o cavalo de Kawaki.

A ex-Hyuuga conduziu o equino junto com eles de volta à propriedade Uzumaki.

A perolada conversou com o cocheiro e o estribeiro.

Em breve, os dois homens recolheram um grupo de criados, informando o que havia sido repassado a eles pela Sra. Uzumaki.

Dentro de uma hora, os criados se organizaram em três grupos de busca e se dirigiram à floresta.

Foi pelo meio da tarde que Hinata, preocupada com a chuva que se armava, resolveu aproveitar que Miina adormecia e se preparou para retornar à floresta.

— E-eu sinto muito, Sr. Uzumaki... mas... mas... não posso ficar parada sem fazer nada.

Disse para seu reflexo no espelho antes de se retirar do quarto. Precisava contribuir com a busca. Se conseguisse encontrar Kawaki...