Do Outro Lado Da Porta
9 ⏳Capítulo 8 - A Porta Mais Pesada
31.12.26 — São Paulo/SP
(505 — Arctic Monkeys)
Chego até a porta do outro lado do túnel.
Seguro a maçaneta.
Empurro.
Nada.
Meu coração para por um segundo.
Empurro de novo.
A porta não se move.
— Não...
Minha respiração acelera.
Forço mais uma vez.
Nada.
Desespero começa a subir pelo meu peito.
Então bato o ombro contra a madeira.
A porta finalmente cede, abrindo devagar.
Caio no chão do meu quarto, ofegante.
Fico encarando a portinha.
Ela nunca foi pesada assim.
Nunca.
Meu estômago afunda.
Não.
Não, não, não...
Me aproximo devagar.
Tento fechá-la.
A madeira range.
Difícil.
Pesada.
Como se estivesse... morrendo.
Meus olhos começam a marejar.
Será que isso vai acabar?
A pergunta ecoa na minha cabeça como um pesadelo.
Me jogo na cama.
E começo a chorar.
Porque, pela primeira vez...
eu sinto medo de verdade.
Medo de não conseguir voltar.
Medo de nunca mais ver ele.
Mil pensamentos invadem minha mente ao mesmo tempo.
E se amanhã ela não abrir?
E se essa tiver sido a última vez?
E se eu não conseguir me despedir?
Ouço a porta da frente bater.
Minha mãe chegou.
Seco as lágrimas rápido.
Respiro fundo várias vezes.
Preciso parecer normal.
⋆⋆⋆
A festa de ano novo parece distante.
Barulhenta demais.
Colorida demais.
Eu sorrio quando preciso.
Rio quando esperam que eu ria.
Mas tudo parece errado.
Como se faltasse alguma coisa dentro de mim.
Como se um buraco tivesse se aberto no meu peito.
Enquanto todo mundo comemora a chegada de um novo ano...
eu só consigo pensar no que talvez esteja acabando.
⋆⋆⋆
Depois da festa, me tranco no quarto.
Tomo um banho quente tentando me acalmar.
Não funciona.
Nada funciona.
Saio do banheiro, me jogo na cama e abraço o travesseiro contra o peito.
Então choro de novo.
Até o sono me vencer.
⋆⋆⋆
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