Notas iniciais
Hey cerejinhas, tudo bem? Mais um capítulo, e eu espero que vocês gostem! Boa leitura!

Thalia nem acreditava, os dias pareciam ter voado, principalmente com sua perna boa e ela tendo que correr atrás do prejuízo. Ficar parada para ela, significava ficar sem dinheiro, ficar sem dinheiro trazia duas possibilidades, ou depender que Nico sustentasse a casa completamente sozinho ou pedir ajuda a seu pai, nenhuma das duas sequer passaram pela a cabeça da Grace.

Quando se sentou no sofá suspirou cansada, abrindo a blusa sem se importar com a presença do Di Ângelo na casa, estava um caos, reagendando todas as sessões de fotos possíveis e imagináveis para a semana antes do ano novo e finalmente a véspera da virada estava ali. Um lado bom é que quase não tinha visto o seu colega de apartamento e considerando aonde seus pensamentos foram da última vez, aquela era uma boa escolha.

— Olha quem chegou — Nico falou, balançando o bebê no colo mostrando a mãe para ele, adentrando o corredor.

— Vem pra mamãe que está morta — chamou, abrindo os braços para reconfortar o bebê.

O lado ruim, ela mal tinha tempo para ver Dylan também. Graças a Jason, Nico não estava tendo que se virar tão sozinho assim, mas estavam sendo dias complicados.

— Não deveria forçar tanto sua perna assim, você mal ficou boa —ele advertiu, colocando o filho sentado no colo da mãe e indo para a cozinha.

— Eu preciso trabalhar, acho que finalmente vou ter uma pausa — comentou beijando a bochecha de seu pequeno que riu com o ato. — Você estava com saudades, né? Eu também estava.

— Duvido muito, você não tem uma outra sessão de foto dia três? — ele questionou, entregando um copo de chocolate quente a menina que sorriu.

— Tenho, mas pelo menos até o dia três eu não tenho nada, além de que acho que já cobri a maioria das fotos que eu tinha marcada, então não vou entulhar tudo para os mesmos dias — retrucou dando de ombros e tomando um gole do líquido e apoiando a xicara na mesa de canto ao lado do sofá, sentindo-o queimar sua garganta.

— O que pretende fazer hoje? — Nico perguntou, tentando não discutir com a garota.

Ele mal a via nos dias que se passaram, assim que ela tirou a bota foi fazer duas sessões de fotos, apenas a tinha ouvido chegar de noite, nos dias anteriores eram sempre assim, ela saia antes de Nico acordar, ou o acordava sem querer correndo de um lado para o outro na casa e chegava o moreno já tinha posto o bebê para dormir e ele estava em seu quarto trabalhando em algum roteiro.

— Descansar, sei lá, maratonar alguma série, sei lá, nada que exija eu ter que por um salto e me maquiar, estou sentindo minha pele entupida de tanto eu trocar de maquiagem e colocar outra por cima — respondeu sincera, olhando o bebê.

Era o primeiro ano novo de Dylan, passa-lo assistindo séries não parecia uma boa escolha, não que quando ele crescesse fosse se lembrar de algo daquele dia, mas mesmo assim ainda era algo importante, para si e para Nico também. Suspirou cansada, levantando o olhar para o Di Ângelo e sorrindo reconfortante.

— Tem alguma ideia mais interessante do que podemos fazer? — indagou com calma, tentando aceitar a ideia de que provavelmente ela teria que sair de casa.

— Pensei em passearmos no Central Park com ele, ainda não o levamos para ver a decoração e tudo mais e depois irmos em um restaurante jantar e voltar pra casa, provavelmente depois dos fogos — ele deu de ombros —, mas se está cansada...

— Não, vamos sim, só vou tomar um banho e cuidamos de tudo pra sair — a Grace concordou, passando Dylan para o pai e se levantando depois de arrancar os saltos.

Ao se olhar no espelho Thalia sorriu satisfeita, um bom e demorado banho a tinha revigorado para mais uma rodada, agora ela vestia uma calça jenas branca, uma bota preta que ia até seu joelho com um salto grosso e não muito alto que ainda escondesse sua altura diminuta e a mantivesse confortável, um cropped vinho e um casaco de pele -falso- muito quentinho, além claro de acessórios.

Fez uma maquiagem rápida e saiu do quarto, sorrindo ao ver Nico bater contra a bancada com os olhos focados na morena.

— Está linda! — ele disse, sorrindo constrangido e levando a mão discretamente ao quadril aonde sentia uma dor forte.

Ele queria que não fosse estranho ele falar mais do que ela estava, a Grace estava deslumbrante, como sempre na verdade, ele não conseguia entender como uma pessoa poderia ser tão perfeita assim.

— Obrigada! — sorriu, pegando o filho que estava brigando com o casaco que o deixava uma pequena bolinha. — Vamos passear, meu amor? — tentou animar o bebê, o que deu certo.

Com dois minutos ao ar livre, Dylan começou a chorar, Nico tentava a todo custo acalmar a criança, quando não deu certo, Thalia o tentou, mas também falho miseravelmente, nada parecia acalma-lo, a frustração já tomava conta da Grace, que com toda aquela choradeira a canseira dos dias anteriores pareciam voltar a seu corpo com tudo e ela só queria uma cama.

Mas era trinta e um de dezembro, véspera de ano novo, ela tinha que fazer algo com seu filho, algo realmente significante, mais do que ficar trancada em casa vendo série, entretanto o mundo parecia querer alerta-la que ela deveria ter seguido seu cansaço.

Raios ressoaram no céu assustando mais ainda o pequeno, que passou novamente para o colo do pai, a neve começou a cair de novo, fazendo com que a morena arregala-se os olhos azuis elétricos maquiados.

— Acho melhor voltarmos pra casa — comunicou Nico, que fez um bico mais assentiu, abraçando mais o filho retornando em direção ao carro.

Aparentemente algo quis contrariar eles, já que assim que chegaram aonde o carro estava estacionado, não demoraram a perceber que estavam presos, aparentemente eles não eram os únicos que tinham decidido ir para casa, dois carros, um a frente e outro atrás impossibilitavam que o carro do Di Ângelo fizesse uma manobra maior para tentar ir a estrada e retornar para casa e um transito bem longo indicava que eles teriam que esperar muito para tentar sair pela lateral.

— A neve está aumentando, temos que levar ele para algum lugar.

— Vamos para o shopping, não é longe daqui — Nico sugeriu vendo que Thalia estava bem preocupada.

A morena assentiu se apressando, colocando as mãos no bolço do casaco tentando se aquecer o máximo possível, tomando cuidado para não escorregar e machucar a perna novamente, que agora começava a incomodar, mas ela não devia fazer Nico se preocupar com tal coisa agora, eles tinham prioridades e essa era Dylan, depois que as necessidades dele estivessem satisfeitas eles cuidariam do resto.

O calor do shopping ajudou um pouco a aliviar o estresse, mas isso não parecia fazer o pequeno bebê feliz, a morena bufou analisando o shopping, estava lotado, muitas pessoas deviam ter tido a mesma ideia do que eles, pois toda hora a porta automática abria e mais algumas pessoas, famílias, amigos entravam em busca de abrigo.

— Ótimo — Nico resmungou, não gostando nada de seus planos indo de mal a pior.

Thalia se mexeu desconfortável sentindo sua perna estalar, talvez ela estivesse ficando inchada, ela simplesmente não tinha parado de se movimentar desde que a bota ortopédica tinha sido retirada, agora ela sentia as consequências disso.

— O que houve? — o Di Ângelo a puxou pela cintura, vendo que ela não prestava atenção ao seu redor e umas crianças vinham correndo.

— Minha perna tá doendo — admitiu, mesmo não querendo, não ia mentir.

— Vamos achar uma loja de sapatos, comprar um para você tirar esse salto — ele decidiu tentando a fazer andar, mas mais e mais pessoas começavam a passar por entre eles.

— Nunca vi o shopping tão lotado — murmurou, segurando a mão livre do Di Ângelo e caminhando com ele. — Eu sei um lugar aonde eu posso ficar descalça, vamos para o segundo andar.

Em algum momento Nico a forçou subir em suas costas e a levou lá com bem mais facilidade do que o normal, talvez quando ela quase caiu, ou quando uma lágrima escorreu pelo seu rosto, independente de qual foi esse momento, as pessoas abriam espaço para ambos, tanto pelo bebê, quanto pela Grace que tentava ao mínimo não resmungar.

— Thalia, que merda é essa? — a voz doce de sua amiga cortou seu ouvido a fazendo sorrir e abrir os olhos, tinha explicado a Nico aonde era o salão.

— Eu torci a perna recentemente e agora ela tá doendo — explicou sendo posta em uma cadeira vazia por Nico, que lhe entregou o Dylan.

— Vou providenciar outro sapato para você.

— Obrigada Nico, estou te amando nesse momento — sorriu para ele que assentiu corando e saindo.

— Quem é o gato? — a dona do salão indagou se sentando ao lado da Grace e olhando o bebê — e quem é essa coisa fofa?

— Primeiro: Tira minha bota, por tudo que é mais sagrado enquanto eu te explico a história brevemente — pediu vendo-a sorrir e fazer o pedido. — Bom, Silena, em resumo, ele era meu vizinho, mas aconteceu algumas coisas e o serviço de entrega de cegonhas me entregou Dylan, essa coisa fofa aqui alegando que eu era a mãe e ele o pai, então eu simplesmente não tinha como o deixar, simplesmente me apaixonei...

— Pelo pai? — Silena mordeu o lábio inferior sorrindo sapeca.

— Pelo bebê — a Grace revirou os enormes olhos azuis elétricos — e Nico, o gato, também não conseguia fazer algo do tipo, então meio que estamos criando ele juntos.

— Está rolando algo entre vocês? — Si perguntou, se sentando novamente, olhando o pé inchado da amiga.

— Não, estamos mais focados no Dylan do que em outra coisa, mas ele gosta de mim, de qualquer maneira, então...

— Não sente nada por ele? — a Beauregard indagou incrédula, levando uma mão ao peito de forma dramática e exagerada.

— Ele tem se tornado um grande amigo, apenas isso, sabe que eu não me envolvo com pessoas que eu conheço, muito menos que morem em meu apartamento e ele também sabe disso, minha prioridade vai ser sempre o Dylan....

— Tá, já entendemos que você tem princípios e prioridade, mas não respondeu minha pergunta, sente algo por ele? Sim ou não? — Silena repetiu, revirando os olhos.

— Eu respondi sua pergunta, louca, somos amigos — Thalia riu, se recostando na cadeira, sentindo o alivio da falta do sapato.

— Não, você disse o status que vocês se encontram, amizade, não falou de seus sentimentos, sente algo, sim ou não? — Silena repetiu a pergunta, olhando nos olhos da amiga.

— Não — Thalia respondeu revirando os olhos, fazendo a dona do salão sorrir.

— E aqui vemos uma mentira em que nem você mesmo acredita — ela gargalhou batendo palmas, arrancando uma risada do bebê com o ato.

— Como assim? Eu não sinto nada pelo Nico, sua louca, somos apenas amig...

— Novamente pondo o status que você impõe como princípio e regra para você mesma como desculpa para que não haja sentimentos, mas deixa eu te dizer uma coisa Grace, dizer que ele é apenas seu amigo e dizer que você não pode ter nada com ele, pelo que acontecia com seu pai no passado não impede que você sinta algo, nem muda o fato dele ser terrivelmente gato e seu amigo, vocês moram juntos e não tem nenhum laço de sangue envolvido, vocês tem um filho lindo juntos, mesmo sendo um erro, não importa o que você diga a si mesma, o que você sente não é algo que você tenha controle, goste ou não.

— Olha, Beauregard, eu sei que você e as meninas são loucas para me achar alguém que eu goste e que eu consiga desenvolver algo, mas isso não vai acontecer, pelo menos não agora e ultimamente a coisa que eu menos me importo é com um namorado, é óbvio que eu já gostei de alguém próximo a mim e eu fiz escolhas de me afastar porque essa é a melhor escolha que eu possa fazer para mim mesmo, sim eu tenho medo de acabar casada com alguém igual meu pai e tenho medo de acabar sozinha, mas nenhum desses motivos vai me fazer regredir em algo que eu sinta, eu tenho muitas expectativas, mas eu prefiro focar nas minhas prioridades, que por acaso são as mesmas do Nico, trabalho e o Dylan, pois agora essas são as coisas mais importantes, o custo de vida está aumentando e isso é apenas a tendência a acontecer o Nico sim ele é bonito, inteligente, fofo e meu amigo, apenas isso e é o que eu pretendo manter, na amizade.

Silena abriu a boca para prosseguir naquela discursão, mas o Di Ângelo atravessou a porta do salão com uma sacola em mãos.

— Eu não sabia ao certo o que escolher, então pedi algo preto, sem salto para atendente e ela me entregou esse tênis, mas acho melhor você não colocar agora, seu pé está inchado — Nico comentou se sentando ao lado da Grace, no lado oposto que Silena estava.

— Si, esse é o Nico, Nico essa é a Silena, ela é quem faz minhas maquiagens nas sessões de fotos — explicou brevemente, apresentando um ao outro, sorrindo.

— Eu vou trabalhar, fiquem o quanto acharem necessário, lá fora deve estar um caos, principalmente para um bebê — sorriu meiga, se levantando e indo para uma parte mais afastada.

Nico sorriu leve e focou em Dylan, que tinha os óculos embaçados devido ao frio.

— Deixa o pai limpar isso — sorriu, pegando o óculos e usando a blusa para limpar.

— O que houve? Você tá estranho — Thalia comentou se mexendo em busca de uma posição mais confortável na cadeira.

— Eu ouvi o que você disse — explicou passando a mão no cabelo do filho, depois de colocar o óculos no rosto dele novamente, sem olha-la. — E bem, você tem me evitado desde o natal, você tem estado estranha na verdade, não sei como o assunto chegou entre você e a Silena, mas espero que não seja por conta de nosso teatro, nunca quis causar nenhum desconforto em você e sinto muito se causei.

— Você não fez nada de errado Nico, você foi perfeito e esse é o grande problema — riu irônica — eu nunca deixei que meus sentimentos se mostrassem tão evidente, principalmente por alguém do sexo oposto ao meu, eu nunca deixei ninguém além de Jason me ver chorar por algo puramente emocional, eu meio que não sei direito como agir, porque você foi o que eu precisava que você fosse, mas não sabia disso — sorriu triste — então, sim, eu me afundei no trabalho, mais porque eu sinto vergonha de como agi, sinto medo por não saber como agir, eu quero que as coisas voltem ao normal, mas eu não sei como fazer com que eu me sinta normal o suficiente para fazer isso.

— Não tem nada a se envergonhar, Thals, todos temos sentimentos, é normal... — ele deu de ombros.

— Eu chorei em seus braços igual uma garotinha, Nico — ela negou, agradecendo por ele ainda não olha-la nos olhos.

Ele suspirou e levantou o olhar dando de ombros.

— Você não teve a oportunidade de agir como uma quando criança, teve que dar o suporte que seu irmão precisava, pois seu pai não estava ali, então se agora você quiser se uma garotinha, eu vou estar lá para cuidar de você e dar o suporte que Zeus deveria ter te dado quando criança.

A imensidão negra que eram os olhos do Nico não desviaram em nenhuma única palavra e seu coração se aqueceu ao ver um sorriso sincero no meio dos olhos marejados da Grace, que assentiu, deixando que uma lágrima escorresse pelos seus olhos. O Di Ângelo levou a mão ali com delicadeza, limpando a pequena gota com o polegar a puxando para si logo em seguida, tendo o devido cuidado com Dylan.

— Está tudo bem — sussurrou baixinho, vendo que Silena estava olhando pasma com o que acontecia.

— Obrigada — murmurou, escondendo a cabeça na curva do pescoço dele e se deixando respirar fundo, inalando o perfume que a tinha acalmado na primeira vez e teve o mesmo resultado naquele momento — Si vai encher muito o meu saco — brincou, arrancando uma risada do Nico.

— Ela quer que a gente fique juntos? — perguntou baixinho, acariciando seu braço.

— Quer sim, ela acha que temos sentimentos um pelo outro — comentou e ele assentiu.

— Agora entendi o porquê da afirmação de apenas amigos — ele assentiu, deixando que ela se afastasse de seus braços.

— Somos apenas amigos — ela o lembrou.

— Na verdade somos casados — retrucou sorrindo, querendo tirar o assunto da cabeça dela.

— Essa é a mentira que contamos para seus pais — ela retorquiu.

— Já era, já contei para todos os meus amigos — ele deu de ombros a fazendo rir e dar um tapa de leve no braço dele.

Nico se aconchegou na cadeira, deixando que o silêncio entre eles imperasse e a música do ambiente entrasse em seus ouvidos, concluindo que aquela deveria ser uma nova que ele não conhecia, já que não tinha cara de ser antiga, refletindo o quanto seu mundo tinha virado de cabeça para baixo, antes ele vivia pela sua carreira, era tudo, tudo que ele sempre quis era provar a seu pai que o mundo artístico que ele tanto julga não é aquilo que ele pensa e que ele podia fazer sim o que ele ama e ainda assim ter sucesso na vida, agora sua vida era baseada em o que Dylan queria, o que ele precisava e o que seria melhor para ele, cada passo era dado para aquela pequena coisinha que ele tinha aprendido a amar tão rapidamente.

E tinha a Thalia, era estranho o como ele nunca imaginou que ela poderia ser tão importante na vida dele, passar da crush que não falava mais do que bom dia, boa tarde e boa noite, para dividirem apartamento e tinham um filho juntos. Passar de alguém que ele tinha desejo, que ele queria ficar, para alguém que ele se importava, para alguém que ele tinha se pego pensando frequentemente em tornar as coisas melhores e mais fácies, que já tinha sonhado com o simples ato dos dois deitados em um campo olhando o céu, nada impuro, nada sexual, ela tinha se tornado mais do que isso, ela tinha se tornado uma grande amiga.

— Eu gosto de pessoas — admitiu, chamando a atenção dele, que sorriu.

— Eu sei — disse simplesmente olhando-a de canto e sorrindo, voltando o olhar para frente.

— Acho que deveríamos tentar ir pra casa — comunicou, passando o bebê para o colo do pai para colocar o tênis escolhido.

Quando Nico assentiu, seu telefone tocou, logo viu a tela brilhando com uma foto dele e do Valdez, indicando que era seu cunhado ligando.

— Hey, Leo, o que foi? — indagou assim que recebeu a resposta.

— Cara, eu to voltando do trabalho, mas to preso no transito, Bia me ligou dizendo que tá de cama, tem como você ir lá? Estou preocupado — ele disse deixando que sua voz transparecesse medo.

— Claro, estou indo pra lá agora mesmo — Nico se levantou, vendo que a Grace tinha terminado — te ligo para passar notícias.

— Obrigado! — disse aliviado e deixando isso transparecer em sua voz.

O Di Ângelo desligou, olhando a modelo que tinha uma feição preocupada.

— O que houve? — indagou confusa.

— Bianca ligou pro Leo dizendo que está de cama e ele está preso no transito — explicou, se apressando a se despedir de Silena e sair do shopping.

♥♥♥

Nico estava vermelho, tinha passado uma hora no carro tentando se deslocar até a casa da irmã, quando finalmente chegou lá sentiu o alivio por finalmente poder a ajudar. Logo estavam no apartamento dela, segurando seu cabelo enquanto ela vomitava.

— Você comeu algo diferente? — Thalia perguntou preocupada, do quarto aonde tinha Dylan na cama.

— Eu tomei um suco de maçã antes de ir preparar o almoço, estou assim desde então — explicou, lavando a boca e sendo carregada até o quarto.

— Um suco de maçã fez isso com você? — Nico perguntou, pasmado.

— Sei lá, provavelmente, eu não vejo outra explicação — Bia deu de ombros, olhando os dois.

— Minha madrasta ficava enjoada sempre que comia algo com queijo quando estava grávida da Mackie — Thalia comentou, lembrava de ter segurado o cabelo da mulher várias vezes antes de descobrir o que ela realmente tinha.

Os olhos negros da Bianca se arregalaram com a informação e sua boca se abriram, sua mente começando a fazer uma contagem mental.

— Ai meu deus — ela soltou baixo com a possibilidade.

Nico sorriu, segurando a risada de felicidade pela possibilidade, sabia muito bem o que sua irmã queria.

— Mas eu e Leo paramos de tentar desde que a confusão aconteceu, achamos que não estávamos prontos — Bia comentou pasma, eles estavam usando camisinha, como ela poderia estar grávida.

— Mas se vocês tentavam antes, pode significar que você já estava grávida antes de pedirem um bebê — Thalia comentou — afinal tem o que dois, três meses, faz sentido.

— Não, vocês não vão falar nada, não sem eu ter cem por cento de certeza, não vou ficar me iludindo achando isso e depois passar por... — ela se interrompeu, Bianca não tinha realmente posto para fora o quanto estava decepcionada por não conseguir ter um filho, ela vinha tentando engravidar muito antes dela e Leo pedirem para as cegonhas, mas ela simplesmente não conseguia, tinha posto todas suas esperanças em algo e tinha sido destruído tão rápido e mesmo amando seu sobrinho, ainda doía vê-lo e saber que ele não era seu filho. — É bem provável que eu não esteja, os médicos acham que eu não consigo — deu de ombros, suspirando.

— Bia...— Nico tentou consola-la, mas ela simplesmente negou o cortando.

— Tudo bem, apenas vou dormir um pouco, estou começando a me sentir melhor — ela murmurou, se deitando na cama e fechando os olhos, terminado a conversa por isso.

Nico pela primeira vez se sentiu culpado, desde pequena o sonho da sua irmã foi ter uma família e o que ele tinha feito quando ele ganhou uma, a culpado, não realmente tinha percebido o quanto aquilo era frustrante para ela e o quanto tudo aquilo estava fazendo mal para ela.

— Vem, Thals, vamos pra sala, deixa ela dormir — puxou a menina que assentiu, o acompanhando.

— Nico, não tem porquê se sentir mal, Bia se quiser pode tentar o serviço de cegonhas novamente, ela pode fazer isso quantas vezes ela quiser e existem vários tratamentos para pessoas que tem problemas para engravidar ela não está fadada a nada — a morena de olhos elétricos sorriu calma, sentando-se ao lado do Di Ângelo e segurando sua mão — eu sei que ela entende o motivo de você e eu termos ficado tão irritados e confusos, mas ela sabe que nós amamos o Dylan e que esse foi o melhor erro que poderia ter nos acontecido.

O moreno assentiu, suspirando, aquele ano novo estava ficando cada vez pior.

A porta se abriu em supetão, fazendo com que os dois olhassem na direção, vendo um Leo com uma cara preocupada.

— Está tudo bem, Leo, ela está dormindo lá no quarto, ela só tomou um suco vencido — Nico respondeu, vendo o cunhado respirar fundo e fechar a porta com calma.

— Vou vê-la — o Valdez alertou, sorrindo calmo e indo em direção ao quarto.

— Vamos embora, Thalia e Dylan estão cansados — Nico alertou, se despedindo dele e indo em direção ao carro.

Enfrentar mais tempo no transito era algo que apenas piorava a situação, cada vez a neve se tornava mais intensa e mais perto da virada eles se encontraram, ambos desistindo completamente de tentarem procurar um restaurante, eles só queriam casa.

— Nem acredito que já são onze e vinte — Thalia disse incrédula, enquanto dava um biscoito na boca de Dylan que parecia confuso se comia ou dormia e como fazer os dois ao mesmo tempo.

— Deixa que eu cuido dele, vai descansar — Nico sorriu com calma, pegando o bebê no colo.

A Grace assentiu e caminhou até o seu quarto, passando uma água no corpo e colocando um maravilhoso e confortável pijama, realmente só querendo comer algo e dormir até seu corpo não aguentar mais, porém ouviu um barulho estranho vindo da sala o que a fez suspirar e sair de lá, sorrindo inevitavelmente em ver o que o Di Ângelo tinha arrumado.

— Eu não podia deixar ele simplesmente não ter o primeiro ano novo descente — Nico comentou, passando a mão pela cabeça do pequeno que estava sentado comendo.

Nico tinha posto uma colcha de cama no chão da sala de jantar, na frente da janela e embaixo do visco que ainda estava pendurado ali, junto com todos, tinha sobras de pizzas espalhadas em pratos diversos e refrigerante ali também.

— Falta cinco minutos pra meia noite — a Grace comentou se aproximando e sorrindo com calma.

— Podemos dizer que esse foi o ano novo em que mais coisas deram errado — Nico ponderou, esticando a mão para ela, em um pedido silencioso que ela se juntasse a eles.

— Sim, podemos — concordou, segurando a mão dele e deixando-se ser puxada para sentar no chão.

— O que espera desse próximo ano? — o moreno indagou como um sussurro, sentindo-a apoiar a cabeça em seu ombro.

— Que as coisas deem certo, para todos nós — bocejou, olhando o céu do lado de fora.

Os fogos começaram, invadiram o céu fazendo o bebê arregalar os olhinhos fascinado, já que de dentro de casa ele não ouvia o barulho ensurdecedor que eles faziam, a noite escura ainda com indícios de que uma nevasca estava por vir só tornava a beleza daquilo tudo muito maior.

— Acho que já começaram — Nico falou para si mesmo sorrindo, olhando a Grace e não conseguindo conter seu sorriso ao ver ela dormir tranquilamente em seus braços.

O bebê olhou a mãe e se deitou em suas pernas, dormindo ali também.

— Feliz ano novo! — o Di Ângelo murmurou, sorrindo e se aconchegando ali.

Notas finais
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