Do Outro Lado Da Porta

7 🖤Capítulo 6 - Perto Demais Pra Ser Seguro


30.12.00 — São Paulo/SP

(Sweater Weather — The Neighbourhood)

Levanto do chão e passo a mão por meu pijama.

-Ei...

Dou um sobressalto e com olhos arregalados vejo Caio em cima da cama.

-Ai, que susto, Caio Martins.

Sussurro, ele faz bico e cruza os braços.

-Ei, não me chame pelo nome completo.

Vou até ele e dou um selinho.

-Gostei do pijama curto com estampa de lacinhos.

Vejo ele morder o lábio inferior, apoiando as mãos em minha cintura.

-Deixa eu me trocar.

Me afasto e vou até o armário.

-A gente vai ficar na praça... ou você tem outro plano?

Ele fica me encarando e pensa.

-Minha casa.

-Seu pais...?

-Tão viajando.

Penso por alguns segundos.

-Ok.

Escolho uma roupa:

Uma camiseta larga do Green Day.

Short jeans.

Vans.

Os acessórios de sempre.

O relógio.

Sempre o relógio.

Começo a trocar de roupa, mas sinto olhar dele queimar em minha pele.

-Vira de costas...

Peço e ele faz bico.

-Deixa eu assistir... por favor...

Ele faz uma cara de coitado que me deixa louca.

-Ok, ok.

Começo a tirar minha roupa, fico vendo ele através do espelho.

Visto a roupa que escolhi e viro de frente pra ele.

-O que achou?

-Perfeita.

Ele me olha como se eu fosse uma deusa.

-Vamos, gatinho.

Ele salta da cama, agarra minha mão e a gente pula a janela juntos.

⋆⋆⋆

Entramos na casa dele.

A casa dele é do mesmo estilo que a minha.

Nos jogamos no sofá.

Ele me puxa pra perto.

Os braços ao redor de mim.

A mão dele no meu cabelo.

Meu coração acelera.

Ele levanta meu queixo.

E me beija.

Devagar no começo.

Como se tivesse aprendendo o caminho.

Depois mais intenso.

Mais seguro.

Mais... necessitado.

O mundo some de novo.

Nos perdendo em nós.

Nos amando.

Nos adorando.

Perdendo a noção do tempo.

⋆⋆⋆

31.12.00 — São Paulo/SP

Olho meu relógio.

3:59.

-Puta que pariu!

Ele para de beijar meu pescoço e me olha assustado.

-Que foi, princesa!?

-Eu tenho que ir! São quase quatro!

Ele choraminga e levanta do sofá.

-E se você não for?

-Não sei o que pode acontecer, mas é melhor não arriscar.

-Ok, vamos.

Ele segura minha mão e nós saímos da casa dele.

⋆⋆⋆

Entramos no quarto.

Ele sentou na beira da cama e eu fui tirar minha roupa para por meu pijama.

Ele ficou me encarando, quase babando.

Dessa vez eu não falei nada.

Antes de eu abrir a portinha, ele segura minha mão.

-Cinema amanhã? Ás cinco da tarde?

Minha mãe vai sair.

-Posso.

Ele sorri.

Um sorriso vitorioso.

Ele me dá um beijo demorado.

Um abraço apertado.

E, relutantemente...

Me solta.

Respiro fundo...

E atravesso o túnel.

⋆⋆⋆