Do Negro Ao Laranja

4 Dia 4 - Meu Erro, d'Os Paralamas do Sucesso


Notas iniciais
Obrigada aos que comentaram no capítulo passado: AllenAM Ayelet E Hensel Lucychan Agradeço também aos que adicionaram a história aos acompanhamentos. Sobre os reviews, tão logo possa irei respondê-los, ok? Fiquei num atraso enorme pra escrever a songfic do Dia 4 (porque ontem veio visita em casa...), então acabei não respondendo vocês... Vou escrever um pouco da história de amanhã comentarei os reviews de todo mundo! Desculpem. Não devia ter falado que escrever a songfic do Dia 3 foi difícil... A do Dia 4 foi muito mais, vocês não fazem ideia! kkkkkkkkkk "Meu Erro" fala sobre desilusão amorosa... É barra adequar isso a um romance que nem começou direito! #LOL Espero que aproveitem, @M_Blue_Rose

Hinata sentia-se um palerma por estar chorando naquele momento. A última vez em que o havia feito fora em sua derrota contra Aobajousai. Com a diferença de que todos os seus colegas de time se juntaram a ele.

“Digno de pena” não era uma característica com a qual se descreveria aquela cena há meses atrás... Mas sua situação agora?

Ridícula!

.

Eu quis dizer

Você não quis escutar

Agora não peça

Não me faça promessas

Eu não quero te ver

Nem quero acreditar

Que vai ser diferente

Que tudo mudou

.

Quando descobrira que durante o intervalo do 4º período uma colega de sua classe, Himeko-chan, chamaria Kageyama para uma “conversa a sós”, sabia que se tratava de uma confissão. Estivera há um tempo de olho nela.

Essa menina falava muito consigo em esperanças de se aproximar do levantador. Ele sempre dava um jeito de afastá-la –

Embora o moreno maior fosse muito bonito, não costumava atrair muitas garotas, devido ao seu olhar mau encarado e rudeza na fala. Ele, Hinata Shoyo, era o único que se atraia por ele apesar de tais defeitos.

Até então.

Parecia que Himeko-chan era outra pessoa que pensava como si. Tobio era muito atraente e seus defeitos apenas acentuavam suas qualidades. Além do mais, a garota era extremamente linda: educadíssima, cabelos longos e sedosos, a maquiagem sempre impecável, um corpo super feminino – que cá entre nós, Hinata nunca teria –, olhos grandes... E até mais baixa que si.

Himeko-chan: 100 VS Hinata: 0

O ruivinho não queria abrir mão do vôlei com seus amigos, porém por muitas vezes viu-se desejando ser uma garota; sua vida seria muito mais fácil. Não teria que sofrer tanto.

Ser atraente ao levantador por pelo menos uma vez.

Ah, Deus, era tudo o que queria!

.

Você diz não saber

O que houve de errado

E o meu erro foi crer que estar ao seu lado, bastaria

Ah, meu Deus, era tudo o que eu queria

Eu dizia o seu nome

Não me abandone

.

Há uns dias tentava tomar coragem para contar ao seu parceiro o que sentira por ele. Variadas vezes arriscava-se a começar uma conversação em tal assunto, contudo sempre gaguejava no grande momento... Quando emudecia-se então era pior ainda.

Quanto mais Himeko-chan aproximava-se da hora da declaração – coisa que ela comentara consigo dias antes–, uma triste epifania desceu sobre seus sentimentos esperançosos...

Aí que percebera o tamanho de seu erro.

Céus, ele era um garoto apaixonado por outro.

Por que justo consigo e Kageyama as coisas seriam diferentes?

Por que justo por si a pessoa de quem gostava desenvolveria afeto?

Céus, ele era um garoto apaixonado por outro.

Nada de frutífero sairia disso.

Nem mesmo se se assemelhasse a uma garota.

Ambos ainda eram iguais.

Dois garotos.

Que erro...

Seu erro.

.

Mesmo querendo eu não vou me enganar

Eu conheço os seus passos

Eu vejo os seus erros

Não há nada de novo

Ainda somos iguais

Então não me chame

Não olhe pra trás

.

Bem, por tal erro agora o pequeno ruivo se acabava em um silencioso pranto, atrás de uma das colunas do pátio interno da Escola Karasuno, observando com atenção Himeko-chan e Kageyama conversando.

Perto demais.

A menina, com toda a graça que poderia invocar de sua feminilidade – ambas características que ele não possuía –, fez ao maior uma miúda reverência, enquanto apresentava-lhe com as duas mãos um papel que Hinata presumiu ser uma carta de amor.

Ah, ele sabia o que decorreria daquilo...

Ele conhecia os passos, via os erros de um garoto. Porque, bem, não era ele próprio um?

Tobio pegou a carta, agradeceu com uma reverência e colocou-a no bolso da calça esportiva. A dor pesou-lhe mais ainda na boca do estômago, mas Shoyo fez questão de engolir o choro nesse momento.

Mesmo querendo, não iria se enganar.

Seu parceiro arranjaria uma namorada, e a partir daí, ficar ao seu lado não bastaria.

.

Você diz não saber

O que houve de errado

E o meu erro foi crer que estar ao seu lado, bastaria

Ah meu Deus era tudo o que eu queria

Eu dizia o seu nome

Não, me abandone jamais

.

Mais tarde, ao final do dia, Hinata nem conseguiu olhar Kageyama cara a cara. A notícia já havia se espalhado e a equipe inteira o parabenizou, coisa que relutantemente imitou...

Desafortunadamente, o levantador pareceu notar sua diferença de humor. Sua pergunta seguida disso foi fatal: — O que há de errado, Hinata?

Hinata teve uma despropositada raiva do mundo e de Kageyama, “Não me chame! Não me diga que não sabe o que há de errado!”.

Mas era óbvio que ele não sabia! Ninguém era obrigado em saber que seu colega de equipe era apaixonado por si. A situação seria, no mínimo, inusitada.

A natureza desse fato fê-lo imediatamente arrepender-se do pensamento.

— Errado? Não há nada de errado! Estou ótimo! — o sorriso pareceu pesado sobre seus músculos, e seus olhos não eram nem um pouco bons atores. Sua sorte foi que o outro resolveu desistir de sondá-lo.

Após arrumarem o ginásio, ambos foram para a casa lado a lado, posição na qual se manteriam até que seus caminhos se separassem.

Shoyo olhou pro céu, e de repente sentiu vontade de quebrar o silêncio constrangedor — Sabe, Kageyama... Estou com um pouco de inveja de você, sabia? Você acha que um dia conseguirei uma namorada tão bonita quanto a sua...? — Uau, mentir tanto em tão poucas frases dera-lhe um nó na garganta.

Mal Kageyama sabia que aquilo era tudo para mascarar-se e que a ação que o garoto-isca realmente queria concretizar era pedir ao outro que não o abandonasse jamais.

Porque, obviamente, era dessa forma que se sentia.

— Hãn? Namorada? Que namorada?

Com apenas algumas palavras, o assunto tomou um rumo interessante. Como assim “que namorada?”?

— Ué... A Himeko-chan se declarou pra você, hoje, não foi?

— Ah... Aquela menina? O nome dela é Himeko, é? Nem sabia...

A incredulidade preencheu o menor. O moreno nem sabia o nome de sua suposta namorada? — Como assim?! Ela te deu uma carta de amor hoje! E ela é tão bonita! Não vai namora-la?

— Ah, sim! Acho que não... Ela não é meu tipo.

Pare!

Pare!

Era aquilo mesmo que estava ouvindo?

Kageyama não gostava de Himeko? Ela não era seu tipo?

Num segundo satisfez sua imensa vontade de gargalhar bem alto. Kageyama franziu o cenho e olhou ao redor, constrangido com a insensatez de seu amigo.

— Hinata! Pare, pare! As pessoas vão começar a olhar!

— Ah... Me... Des... Desculpe! Mas é que tudo tá tão engraçado! — lágrimas de divertimento e felicidade escorriam por sua face, o garoto mal podia respirar.

— Graça aonde? Tenho cara de palhaço por acaso?!

— Sério... Kage... Yama! Não é de você... A graça! — pressionou o abdome bem abaixo do diafragma. A graça foi-se perdendo pouco a pouco.

Meu deus... Tudo havia sido um mal entendido!

Nunca chorara tão à toa na vida!

Apoiou o braço direito nos ombros do maior, rindo mais um pouco — Mas e então, Kageyama! Qual o seu tipo, então?

Não esperava que a resposta fosse algo que se assemelhasse a si, porém o clima estava tão mais leve que teve vontade de continuar o diálogo.

Tal vontade aparentemente não era compartilhada pelo outro, porque de repente foi empurrado para longe, para ouvir uma entonação nervosa — N-Não é da sua conta! Fica longe, pirralho! — Irritadíssimo, Tobio esfregava a bochecha com o braço, numa vã esperança de fazer sumir o rubor – o que era mais burro ainda, já que apenas aumentá-lo-ia.

Nem tal gesto rude arrancou o sorriso do rosto de Hinata.

Se um dia havia se sentido abandonado, pouco se lembrava dessa emoção.

Seu erro.

Seu erro!

Esse era seu erro!

.

Mesmo querendo eu não vou me enganar

Eu conheço os seus passos

Eu vejo os seus erros

Não há nada de novo

Ainda somos iguais

Então não me chame

Não olhe pra trás

.

Você diz não saber

O que houve de errado

E o meu erro foi crer que estar ao seu lado, bastaria

Ah meu Deus era tudo o que eu queria

Eu dizia o seu nome

Não, me abandone jamais

Não, me abandone jamais

Não, me abandone jamais

Ooh, não me abandone jamais...

Notas finais
Peço perdão por quaisquer erros de ortografia, como disse antes... Estava numa correria louca pra terminar esse capítulo. Caso haja um, não hesitem em me avisar, por menor que seja, por favor. Estou doida pra escrever a songfic de amanhã! Acho que será sob o ponto de vista do Hinata... Mas ainda não tenho certeza. Se puderem, por favor, comentem. Obrigada por lerem até aqui, @M_Blue_Rose