Do We Have A Baby?
18 Um belo casal
Notas iniciais
Thalia abriu os olhos, sentindo a claridade invadir seu quarto, devia ter esquecido de fechar as cortinas novamente, piscou algumas vezes, se espreguiçando lentamente, sentindo a mão de Nico se afrouxar com o movimento.
Se sentou, levando a coberta consigo, só então percebendo que Nico estava sem camisa, seus olhos desceram involuntariamente pelo corpo do garoto, ela já o tinha visto sem o tecido, mas não tinha realmente reparado nele, não podia negar que ele era bem bonito e desejável, seu corpo era musculoso, mas nada realmente exagerado o que a surpreendia já que ele vivia no computador, não parecia do tipo que tirava um tempo para malhar.
Mordeu o lábio inferior deixando que sua mente vagasse para uma área que raramente ia com conhecidos, mas o Di Ângelo já tinha se mostrado se bastante experiente e cativante, imaginar-se indo mais longe do que beijos trocados por obrigação era quase inevitável.
Lembrava das mãos dele vagando por seu corpo, com tanto cuidado e respeito, mas mesmo assim ele tinha uma pitada para mostrar que queria aquilo, não completamente atuação, conseguia se imaginar sentada no colo dele, desnuda, os lábios dele vagando por seu pescoço e colo, arrancando suspiros e gemidos, conseguia se imaginar indo mais longe do que isso, os sons de ambos se misturando na casa silenciosa, seus corpos suados em contato um com o outro.
Arfou alto, sentindo seu corpo quente, desviando completamente os olhos dele, seu coração estava acelerado apenas com a imaginação de ambos juntos, fechou seus olhos azuis elétricos, levando uma de suas mãos a nuca, suspirando tentando acalmar seus ânimos, agora achando ridículo sentir a umidade entre suas pernas, ela realmente tinha ficado excitada apenas vendo o Di Ângelo sem camisa?
Negou bruscamente, tentando se levantar sem fazer muito barulho, mas com sua perna era quase inevitável ouvir o ranger da cama em sua tentativa.
— Que horas são? — ele indagou sonolento, fazendo Thalia ter um sobressalto.
— De manhã — respondeu, sentindo sua voz falhar miseravelmente.
— Você está bem? Está vermelha — Nico se sentou na cama, levando com delicadeza o torço de sua mão a bochecha dela, acariciando ali.
A Grace se afastou olhando para frente, sentindo novamente seu corpo ferver, fazendo-o franzir o cenho confuso, mesmo ela sempre alegando não se sentir confortável com o toque, nunca tinha realmente se afastado de nenhum dele.
Seus olhos se fecharam e ela se mexeu na cama tentando disfarçar a situação que se encontrava, voltando a deitar para pegar seu celular no criado mudo, acendendo e revelando que ainda eram sete e meia.
— Ainda tá cedo — resmungou, mesmo que não sentisse sono — acho que vou tomar um banho.
— Parece que parou de nevar — o Di Ângelo olhou janela a fora, vendo que o sol estava no céu sem nenhum problema e poderia estar até um clima agradável do lado de fora.
— Espero, não quero ter que adiar a retirada dessa bota — murmurou se espreguiçando novamente e se movendo da cama.
Olhar Nico não ajudou muito, ele tinha a barba a fazer e seus cabelos estavam bagunçados o deixando com um ar mais sexy, ele havia ficado de lado e deitado novamente na cama, usando um dos braços de apoio para a cabeça.
As cenas que ela tinha se deixado imaginar enquanto o observava voltaram a sua mente como um tapa na cara, ela se mexeu desconfortável na cama, decidida a se levantar e ir tomar um banho gelado para tirar essas imagens da sua cabeça.
— Você está estranha — ele comentou contragosto, mas ela tinha insistido para ele dormir ali, agora estava toda esquisita.
— Tive um sonho estranho — mentiu, se levantando e pegando seu celular indo para o banheiro.
Assim que entrou ali ligou uma música, deixando a porta apenas encostada, afinal ainda decidiria se tomaria banho de chuveiro ou banheira, se despiu olhando no espelho de corpo e levando delicadamente a mão aos cabelos negros, os desembaraçando com os dedos e fechando os olhos novamente, não deveria se deixar imaginar algo assim, principalmente com Nico no cômodo ao lado e uma porta que nem ao menos trancada estava os separando, mas ela queria se deixar imaginar algo do tipo.
Entreabriu os lábios soltando o ar, as mãos dele firme em sua cintura, os lábios dele roçando em seus ombros, descendo por suas costas pela base de sua coluna, engoliu em seco, abrindo os olhos, seu rosto estava corado, seus cabelos pareciam uma juba de tão embolados que estava, suas pupilas dilatadas em desejo, desceu a mão por seu próprio corpo, negando logo em seguida.
— Isso é ridículo — disse baixo para si própria, negando o que seu cérebro estava fazendo consigo mesma, ele tinha sido gentil com ela e era gato, isso não era motivo para ela ponderar a ideia de se masturbar pensando nele, muito menos ir no quarto deixar que as fantasias se tornassem reais.
Optou pelo chuveiro, assim não precisaria que o Di Ângelo adentrasse o banheiro para ajuda-la, ligou tendo o devido cuidado para que a bota não molhasse, sentindo o jato gelado contra seu corpo que aos poucos começou a se acalmar, seus hormônios a serem domados.
Nico se sentou na cama se espreguiçando quando ouviu o barulho da água, não conseguindo para de pensar em como Thalia estava estranha, mas linda de qualquer maneira. Seu rosto corado, sua voz falha, mais cenas que ele não precisava ver para piorar -ou melhorar- suas fantasias.
Levantou mantendo o autocontrole que ele tinha descoberto ter a cada dia que se passava morando com a Grace, andando em passos lentos até o quarto do Dylan, vendo-o dormindo tranquilamente em seu berço agarrando a sua manta, acariciou de leve os cabelos do pequeno e caminhou em direção a cozinha.
Na sala tinha Hazel dormindo no sofá, Frank dormia em uma montoeira de cobertas no chão assim como Clarisse, ambos separados pela mesa de centro. Bianca e Leo dividiam um colchão de casal na sala de jantar e Jason dormia em um amontoado de cobertores não muito longe.
Suspirou, sabendo que seu pai e sua madrasta estavam no seu quarto e torcia para que eles não desconfiassem de nada, pegando alguns ovos na geladeira e bacon para fritar para ele e Thalia, começando a cozinhar.
O cheiro logo começou a subir e ele ficou receoso do pessoal acordar e ele ter que fazer algo para alimentar todos aqueles convidados, quando levantou a cabeça para olhar se alguém demonstrava algum sinal de vida, sentiu seu coração falhar.
A Grace tinha o cabelo solto molhado e ela vestia sua blusa preta que tinha posto para o jantar da noite anterior, ela estava descalça do pé sem a bota ortopédica e maravilhosa, seus lábios se curvaram em um sorriso acolhedor ao notar que estava sendo observada. Caminhou até a cozinha tentando ser silenciosa.
— Bom dia! — murmurou parando ao lado dele — desculpa por mais cedo, acordei agitada.
— Bom dia! Tudo bem, eu entendo — Nico sorriu calmo, colocando a comida em dois pratos pré-separados para eles. — aqui, fiz pra você.
— Obrigada! — sorriu simpática, tentando sempre se manter concentrada.
— Você acha que vai poder tirar a bota? — Nico indagou baixo a acompanhando até o quarto, era melhor eles comerem lá para não correr o risco de acordar ninguém.
— Espero que sim, ela incomoda — resmungou deixando que um bico crescesse em seus lábios enquanto se sentava na cama.
Thalia remexeu os ovos com o garfo com calma, não sentia fome, o que tinha feito hoje cedo a perturbava, ela nunca chegou ao ponto de fazer algo do tipo, sua imaginação nunca a levou tão longe que ela mal conseguia se controlar, muito menos ponderou a ideia de se tocar pensando em alguém que ela conhecesse.
Mas ela sentia em Nico uma ligação, um acarretar de momentos que ambos tiveram naquele natal provavelmente mexeram demais com a cabeça dela, senti-lo tão carinhoso e preocupado consigo, como ninguém nunca tinha ficado a tinha satisfeito imensamente, seus rosto tão suave dormindo, seu corpo tão sedutor. Suspirou pesado, mordendo o lábio inferior, atraindo a atenção do Di Ângelo.
Ele queria se sentir livre, livre para realmente confronta-la, perguntar o que ela pensava, o que a fazia morder o lábio de forma tão provocadora, o que a tinha realmente feito corar de manhã cedo, o que a tinha deixado agitada, mas ele não tinha coragem para perguntar, sentia que exigia demais dela, de uma vida que ela não queria ter.
— Minha família deve ir embora hoje — comentou, tentando puxar assunto com ela.
Mas a garota não estava disposta a conversar, apenas assentiu levando um pedaço de bacon a boca ainda pensando demais sobre o dia anterior.
Ele contraiu o lábio inferior, assentindo desconfortável e tentando focar em sua comida. Nunca sabia como agir com a Grace, ela era volátil, em um momento ela estava o provocando, em outro ela parecia uma criança, tão tarde não demorava a estar manhosa, ou distante, saber como agir com ela era impossível, mas nunca tinha chego aquele ponto, ao ponto em que ele ficasse tão desconfortável a ponto de não conseguir quebrar o gelo.
— Me desculpa — pediu baixo, quase como um sussurro — é que ontem... eu nunca agi daquele jeito com ninguém sem ser o Jason, eu... eu não sei direito o que pensar e como agir, estou confusa, mas vai passar — ela levantou o olhar sorrindo constrangida — só preciso de um tempo.
Nico assentiu, ele conseguia entender, ela tinha uma barreira envolta a ela e agora estava quebrada, ela tinha o abraçado, tinha chorado e confidenciado coisas que não tinha feito antes, também já tinha ficado duas vezes com ele e era obrigada a se envolver em uma mentira.
— Tudo bem, sem pressa — sorriu, se levantando e ligando a televisão.
Thalia o seguiu com o olhar, descendo por suas costas esguias, seguindo um trajeto de pintas espelhadas na pele branca, o som de Procurando Dori cortou o silêncio do quarto, o filme estava no início. A morena se arrumou na cama, fixando seus olhos no peixe fofo e sorrindo achando graça dele.
O Di Ângelo voltou a seu lado, encostando as costas na cabeceira da cama se mantendo sentando enquanto comia seu café da manhã e assistia o filme ao lado de sua parceira de quarto. Nico deixou o prato no criado mudo e assim que fez isso seus braços foram ocupados por Thalia, que se deitou sem nada dizer, puxando a coberta para cima de modo que ficasse confortável.
E com essas atitudes ele não sabia como sentir em relação a ela. Negou com a cabeça, passando o braço pelo ombro dela a puxando mais para si, eles eram amigos e colegas de apartamento, apenas isso, tinham um filho juntos e ele era a prioridade independente de qualquer outra coisa.
Ela bocejou, se encolhendo mais, desde que a perna tinha sido imobilizada ela mal conseguia achar uma posição confortável para dormir, pois não conseguia dormir de barriga para cima e todas as outras machucava sua perna, mas noite anterior com Nico ela tinha dormido a noite inteira, principalmente por conta de seu filho não chorar, isso sim tinha facilitado e muito as coisas.
Deixou que seus olhos se fecharem aos poucos, era tão bom dormir nos braços dele, que ela se deu ao luxo de o fazer novamente, sentindo-o acariciar seu braço com delicadeza ajudando-a ter mais embalo para pegar no sono, seu perfume suave adentrando em seu nariz trazendo a sensação calmante que tinha trago no dia anterior.
Nico sorriu ao ver ela adormecer, aproveitando para observa-la, seus cabelos estavam molhando sua blusa, mas algumas partes começavam a encher devido a secagem natural, seu rosto tranquilo e perfeito, era incrível como ela poderia ser bonita.
Seus cílios compridos negros, seu nariz empinado e pequeno, delicado de certo modo lembrava o de Dylan, seus lábios carnudos entreabertos, respirando lentamente. Suspirou, olhando a televisão e tentando se focar ali.
No cômodo ao lado Bianca e Leo conversavam, abraçados, baixo apenas para que ambos ouvissem.
— Eles estão se aproximando bastante — o Valdez comentou, fazendo a esposa rir.
— Ao contrário da maioria dos casais, o filho não está afastando eles e sim juntando — Bia concordou, o beijo da noite anterior tinha sido a prova disso.
Foi completamente diferente do dado a primeira vez, eles não estavam beijando por beijar, ambos tinham postos sentimentos ali, ambos tinham se descoberto, ou começado o fazer naquele simples ato debaixo do visgo, ambos tinham entregado um pedaço de si ali.
— Eles formariam um bonito casal — Leo confidenciou.
O Valdez era descrente que um dia o Di Ângelo tivesse alguma chance com a mulher mais cobiçada do prédio, principalmente porque dos que a queriam – todos – ele era o mais bobinho, nunca levou jeito pra coisa e hesitava demais, era mais do tipo que olhava a distância e esperava que uma oportunidade caísse do céu.
Na Itália ele tinha conseguido algumas garotas, nunca foi do feitio pegador, mas ele ficava com uma boa fama com as que pegava, o que normalmente durava relativamente bastante tempo, mas agora se Leo tivesse que apostar ele poderia ter algumas chances com a Grace, chances grande na verdade, principalmente depois do dia anterior em que ela basicamente o ordenou a continuar a beijando, mesmo sendo apenas atuação.
— Seria uma história interessante — Bia concordou, ela só queria ver o irmão feliz.
— Ao contrário da nossa — brincou, a fazendo sorrir e assentir.
Bianca e Leo não tinham uma história complexa, muito menos algo que eles ririam em contar aos seus filhos futuramente, Leo era amigo de Nico na Itália, com o sotaque diferente sempre arrancar risadas de todos complementando com suas piadinhas, que na verdade nem tinham graça e isso que fazia todos rirem.
Então Leo começou a frequentar a casa dos Di Ângelo, sempre pra brincar com Nico, mais velho pra fazer trabalhos da escola e planos para o futuro com o garoto, então em um dia aleatório Nico ficou de cama com catapora e Bia salvou o latino de ser contaminado, passaram o dia conversando, não tardaram a se tornarem amigos e descobrirem sentimentos um pelo outro, começando a namorar e chegando aonde estavam.
— Eu gosto da nossa história — sorriu o fazendo sorrir também.
Leo a puxou com delicadeza mais para si, selando seus lábios ao dela em um beijo calmo, sua mão acariciou a cintura dela com delicadeza.
— Eu te amo! — sussurrou, passando o nariz no dela.
— Também te amo! — respondeu colocando o rosto na curva do pescoço dele se aconchegando ali.
Hades sorriu vendo a cena e voltou para o quarto, estava na hora dele começar a aceitar o relacionamento dos dois, não era de tão ruim assim.
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