Do Negro Ao Laranja
28 Dia 28 - Wicked Game, de Chris Isaak
Notas iniciais
— Oh, então Hinata-kun vai dormir aqui novamente? — Saeko Kageyama mirava analítica um desconcertado Tobio, que carregava Hinata completamente inconsciente em suas costas – o que já havia começado a pesar há um tempo.
— S-Sim... Por quê? — o tom usado pela mãe era estranho, suspeitoso.
— Não, nada não, filho. Depois me traga os uniformes de vocês pra eu lavá-los e colocar na secadora. O Hinata-kun deve estar cansado de usar o seu uniforme, mal cabe dele, coitado — o próprio comentário fê-la rir melodiosamente.
— Ok... — Kageyama então começou a peripécia de subir com um peso extra sobre seus ombros. Era difícil, mas não impossível. Além do mais, era agradável a respiração quente do ruivinho contra sua orelha.
Já estava meio caminho andado quando ouviu — Tobio-chan? — virou-se dificultosamente, deparando-se com o olhar compreensivo de sua mãe — Gosto muito do Hinata-kun, você sabe.
Amaldiçoou a perspicácia de sua mãe. Queria ter metade daquela característica. A mulher já sacara tudo! O estava observando já há um tempo para tirar suas conclusões – sempre 100% certas!
Corou, e com isso, ela teve certeza de que ele a havia entendido nas entrelinhas — O-k... Obrigado. — terminou de subir as escadas, entrou em seu quarto, depositou Hinata em sua cama, sentando-se nela.
Passou os dedos pelos cabelos finos e suados, namorando a sensação. A respiração e a pulsação eram tão estáveis e baixas que pouco se deixavam ouvir, e lutou contra a vontade de abrigar-se no calor disponível e cair no sono.
Encurvou-se roçou o nariz em sua têmpora, e então a maçã do rosto e o maxilar, inspirou seu cheiro natural misturado ao de sexo recente e suor. Era bom, bom demais! Sentia-se tolo por ter essa estirpe de pensamentos e desejos o tempo todo, mas não podia evitar.
Lembrou-se o que pensou, á meses atrás, quando se viram pela primeira vez: que nunca sonhara que conheceria alguém como ele.
Agora nunca sonharia em perder alguém como ele.
Nunca! Inconcebível!
Gradualmente, Hinata havia se tornado não apenas no cerne de sua tática no vôlei, mas também no de todos os seus pensamentos. Um elemento imprescindível para sua subsistência. Se o mundo estivesse em chamas, Hinata seria o único capaz de apaga-lo.
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O mundo estava em chamas e ninguém podia me salvar a não ser você
É estranho o que o desejo faz as pessoas tolas fazerem
Eu nunca sonhei que conheceria alguém como você
E eu nunca sonhei que perderia alguém como você
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— Mãe, aqui estão os uniformes pra lavar, e os de treino também. — encontrou a genitora na rouparia, colocando algumas poucas roupas na máquina de lavar. Ela pegou as roupas da mão do filho e, inconscientemente, cheirou-as, descobrindo o aroma doce e almiscarado de... sexo. Fez uma careta.
— Nossa, filho... Sua mãe é vivida, então eu vou te explicar... Se você não quer que ninguém descubra que você transou, você tira a roupa antes que fazer qualquer coisa, entendeu?
O dito cujo filho, que já saía do recinto em direção ao quarto, congelou completamente, enquanto o sangue corria sobre seu rosto e o coração palpitava no peito — Mãe! Você apenas podia fingir que não sabe de nada, merda!
— Mas eu sou sua mãe, não precisa ter vergonha de falar sobre isso comigo! Ou você acha que veio da mamãe-gansa? — ao escutar a última frase, imediatamente tapou a cara com a mão. Odiava esse lado de sua mãe de utilizar qualquer pretexto para ensinar-lhe e passar-lhe “suas experiências de vida”.
Ela riu do gesto, e voltou aos afazeres, não parando nem quando o moreno comentou — Só... Só não fica falando essas coisas perto do Hinata, ok?
A mulher franziu o cenho e arregalou os olhos em indignação – exatamente a mesma expressão que seu filho fazia às vezes — Ah, não, não exija isso de mim, moleque! Nunca ouviu falar a expressão “Quem se casa com uma pessoa se casa com a família dela”?!
A mensagem implícita deixou seu coração num estado ainda pior, o rubor aumentando. O que sua mãe estava insinuando? — Ah... Me impressiona a naturalidade com a qual você trata isso tudo... Escuta, mãe... — recostou-se ao batente da porta — Você não se incomoda?
A senhora parou, apoiou-se na máquina e apoiou uma mão na cintura, olho no olho — Olha, filho, vou ser sincera: acho isso problemático, mas não pelo motivo que você pensa. Não vejo problema em vocês serem dois garotos, mas você faz ideia por quantas provações terá que passar por isso? Muitos irão segregar vocês e, se durar até depois do Ensino Médio, dificilmente te aceitarão num emprego, caso descubram. A vida é dura para os que têm relacionamentos homossexuais. E a coisa que um pai ou mãe menos quer é ver sua prole passando por dificuldades assim, entende...? — apenou-se pelo filho cabisbaixo, embora aliviou-as vê-lo assentindo em completa compreensão — Mas! Por outro lado, prefiro mil vezes ver você namorando o seu melhor amigo que eu adoro a saber que você namora uma menina cujo caráter eu desconheço. Vai que é uma cachorra manipuladora... Sei lá.
Tobio riu da última declaração — E... E o papai, o que você acha?
Coçou atrás da orelha e arrumou o cabelo comprido, pensativa — Hm... Seu pai vai ser um pouco mais complicado... Eventualmente ele vai aceitar, claro, porque ele te ama muito, mas não vai ser um mar de rosas, sabe? Se quiser uma dica, faça-o conhecer bem o Hinata-kun antes de falar pra ele, ele vai gostar do garoto tanto quanto eu. O Hinata-kun envergonhado me derrete inteira, tenho certeza que ele vai amolecer o coração do seu pai! — Kageyama riu em uníssono com sua mãe, murmurando um “Não é...?”.
Ela então terminou o afazer doméstico e abraçou o filho, pegando-o de surpresa. — Olha, Tobio-chan, sei que não era sua intenção gostar de um garoto e que nem queria fazê-lo... Mas é o que aconteceu e você vai ter que lidar com isso. Sei que ele é um bom menino, mas saiba que se ele um dia despedaçar seu coração, estaremos aí pra você, ok? — o abraço forte sufocou-o, contudo foi preenchido pela grana de corresponde-la.
Saeko não era a única que vinha estando emotiva ultimamente.
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Não, eu não quero me apaixonar
(Este amor vai despedaçar seu coração)
Não, eu não quero me apaixonar
(Este amor vai despedaçar seu coração)
Por você
(este amor vai despedaçar seu coração)
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A cada passo que Hinata e Kageyama davam juntos em direção à escola, se enervavam mais. Podiam notar os colegas próximos a si já começarem a cochichar entre si mesmos, olhando-os de esguelha. Hinata engoliu em seco e mirou Kageyama. Ele se esforçava para parecer tranquilo, no entanto sabia que na verdade não estava.
À sua frente, o portão da escola já fazia-se aparecer ao longe. O ruivinho inspirou e expirou várias vezes, pregou o olhar no chão e não os tirou de lá, até cruzar a entrada da escola. Cada passo era um martírio e os cochichos tornavam-se mais altos e consistentes.
Desviou-se à Kageyama, e sua ansiosidade diminuiu um pouco. Sabia que os outros fariam jogos malvados consigo, e teriam que ultrapassá-los, um a um.
Diferente de antes, a ideia de dar para trás e fingir que nunca se havia se apaixonado por Kageyama não passava por sua cabeça.
“São eles, não é?”, “Então estão realmente juntos?”, “Meu... Dois garotos, na boa, que absurdo”, “Ah, que graça, eles são tão fofos juntos!”.
O último comentário fez Shoyo parar e ponderar se tudo seria um espinho de rosa. Ele havia mesmo acabado de ouvir garotas se enternecendo por sua relação com Kageyama?
Mesmo?
Isso dava a ele o direito de sentir-se apaixonado por um garoto? De sonhar com ele? De abraça-lo em público, de entrelaçar suas mãos?
Aquelas duas garotas o fizeram se sentir menor pior, como se nem todos a sua volta o encarassem como um “rebelde por atenção”.
Focou-se na direção da qual ouvira as vozes delas, encontrando-as imediatamente, que sorriam em direção a si. Cumprimentou-as timidamente, e seguiu seu caminho.
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Que jogo malvado de se jogar, para me fazer sentir assim
Que coisa malvada para se fazer, permitir que eu sonhe com você
Que coisa malvada para se dizer, você nunca se sentiu assim
Que coisa malvada de se fazer, fazer eu sonhar com você e
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— Hinata, é sério que você e o Kageyama do 1ºB estão... tipo, saindo? — mal havia acabado de se sentar e um amigo seu atacou-o com a pergunta. Embora tivesse medo da reação dele, respondeu com sinceridade, assentindo. O amigo continuou — Ah... Sério então que você é gay? Tem certeza... Sei lá, nessa idade costumamos nos confundir quanto aos sentimentos, você sabe.
A pergunta definitivamente pegou-o de surpresa, e em apreensão, apertou os dedos no tecido de seu uniforme — E-e-eu não sei se sou ga-gay, m-mas... Sei que realmente me apa-pa-paixonei pelo Kageyama e... Eu n-nunca me senti assim, e-então...
— Hm... Entendo. Bem, se você tá assim tão bem com ele, espero que dure. É menos concorrência pra nós! — brincou, e riu um pouco. Logo, chegaram o resto de seus amigos, e um a um, repetiram a pergunta: “Você está mesmo saindo com o Kageyama?”. A resposta foi a mesma em todas, e as únicas vezes em que não teve que fazê-lo foi quando uns dois simplesmente sentaram-se a suas carteiras sem olhá-lo na cara, ignorando.
É. Sabia que perderia alguns amigos no processo.
À medida que a conversa evoluía, mais pessoas se juntavam a ela, inclusive colegas de classe com os quais nunca falara na vida. Os únicos que chegavam perto de si eram os que pareciam não ter problemas consigo ou com Kageyama, então a preocupação esvaía-se aos poucos, embora sabia que nunca chegaria a zero.
A presidente de classe bonita e desinibida chegou na classe, chamando a atenção de todos. Quando viu que uma roda formara-se em volta da carteira do mais novo assunto do momento, comentou, em alto e bom tom — Ei, Hinata-kun! Soube que você tá saindo com o Kageyama do 1ºB*! Parabéns, cara, ele é super gatinho... Nessas horas que eu queria ser menino pra ver se tinha uma chance também — suspirou, e seguido disso foram apenas risadas por parte de alguns. O clima estava bem mais leve agora.
Perguntava-se como estava indo na classe de Kageyama.
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Eu não quero me apaixonar
(Este mundo só vai despedaçar seu coração)
Não, eu não quero me apaixonar
(Este mundo só vai despedaçar seu coração)
Por você
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O mundo estava em chamas e ninguém poderia me salvar, a não ser você
É estranho o que o desejo faz as pessoas tolas fazerem
Eu nunca sonhei que conheceria alguém como você
E eu nunca sonhei que perderia alguém como você
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Hinata e Kageyama passavam o intervalo do almoço juntos – como sempre – tocando a bola um ao outro após terem comido. Conversavam sobre os acontecimentos depois de se separarem para que cada um seguisse para sua classe. Hinata aliviou-se ao perceber que as coisas com o moreno haviam decorrido quase tão bem quanto consigo, com a diferença de que ele não tinha outros amigos senão os do time, então não houve a mesma quebra de gelo do 1ºD.
Contou também sobre a menina que o ameaçara um dia antes do escândalo do jornal, Maika, porque ele... Bem, porque Kageyama fora possessivo com relação a si. Corou ao ouvir a história, atentamente, recebendo um sorriso de volta.
Apenas perceberam que alguém se aproximava quando essa pessoa estava muito perto. Kageyama, surpreendido, deixou de tocar a bola, fazendo-a cair quicando além dele, perdendo se entre os arbustos de flores dos quais o clube de jardinagem gostava tanto.
— Quem é você? — o moreno adiantou-se.
— Muito prazer, me chamo Yui Higuchi. Sou a responsável pelo artigo sobre vocês no jornal da escola, e a amiga da Maika. — a menina segurava uma prancheta num braço e era bem maquiada e meio gordinha, e tinha a mesma perspicácia nos olhos que Tsukishima e sua mãe. Assustador. Provavelmente era o tipo ideal de pessoa para a função na qual estava. Vendo a carranca de desgosto no semblante de ambos os garotos, já foi logo falando — Quero fazer mais um artigo sobre vocês, topam uma entrevista?
— Não gostei do jeito sensacionalista com o qual você descreveu nossa relação... — o corvo laranja fez-se ouvir, a carranca apenas aumentando.
— E eu não gosto de moyashi, mas minha mãe faz pro jantar toda quarta e eu tenho que comer... Fazer o quê? Não se pode sempre ter o que se quer. — Kageyama revirou os olhos e mudou de posição para recolher suas coisas, recolhendo as de Hinata logo após. Ela passou os dedos por seus cabelos loiros pintados e suspirou — Olha, eu não vejo nenhum problema com o namoro ou sei-lá-o-que de vocês. Na verdade, acho super interessante e, se vocês notarem, em nenhum momento no artigo expressei sentimentos de nojo ou repulsa, ok? Mas o meu trabalho é escrever sobre fofocas de maneira sensacionalista. E que melhor fofoca que um casal gay nessa escola? Estávamos precisando de um, pelo amor de Deus! — o casal permaneceu ponderando, ainda inclinado a recusar. — Ah, por favor, vai! Pensem nisso não só como uma oportunidade pra mudar a opinião dos preconceituosos sobre vocês, mas como também pra promover o clube de vôlei!
Como se lessem a mente um do outro, Shoyo e Tobio se entreolharam.
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Não, eu não quero me apaixonar
(Este amor vai despedaçar seu coração)
Não, eu não quero me apaixonar
(Este amor vai despedaçar seu coração)
Por você
(Este amor vai despedaçar seu coração)
Não! Eu
(Este amor vai despedaçar seu coração).
(este amor vai despedaçar seu coração)
Ninguém ama ninguém.
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"O casal do clube de vôlei que é a sensação do momento voltou!
Tobio Kageyama do 1ºB e Shoyo Hinata do 1ºD nos deram uma entrevista exclusiva!
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Depois do escândalo que foi a descoberta de que saíam às escondidas, os dois passaram por muitos problemas e até chegaram a brigar. Saiba como foi essa trajetória!
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Foi amor à primeira vista?
Kageyama: Não, nos odiamos na primeira vez.
Hinata: Ele era um babaca egoísta.
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Então como se apaixonaram?
Kageyama: Do nada. Aos poucos, acho.
Hinata: Aos poucos.
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Foi fácil a aceitação de que estavam apaixonados por alguém do mesmo sexo?
Kageyama: Não.
Hinata: Acho q-que... Na verdade, esse foi um dos maiores problemas... Né? Principalmente pra mim.
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Como é a dinâmica do relacionamento de vocês durante os treinos, já que agora namoram?
Kageyama: Me recuso a responder essa pergunta.
Hinata: Nã-não dá pra dizer ainda... Ainda não tivemos treinos de... Depois de... De... Vocês sabem!
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O que seus senpais do clube de vôlei pensam sobre isso?
Kageyama: Não parecem ser contra.
Hinata: Na-Na verdade, eles apoiam... Acham que vai potencializar nossa habilidade em jogadas em conjunto durante as partidas.
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Seus pais já sabem? O que pensam disso?
Kageyama: Meu pai não, minha mãe sim. Ela adora o Hinata.
Hinata: Nã-Não... Ma-mas a minha mãe gosta do Kageyama.
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Vocês são gays?
Kageyama: Puta que pariu...
Hinata: (na verdade, ele só corou e desviou o olhar)
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Do que vocês mais gostam um no outro? (Agradeçam a essa humilde colunista, foi dificílimo fazê-los responder essa pergunta!)
Kageyama e Hinata: T-tudo.
Mas escolham um! (Isso foi mais difícil ainda!)
Kageyama: O sorriso.
Hinata: O abraço.
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Então, do que vocês não gostam um no outro?
Kageyama: Que o chamem de Shoyo, sem sufixo nenhum.
Hinata: Das meninas que gostam dele.
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Principal ponto em comum?
Kageyama e Hinata: vôlei.
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Um beijo para ilustrar o artigo?
Kageyama e Hinata: Não!
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ps: essa não é a entrevista integral, foi difícil fazer com que ambos respondessem às perguntas, houve muitas discussões no meio e, como elas são irrelevantes, cortei-as do artigo.
pss: Como recusaram um beijo para ilustrar a entrevista, tiramos uma foto e os filmamos às escondidas durante ela. O vídeo ficou super engraçado, então nesse fim de semana, ele já estará disponível no site da escola!"
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