Do Outro Lado Da Porta
8 🎬Capítulo 7 - O Filme Que Não Assistimos
31.12.00 — São Paulo/SP
(SLOW DANCING IN THE DARK — Joji)
Escolho um vestido preto, longo e justo.
All Star preto de cano alto.
Maquiagem simples.
Os acessórios de sempre.
E o relógio.
Sempre ele.
Termino de ajeitar o cabelo quando sinto braços envolverem minha cintura por trás.
Caio.
Ele distribui beijinhos pelo meu pescoço, e meu corpo inteiro arrepia.
— Para...
Murmuro, mesmo sentindo minhas pernas quase amolecerem.
Ele ri baixinho contra minha pele.
— Não parece que você quer que eu pare.
Reviro os olhos, tentando esconder o sorriso bobo.
As mãos dele deslizam devagar pela minha cintura.
Antes que eu esqueça completamente como respirar, me desvencilho dele e corro em direção à janela.
— Anda logo!
Ele ri e vem atrás de mim.
⋆⋆⋆
O cinema está quase vazio.
Nos sentamos em poltronas mais isoladas.
O filme da vez é Um Homem de Família.
Mas sinceramente?
Eu já sei que ninguém ali vai prestar atenção.
— Acho que não vou conseguir focar no filme.
Caio passa a mão pelo cabelo enquanto fala.
Olho pra ele.
— Por quê?
Pergunto, mesmo sabendo exatamente a resposta.
Ele me encara daquele jeito que desmonta qualquer pensamento meu.
— Porque você tá linda demais nesse vestido.
Sinto meu rosto esquentar.
Reviro os olhos, sorrindo.
As luzes se apagam.
O filme começa.
Divido a pipoca salgada com ele enquanto Caio insiste em comer aquelas balas ácidas horríveis.
⋆⋆⋆
Em algum momento, sinto a mão dele pousar na minha coxa.
Meu coração dispara.
Olho pra ele.
E então ele me beija.
Intenso.
Como se estivesse com saudade mesmo tendo me visto ontem.
Dou risada contra os lábios dele e o empurro de leve.
— Para! Vão reclamar!
— Não vão — ele sussurra, sorrindo. — A gente tá isolado, amor.
Amor.
Ainda não consigo me acostumar com isso.
— Idiota...
Mas puxo ele de volta mesmo assim.
Os beijos ficam lentos.
Demorados.
As mãos dele percorrem minha cintura, minhas pernas, minha nuca.
As minhas se perdem no cabelo dele.
E quando percebemos—
O filme acabou.
As pessoas começam a sair da sala.
— Não acredito que a gente perdeu o filme inteiro.
Reclamo, rindo.
Caio dá aquela risadinha baixa dele.
— Acho que eu te distraio demais, princesa.
— Convencido.
Ele sorri.
E eu também.
⋆⋆⋆
Depois do cinema, vamos pra casa dele.
Ficamos jogados no sofá, conversando, rindo, nos beijando entre uma conversa e outra.
Até que olho o relógio.
20:06.
Meu coração pesa um pouco.
— Preciso ir.
Caio faz bico imediatamente.
— Fica mais.
— Não dá. Tenho que me arrumar pra festa de ano novo.
Ele suspira.
— Queria passar a virada com você.
Meu peito aperta.
— Eu também queria...
Mas daqui a pouco minha mãe chega em casa.
Ele fica em silêncio por alguns segundos.
Então segura minha mão.
— Vou sentir sua falta, princesa.
Sorrio fraquinho.
— A gente se vê amanhã.
Ele me olha.
Sério dessa vez.
— Te amo.
Meu coração falha uma batida.
Os olhos dele brilham daquele jeito que faz tudo parecer real demais.
Sinto os meus brilharem também.
— Eu também te amo.
O beijo que vem depois é urgente.
Como se nenhum dos dois quisesse soltar.
Mas eventualmente...
ele deixa.
⋆⋆⋆
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