Do We Have A Baby?
3 Noite agitada
Notas iniciais
Thalia abriu os olhos pela decima vez naquela noite, encarando o teto do seu quarto que estava completamente escuro. A morena se levantou, caminhando em direção a sala, vendo que Nico já estava com a criança no colo, o Di Ângelo vestia um suéter largo nele cinza claro e uma calça de moletom preta, o notebook do garoto estava em cima do sofá, que estava aberto em uma cama de casal, indicando que ele estava acordado antes do Dylan começar a chorar.
— Vem cá para a mamãe, vem – chamou o bebê, pegando-o do colo do homem, que sorriu para ela.
Dylan estava claramente quentinho, o que indicava que não era frio que incomodava a criança, vestia um macacãozinho de Little Stitch azul, com direito a toca e tudo, deixando o pequeno bem apertável.
— Não é frauda – Nico constatou, já havia checado, a criança cheirava a rosas do último banho que ambos tinham dado nele.
Você deve estar se perguntando aonde a criança está dormindo, imagino, o casal de desconhecidos teve a brilhante ideia de fazer um berço improvisado com a poltrona da Grace e graças ao número exagerado de almofadas na casa de Thalia, eles conseguiram.
— Pode ser fome – a mulher sugeriu sacudindo ele e leve. – É fome, filho? – perguntou, mas obviamente ele não respondeu, apenas continuou chorando. – Não entendo como minha madrasta consegue, quando minha irmãzinha chora ela pergunta e por algum milagre ela entende o que a menina quer.
— Você tem uma irmã pequena? – perguntou curioso, a menina não tinha uma foto sequer da família pela casa, não tinha como ele adivinhar nada sobre ela.
— Tenho, na verdade ela está crescida agora, tem seis anos – Thalia contou enquanto caminha até a cozinha, sendo seguida por Nico. – Pega a panela, coloca um pouco de água e deixa esquentar um pouco – ordenou ao garoto, enquanto segurando o bebê que chorava, colocava leite em pó dentro da mamadeira com água gelada, mexendo. – Toma, coloca dentro da panela – esticou a mamadeira arrumando Dylan em seu colo.
— Além da Bianca, eu tenho uma irmã chamada Hazel, ela tem dezesseis anos, mora na Itália com meu pai – Nico contou, ficando de costas para a garota.
— Vocês são de lá? – perguntou, lembrava vagamente do sotaque diferente do garoto quando ele se mudou para o prédio.
— Sim, viemos para cá quando eu vim fazer faculdade, eu estava decidido a sair da Itália quando minha mãe morreu, mas tive que esperar alguns anos para conseguir o fazer – explicou o motivo, Hazel era menor de idade ainda, mas não havia conhecido a mãe do menino, e em partes o relacionamento entre a mãe de sua irmã e o de seu pai não ter dado certo era devido as crianças, que mesmo aceitando bem a Levesque, não foram tão compreensíveis com a madrasta.
— Meus pêsames – Thalia desejou incomodada, sabia como era perder a mãe, mas ela não precisou se mudar de cidade, na verdade ela teve que seguir a vida normalmente.
— Acho que está bom, como vejo se está bom? – Nico indagou, deixando quieto o assunto da sua mãe e focando na comida do seu filho, olhando a mamadeira que esquentava em banho-maria.
— Coloca algumas gotas na sua mão e prova, se tiver quente tem que deixar esfriar – Thalia respondeu tentando se lembrar de como sua madrasta fazia quando sua irmã era menor.
Ele assentiu, pegando a mamadeira, virando em sua mão, o que ele não esperava era que a tampa caísse e o leite sujasse a cozinha toda.
Thalia arregalou os olhos, segurando o riso na garganta ao ver a cara de desespero do Di Ângelo, que tinha arregalado os olhos, até mesmo Dylan olhou o pai assustado.
— Sobrou um pouco, e tá morninho – Nico concluiu levantando a mamadeira, que agora estava menos da metade cheia, mas duvidava que Dylan tomasse tudo aquilo mesmo.
— Me dá aqui, vou alimenta-lo, enquanto você limpa esse chão – a Grace falou, vendo-o fechar a mamadeira direito, para o leite não cair sobre a criança dessa vez.
— Só o que me faltava – resmungou, todo sujo. – Eu vou dar uma passadinha no meu apartamento para pegar uma roupa e passar uma água no corpo, depois que limpar isso. – ele disse, já era o segundo banho que ele tomara desde que decidiram pôr o menino para dormir.
— Tudo bem — falou calma, vendo a criança se acalmar sendo alimentada.
Nico foi fazer o que disse que faria, deixando a Grace sozinha. Enquanto isso a morena se sentou na cama que o publicitário usava, tentando ninar a criança já alimentada. Destiny subiu em cima da dona, olhando a criança que também a olhava.
A gata começou a lamber os dedinhos gordinhos do bebê, que riu alegre, fazendo Thalia sorrir boba com aquilo. Era estranho que aquela criança tinha chegado naquela manhã, sem nenhum aviso prévio e já havia conquistado todos a sua volta.
Como em resposta ao carinho do felino, Dylan agarrou a gata pelo pescoço, a abraçando e juntando a carinha dela ao seu corpo, fazendo o animal ficar paralisado, soltando um miado assustado que indicava que não sabia o que fazer.
Thalia não aguentou, soltando uma risada alta, aquilo era extremamente fofo.
— Solta ela, Dylan – a mãe pediu, tentando com delicadeza fazer o bebê soltar a gatinha.
A gata girou no aperto do bebê, com certa dificuldade, lambendo o rostinho dele, que riu alto, soltando a gata, balançando as mãozinhas de forma alegre. O animal pareceu gostar de ver a criança rir, pois começou a fazer palhaçadas, que alegravam mais ainda o novato na família.
—Você gostou mesmo dele né, Destiny? Ele claramente gostou de você – Thals disse para a gata, que miou animada, deixando a criança fazer carinho em sua cabeça de sua forma sem jeito, com tapinhas. – Você é muito fofo! – Thalia derreteu, pegando o bebê e dando muitos beijinhos em seu rosto pequeno o fazendo rir mais.
Nico que entrou na casa, vendo uma das cenas mais fofas que ele poderia ter visto, sua vizinha vestida de um moletom de panda, com um bebê vestido de Little Stitch, beijando-o, enquanto ele ria animado.
— Pensei que fosse fazer ele dormir – Di Ângelo comentou, fazendo-se ser notado.
— Eu ia, mas não resisti – a morena falou arrumando o bebê que parecia elétrico.
— Como será que ele vê sem óculos? – Nico perguntou, eles haviam tirado os óculos para a criança dormir, já que poderia ser perigoso.
— Não sei, espero que não tão mal – analisou rapidamente o bebê que parecia começar a sossegar em seu colo, antes de levantar o olhar para o Di Ângelo que assentiu compreensivo, já que esperava o mesmo.
— Meu grau é muito baixo, só uso quando vou trabalhar por muito tempo – Nico compartilhou essa informação, explicando que provavelmente a miopia vinha dele.
— Eu fico mais de lente, mas meu grau também é bem baixo – Thalia concordou, fazendo ele olhar surpreso, não havia imaginado nunca ela de óculos, ela nunca usava, estava sempre linda e bem vestida, até mesmo quando ia comprar pão.
Porém, pensando melhor, ela não ficaria feia com óculos, na verdade ele achava que nem se ela fizesse muito esforço ela ficaria feia. Como que para cortar seus pensamentos o bebê começou a bocejar, indicando que estava com sono.
— Me dá ele, eu o coloco para dormir, eu trabalho em casa mesmo, então posso ficar mais tempo acordado. – Nico disse pegando o filho no colo.
— Obrigada – se levantou e foi em direção ao seu quarto, decidida a voltar a dormir.
— Você tá dando muito trabalho em pequeno Dylan e esse é só seu primeiro dia – Nico falou com o pequeno, que o olhava com cara de sono.
O moreno suspirou, olhando o bebê.
— Não me leve a mal garotão, eu gosto de você, mesmo tendo chego hoje em um dia aleatório, mas você está criando uma situação bem estranha, eu mal conheço a Thalia, claro, já a vi inúmeras vezes pelo prédio, como nas reuniões, no elevador, no saguão... você entendeu, mas nunca trocamos muito mais do que bom dia e boa tarde de palavras, agora me sinto estranho e mal por estar a arrastando para isso – Nico desabafou, e isso parecia fazer o pequeno ficar com sono, então ele continuou, em um tom baixo e calmo. – Tá, não foi eu que pedi o bebê, também to de bucha nisso, mas é a minha irmã, não a dela, bom a dela tem seis anos, não sei para que ela poderia querer um filho – respirou fundo fechando os olhos por alguns segundos, logo o abrindo novamente. – Espero não fazer merda enquanto cuido de você, pequeno Dylan.
O homem olhou o bebê, que dormia tranquilamente, o colocando no berço de almofadas com delicadeza, tentando voltar ao seu trabalho, mas ele estava surtando mentalmente, mesmo que parecesse muito calmo por fora, sua cabeça estava a mil, ele tinha um filho e não sabia o que fazer com isso.
❤❤❤
Nico acordou com uma gata sentando em sua cara, o fazendo pular no sofá cama que estava, vendo a gata seguir seu caminho, se sentando a mesa, comendo sua ração.
—Obrigada Destiny – Thalia disse, sorrindo para o Di Ângelo, se sentando a mesa. – Bom dia!
— Bom dia! – O moreno falou com sono, olhando o bebê, que ainda dormia.
— Bom dia! Eu fiz café, vem, senta aqui – pediu, batendo na cadeira ao seu lado, aonde tinha uma xícara, um prato para que o homem pudesse tomar seu café com ela.
— Que horas são? – Perguntou, se sentando, lembrava vagamente de ter dormido depois de duas frases do novo roteiro.
— Quase dez horas – respondeu tomando um gole de café – a reunião é hoje as cinco da tarde, eu tenho uma sessão de foto para fazer, então vou direto do trabalho para o endereço, preciso que leve o Dylan, não posso leva-lo para o trabalho.
— Tudo bem, espero que consiga cuidar dele sozinho – Nico concordou, olhando para onde o bebê estava enfiado, já que tinha tanta almofada em volta que não dava para ver o que tinha dentro. – Você faz o que? Sabe? De trabalho.
— Eu comecei como fotografa, mas hoje sou modelo – Thalia disse sorrindo, terminando seu café.
— Faz sentido – Di Ângelo falou, passando geleia em sua torrada, tentando criar um clima descontraído aonde ele poderia conhecer a mãe de seu filho.
— Faz?
— Sim, você é muito bonita, faz sentido quererem te tirar de detrás das câmeras – explicou seu raciocínio, vendo-a corar.
— Obrigada — se levantou já tendo terminado de tomar seu café. — Vou arrumar as coisas para dar um banho no Dylan, temos que fazer ele dormir no horário certo se quisermos dormir à noite.
— Tem razão.
— Eu vou rapidinho no meu apartamento e já te ajudo a dar banho nele.
Nico falou, colocando a torrada na boca, saindo para fazer o que dizia que iria fazer, enquanto Thalia ia até o banheiro, colocar uma bacia para encher e trocar seu pijama quentinho por um biquíni e um short.
— Vamos acordar amor – a mãe chamou pelo bebê com delicadeza, vendo-o se mexer levemente, sendo pego logo em seguida. – Dormiu bem? – questionou o levando ao seu quarto, vendo-o piscar ainda com sono começando a tirar o macacãozinho que ele usava. – Hoje é o seu segundo dia conosco, é estranho porque você mal chegou e já divou na minha vida e eu percebi que você tem algo parecido com seu pai, quietinho de dia e agitado a noite.
Havia notado isso apenas na noite anterior, o Di Ângelo passara parte dela andando da sala até a cozinha e as vezes digitando freneticamente em seu computador.
— Pronto – Nico falou entrando no quarto, vestido apenas com uma bermuda velha e com uma toalha em seu ombro, sorrindo para a vizinha.
— Ótimo, vamos – ela disse, pegando o filho e o levando para a bacia, ajoelhando-se no box do banheiro, para colocar a criança sentada ali dentro.
Foi automático, assim que Dylan foi posto dentro d’água, a diversão da criança começou, ele batia as mãozinhas animado na água, espirando em todo mundo, enquanto ria.
— Ele gostou – Nico comentou, pegando um pouco de água com a mão e molhando o cabelo cacheado com cuidado para não cair no ouvido da criança.
— Que bom, não queremos nenhum porquinho, não é mesmo? – perguntou Thalia para a criança que riu animada, como se aquilo fosse um incentivo para ela espalhar mais água.
Nico olhou de canto de olho, afinal parecia errado avaliar a Grace agora, mas era impossível, o biquíni preto destacava-se em sua pele branca, não tanto quanto a dele, mas ainda assim muito branca, e ela tinha um corpo de parar transito, e algumas tatuagens espalhadas por ele.
— Pega o sabonete líquido – Thalia pediu, levantando o olhar da criança, para o pai, que assentiu se levantando, torcendo para que ela não tivesse reparado que ele a estava observando.
Mas ela tinha. Era acostumada a tal coisa, ela sabia que era bonita e tinha um corpo desejável, apesar de não dá muita bola para isso, talvez por tal motivo não ligava para ser observada, era segura de si, não precisava que ninguém a falasse que estava ou era bonita, ela tinha plena consciência de tudo isso, afinal era modelo por um motivo.
Nico começou a passar o sabonete na criança, enquanto Thalia o segurava e divertia o menino, que parecia conseguir fazer isso sozinho, pois estava fascinado com a água.
— Pera, segura ele. – a Grace, se levantou assim que viu que ele estava seguro nas mãos do pai.
— Aonde vai? – indagou sem entender, vendo a menina voltar com uma câmera a ligando.
Ela deitou no chão, ficando em um ângulo, em que a bacia não aparecesse, apenas o garotinho e Nico, que tinha uma cara de perdido, batendo a foto, que ela pessoalmente amou. A câmera liberou a foto.
— A primeira de muitas – comentou sorrindo mostrando a Nico que não conseguiu evitar de rir.
— Adorei, Grace.
— Eu também.
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