Do Negro Ao Laranja

6 Dia 6 - Pra Sonhar, de Marcelo Janeci


Notas iniciais
Fiz o que pude pra ser mais pontual dessa vez. Se quiserem saber minha opinião sobre a música de hoje... Achei bem... Brega, né? KKKKKKKKKKKKKKK Espero que gostem, @M_Blue_Rose

“— Ei, Kageyama, vamos no Parque Municipal pra comer sorvete?”

Aquela frase o havia condenado.

Tudo começara numa sexta-feira, na escola, quando soubera por intermédio de um colega que uma sorveteria famosa estaria distribuindo quiser de seus sorvetes pela metade do preço no Parque Municipal no domingo – provavelmente, como estratégia promocional.

Hinata ficara louco com a ideia. Sorvete? E mais barato ainda?! Aquilo seria o paraíso! Kageyama gostava de sorvete também... Só não estava muito ansioso para ser um dentre as dezenas de jovens e crianças que estariam lá também. Nossa... Seria uma terrível multidão de pessoas.

Só de pensar nisso se sentia asfixiado.

Ah... Sabia que não poderia – nem queria – negar o convite de Hinata. Primeiro, porque ele se chatearia. Segundo, porque nem fodendo o deixaria dentre tantas pessoas sozinho, à mercê de qualquer pervertido por aí! E terceiro porque... Bem, porque era Hintata.

Ah. Sem falar que estava um calor infernal. O que era estranho, já que o auge do verão já havia passado.

Com o coração na mão, e sem muita ansiosidade, o levantador pôs uma roupa fresca qualquer e avisou sua mãe que sairia com um amigo.

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Quando te vi passar fiquei paralisado

Tremi até o chão como um terremoto no Japão

Um vento, um tufão

Uma batedeira sem botão

Foi assim viu

Me vi na sua mão

.

— Kageyama, que bom que chegou! Estávamos te esperando! — Hinata chegou-lhe perto, mas pouco notara, devido à natureza da frase.

“Estávamos”...? No plural?! Não eram apenas ele e Hinata? Só os dois?

A visão de seus outros amigos detrás do ruivo o decepcionou. Lá também estavam Noya, Tanaka, Ennoshita, Yamaguchi e – para seu completo desgosto – Tsukishima...

Ah, não!

Aquilo não!

— Os terceiranistas não vieram porque têm que estudar, mas até que veio bastante gente, né? — Hinata lhe comentou, baixinho.

— Ah... É. Parece que sim. — em seguido disso, o Kageyama cumprimentou com muito desgosto o resto de seus amigos – e Tsukishima, que diferindo-se dos outros, apenas recebeu de si um olhar maus encarado

— Que isso, Kageyama! Tira esse olhar do rosto! A gente vai comer sorvete, sorvete! — Tanaka-senpai deu-lhe rudes tapas nas costas.

— É, cara! Tenta aproveitar! Tá sol, tem mó galera aqui... Vamos nos divertir! — Noya-san gritou-lhe no ouvido.

Ah, que droga. Odiava os berros daqueles dois.

A única pessoa cuja histeria lhe agradava era a de Hinata. Ninguém mais. E isso porque o deixava fofo.

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Perdi a hora de voltar para o trabalho

Voltei pra casa e disse adeus pra tudo que eu conquistei

Mil coisas eu deixei

Só pra te falar

Largo tudo

.

Depois da interminável fila para pegar cada um seu respectivo sorvete, foram descansar num dos bancos disponíveis no parque. Como apenas quatro cabiam num banco só, outros três sentaram-se no chão, proximamente.

— Hinata! O seu sorvete é grande demais, cara! Quais os sabores?! — Noya parecia surpreso, poucos conseguiam tomar mais sorvete que ele. Enquanto segurava seus míseros sabores de morango, chocolate, creme e amora, Hinata dizia com orgulho que escolhera pistache, amora, limão, chocolate e manga. Tanaka surpreendeu-se também.

Kageyama revirou os olhos... A conversa daqueles três era... ridícula. Deu uma lambida em suas simples duas bolas de pistache, enquanto observava os movimentos do ruivinho sentado no chão na frente de si.

Quanto mais o tempo se passava, mais o grupo conversava, com o detalhe adicional de que Tsukishima e ele próprio mantinham-se maioritariamente em silêncio. Por que o loiro arrogante havia ido lá, afinal?

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Se a gente se casar domingo

Na praia, no sol, no mar

Ou num navio a navegar

Num avião a decolar

Indo sem data pra voltar

Toda de branco no altar

Quem vai sorrir?

Quem vai chorar?

Ave Maria, sei que há

Uma história pra sonhar

Pra sonhar

.

— Ei, onii-chan! Cuidado aí! — o grito infantil foi ouvido de repente, estava próximo. Os amigos nem tiveram tempo de ver um frisbee vermelho planando em direção a si; Hinata, que já havia terminado seu sorvete há um tempo, levantou-se e pulou numa fração de segundo, pegando o objeto no ar.

A maioria dos colegas parabenizaram-no surpreendidos pela rapidez, enquanto o garoto-isca ria e agradecia num gesto exagerado. As crianças donas do frisbee chegaram logo depois, e claro que tiveram que convidar Hinata para jogar...

E claro que Hinata teve que aceitar...

E claro que Noya e Tanaka quiseram se juntar a eles também!

Kageyama soltou um suspiro, aqueles três não tinham jeito mesmo...

.

O que era sonho se tornou realidade

De pouco em pouco a gente foi erguendo o nosso próprio trem,

Nossa Jerusalém,

Nosso mundo, nosso carrossel

Vai e vem vai

E não para nunca mais

.

Com o passar do dia, a conversa resumira-se apenas em olhar os amigos brincarem com a criança. No caso do levantador, apenas em olhar Hinata brincar com as crianças...

A visão era, no mínimo, terna. O ruivinho pulava e corria como se tivesse voltado aos 10 anos. O sorriso nunca sumia de sua face e o suor já molhava seus cabelos.

De súbito, algo que nunca lhe chamava a atenção pulou à sua visão. A roupa. A roupa de Hinata.

Hinata Shoyo vestia uma roupa completamente branca. Uma curta bermuda jeans e uma camiseta branca. Os tênis e as meias há muito foram tirados de seus pés.

Uma roupa branca. Num domingo. Ensolarado.

A mente do rapaz navegou a pensamentos que julgava absurdos. E pior, não podia parar a si mesmo.

Ah, não!

Ah, não!

Ah, não!

Não podia estar pensando que Hinata parecia uma noiva feliz no dia de seu casamento!

Que os deuses não fizessem isso consigo!

.

De tanto não parar a gente chegou lá

Do outro lado da montanha onde tudo começou

Quando sua voz falou:

Pra onde você quiser eu vou

Largo tudo

.

Mas era o que parecia.

Realmente parecia.

Hinata brincava como se fosse o dia mais feliz de sua vida. Os dentes de seu sorriso pareciam com os de uma noiva. O jeito que se movia, pé ante pé, parecia com uma noiva correndo na praia, no mar.

Noiva

Noiva.

Sua noiv-

Ah, para! Para! Para!

Chacoalhou a cabeça, espantando sua imaginação fértil – em vão.

— Olhando alguma coisa, Kageyama...? Você tá até babando. — Tsukishima, ao seu lado no banco, mirou-o com escárnio e perversão no sorriso. Como se ele o estivera observando todo esse tempo e soubesse para onde sua mente havia vagado.

— N-Nada... E eu não tô babando que eu se- — passou a costa da mão esquerda pelos lábios, sentindo a baba quase escorrendo pelo queixo.

Ah, que vergonha! Ainda mais na frente de Tsukishima!

Teve vontade de gritar e ir embora, porém não iria fazer mais aquela cena.

Sem falar que Hinata continuava lá...

— Kageyama-kun — Ennoshita lhe chamou a atenção — Seu sorvete caiu na sua blusa.

O moreno gemeu de frustração.

Aquele não era mesmo seu dia.

.

Se a gente se casar domingo

Na praia, no sol, no mar

Ou num navio a navegar

Num avião a decolar

Indo sem data pra voltar

Toda de branco no altar

Quem vai sorrir?

Quem vai chorar?

Ave Maria, sei que há

Uma história pra contar

.

Já marcavam quatro horas da tarde nos relógios. A multidão quase toda já se havia ido e ficaram apenas os interessados em aproveitar o dia no parque.

As crianças donas do frisbee já haviam ido embora há aproximadamente uma hora e tão logo elas o fizeram, Hinata capotou de cansaço no chão, logo fechando os olhos e dormindo.

Óbvio. Havia pulado e corrido mais que as próprias crianças.

Enquanto Tanaka e Noya, não tão exaustos quanto, riam do kouhai prostrado na grama, Ennoshita indagou como iriam pra casa agora. Se acordavam Hinata ou se alguém o levava nas costas.

Chegaram à conclusão de que deveriam acordá-lo... E Kageyama sabia desde o começo que isso não ocorreria.

Era dificílimo acordar Hinata Shoyo. Pra não dizer impossível.

— Já sei. — Tsukishima fez-se ouvir — Kageyama pode leva-lo nas costas, não é Kageyama-kun? Você é o menos cansado de todos, afinal de contas.

A raiva de Tobio cresceu com a visão do sorriso debochado do loiro. O maldito havia armado pra si!

Amaldiçoou mais que tudo a característica extremamente perceptiva do garoto mais alto. Ele podia chantageá-lo a qualquer momento.

— Você fez tanto quanto eu, Tsukishima! — rebateu. Aquilo era verdade, pelo menos.

— Tá bom... — deu de ombros — eu fico com ele no seu lugar. — levantou-se do banco e aproximou-se do menor.

Maldito, maldito Tsukishima! Ele havia escolhido as palavras certas para atiça-lo. O levantador amaldiçoou-se por ser tão facilmente manipulado.

Não queria ninguém em seu lugar ao lado de Hinata!

— N-Não! Espere! — gritou quando o outro estava prestes a pegá-lo. Tsukishima e o resto dos amigos olharam-no — Eu o levo...

— Oook! Não é como se eu fosse carrega-lo mesmo.

Kageyama ajoelhou-se perto do ruivinho, tentando achar um jeito de colocá-lo nas próprias costas para carrega-lo.

— Se você carregá-lo como uma noiva fica mais fácil, você sabe.

Mirou Tsukishima mortalmente. Qual era a daquele cara, afinal?

No final, aquela era sua única opção mesmo. Pôs uma mão sob as dobras das pernas finas e outra sob as costas estreitas. Ergueu-o no colo com facilidade, embora não aguentasse os deboches de Noya e Tanaka e o olhar perverso de Tsukishima.

De início, todos foram conversando e seguindo o mesmo caminho. À medida que às ruas para a casa de cada um foram aparecendo, a quantidade de pessoas foi diminuindo. O último a se despedir de Kageyama foi Ennoshita, desejando-lhe boa sorte para levar Hinata.

Kageyama agradeceu, embora ele soubesse de algo que Ennoshita desconhecia. Hinata morava próximo às montanhas. Levá-lo até lá estava fora de cogitação.

Levá-lo-ia para sua casa mesmo. Era muito mais próximo.

Lembrou-se de seu devaneio constrangedor no parque, enquanto Hinata brincava com as crianças.

Inconscientemente, perguntou-se se aquilo um dia viraria realidade.

.

Domingo

Na praia, no sol, no mar

Ou num navio a navegar

Num avião a decolar

Indo sem data pra voltar

Toda de branco no altar

Quem vai sorrir?

Quem vai chorar?

Ave Maria, sei que há

Uma história pra contar

Pra contar

Notas finais
No dia de amanhã será Yesterday a música da vez! Se puderem, por favor, comentem. @M_Blue_Rose