Do We Have A Baby?
1 Uma cegonha em um balcão
Notas iniciais
Estava tudo normal naquela manhã de quinta-feira em Nova York, todos seguiam suas vidas, suas rotinas de trabalho, escola, faculdade, seja lá o que cada um tenha de afazeres. O sol brilhava forte no topo do céu, dando uma visão bonita a cidade.
Porém, claro que não teríamos uma história se fosse tudo normal, não é mesmo? Algo incomum, ou errado, tem que acontecer para que haja uma narração interessante. Então vamos começar logo a contar essa história, que se auto explicará sozinha.
A porta do grande prédio se abriu, afinal era automática, e em passos tortos, devido a sua carga, Ricardo, adentrou o prédio, olhando a sua volta, a procura de alguém para que possa entregar a encomenda, que dormia tranquilamente; não demorou em achar, o porteiro, Ethan, que olhou a cegonha com o bebê na boca e sorriu, afinal o mesmo havia lhe entrego seu filho a menos de um mês.
— Olá Ricardo, quem é o sortudo que vai ter um bebê novo hoje? – Nakamura questionou, vendo a ave voar e pousar em cima do balcão, para que o homem pegasse a carta que tinha os endereçados. — Estranho, não sabia que eles eram um casal.
Alguns andares acima, Thalia prendia seu cabelo enquanto olhava o armário da cozinha, a procura da ração de sua gata, Destiny, que estava sentada na cadeira a mesa esperando-a.
— Não me olhe assim... — a morena repreendeu, pegando o potinho. — Viu achei, para que tanto drama? — questionou curiosa, servindo a gata, que não tardou em comer sua refeição.
No apartamento ao lado, Nico avaliava seu computador em silêncio, trabalhava com publicidade e estava encarregado de criar um roteiro para o novo comercial da Nike, mas nada lhe vinha em mente, afinal tudo já parecia ter sido criado.
Bebericou seu café, quase pulando no sofá com susto de ter o seu interfone tocando.
— Bom dia senhor Di Ângelo, encomenda para o senhor, pode descer, por favor? — Ethan pediu, repetindo, assim que foi atendido, a frase que tinha dito segundos atrás a Grace, vizinha do homem.
— Claro, estou descendo — Nico disse dando de ombros, pegando sua chave e indo direto ao saguão, quanto mais rápido descesse, mais rápido poderia voltar ao trabalho.
Apertou o botão do elevador, e pode ouvir a porta ao lado do seu apartamento abrindo, revelando sua bonita vizinha com roupa de ginastica e um pão na mão saindo.
— Bom dia! – Ambos falaram em uníssono, era sempre assim que eles se encontravam.
— Térreo? – Nico questionou já que ele tinha ficado ao lado dos botões do elevador.
— Sim, obrigada – respondeu, com tédio, comendo sua comida.
A música do elevador foi o único som entre os dois, até que ambos pararam no andar que eles queriam, caminhando até o balcão, onde Ethan encontrava-se com uma cegonha e um bebê ali.
— Parabéns! – Nakamura disse, sorrindo para os dois que se entreolharam confusos.
Não pela cegonha com um bebê, isso é normal, acredite! Elas vivem por aí voando, entregando bebês a casais que não podem ter filhos do modo convencional, ou pais e mães solteiros que querem um bebê, ou até mesmo para casais no qual a mulher não quer passar pela dor do parto, o do porque eles estavam confusos vem em seguir.
— Isso é alguma piada? – Thalia questionou, afastando um pouco o lenço que a cegonha tinha na boca, para carregar a criança, vendo o bebê dormindo.
— Também não estou entendendo – Nico falou pasmo, levando a mão ao cabelo, também olhando o bebê.
— Aqui – O porteiro entregou a carta, que Thalia tratou de pegar e começar a leitura.
— Parabéns Senhor Nico Di Ângelo e Senhorita Thalia Grace, o pedido de vocês foi aprovado, seu filho com a mistura genética perfeita de vocês dois acaba de nascer, dia vinte e dois de outubro, Ricardo, nossa melhor cegonha está fazendo a entrega, ele aceita biscoitos de gorjeta, mas não se sintam obrigados a nada, esperemos que aproveitem seu novo filho – ela disse olhando incrédula em seguida para o pequenino – tem algo a dizer? – virou-se para Nico, que estava pasmo.
— Eu não pedi esse filho, pelo amor, eu tenho apenas vinte e cinco anos, não quero uma criança, eu nem te conheço – o Di Ângelo direcionou-se a Thalia, que também não havia pedido o bebê.
— Eu também não pedi, estou satisfeita com meu gato como filha – a Grace falou, virando para a cegonha — Ricardo, né? – questionou e a cegonha assentiu com delicadeza devido ao bebê ainda consigo. — Houve um engano, nós... — apontou para si e Nico — não pedimos essa criança.
Como resposta, Ricardo levantou voo, jogando a criança no colo da morena e saiu voando prédio a fora, sem nada dizer, bom, é uma cegonha, elas não falam.
Thalia arrumou a criança no colo, que acordou com o impacto, mexendo levemente, vendo os enormes olhos azuis elétricos que claramente vinham dela no menino, que tinha a pele pálida e cabelos negros como o do Di Ângelo, porém, levemente cacheados, que também poderia ser identificado como parte da garota.
Uma carta estava nas mãos pequeninas e gordinhas do bebê, que Nico pegou, ali tinha escrito basicamente uma certidão de nascimento, que dizia que ele era o pai e a sua vizinha a mãe, só que a carta estava incompleta, já que não havia o nome do pequeno.
— Ok, o que faremos? – Di Ângelo perguntou, começando a ponderar a ideia de ter que ser pai desse bebê.
— Como assim o que faremos? – Thalia questionou pasma – Não somos pais, não nos conhecemos mais do que bom dia e boa tarde, descobri seu nome por uma carta que basicamente diz que temos um filho juntos, não tenho nada para cuidar de um bebê, não posso ser mãe dele.
— É, mas tudo diz que você é – o homem gesticulou a certidão de nascimento vendo o menino no colo da Grace olhar rindo, como se aquilo fosse um brinquedo.
— Não tem como devolver o bebê — Ethan se intrometeu — é uma das normas quando se faz o pedido, e ele tem o DNA de vocês dois, mesmo vocês não tendo feito nada, ele ainda é sangue do seu sangue, não podem deixa-lo.
Eles ficaram em silêncio por algum tempo, refletindo com a informação de não devolução que o Nakamura tinha passado a eles.
— Vamos subir, conversar com calma – Nico sugeriu e depois de alguns segundos, Thalia acabou aceitando.
O bebê estava quieto no colo da mãe, suas mãozinhas brincavam com o cabelo da garota, e além da frauda branca ele usava uns óculos perfeitos para seu rostinho, porém ainda grande, que lembrava a morena dos óculos do Harry Potter, o que a fez reparar que ele era um pouco parecido com o pequeno por alguns segundos.
Ele era lindo, não podia negar, seus lábios finos e sua boquinha ausente de dentes, os olhos gigantes azuis, as bochechas gordinhas assim como suas mãozinhas e pezinhos a fazia querer aperta o menininho.
— Qual vai ser o nome dele? – a Grace se deu por vencida, olhando o Di Ângelo, que também babava no filho.
— Pensei que não ficaria com ele – Nico rebateu, sorrindo, ele mesmo agora já estava começando a aceitar a ideia, era simplesmente irresistível, parecia que ele realmente era o pai, que tinha esperado nove longos meses pelo nascimento daquela coisinha pequena.
— Eu não disse que ia... – mas ela ia – mas é muita crueldade deixa-lo sem nome.
— Tem algum em mente? – perguntou, vendo a porta do elevador se abrir e ambos saíram, indo ao apartamento dela.
— Eu gosto muito do Stiles de Teen Wolf – Thalia soltou, vendo Nico fechar a porta enquanto ela se sentava no sofá com o bebê no colo.
— Dizem que eu sou parecido com ele – Nico comentou se sentando também, dando o dedo para a criança, vendo-o agarrar com as duas mãozinhas.
A Grace avaliou o Di Ângelo da cabeça aos pés, refletindo.
— Não, nem tanto – deu de ombros depois de um tempo comparando.
Nico riu, brincando com a criança.
— Que seja, não vamos chamar nosso filho de Stiles – afirmou o homem, estranhando a frase, mas ignorou isto, fazendo a morena revirar os olhos.
— O nome do Stiles, não é Stiles, é Mieczyslaw – corrigiu a menina, fazendo o homem parar e arregalar os olhos.
— Cruz credo, não vamos colocar esse nome em uma criança, eu nem sei falar esse nome e a regra mínima básica antes de colocar o nome de um bebê é que pelo menos que os pais saibam falar o nome dele – Di Ângelo disse decidido a negar até a morte.
— Tudo bem, então... Dylan? – questionou, já que esse era o nome do ator.
— Gostei, simples, mas legal, pode ser – Nico concordou a fazendo sorrir.
O moreno pegou o papel para anotar o nome do pequeno Dylan Grace Di Ângelo, um nome meio grande em sua concepição, mas não se importava muito, o garotinho se viraria bem com o nome.
Enquanto isso, ele pode ver de canto de olho uma gatinha pulando no sofá e indo conhecer o pequeno bebê, com uma cara curiosa. Destiny se aproximou do garotinho, que a olhava fixamente, facinado.
— Gostou dele Destiny? – Thalia questionou, vendo a gata colocar suas patas dianteiras em sua coxa, para assim ficar mais perto da criança, miando em confirmação.
— Ela é bem treinada – Nico comentou surpreso com o gato responder uma pergunta.
— Destiny é inteligente.
A gata se aproximou mais do bebê ficando a centimetros de seu rosto, fazendo o menininho ficar levemente vesgo para focar no nariz do felino, e como em uma apresentação amigavel o animal lambeu o nariz pequenino e delicado de Dylan, que se assustou, começando a chorar.
O bicho pulou correndo assustado, se escondendo debaixo da poltrona, enquanto Thalia e Nico, que nunca haviam cuidado de uma criança na vida, estravam em desespero.
— Calma, para de chorar – pediu quase chorando, enquanto o balançava suavemente em seus braços.
— Tudo bem, tude bem, cantar funciona – Nico disse lembrando de sua irmã um dia tinha comentado algo do tipo. — Living easy, livin' free, season ticket, on a one way ride
asking nothing, leave...
O bebê abriu mais a boca a chorar, fazendo Thalia arregalar os olhos.
— Por favor cala a boca, aprecio seu gosto musical, mas sua voz de taquara rachada não está ajudando, tá apenas assustando ele – a Grace pediu, ofendendo Nico, que levou a mão ao coração surpreso.
— Nossa, desculpa aí cantora de opera – respondeu irônico, revirando os olhos, tentando pensar em algo.
— Faz alguma coisa decente em vez de tentar me ofender – resmungou, tentando acalmar Dylan, mas ele parecia ficar cada vez mais histérico, o que os fazia ficar mais exaltados.
— Minha irmã, ela deve saber o que fazer – Nico disse se levantando, pegando o celular discando o número já conhecido.
Thalia olhou o homem em pé perto da porta, tentando ficar longe do choro da criança, mas de modo que ainda pudesse ficar de olho nele. A Grace tentou seguir a dica do Di Ângelo, começando a cantar a primeira música que lhe veio à mente, que foi a que Nico havia cantado, Highway to Hell, fazendo o Di Ângelo arregalar os olhos com a voz bonita da sua vizinha.
— O que foi, Nico? – Bianca atendeu frustrada.
— Ainda bem, preciso da sua ajuda, por favor vem aqui agora – o menino implorou, vendo o bebê começar a se acalmar, mas ainda sem parar de chorar.
— O que aconteceu? Estou ocupada, não posso sair de casa agora – Bia respondeu ríspida, não conseguindo esconder seu mau-humor no momento, olhando seu marido, Leo, que assentiu para ela.
— Olha, eu não sei como, nem o porquê, mas uma cegonha entregou um bebê para mim e a minha vizinha, por algum motivo aleatório dizendo que era nosso filho, agora ele tá chorando e eu não tenho ideia do que fazer – Nico disse vendo o bebê parando de chorar.
— Um bebê? Nico eu pedi um filho para o serviço de entregas das cegonhas – Bianca falou, fazendo Leo prestar atenção na conversa que agora ela tinha.
— É, mas quem ganhou o filho foi eu.
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