Do Negro Ao Laranja

5 Dia 5 - Eu Preciso Dizer Que Te Amo, de Cazuza


Notas iniciais
OOKKK. ISSO QUE É DEMORA. Sério! Abri hoje o PC às 17 pra escrever o capítulo... E capotei de tanto sono. Acordei às nove e meia e só agora terminei... #chora DESCULPEM, GENTE, DE VERDADE! Enfim, obrigada aos que comentaram no último capítulo: Lucychan Ayelet E Hensel AllenAM Tenten Flango, que é minha querida leitora de outra fic minha (original yaoi), Garotos Feios. Obrigada por acompanhar essa fic também, Tenten! Dessa vez, intercalei o capítulo entra os pontos de vista do Hinata e do Kageyama. Acho que ficou legal até. Espero que gostem, @M_Blue_Rose

— Ka-Ka-Kageyama! Eu preciso te dizer uma coisa! — Tobio Kageyama, o levantador do time de vôlei Karasuno, de repente, deparou-se com um Hinata diferente. Um que apertava-lhe fortemente os ombros e dissecava profundamente o interior de suas íris, nunca desviando o olhar.

Já passara das 7 da noite, Ennoshita recém saíra da saleta exclusiva do clube de vôlei, portanto só sobravam ele e seu amigo ruivinho no meio da quadra.

Embora Hinata não achava que era o lugar ideal para realizar seu intento... Era o mais privado que podia encontrar.

— P-pode falar, Hinata... — surpreendia-se com a força obstinada com a qual seu ombro era apertado, até chegava a doer. Linhas de nervosismo delineavam a testa e o cenho do menor. Perguntava-se qual a natureza daquilo tudo.

O garoto-isca suspirou, tentando acalmar-se — Eu preciso te dizer uma coisa. — ficou em silêncio, vendo que o outro não havia proferido nada de diferente. — Eu pr-preciso te dizer uma coi-

— Ah! Fala logo, caramba! Temos que ir embora logo!

— Ah, agora não falo mais! — Hinata se virou e fez bico e cruzou os braços, os olhos dardejando em umidade. Kageyama tinha que ser tão insensível num momento importante assim? – não que ele soubesse, mas...

.

Quando a gente conversa

Contando casos besteiras

Tanta coisa em comum

Deixando escapar segredos

E eu nem sei que hora dizer

Me dá um medo (que medo).

.

O moreno revirou os olhos e mordeu o interior da gengiva pra esconder seu rubor. Que Hinata não fizesse aquele bico novamente, senão...

— Desculpa, Hinata... Pode falar.

— Não, mas agora eu não consigo mais! — Era verdade. Agora o medo de ser rejeitado arrebatara-lhe até o chão.

Ele precisava dizer a Kageyama que o amava.

De uma vez por todas.

.

É que eu preciso dizer que eu te amo

Te ganhar ou perder sem engano

É eu preciso dizer que eu te amo

Tanto

.

Desde seu cômico mal intendido com a história de que Himeko-chan seria a namorada de seu amigo levantador, o sentimento dentro de si começou a borbulhar cada vez mais violentamente, querendo sair. Se uma vez disseram-lhe que a hora certa de se declarar era quando não se conseguia mais manter o que sentia para si mesmo, tal momento estava chegando.

E Hinata tinha que falar.

Ele cada vez mais queria ficar ao lado do moreno maior, e que o tempo se arrastasse quando ocorria.

Quando riam e brigavam, falando besteiras... Quando sem querer falavam coisas sobre si mesmo das quais ninguém deveria saber. Quando descobriam que tinham algo em comum – uma banda, um programa... Quando – em raros momentos – ele falava algo absurdo e Kageyama acocorava-se de tanto rir.

Tais coisas deixavam-no num estado tão eufórico que era capaz de acabar se declarando no meio de uma conversa.

.

E até o tempo passa arrastado

Só pra eu ficar do teu lado

Você me chora dores de outro amor

Se abre e acaba comigo

e nessa novela eu não quero ser teu amigo

É que eu preciso dizer que eu te amo

Te ganhar ou perder sem engano

Eu preciso dizer que eu te amo

Tanto

.

Kageyama observava com interesse seu amigo ruivo de costas para si. Estático. Aparentemente, um braço se apoiava no outro, no qual se apoiava sua cabeça; a mão tapava a boca e o nariz, escondendo o sangue que subia às faces, que chegava até suas orelhas pequenas e bem esculpidas.

As orelhas de Hinata eram outra coisa com as quais aprendia a se fascinar mais e mais.

Sua clavícula era linda também.

A linha de seu maxilar, então...

Quando notou que secava seu amigo de cima a baixo, recordando ainda os momentos que o fizeram devanear com ele, o maior se perguntou se não estava misturando alguma coisa. Céus, aquilo estava se tornando sério.

Perdera as contas da quantidade de vezes que perdera o sono no meio da madrugada – não por motivos muito ortodoxos.

.

Eu já não sei se eu to misturando

Ah, eu perco o sono

Lembrando em cada riso teu, qualquer bandeira

Fechando e abrindo a geladeira a noite inteira

É que eu preciso dizer que eu te amo

Te ganhar ou perder sem engano

É eu preciso dizer que eu te amo

Tanto

Quando a gente conversa

Contando casos besteiras

Tanta coisa em comum

Deixando escapar segredos

.

Hinata, inconscientemente, sentia suas orelhas se avermelharem mais e mais, sua imaginação rolava solta.

Kageyama, de detrás de si, mudou a posição das pernas, seu tênis roçou no chão encerado da quadra e o atrito se encarregou no barulho estridente e breve que isso causava. Despertou-se de repente.

Como apontado antes, tinham já que ir embora.

Deixaria a confissão pra depois, mais uma vez falhara em fazê-la...

Se virou ao levantador — Está na hora de irmos embora mesmo... As coisas já estão todas arrumadas, e gente podia ir então, né?

— Espere, Hinata! Mas você não ia me dizer uma coisa super importante?!

— Ah... — desanimado, puxou a mala escolar do canto da sala, dirigindo-se à porta — Eu conto no caminho. Daqui a pouco vem o zelador chamar a nossa atenção mesmo.

Hinata sabia que mentia, mas o que importava agora?

.

Eu não sei em que hora dizer

Tenho medo

É, que eu preciso dizer que te amo

Te ganhar ou perder sem engano

Eu preciso dizer que eu te amo

Tanto

.

As iluminações das ruas quase desertas incidiam sobre Kageyama e Hinata. Com suas bicicletas em seus respectivos lados, ambos andavam lenta e silenciosamente. Talvez porque era sempre o ruivinho que começava uma conversação, e hoje, era tanta a decepção consigo mesmo, que nem isso via-se com gana de fazer.

Ah... Mais uma vez o medo de ser rejeitado impedira-o de... Ah, deixa pra lá.

Era tanto o medo de perder Kageyama sem engano, sem “voltar atrás”, que qualquer coisa já o fazia deixar “pra próxima”.

E provavelmente, o faria para sempre.

.

E até o tempo passa arrastado

Só pra eu ficar do teu lado

Voce chora dores de outro amor

Se abre e acaba comigo

E nessa novela baby eu não quero ser teu amigo

Não

.

O levantador da Karasuno mirava o menor andar um pouco de trás. Seus ombros pendiam tristemente, e seu olhar direcionava-se mais ao chão que à frente.

O que acontecera com Hinata tão de repente? Num momento via-o tão animado para falar-lhe algo, e no outro... — E então? O que ia me dizer, Hinata?

— Ah... Esqueci já. Nem era tão importante assim.

Estalou a língua. Porra, o maldito desistiu de contar justo quando havia ficado tão curioso? Ah, não! Sabia que tinha algo de errado com ele. E descobri-lo-ia nesse segundo.

Alargou os passos, alcançando o amigo integralmente — Escuta, o que você tem, hein? Aconteceu algo errado?

O menor arregalou os orbes minimamente, surpreso até pelo “insensível e rude Tobio Kageyama” ter notado. Isso era mau...

— Ah, deixa pra lá. Já disse que até esquec- Ai! — seu nariz foi apertado entre o polegar e o indicador do outro, sua cabeça era balançada de um lado ao outro. Deixou sua bicicleta cair no chão.

— Sei muito bem que tá mentindo! Tô falando sério, agora você tem que falar porque fiquei curioso!

— Kageyama...! — seu nariz finalmente foi libertado, uma coloração carmim dava indícios da pequena agressão — Nem tenho direito o que contar... É sem graça.

— Não é não. — o moreno mostrou-se irredutível. Cruzou os braços e ficou a fitar o menor. Esperando.

Hinata, quando deparou-se com os orbes de Kageyama tão vidrados em si, quis correr. Tinha dificuldades em olha-lo diretamente e estavam perto demais.

Dizia, realmente perto demais.

Mordeu o lábio inferior até machucar. Kageyama não olhava a outro lado além de si. Sentia-se com se ele o estivesse dissecando, analisando-o por inteiro. Um enrubescimento subia a suas maçãs do rosto. Sentia-se completamente nu. À mercê do julgamento de Kageyama.

Queria sair dali. Agora.

Agora!

Respirou fundo.

Fez menção de mexer seus pés, mas eles simplesmente não se moviam. O olhar do maior pregara-o no chão.

O pensamento epifânico de que não sairia dali até que se declarasse surgiu em sua mente. Isso, somada à vontade súbita e urgente de fazê-lo formavam uma soma quase perfeita.

Ele tinha que falar. Tinha que falar. Ele queria fal- — E-Eu... Eu tenho que te dizer que te-

Ah, não. Mais uma vez fora interrompido.

A má sorte da vez viera de um toque de celular prático e austero. Era de Kageyama.

O dono do celular grunhiu de frustação. — Isso não pode estar acontecendo... — Tirou aparelho do bolso e atendeu-o sem cerimônias — O que é?! Ah, é você mãe... Estou a meio caminho de casa, que saco! Ah, comecem a comer sem mim já, não me importo, você sabe disso! Tcha- Mãe. Mãe! Tchau. Nos falamos depois. — guardou-o, certificando-se de colocá-lo no modo “não perturbe”. — Pronto, Hinata, desculpa. Pode falar agora.

Virou a cabeça ao lado, esperando ver o ruivinho. Não aconteceu. Ele já havia pegado a bicicleta do chão e seguido na frente, sem mais nem menos.

— Ei, Hinata! — apressou-se pra alcança-lo, e quando o fez, surpreendeu-se com um Hinata sorridente, rindo baixinho. — Qual é a graça.

— Sua mãe é mandona que nem você, Kageyama! — nisso, ambos começaram a discutir.

Não era por isso que ria – embora a comparação fosse realmente engraçada. Ria da própria má sorte, que chegava a ser tragicômica.

Mas... Bem. Se aquilo ocorrera, era porque não era a hora certa de contar.

Só esperava que ela chegasse um dia.

.

E que eu preciso dizer que te amo

Te ganhar ou perder sem engano...

E que eu preciso dizer que te amo

Eu já não sei se eu tô misturando...

Ah, eu perco o sono...

Lembrando em cada riso teu qualquer bobeira...

Notas finais
Pelo atraso, acho que já viram que revisei o capítulo na pressa. Desculpem qualquer erro. Irei revisá-lo depois. Obrigada por lerem até aqui. Se puderem, comentem, por favor, @M_Blue_Rose