Do Negro Ao Laranja

23 Dia 23 - Sexy Back, de Justin Timberlake


Notas iniciais
Obrigada aos que comentaram no capítulo passado: Bebels JoyceLima Ayelet E Hensel Fangiirl Celyzinha Maneko Giglio Nero Lucychan Pra quem achava que sexy back teria lime/lemon... Não vai ter, desculpe. hsuahsuahsuahsuahsuahs Agora, só mais pro final. Os capítulos estão cada vez mais se assemelhando a drabbles... Não que eu esteja desgostando disso, mas é uma quebra na estrutura narrativa da fic da qual não sei o que pensar... hehehehe Aliás, coloquei aqui várias passagens que de início não parecem fazer sentido, mas que o farão daqui alguns capítulos. Reescrevi algumas partes várias vezes, então é passível de erros. @MexericaBlue

A enfermaria da Escola Karasuno era como qualquer outra: branca, cheirando a remédio e alvejante, macas comportando dois terços do cômodo e janelas grandes nas paredes. E no momento, vazia também. Hinata e Kageyama não sabiam aonde fora a enfermeira e sua auxiliar, não era incomum isso ocorrer – elas eram pessoas ocupadas – mas tinham mesmo que estar ausentes justo quando Hinata acabava de ralar os dois joelhos e o interior dos antebraços?

— Hinata, como que você foi fazer isso, hein? O chão é encerado, encerado! — Kageyama pediu que ele se sentasse em uma das macas enquanto procurava por todos os armários instrumentos que poderia usar nos ferimentos. Tesoura, algodão, pinça, gaze, água oxigenada, spray específico para cessar sangramentos.

— Eu não sei! Só me lembro de cair e me ralar, ok? Se não queria vir aqui comigo a Shimizu-san fazia isso! — havia-se irritado e retrucou na defensiva, fazendo um bico – fofo, segundo Kageyama.

— Shimizu-san é muito ocupada para cuidar de primeiranistas idiotas com machucados saídos do nada. — acercou-se, sentando-se a seu lado com as pernas cruzadas. — Vire-se em frente a mim. — o paciente obedeceu, ainda ultrajado, murmurando impropérios contra o mais alto.

Água oxigenada foi espirrada sobre algodão, suportado por uma pinça. O levantador aprisionou o pulso em sua mão e girou-o, depositando delicadamente o remédio na ferida. — Ai, Kageyama! Tá doendo, seu bruto!

Resistiu aos reflexos de tentar se libertar — Claro que sim, olha como você se mexe! — entrou por um ouvido e saiu por outro, continuando a puxar o braço instintivamente a cada toque da água oxigenada — Para, Hinata! — aumentou a pressão e puxou o pulso. Hinata calou-se. Assim, pode continuar seu trabalho.

Sinceramente, não sabia o que acontecia com o pequeno. Comportava-se inconscientemente mais rude e desajeitado. Alarmado também era algo que lhe cabia no momento. Tudo o assustava. Se o deixasse, pouco olharia para si também.

Aliás, que era o que ele fazia nesse exato momento.

Findo tratamento nos braços, passou aos joelhos. Apoiou um de cada lado de suas pernas cruzadas, fazendo-o abrir suas próprias. Escolheu a posição especialmente para desconcentrá-lo. Para leva-lo ao limite.

Ele manteve-se quieto, embora as maçãs do rosto e as orelhas estivessem avermelhadas.

Fitava-o de soslaio sobre os cílios ora ou outra. O rubor nunca se abrandava.

Ah... Hinata conseguia trazer a sensualidade a uma situação sem mesmo saber. E se o clima morresse, ele a traria de volta.

Quis usar sua mão macia para acariciar o próprio rosto, roçar o nariz na curva de sua panturrilha, morder seu osso do tornozelo. Nunca se fartaria de trata-lo assim. Mal podia esperar para repetir sua dose do fim de semana – se é que vocês o entendem...

A parte da qual mais sentia falta dos momentos íntimos, era – acredite ou não –, quando estavam próximos o suficiente para escutarem o coração um do outro, quase a se tornarem um.

Ele amava o coração de Hinata.

Quando envolvia seus braços em torno de seu torço esguio, atritando com o suor e seu peito se enchia e esvaziava ligeiramente... Sentiu os membros formigarem só de lembrar.

Abraçá-lo...

— Kageyama...? Pode me... desabraçar? Está me sufocando. — Ah. Havia-o abraçado. Prendia-o tão perto que suas pernas rondavam seu quadril, em seu colo. Como na noite em que el- — Kageyama... Está me abraçando muito... — não terminou. O tratamento já havia sido completo e Tobio graciosamente deitou a ambos na maca, num ângulo estranho.

Seus membros, enrolados na cintura estreita, espremiam-no tanto quanto suas narinas aspiravam seu odor natural, era fresco e tenro. Chegava-o no olfato como um perfume de laranja que já perdia a propriedade fixadora.

O nariz, enterrado na curva do ombro, friccionava-se contra a pele. Perguntou-se como conseguia amar Hinata até quando ele o irritava.

Ele era especial... O que havia detrás dele que o fazia ser assim?

.

Eu vou trazer a sensualidade de volta (yeah)

Outros homens não sabem como agir (yeah)

Eu penso que você é especial, o que tem atrás de você? (yeah)

Dê meia volta que eu recupero o atraso (yeah)

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(Leve-os para a ponte)

.

Hinata olhou com esforço para a massa negra de melenas sob seu queixo. O roce de seu nariz causava-lhe cócegas. Aquilo o preenchia de ternura. Sentiu a mão direita maior vagar de seu peito a seu ombro esquerdo. Ao seu antebraço. Ao pulso. A mão.

Entrelaçou-as.

Deus, aquilo era... Bom.

Experimentou o toque inédito. Apertou os dedos entre os seus próprios, roçagando-os juntos – a pele lá, embora um pouco mais ásperas que as suas, eram macias e emanavam calor. As palmas pouco ar tinham entre si. Os tendões, pressionados pelas pontas dos dedos alheios.

O gesto era tão carinhoso que alguma coisa tocou-o no âmago e o fez se deixar levar – como tantas outras vezes. Embora...percebesse agora que as atitudes do maior eram sempre permeadas por ações assim.

Isso o fez duvidar se ele mantinha aquela relação consigo porque verdadeiramente gostava de si ou porque apenas... “se atraíam”.

Na mesma rapidez – ou falta dela –- subiu o hálito até o maxilar, gerando outra sensação de cócegas. Percebeu que tanto as batidas de seu coração quanto as de Kageyama se aceleravam.

A gana por ser tocado pela pessoa que amava.

Ele não iria mentir. Adorava quando Kageyama o tocava. Um roce mãos, um tapa nas costas.

Um abraço.

Quando se abraçavam, sentia-se como se estivessem prestes a se tornar um só. Assim como as batidas de seu coração pareciam intensificar-se.

Ele amava o coração de Kageyama.

Seu estado mental – sereno e estável – em nada condizia com sua pulsação. A discrepância, inusitadamente, o fazia se sentir tão cômodo e.... completo.

Pensou que nenhum outro homem saberia agir assim consigo – ou mulher.

Entorpecido nos próprios sentimentos, matou a distância entre os próprios lábios e os de Kageyama, cuja coragem o aturdiu.

Os lábios eram quentes. A língua era quente. O hálito era quente. Uma nuvem de mormaço pairava sobre sua razão.

O ângulo era tão ruim que os dentes se colidiam com frequência, e o engraçado era que não pareciam se tocar. Quando finalmente o de cabelos negros fez o favor de virar-se e levantar-se ligeiramente, Shoyo timidamente passou a língua através dos dentes, convidando-o a fazer o mesmo.

A aceitação foi feita enquanto entrelaçava as outras mãos – com tanta força que o menor podia considerar-se preso por elas. Testou a mobilidade dos braços – ínfima.

Correntes essas que não eram nada mais nada menos que os próprios sentimentos ambíguos e duos. As írises do moreno eram negras e lúcidas como um breu noturno

Invejava aquela certeza.

E era a certeza de Kageyama que o escravizava. Que moldava seus atos e o conduzia a fazer suas vontades.

Não que não fossem as suas também.

Ninguém o fazia se sentir assim.

— Kageyama... O que você está fazendo?! — Shoyo tornava-se cada vez mais consciente da posição em que se encontravam sobre a cama.

Tobio colou os quadris e os moveu juntos totalmente desprovido de pressa (treino? Que treino?). Hinata gemeu dentro de sua boca, logo afastando-as para morder de leve seu pomo de adão. Voltou para dar-lhe um selinho, até voltar a descer, almejando a clavícula em destaque.

Um flash cegante com um farol de carro ofuscou sua visão, tão rápido que perguntou-se se não era imaginação sua. Focou a atenção momentaneamente à janela que levava ao lado de fora da escola.

Ninguém.

Desfez a tensão nos ombros. Tivera a impressão de estarem sendo observados. Contudo, só isso mesmo: impressão.

— Feche a cortina, Kageyama. — o choque pela sentença ouvida imediatamente apagou o farol de carro de sua mente. Hinata estava falando aquilo?! Ele tinha noção no que isso implicitamente implicava?

— Hi... Hinata? — o pequeno olhou o chão e corou, um semblante irritado.

Sem arriscar-se a espera-lo mudar de ideia, fechou a cortina da qual cada maca na enfermaria usufruía.

Kageyama, mais uma vez, pode ouvir as palpitações do coração de Hinata no mesmo compasso que as do seu.

.

Menina levada (aha)

Está vendo estas correntes?

Garota, eu sou seu escravo (aha)

Eu deixo você me chicotear se eu me comportar mal

é que ninguém me faz sentir assim (aha)

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(Leve-os para o refrão)

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— Ei... Lembra daquele Hinata Shoyo? O que eu disse há um tempo estar apaixonado? — Kageyama teve sua atenção, mais uma vez, atraída à fofoca de suas colegas de classe — Então... Não sei se era verdade ou não, mas a Kamuki-senpai me falou que a Meika-chan do 1ºA tem uma quedinha por ele!

— Não brinca! Mas o Hinata-kun é tão... baixinho, né? Eu não gostaria de sair com ele... Sem falar que ele grita demais.

— Mas a Meika é baixa demais também, acho que não deve fazer muita diferença pra el- Ah, Kageyama-kun! Você me assustou, cuidad-

— É... Ele já foi. — Kageyama repentinamente se havia levantado da carteira num barulho irritante de atrito contra o chão, ignorou suas colegas e se dirigiu ao 1ºA.

Os ciúmes corroíam-no como louco – estava cada vez mais possessivo de Hinata Shoyo.

Só ele faria Hinata sorrir daquele jeito.

Só ele compensaria Hinata em tudo que lhe carecia.

Só ele faria Hinata queimar enquanto o abraçava.

Só ele o faria se entregar.

Só ele faria Hinata corar.

Só ele o amaria.

.

Vem cá, menina (vamos nessa, se entrega)

Vem aqui para os fundos (vamos nessa, se entrega)

VIP (vamos nessa, se entrega)

Bebidas por minha conta (vamos nessa,se entrega)

Mostre o que você sabe fazer (vamos nessa, se entrega)

Olhe que quadris! (vamos nessa, se entrega)

Você me faz sorrir (vamos nessa,se entrega)

Vá em frente criança (Vamos nessa, se entrega)

E fica bem sexy (vamos nessa, se entrega)

Fica bem sexy (vamos nessa, se entrega)

Fica bem sexy (vamos nessa, se entrega)

Fica bem sexy (vamos nessa, se entrega)

Fica bem sexy (vamos nessa, se entrega)

Fica bem sexy (vamos nessa, se entrega)

Fica bem sexy (vamos nessa, se entrega)

Fica bem sexy

.

— Meika-...san é daqui? — gritou à porta do 1ºA para que todos o ouvissem. Logo, uma menina baixinha apareceu dentre os estudantes, graciosa e mirrada.

— Sou eu. O que quer... Kaheyama-...kun?

— Kageyama. — ele pegou-a pelo pulso, sem mais delongas, e a puxou para fora da classe, fechando a porta. Não esperou-a minar a expressão curiosa do rosto — Serei direto: você gosta do Hinata Shoyo do 1ºD?

Meika encarou-o por um tempo, mastigando o sentido da frase. Os olhos negros estavam tão focados e raivosos em si que a menina inteligente aos poucos foi notando o que ocorria – o que não teria acontecido se sua melhor amiga não fosse uma pessoa um tanto... especial no meio escolar — Eu... Mencionei uma vez que o acho uma gracinha e ficaria com ele... Mas não que gostava dele... Credo, como isso se espalhou assim?

— Bem. Ele está saindo com alguém agora, então não perca seu tempo. — A primeira coisa que Meika notou na entonação era que ela era agressiva demais, coerciva demais – tal qual uma ameaça devia ser. A segunda era que ela não dava espaço a argumentações. A terceira, que ela continha um timbre de propriedade e possessão tão carregado que qualquer menina com um mínimo de instinto feminino saberia do que se tratava.

Irritou-se inicialmente. Quem era ele para dizer-lhe por quem devia e não devia se apaixonar? Deus, ele só era um viado qualquer que se apaixonara pelo melhor amigo.

— Kageyama-kun! — chamou-o, aumentando o tom de voz – ele já se havia ido e estava há uns bons metros de distância. Ele se virou — Minha melhor amiga é o clube de jornalismo, sabia? A sessão dela é ‘fofocas’. — lançou-lhe um último olhar arrogante e triunfante.

Duvidava que ele percebesse a natureza de sua declaração de imediato.

E de fato, ele não percebeu.

.

Eu vou trazer a sensualidade de volta (yeah)

Os filhos da puta não sabem como agir (yeah)

Venha cá compensar as coisas que lhe faltam (yeah)

Pois você está queimando, eu vou fazer isso fácil (yeah)

.

(Leve-os para a ponte)

.

Menina levada (aha)

Está vendo estas correntes?

Garota, eu sou seu escravo (aha)

Eu deixo você me chicotear se eu me comportar mal (aha)

é que ninguém me faz sentir assim (aha)

.

Notas finais
Atenção: colocou apenas dois terços da música dessa vez. Vi vários autores fazendo isso e achei que não teria problema em fazê-lo com uma letra tão repetitiva e com informações irrelevantes e fúteis.