Do We Have A Baby?
2 Pode explicar o porquê de termos um filho juntos?
Notas iniciais
Thalia colocou Dylan entre dois travesseiros em sua cama de casal, vendo a criança dormindo tranquilamente. Respirou fundo, ouvindo Nico abrir a porta, indicando que a irmã dele havia chego com uma explicação, mas não podia deixar o bebê ali sozinho.
— Destiny – chamou, esperando alguns segundos, vendo a gata entrar pela porta do quarto, miando em resposta. – Sobe aqui na cama – pediu, e foi obedecida – olha bem nos meus olhos filha — se ajoelhou para encarar a gata que havia subido na cama — Dylan é seu novo irmãozinho, então você precisa ajudar a mamãe a cuidar dele, pois ele é muito pequeno e novinho para fazer isso sozinho.
A gata virou a cabecinha de lado, como se perguntasse aonde ela queria chegar. A morena suspirou, ansiosa.
— Tudo bem, eu vou resolver umas coisas na sala, preciso que vigie ele, se ele chorar ou cair, preciso que me mie, e tente evitar que ele caia – Thalia falou o que queria que ela fizesse, achando bom acrescentar a última parte.
Destiny olhou o bebê que dormia profundamente, aceitando sua missão, indo até ele, enfiando-se entre os travesseiros com seu corpo em cima do menininho, assimilando que com ela por cima, não conseguiria rolar e cair, assim sua missão estaria comprida.
A Grace deu de ombros, deixando a porta do quarto aberta, saindo em direção a sala, vendo duas pessoas desconhecidas por si, além de Nico em sua sala de estar.
— Thalia, essa é Bianca Di Ângelo, minha irmã, e o marido dela, Leo Valdez – o Di Ângelo apresentou, vendo-a pelo canto do olho se aproximando.
— Prazer – Thals tentou ser educada se sentando. – Poderia começar a explicar o porquê eu e ele termos um filho juntos? – a morena perguntou apontando para si mesma e Nico.
— A história resumida é, eu e Leo decidimos que deveríamos ter um filho, porém, eu trabalho com a indústria da moda, não poderia ter meu corpo se alterando, decidimos apelar para as cegonhas e eu escrevi uma carta, que deve ter se perdido no meio das informações e pensado que eram vocês que queriam o filho – Bia explicou se sentindo mal, tanto por não ter seu bebê, quanto por ter dado algo do tipo a seu irmão e a uma menina que ela nem conhecia.
— E por que eu estava em sua carta? – Nico questionou, pasmo.
— Você tudo bem, é irmão dela, mas e eu? Desculpa, mas não faço ideia de quem você seja – Thalia disse incrédula para a Di Ângelo que assentiu constrangida.
— Eu coloquei o Nico, pois exemplifiquei porque achei que seria uma boa ideia pôr o como eu fui participativa da vida do meu irmão e isso seria uma qualidade boa, e te coloquei Thalia, porque eu já te vi várias vezes no saguão, no elevador, ou em qualquer lugar desse prédio quando vinha visitar meu irmão e como exemplo de aparência, achei que seria uma boa escolha, já que te acho linda – Bianca foi sincera, fazendo a menina ficar constrangida.
— Obrigada, mas agora eu tenho um filho e nem faço ideia de como trocar uma frauda – a Grace se jogou no sofá levando a mão ao rosto, levemente irritada e cansada, pois o pouco que o bebê tinha ficado com eles já a desgastou de forma absurda.
— Me desculpa mesmo, eu vou ajudar a cuidar dele...? Ou dela? – Bianca começou, se interrompendo curiosa.
— Dele, Dylan – Nico falou indiferente, passando a mão nas têmporas, suspirando. – Eu vou comprar algumas coisas, comida para bebê, fraudas, umas roupas, coisas emergências, depois vamos com calma ver do que mais ele vai precisar.
— Eu vou com você, trouxemos algumas coisas, está no carro – Leo se ofereceu, havia sugerido de levar algumas das compras que haviam feito para o filho dele e de sua esposa, para Nico, já que a cegonha não traria sua criança.
Di Ângelo assentiu, se levantando.
— Eu fico aqui, vou tentar ajudar a Thalia com o Dylan – Bia falou, olhando a menina, se sentindo muito mal por todo aquele constrangimento.
— Tudo bem, vê se não nos envolve em mais nenhuma encrenca, por favor! – Nico pediu, seu nível de irritação era claro, uma criança era uma responsabilidade imensa e ele não precisava daquilo.
Seguiu Leo para fora do apartamento bonito e simples de sua vizinha, em direção ao carro, já que o do latino era uma picape, seria bom para eles comprarem coisas.
— Ela não fez por mal – Valdez defendeu a esposa, quando estavam sozinhos no elevador, já que sabia que ela não iria querer que ele o fizesse.
— Eu sei que não, mas não deixou de fazer besteira, tenho um filho com minha vizinha que soube que ela só descobriu meu nome hoje – o Di Ângelo falou se olhando no espelho, estava com a cara de quem havia acabado de acordar, o que ele realmente tinha feito um tempo antes de tudo aquilo acontecer, levantado, feito sua higiene e tomava seu café-da-manhã tentando trabalhar.
— Pensa pelo lado bom, você sempre teve uma quedinha pela Grace – Leo brincou, tentando o fazer se descontrair, mas o que conseguiu foi um revirar de olhos.
— Ela é bonita, tem bom gosto musical, parece ser uma boa treinadora de gatos, mas eu tinha uma quedinha por ela quando eu cheguei no apartamento e ela morava com o namorado loirinho – Nico retorquiu, nunca havia falado com o menino, ele parecia ser boa pessoa, porém, ele tinha pego um pouco de rancor dele devido a ele ter tido oportunidade com a Grace. – Mas no momento é apenas isso, ela é bonita.
O elevador se abriu, fazendo os dois amigos seguirem caminho. Nico conheceu Leo na escola, o Valdez era dois anos mais velho que o Di Ângelo, e foi este que juntou o casal Lianca, que depois de um ano de namoro, noivaram e se casaram, estando a quase dez anos juntos, mesmo tendo apenas vinte e sete e vinte oito anos.
— Senhor Di Ângelo – Ethan chamou, vendo o homem indo em direção a porta.
— Sim? – perguntou, esperando que não fosse mais um bebê, o que o fez se assustar e quase desmaiar ao ver um menininho sentado no balcão.
— Esse é meu filho, Thomas – Nakamura apresentou o bebê, que vestia uma bermuda jeans, uma blusa do Mickey e uma sandalinha preta. – Eu pedi ele pela cegonha, na hora achei que seria fácil ser pai solteiro, mas descobri que não era... — começou, vendo os dois amigos se aproximarem do balcão, enquanto Nico olhava a criança.
O bebê obviamente era muito parecido com Ethan, as características asiáticas fortes, o cabelo escuro preto liso, a pele branca, os olhos repuxados em um tom de castanho, ele brincava com o crachá do pai, mais entretido ali do que nos dois estranhos.
— Imaginamos – Leo comentou, dando corda, olhando o bebê fofo, meio triste por saber que teria que esperar mais para ser pai.
— Então um casal amigo meu, me indicou um grupo, ele é orquestrado por uma mulher, e ela ensina coisas básicas para pais iniciantes e até mais a fundo, indica médicos ótimos, coisas de como conseguir fazer os filhos dormir com mais facilidade e como sei que o senhor e a senhorita Grace não esperavam a criança, se forem ficar com ela, Deus me livre em pensar o que vocês fariam se não forem ficar, vocês poderiam começar a frequentar as aulas, já que imagino que não tenham preparo para cuidar de um bebê, sem ofensas – Nakamura explicou tudo, fazendo Nico assentir.
Nico sorriu simpático, mesmo que o cansaço e as preocupações do que faria dali em diante com aquela criança o dominassem, a ponto dele já ter se esquecido do comercial que deveria criar um roteiro. Ethan era incrivelmente simpático e estava cheio de boas intensões, então não pode deixar de corresponder do mesmo jeito, mas sem deixar de ser sincero com o porteiro.
— Estou interessado sim, preciso disso, não posso ficar ligando para minha irmã sempre que meu filho chorar – Di Ângelo concordou e admitiu, cansado só de pensar. – Não sei quanto a Grace, mas imagino que ela vá topar sim, agora eu tenho que ir comprar coisas para o bebê, mas quando voltar eu vejo se deixo esse aqui e a minha irmã com o Dylan e trago a Thalia aqui embaixo para falarmos melhor desse grupo de apoio aí – Nico falou, sorrindo agradecido.
— Tudo bem, boa sorte!
— Vou precisar –concluiu, se afastando com o Valdez.
❤❤❤
Thalia estava sentada com as pernas cruzadas em posição de borboleta, com Dylan sentadinho a sua frente, enquanto ambos se entretinham com o único brinquedo que a morena havia achado em sua casa, um chaveiro de macaco de uma de suas bolsas.
Já Bianca, preparava uma mamadeira — era uma seringa, sem agulha — na cozinha, tentando fazer o leite normal ser aceitável para um bebê, quase tornando aquilo água. A Grace não tinha nada para criança, na verdade a casa dela era quase perigosa para criança, a única coisa aceitável era o número exagerado de almofadas espalhadas pela casa.
— Acho que consegui algo – Bia disse voltando para o quarto, sentando-se na cama, por trás da criança.
— Espero que sim, não sei por quanto tempo o chaveiro vai divertir ele, se não vou ter que apelar para a Destiny – Thalia tentou descontrair um pouco, mesmo que ela estivesse ponderando a ideia, vendo a Di Ângelo tentar dar o leite da seringa para o pequeno – SUCESSO! – comemorou, vendo o Dylan tomar tudo na seringa.
— O que as meninas estão comemorando? – Valdez indagou adentrando o quarto ao lado do Di Ângelo, com várias sacolas nas mãos e braços dos dois.
— Conseguimos fazer ele comer – Bia respondeu, vendo o marido olhando o pequenino que ela tinha sentado entre suas pernas.
— Aonde podemos por isso, Thalia? – Nico questionou, vendo a menina passar os dedos no cabelo cacheado do garotinho.
— Comidas podem colocar em cima da bancada da cozinha, o resto podem empilhar ali na cadeira que eu vou dar um jeito de arrumar depois – a Grace respondeu sorrindo, desviando o olhar do Dylan para os dois homens.
Após guardarem as coisas, Leo veio ficar babando na criança, ele se ajoelhou no chão, começando a falar com o menininho, que ria incentivando-o a continuar.
— Thalia, podemos conversar? – Nico questionou, afinal agora eles eram pais, tinham muito a decidir.
— Claro – respondeu se levantando, indo para a sala com o moreno, deixando o casal de tios com o pequeno. – Diga!
— Primeiro, temos que decidir uma coisa simples – o Di Ângelo foi direto ao ponto se sentando no sofá a vendo se sentar também. – Aonde ele vai ficar?
— Tudo bem, eu estive pensando nisso na verdade, e eu vi que eu não tenho estabilidade de cuidar de uma criança sozinha...
— Eu vou te ajudar – a cortou a fazendo mexer o nariz irritada.
— Eu sei, deixa eu terminar – pediu, odiava ser cortada – mas a questão é, se decidirmos uma casa para ele ficar, meio que automaticamente ele vai acabar ficando sozinho uma hora ou outra com um de nós o máximo de tempo, então e se dividirmos apartamento pelo menos até ele ter um ou dois anos e se torne algo mais fácil e tenha idade para ir a creche? – questionou fazendo Nico pensar.
Uma mudança agora seria algo terrivelmente complicado, principalmente com o custo que o bebê daria, afinal criar um filho vinha com responsabilidades e gastos absurdos, um apartamento novo dificultaria mais as coisas e aumentaria esses gastos, pois teriam que mobilhar o apartamento novo, ambos tinham rotinas completamente diferentes, que adentraria um filho no meio. Todavia ao mesmo tempo parecia errado colocar o peso de uma criança mais em alguém do que no outro, mesmo ambos sendo vizinhos, isso ainda era injusto.
— Você acha que conseguimos nos mudar? – Nico perguntou e ela deu de ombros.
— Independente de com quem ele fique, na minha casa não tem espeço para um berço e seja lá o que mais um bebê precise e imagino que seu apartamento também não caiba, e para mim pelo menos, eu não tenho condições de bancar uma casa maior sozinha, com você, talvez dê para dividir – a Grace informou, tentando deixar tudo mais claro, e ele assentiu.
— Tudo bem, acho que tem razão – ele falou, tentando não pensar em uma mudança agora. – Tem algum lugar que eu possa dormir aqui hoje? – perguntou, afinal ela precisaria de ajuda para cuidar do Dylan e tudo que eles tinham, que não era muito, estava na casa dela.
— Esse sofá vira cama – respondeu batendo na almofada, sorrindo para ele.
— Outra coisa, eu estava conversando com o Ethan e ele me falou de um grupo de apoio, é algo para pais iniciantes, aonde se dá um cursinho, falei com ele que te levaria lá embaixo para conversar melhor, acho que nós vamos precisar dessa ajuda e podemos tentar adaptar tal coisa a nossa rotina.
— Claro, vamos lá embaixo — a Grace falou se levantando arrumando o short de lycra que ainda usava.
Foi impressionante como assim que Thomas viu Thalia largou o crachá do pai, sorrindo para a menina que sorriu de volta.
— Oi pequeno Tom – a mulher disse pegando o bebê no colo, vendo Nakamura sorrir, sempre se impressionava como o filho era apaixonado pela Grace, já que agora ria no colo da garota.
— Bom, eu falei com a professora, informando que talvez um bebê novo entrasse no grupo, lá nós nos referimos sempre a criança, afinal eles são o mais importante – Ethan começou vendo Nico se apoiar no balcão e Thalia começar a prestar atenção no que ele falava, novamente tendo seu cabelo como fonte de diversão de uma criança.
— Entendo, e como são essas reuniões? – Grace questionou o fazendo assentir.
— Normalmente são na casa de algum dos bebês, nessa semana vai ser na casa das gêmeas, nós levamos nossos filhos e costumamos deixá-los brincando um pouco juntos, enquanto primeiro contamos se temos alguma dúvida no decorrer da semana, para ver se alguém pode nos explicar, a professora dá algumas indicações de médicos e outras coisas, depois explicaremos coisas básicas a vocês, que provavelmente vão precisar, a Piper sempre traz alguma atividade para podermos praticar – o homem explicou olhando os dois assentirem.
— Tem que pagar algo? Porque se tivermos temos que levar o dinheiro e tudo mais – Nico explicou, não via problema em pagar as aulas, afinal ele precisaria disso se quisesse manter seu filho vivo.
— Não, as aulas são inteiramente gratuitas, mas tem que levar algum lanchinho nas reuniões quando elas não são na sua casa, celulares desligados durante toda a reunião e as vezes alguns eventos que nós normalmente ajudamos a fazer – o moreno falou.
— Tudo bem, vamos sim – Thalia concordou sorrindo, vendo Thomas colocar seu cabelo na boca.
— Vou coloca-los no grupo do WhatsApp e vou mandar o endereço da casa das gêmeas, espero que gostem de lá – Ethan disse sorrindo, fazendo os dois suspirarem e assentirem, ambos esperavam que conseguissem cuidar de um filho.
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