Notas iniciais
Hey cerejinhas, eu amo esse capítulo e espero que vocês gostem também! Eu tenho andado meio desanimada com as coisas, e agora vai começar a correria novamente da minha vida, mas como da última vez que a correria começou, meu animo voltou e eu voltei a postar frequentemente, vamos torcer. Boa leitura!

— Queria falar comigo? — Nico entrou no quarto, parando ao lado da Grace.

A morena tinha os olhos elétricos fixos nas três seleções de roupas separadas na cama, a garota iria tirar a bota depois do natal, porém, como ainda estava com ela, tinha que escolher uma roupa pratica de vestir e que não ficasse horrenda acompanhada com aquela bota ortopédica.

— Qual? — perguntou, fazendo Nico respirar fundo. Analisando bem as três opções.

Assim que o Di Ângelo ficou ao seu lado, Thalia usou ele de apoio, mesmo com sua perna melhor, a bota ainda incomodava o suficiente para que se ela tivesse que ficar em pé por muito tempo, como estava, tirando roupas do closet e colocando na cama, andando de um lado para o outro, começasse a doer um pouco. Nico não se incomodou com ela o usando de apoio, apenas passou o braço pela cintura dela, avaliando as mudas.

A primeira muda de roupa consistia em uma saia preta cintura alta e um cropped vinho simples, a segunda em um vestido colado preto, com um suéter vermelho por cima e o terceiro, que tinha menos a ver com a data, um vestido preto também colado com uma jaqueta preta com flores rosas, de couro.

— Hum... — o moreno falou alto, fazendo a Grace soltar uma risada leve e levantar o olhar para ele. — Com meu vasto conhecimento na moda — começou, arrancando um revirar de olhos e um assentimento dela — e com a ótima modelo que temos aqui — gesticulou para ela, que sorriu, mordendo o lábio inferior — acredito que a segunda opção, vestido colado para ressaltar as curvas, mas um suéter vermelho para entrar mais na data comemorativa e dar um ar mais santo, mesmo com os chifres e o rabinho de demônio.

Ela gargalhou, batendo no abdômen dele, se afastando e suspirando.

— Ok, obrigada — disse, indo até a roupa e guardando as duas outras opções não escolhidas. — Ficaria muito bravo se eu tomasse banho de banheira?

— É só me gritar — ele deu de ombros, sentindo seu interior revirar e ela assentiu agradecida.

Nos últimos dias ela tinha tomado banho sentada em uma cadeira no chuveiro, já que ele tinha se incomodado bastante com ter que tira-la da banheira, pois era bem desconfortável e ela conseguia entender isso, então quando Bianca não a ajudava, ela se virava com o que tinha, mas sempre reclamava disso.

Nico saiu do quarto e voltou para a cozinha, aonde Leo estava ali ajudando a fazer a ceia de natal como prometido, o resto da família só viria mais tarde, Bianca tinha saído com Hazel e Clarisse para comprar presentes, já que a correria estava tanta que nenhuma das três tinham comprado nada.

— O que ela queria? — Valdez perguntou, mexendo algo na panela.

— Ajuda para escolher a roupa — explicou, não contando o detalhe que logo ela o chamaria para tira-la da banheira.

— Já tá quase na hora, né? O tempo passou voando — comentou, olhando o relógio que marcava cinco e quinze, o pessoal deveria chegar as sete. — Como acha que vai ser esse natal?

— Para ser sincero Valdez, eu não faço ideia, espero que pacifico.

Leo assentiu, respirando fundo e continuando a cozinhar com Nico, até que o Di Ângelo recebeu uma mensagem de Thalia, tinha sido o jeito dos dois se comunicarem sem perturbar o Dylan, que no momento estava já vestido para o evento. Sua roupa se consistia em uma calça jeans azul clara e uma blusa de mangra comprida vermelha com um desenho de uma rena, além dele usar um arco de rena que ele havia pego da mãe.

O pequeno estava sentado no chão brincando com alguns brinquedos enquanto olhava a televisão que passava um especial de natal. Nico deu uma olhada no garoto antes de respirar fundo e ir ao quarto dela, tentando não aparentar tão surpreso quanto da primeira vez, agora ele tinha a plena consciência do que iria encontrar.

Assim que abriu a porta do banheiro, seu coração falhou uma batida, dessa vez o cabelo estava molhado e caia sobre o ombro, acalmando a imensidão negra que ele era normalmente, seus olhos azuis estavam fechados e ela tinha uma caneca de café em uma mão, ela balançava a perna boa ao som da música que vinha do quarto com suavidade, ela não havia o percebido ainda.

O Di Ângelo se aproximou com calma, descendo o olhar pelo corpo da garota, ela afirmava ter engordado, Nico não via isso. Sorriu travesso a pegando no colo de supetão a fazendo soltar um grito e se agarrar ao Di Ângelo com força.

— Não faz isso, demônio! — deferiu um tapa forte contra o ombro dele, enquanto o xingava mentalmente de todos os nomes.

— Você me chamou pra isso — deu de ombros, indo com ela para o quarto, aonde tinha visto que as roupas dela estavam. — Só fiz meu trabalho.

— Poderia ter anunciado sua presença, infeliz! — o Di Ângelo riu a colocando em cima da cama com cuidado.

A porta do quarto foi aberta, fazendo Leo arregalar os olhos ao ver Thalia completamente nua.

— Desculpa, ouvi um grito, já vi que tá tudo bem, então...— dito, ele fechou a porta e deixou que um sorriso travesso brotasse nos seus lábios, ele com certeza iria zoar o cunhado.

— Ele vai infernizar minha vida — negou, olhando a porta fechada.

— Sim, ele vai — concordou, apoiando os braços atrás do corpo, deixando tudo mais exposto e visível, fazendo Nico a encarar em advertência.

— O que foi? Você me colocou aqui, esqueceu? Vou roubar seu lençol de cama — comunicou, se mexendo confortável, vendo a reação do Nico.

Talvez ela estivesse fazendo isso para provoca-lo, adorava fazer isso.

— Vou ajudar o Leo na cozinha, não precisa mais de mim, né? — indagou e ela o dispensou apenas com a mão, o que o fez revirar os olhos, mas sair do quarto.

A morena suspirou, usando seu corpo de apoio para se levantar e começar a se secar, não era muito fã de nudismo, muito menos para a família de Nico. Assim que estava devidamente pronta, caminhou até a sala, vendo que Leo abria a porta para Bianca.

— Oi Thalia, como está a perna? — Bia questionou, sendo esmagada pelo marido.

— Melhorando — sorriu simpática, sentando-se no sofá — mas estou seriamente preocupada com esses dois cozinhando para o jantar.

— Ou! — Leo resmungou, mexendo uma colher rosa de silicone, atraindo toda a atenção para si.

O Valdez já estava pronto, usava uma blusa branca de manga comprida simples, uma calça jeans preta e um tênis novo, ele não era fã de roupas muito complexas, mas não foi nada disso que chamou a atenção para si, sim o avental que ele tinha provavelmente achado nas coisas da Thalia que consistia em um corpo de caveira feminino, bem sexy.

— Está magnifico com esse avental, Leo — comentou, fazendo-o revirar os olhos e assentir em agradecimento, dando uma rebolada ousada e voltando para a cozinha.

As mulheres riram, fazendo Bianca negar e se sentar no sofá, depositando um beijo na cabeça do sobrinho.

— Ele está crescendo bem rápido, né? — comentou, ouvindo Thalia suspirar.

— Está sim, nem acredito, tudo tá acontecendo tão rápido, as vezes eu acho que é um sonho sabe? — indagou, recostando-se no encosto do sofá.

— Não era o que esperava para a sua vida? — perguntou — Eu sei que não planejava ter um filho agora, mas sabe, algum momento já pensou nisso.

— Na verdade não, eu nunca estive em nenhum relacionamento e nunca tive vontade de me envolver em um, eu sempre me imaginei sendo o tipo de pessoa que fica pra tia, que faz os passeios legais com os sobrinhos, mas estou feliz de tê-lo — confidenciou, seus olhos estavam fixos no bebê que estava mais interessado na televisão do que na conversa.

— Bia, irmã querida — Nico chamou, saindo da cozinha.

— O que quer? — indagou, olhando o garoto.

O Di Ângelo ainda tinha que tomar banho e se arrumar para a ceia, ele parecia saber disso.

— O que vai fazer dia vinte e seis? — perguntou com um sorriso travesso.

— Nada demais, por quê?

— Bom, eu tenho que levar a Thalia para ver a perna dela, Jason vai ter um encontro com alguém e eu queria saber se você ficava com o Dylan pra gente algumas horas, porque eu vou ter que carregar ela, logo não vou poder carregar um outro bebê — Nico explicou a situação.

— Eu não sou um bebê — resmungou a Grace descrente que ele tinha dito aquilo.

Um sorriso travesso brotou nos lábios de Nico, que olhou para a garota, vendo-a revirar os olhos e pegar o filho, que nem se mexeu.

— Poder eu posso, mas não vou poder vir busca-lo, Leo vai ter que passar na empresa e vai ficar com o carro — explicou, ouvindo a risada gostosa do bebê para a televisão e sorrindo abobada.

— Tá, eu levo ele lá — agradeceu, voltando para a cozinha para verificar se poderia ir tomar banho ou Leo se virava bem.

Nico saiu correndo para o quarto no intuito de se arrumar, deixando o pessoal ali.

— Vou arrumar a mesa — Bianca comunicou, se levantando um tempo depois.

— Você é tão fofo — Thalia apertou o bebê o enchendo de beijos e o sujando inteiro de batom vinho.

A porta foi aberta e o Jason entrou saltitante indo até o sofá e puxando a irmã e o bebê para o colo, pegando a criança enquanto a Grace tinha sido deitada e agora se mexia para ficar confortável com a cabeça no colo do irmão.

— O tio estava com saudades — disse apertando o bebê que riu e tentou imitar o que a mãe fazia com ele, dando beijos babados no loiro.

O Jason fez uma cara de nojo, mas só conseguia rir enquanto era babado inteiramente.

— Beijo bom — bagunçou o cabelo do garoto o colocando sentado na barriga da mãe. — Feliz natal, maninha!

— Eu sou mais velha — lembrou — feliz natal pirralho.

— Que cena fofa, eu nunca fui assim com o Nico — negou Bianca pensando nos seus momentos com seu irmão enquanto olhava os dois irmãos no sofá.

— O que tem eu? — O referido questionou adentrando a sala, também estava simples, mas bem vestido.

Sua blusa era preta, assim como sua calça jeans e sapatos, ele também usava uma blusa xadrez aberta vermelha, preta e cinza apenas para dar o clima natalino ao conjunto.

— Nós nunca tivemos momentos fofos de irmãos — Bia explicou, fazendo ele assentir em concordância e ir para a cozinha depois de cumprimentar Jason.

E assim ficaram, tentando arrumar a maior parte das coisas o quanto dava até que o resto do pessoal chegasse.

A Grace se levantou do sofá, pedindo licença a todos e caminhando até o quarto, tentando respirar fundo, não demorou para que Nico adentrasse o quarto, dando duas batidas suaves na porta.

— Desculpe por isso — comentou, a fazendo sorrir.

— Tudo bem, foi ideia minha, lembra? — questionou, voltando seu olhar para as ruas lá fora.

— É, mas você não sabia o quanto minha família poderia ser chata — comentou, parando ao lado dela.

As ruas estavam cheias de neve e ela parecia cada vez dominar mais o local, não tinha mais ninguém do lado de fora, todos estavam com suas famílias em suas casas, aproveitando a data comemorativa que a véspera de natal e ele em si era.

— O problema não é sua família — confidenciou —, eu sempre passo o natal ou bêbada, ou vendo filmes de natais, zoando tudo com meu irmão, foi perto da data da morte da minha mãe, nosso primeiro natal sem ela foi assim e sempre foi assim desde então, nosso pai tinha saído ele não conseguia ficar em nossa casa sem ficar explosivo, acho que ele esqueceu da data, ou simplesmente não se importava.

— Desculpa — pediu novamente, a puxando para um abraço e ela deixou ser abraçada.

— Tudo bem, já faz tempo — ela comentou, se encolhendo no peitoral dele, sem realmente abraça-lo de volta.

— Nunca é o suficiente — respondeu, sentindo ela falhar no seu abraço.

A Grace o puxou mais para si, se encolhendo, tentando manter as lágrimas dentro do corpo, respirando de modo lento, sentindo as mãos dele acariciarem suas costas, tentando a acalma-la, consola-la. O perfume fresco de Nico invadiu seu nariz, fazendo-a ficar mais calma, um cheiro tão suave e tranquilo para sua pessoa a fez sentir seus músculos relaxarem.

Abriu os olhos azuis elétricos, se afastando dele, limpando com cuidado para não manchar a elaborada maquiagem as lágrimas que haviam escapado por seu rosto.

— Obrigada — sorriu tímida, era estranho mostrar essa parte para alguém, entretanto ela ainda morava com Nico, seria bom morar com alguém de confiança.

— Quer que eu fique aqui com você? Eles nem vão notar nossa falta? — indagou preocupado, levando a mão com delicadeza ao rosto dela, usando o polegar para tirar uma lágrima insistente.

— Não, pode ir, eu já estou indo — sorriu envergonhada, seu corpo borbulhava.

Ele assentiu, cortando a distância entre eles novamente, depositando um beijo no topo de sua cabeça e sorrindo de modo tímido, dando completamente as costas para ela e saindo do quarto.

A cena da sala era engraçada, Jason fazia aviãozinho com Dylan, tentando-o manter acordado o máximo de tempo possível para o natal em si. Hazel e Frank estava mexendo em algo perto da árvore de natal e dos presentes.

— Nico — Hades chamou, fazendo o menino sentir seu estomago revirar.

— Diga — pediu, se aproximando do pai, sentando ao lado dele.

— Eu sei que eu não digo muito isso, mas estou orgulhoso de você, mesmo não me respeitando, fez uma vida boa e vejo que está realmente feliz com ela e cercado de boas pessoas — admitiu, levando seu olhar a Jason e Leo que riam com o bebê. — Cuide dessa criança e o leve para nos ver quando possível, eu quero fazer parte da sua vida, meu filho.

— Eu também quero que você faça parte da minha, pai — sorriu, abraçando o homem que sorriu acolhedor.

Thalia saiu do quarto sorrindo amigável para Nico e caminhando até os meninos, tirando o bebê do colo deles.

— Pode deixando isso aí, Thalia! — Hazel alertou, fazendo a Grace arregalar os olhos.

— Isso é meu filho — lembrou, apertando a criança que riu.

— Nós temos um visgo — anunciou a mais nova dos irmãos Di Ângelo, fazendo Leo soltar um riso fraco entendendo a ideia da garota.

— E? — Thalia questionou, não querendo chegar aonde ela queria.

— Bom, é um costume que os casais se beijem debaixo do visgo, então... quem vai primeiro? — Hazel explicou, vendo o namorado se sentar em uma cadeira.

— Acho que o casal que a casa pertence — Clarisse sugeriu, desgrudando os olhos do celular para o fazer.

— Maravilha! — Nico disse tentando não deixar que sua voz soasse ironia, mas foi inevitável.

Thalia suspirou sentindo suas bochechas corarem, mas caminhou até o visgo, ela já tinha feito isso, já tinha beijado o roteirista antes, poderia fazer de novo.

O Di Ângelo parou de frente para ela, sorrindo leve em um pedido de desculpas silencioso, que ela deu de ombros em resposta, rindo e revirando os olhos. Dessa vez quem deu iniciativa ao beijo foi Nico, que a puxou pela cintura, aproximando com calma seu corpo ao dela, sentindo as mãos delicadas dela deslizarem pelos seus braços até envolverem seu pescoço.

Colou sua testa com a dela, encarando-a no fundo dos olhos, sentindo-a arfar, por fim cortando completamente a distância entre eles, em um beijo casto, pedindo uma permissão lenta, em uma descoberta sutil do que o outro poderia causar, um carinho agudo que em um reconforto singelo e um secreto pedido de desculpas e timidez, todos olhavam o casal.

A Grace sentiu que ele separaria o beijo e antes que pudesse raciocinar aprofundou-o novamente, ficando na ponta do pé, sentindo uma pontada em o fazer, agarrando seu cabelo com delicadeza o puxando para si, sentindo um sorriso nos lábios dele surgir inevitavelmente, suas mãos grandes se mexendo na cintura fina e delicada, bem marcada no vestido negro justo.

Jason olhou Leo, que tampou os olhinhos do bebê pasmo com a sincronia que eles estavam adentrando. Por fim nenhum dos dois tinha ar para continuar, separando o contato, mas mantendo a distância diminuta, Thalia sentiu seu rosto queimar com sua atitude involuntária, mas sorriu tímida encarando a imensidão negra que ele tinha em seus olhos.

O Di Ângelo ponderou em investir novamente, beija-la, tentar mais uma vez, tinha esperanças de que ela não fosse resistir. Porém ela se afastou, arrumando o vestido ao corpo e caminhando até Dylan o pegando no colo, para a vez de Leo e Bianca.

Seu irmão a mandou um olhar que ela mal conseguia encarar, focou em seu filho, tirando o arco do pequeno e colocando em sua própria cabeça, olhando o Valdez puxar Bia para um beijo com certa brutalidade arrancando uma risada dela e um tapa no ombro, antes dela retribuir, ver aquela cena só piorou como Thalia se sentia. Todos estavam focados no casal, olhando atentamente cada pequeno movimento deles, assim como tinham ficado com ela e Nico.

Suspirou, beijando a testa de seu pequeno, olhando de canto de olho o Di Ângelo, que parecia tão perdido quanto ela deveria estar aparentando. O casal se separou e foi a vez de Hazel e Frank, o que fez a menina ficar incrivelmente vermelha, mesmo sendo ideia dela e por último Hades e Perséfone, esses mais breves do que os jovens.

Antes que alguém pudesse comentar algo, o relógio soou, fazendo com que o silêncio fosse cortado por comemorações natalinas, todos começaram a se abraçar e a celebrar a data, mas a maioria apenas queria ir logo atacar a comida que estava cheirando incrivelmente bem.

Assim que Thalia abaixou o garfo terminando sua refeição, sentiu o alivio em suas costas, a noite estava perto do fim, logo a família do Di Ângelo se retiraria e ela poderia tomar um belo banho e dormir, esquecer o constrangimento de ter os olhares sobre si enquanto beijava seu falso marido.

Porém, comemorou ter sobrevivido aquela noite cedo demais. Logo a luz se apagou por alguns minutos, fazendo todos olharem para a luminária acima da mesa, ouvindo um estalo do gerador do prédio sendo ligado e a luz voltando a clarear a casa.

— O que aconteceu? — Bianca indagou confusa, levando um pedaço de batata a boca.

Nico pegou o celular vendo que estava sem sinal.

— Vou ligar lá pra baixo — comunicou, se levantando e indo ao interfone, não demorou muito a ele voltar. — A nevasca nos deixou presos aqui, ninguém sai até parar de nevar.

Thalia fechou os olhos mexendo-se na cadeira, sorrindo leve para Nico que já tinha notado o que aquilo resultaria, eles teriam que passar mais tempo fingindo estar em um casamento.

— Parece que vamos ter que dormir aqui — Hades disse, fazendo a Grace assentir.

— Claro, Nico, por que não arruma o quarto de hospedes para eles, enquanto limpamos essa bagunça? — perguntou, fazendo-o assentir e correr em direção ao quarto.

Nico começou a tirar tudo que fosse seu e mostrasse que ele usava aquele quarto da visão de quem quer que fosse dormir ali, tentando arrumar tudo o mais rápido possível para pessoas dormirem.

A Grace sorriu, pegando o Dylan avisando que ia o preparar para dormir, mas na verdade ela só queria assimilar que teria que dormir com Nico. Não que nunca tivesse dormido ao lado dele, mas foi sem querer a primeira vez, mas depois daquele beijo a última coisa que ela queria e ter que dividir cama com o moreno.

Ele havia sido tão gentil com ela em seu quarto, consolando-a e depois a beijara com tanta sutileza, tanto carinho, algo que ninguém nunca fez antes. Suspirou colocando o seu filho em cima do troca frauda e pegando uns lenços umedecidos tirando as marquinhas de batom que havia deixado no bebê.

Mas sua mente estava no beijo, querendo ou não, ela sentia formigar aonde as mãos dele haviam encaixado tão perfeitamente para a puxa-la para um beijo, o toque tão sutil, seus olhos fixos no dela, toda aquela bobeira e atitudes de adolescente apaixonado foram embora, sentia que aquele teatro a estava levando longe demais.

— Foi ideia sua, não vai voltar atrás — disse para si mesma, suspirando, abrindo uma das gavetas e pegando o pijama de Dylan.

O pequeno estava quase fechando os olhos, Jason tinha se esforçado bastante para mantê-lo acordado até o horário atual.

— Você já vai dormir meu pequeno, deixa a mamãe te trocar, ok? — sorriu, tirando a blusa que ele usava e tacando no cesto ao lado do móvel. — Me pergunto como vai ser quando tivermos te explicar a relação que eu e seu pai temos, quando você perceber que não é como a maioria das famílias, espero que não fique chateado com isso.

Thalia o pegou no colo, levando até o berço e girando o brinquedo que ficava em cima dele, o vendo sorrir e começara a fechar os olhinhos, logo adormecendo, seu coração se aqueceu em vê-lo.

— Mamãe te ama, ok? — passou os dedos de leve nos cabelos negros do garoto, ligando a babá eletrônica e saindo do quarto, apagando a luz e fechando um pouco a porta de modo que apenas uma fresta ficasse aberta.

Olhou pelo corredor e viu o pessoal conversando e rindo, queria que sua família fosse assim, negou bruscamente com a cabeça tentando não pensar nisso e caminhou até seu quarto, arrancando o suéter vermelho que usava.

— Thalia — Nico chamou baixo, adentrando o quarto.

— Não precisa se desculpar Nico, não é culpa sua — ela disse sorrindo amigável, o fazendo assentir.

— Me desculpe mesmo assim, é minha família, foi ela que te trouxe tanta doideira e ainda causa dor de cabeça e desconforto pra você, se quiser eu durmo no chão — se ofereceu, saber que ela se sentia desconfortável com contato físico o incomodava, pois ele não parava de fazer isso.

— Claro que não, Nico, você vai dormir na cama — revirou os olhos, sentando-se em frente a penteadeira, começando a tirar a maquiagem.

Thalia deitou na cama, mexendo tentando ficar em uma posição confortável, seus olhos azuis elétricos estavam presos no teto branco. Sentiu o lado oposto do que ela estava afundar logo depois de ouvir o barulho do aquecedor aumentar, o cômodo escuro impossibilitava que ela o visse direito, mas não deixou de desviar os olhos na direção do garoto.

Ele imitava sua posição, barriga para cima, braços cruzados por cima da coberta, olhos presos no teto.

— Isso não deveria ser tão estranho — ele comentou, sentindo o desconforto em sua pele.

— Estamos apenas dormindo lado a lado, não é estranho, já fizemos isso antes — deu de ombros, olhando novamente o teto fingindo não estar desconfortável com a situação.

— Mas mesmo assim você não está à vontade — ele contrapôs, olhando para ela.

— O que quer que eu faça, Nico? — Thalia também virou o rosto na direção dele o vendo dar de ombros.

— Nada, eu vou pro chão.

— Não, não vai — a Grace segurou o braço dele o impedindo de sair da cama e se sentando. — Olha, não tem o porquê de tanta comoção, apenas estamos dormindo lado a lado, pronto, fim de história.

— Mas eu não quero causar as coisas piores para você do que já estão — ele rebateu, realmente desconfortável.

— Nico, cala a boca e deita nessa cama — ordenou, já que ele também estava sentado.

O moreno não se mexeu, ele estava decidido que aquilo acabaria ali, eles estavam sozinhos, não precisavam fingir isso, ninguém saberia o que aconteceu ou não dentro do quarto.

A Grace não sabia o que sentir naquele momento, se ficava irritada por ele ser tão teimoso, ou agradecida por ele querer ser gentil e educado com ela, em uma tentativa de melhorar tudo o que estava acontecendo para ela.

Suspirou pesado, deitando-se e soltando o Di Ângelo completamente, tentando se arrumar em uma posição confortável para a sua perna, fechando os olhos, não queria terminar sua noite de natal em uma discursão sem fundamentos.

— Vai deitar ou não? — indagou de olhos fechados, notando que ele não tinha se movido.

Nico se deitou novamente, mas depois de um minuto se decidiu que iria se levantar, passaria para o chão, mesmo sendo literalmente o chão duro e frio, ele preferia isso do que causar uma pior situação para a sua colega de quarto. Porém Thalia se mexeu antes que ele pudesse, deitando com a cabeça no peitoral de Nico, sua respiração calma indicando que ela já tinha dormido, o envolvendo antes que ele pudesse raciocinar.

Um sorriso bobo surgiu no rosto do Di Ângelo, não era a primeira vez que ele dormia abraçado com ela, mas mal se lembrava como tinha se envolvido naquele aperto na primeira vez, talvez ele tenha tomado a iniciativa. Envolveu de modo que ela se encolhesse mais ainda no seu aperto, seu rosto estava inexpressivo e calmo, ela arrumou a perna machucada até que um suspiro saiu de sua boca indicando o alivio de uma posição realmente confortável.

— Boa noite, Grace! — murmurou e fechando os olhos, afagando a cintura dela com carinho.

Um sorriso surgiu nos lábios da morena, sentindo-se vitoriosa por ele ter desistido de sair.

— Boa noite, Di Ângelo e feliz natal! — disse em um ronronar suave, realmente começando a pegar no sono.

Uma risada fraca escapou dos lábios dele, negando descrente que ela realmente tinha feito aquilo para ele não ir dormir no chão.

— Feliz natal!

Notas finais
- Eu queria postar esse capítulo no meu aniversário, no dia 02/03 que foi o dia do meu aniversário, mas acabou que não deu, né? Fazer o que? — Espero que gostem! Para não perderem nenhum capítulo, trailer, coisinhas extras e fanfics novas fiquem de olho no instagram (inspiracao_nerd) e no grupo do facebook, links importantes abaixo: YouTube:https://www.youtube.com/channel/UC4mUN1cGsKrRfcDTwvsDEFg Grupo do facebook: https://www.facebook.com/groups/semideusadorockfanfic/ Instagram:https://www.instagram.com/inspiracao_nerd/ Polyvore(para ver as roupinhas):https://semideusadorock.polyvore.com/ Beijos e até!