Do Negro Ao Laranja

24 Dia 24 - Imbranato, de Tiziano Ferro


Notas iniciais
Obrigada aos que comentaram no capítulo passado: JoyceLima Naoko Boku-tachi Maneko Giglio Nero É... O dia de Imbranato chegou... *suspira* Espero que... gostem? @M_Blue_Rose

Embora ainda faltassem 10 minutos para o treino diário dos membros do time de vôlei da Escola Karasuno, já se encontravam uns poucos elementos no ginásio, conversando num canto – na verdade, murmurando seria o termo mais correto.

— Sugawara-senpai... Não acha que já está na hora de pararmos... Já deu o que tinha que dar já... Duvido que avance para algo-

— Não, não, não! Quase, estamos quase lá! Não acredito que se passou tanto tempo que os dois idiotas ainda não se declararam um ao outro! — Suga-senpai bateu a palma na testa, sendo observado por estranheza por Tsukishima. Este, por sua vez, se arrependia muito de ter contado aos senpais Daichi e Suga, havia um tempo atrás, de que suspeitava de Kageyama estar apaixonado por Hinata.

Pensava que os mais velhos se enfureceriam e ralhariam até não mais dar o moreno levantador – mais uma maravilhosa oportunidade de irritá-lo –, mas não... Não! Sugawara-senpai tinha que inventar que tinham o dever de ajudar os dois, afinal “conhecendo-os como o faço, isso alavancará ainda mais as habilidades de ambos no vôlei”.

Repetiu as fatídicas palavras em sua mente: “Você, Tsukishima-kun, vai nos ajudar, certo? Pode irritar Kageyama o quanto quiser!”. Olha... Ele, sim, gostava de importunar Kageyama até ele desembestar – odiava arrogantes como ele –, porém... Não com o intuito de fazê-lo formar casalzinho com o ruivo encapetado!

— Olha... Suga-senpai. Se eles não se declararam até agora, é porque não se gostam de verdade, oras. Vai ver é só sexo, um capricho deles.

— Não seja bobo, Tsukishima-kun! Você realmente acha que os dois iriam tão longe, quanto transar e-e-e se ignorar e-e- brigar, e sei lá mais o que se fosse só pra... Passar o tempo? — apontou um dedo indicador em frente ao loiro — Acredite, eu sei muito bem quando vejo um amor incondicional perante a mim.

Suspirou, resistindo a revirar os olhos. Amor incondicional? Ridículo! Ah, ele não confiava... Era só sexo, e o que era sexo, era sexo. Ponto final! Sem falar que alguém apaixonado ficava três vezes mais insuportável, e era impossível ser mais chato que Kageyama e Hinata naturalmente. — Mas nem sabemos se eles transaram realmente, sabe?

O de cabelos cinzas cruzou os braços e olhou-o, como se soubesse que eles estivesse mentindo. E estava mesmo. Fora tão óbvio quando, nos dias após o fim de semana, Hinata só andava meio mancando e com as pernas abertas tais quais um penguim.

Deus, aquilo havia sido engraçado!

Sexo era sexo. Uma atitude.

Amor era amor. Um sentimento.

Completamente diferentes, nada a ver um com o outro.

Além do mais, amar era tão... antiquado.

.

Tudo começou por um capricho teu

Eu não confiava... Era só sexo

Mas o sexo é uma atitude

Geralmente como a arte

E talvez eu tenha entendido e aqui estou

Desculpa se tento insistir

Eu fico insuportável

Mas te amo... te amo... te amo

Nós sorrimos... tudo bem, é antiquado, mas te amo...

.

Irritá-lo.

Instigá-lo.

Provocá-lo.

Enciumá-lo.

Inquietá-lo.

Encolerizá-lo.

Insultá-lo.

Essas eram as reações que deveria provocar em Kageyama desde que falara aos senpais que o moreno se apaixonara pelo companheiro de classe. Normalmente, isso teria sido seu maior prazer, porém agora que fora “ordenado” a fazê-lo.... perdeu completamente a graça!

Sinceramente, não aguentava mais zangar o moreno. Achava que já o havia feito o bastante e era o claro quando o outro rosnava só de vê-lo respirando o mesmo ar que si.

— Bem... Acho que minha função no plano já acabou, não, Suga-senpai...? Já importunei o Bakayama o bastante nessas últimas semanas e o deixei bem “Hinata é meu” e blábláblá... — encaixou as mãos no bolso e envergou as costas para trás, olhando para cima. Estava cansado, credo.

— Não, Tsukishima-kun! Ainda não acabou, você tem que ajudar a gente até o fim! — Aghh! Se pudesse dava um soco em seu senpai agora...! Aquele pseudo plano estava tirando do sério. Quando aprenderiam que se fosse para ambos ficarem juntos, não seria por causa deles?

Se declarar seria se entregar ao completo embaraço, claro. Teriam que passar por aquele obstáculo antes.

Soltou um som debochado pelo pensamento. Nunca que aquilo daria certo com os dois... Até porque ambos eram atrapalhados.

— Suga, Tsukishima-kun? Já chegaram aqui? — a porta do ginásio se abrira e por lá passou o Capitão Daichi. Logo, o levantador terceiranista explicou sobre o que conversavam – infelizmente.

Poucos segundos depois, entraram Noya, Asahi e Tanaka, seguidos de mais alguns membros. Os últimos a chegar foram Hinata e Kageyama, lado a lado. Tsukishima acercou-se deles, examinando-os da cabeça aos pés. Para sua infelicidade, ordens de senpais eram ordens de senpais... Teria que acatá-las sem mais.

Invadiu o espaço pessoal de Hinata e beliscou-lhe o pescoço — Ora, ora... Que isso, Hinata-kun, é um chupão o que vejo por aqui...? — ironizou. Foi empurrado pelo ruivinho enrubescido e logo então, puxado por um moreno enraivecido.

— Ei, o que pensa que está fazendo, Tsukishima?!

— Ó, Hinata virou uma donzela que precisa ser defendida? Cadê o seu cavalo branco, rei da quadra?

— Ei, Tsukishima, Kageyama! Parem de brigar! Assumam suas posições, o treino está começando. — a voz grave do treinador Ukai fez-se ouvir, e o loiro imediatamente parou, assim como o moreno.

.

E desculpa se te amo e se nos conhecemos

Há dois meses ou pouco mais

Desculpa se não falo baixo

Mas se não grito, morro

Não sei se sabes que te amo...

E desculpe se rio, me entrego ao embaraço.

Olho pra ti fixamente e tremo.

À ideia de te ter do meu lado.

E me sentir somente teu.

E estou aqui e falo emocionado.

E sou um atrapalhado! E sou um atrapalhado!

.

Oi... Como vai? Pergunta inútil!

Mas o amor me torna previsível.

Falo pouco, fico estranho, desatento

Será o vento, será o tempo, será......fogo!

.

Kageyama estava de muito bom humor no momento, mesmo com a gozação anterior do bloqueador alto. Embora ele e Hinata não estivessem... Bem... saindo ou algo do gênero, pareciam estar indo para o caminho de se acostumar com sua relação atual, e poucas coisas impediam uma conversação mundana entre eles agora.

Se a estranheza entre eles piorasse, talvez tivesse desejado nunca tê-lo conhecido, desculpado-se aos quatro ventos por amá-lo. Claro, aos quatro ventos sim, mas nunca a Hinata diretamente, até porque ele desconhecia seus sentimentos.

Em meio ao descanso do treino, olhou o garoto-isca fixamente e tremeu, devaneando mais uma vez sobre a ideia de tê-lo ao seu lado.

.

E desculpa se te amo e se nos conhecemos

Há dois meses ou pouco mais

Desculpa se não falo baixo

Mas se não grito morro

Não sei se sabes que te amo...

E desculpe se rio, me entrego ao embaraço.

Olho pra ti fixamente e tremo.

À ideia de te ter do meu lado.

E me sentir somente teu.

E estou aqui e falo emocionado.

E sou um atrapalhado! E sou um atrapalhado!

.

— Muito bem, pessoal, bom treino — o treinador Ukai parabenizou a todos e logo foi detalhando os erros e melhorias de cada um, apresentando também novas táticas e válvulas de escape durante um erro no meio de uma partida oficial.

A conversa teria terminado otimamente se Yu Michimiya, a ex-capitã do time de vôlei feminino, não houvesse entrado correndo num grande alvoroço gritando o nome do ruivo e do moreno levantador.

— Gente, gente, gente! — suas pernas curtas finalmente a fizeram chegar no aglomerado de estudantes, tendo que descansar as mãos no joelho para descansar. Devia ter corrido uma grande distância em pouco tempo até ali.

— Michimiya-san...? O que foi, o que aconteceu? — Daichi-senpai apressou-se a falar.

— Isso... Isso! — recuperou o fôlego e balançou um aglomerado de folhas de papel em sua mão, impedindo os garotos de verem imediatamente o que estava escrito. Quando finalmente ela descansou, o choque permeava cada alma presente lá com cada palavra lida.

Era um artigo do jornal da escola. A sessão de fofocas, ainda.

.

Romance gay no time de vôlei!

Tobio Kageyama e Shoyo Hinata

do 1ª ano estão saindo às escondidas?!

“Ontem à tarde, enquanto procurava pela escola qualquer assunto que pudesse colocar na minha “coluna fofoca” de hoje... Eis que acho minha galinha dos ovos de ouro! Flagrei os colegas Tobio Kageyama e Hinata Shoyo aos amassos numa das macas da enfermaria!

O que é isso, minha gente? O número de homossexuais na nossa escola está aumentando ou é impressão minha? Seria isso influência das fujoshis pervertidas que gostam de shippar garotos esportistas?!

E mais importante: estão os dois meninos apenas “se divertindo” ou partindo para algo mais... Sério!

Aguarde a próxima edição da minha “coluna fofoca”! Tentarei descobrir o máximo possível sobre esses dois!”.

.

Kageyama, de queixo caído, arrancou o jornal das mãos da garota e folheou-o, se deparando com fotos e mais fotos dos dois. A foto de quando percebera um flash em seu rosto estava lá, fotos tiradas por entre frestas da cortina, fotos depois de terem dormido juntos...

Não!

Não!

Não!

Virou-se para Hinata. As orelhas e bochechas vermelhas de vergonha e humilhação. Ele apertava as próprias mãos sobre o peito e olhava de um lado para outro, incessantemente. Um semblante puramente sofredor. Notou ainda o começo de lágrimas caírem por sua face.

Perante o silêncio, Tanaka foi o primeiro a se pronunciar — Kageyama, Hinata... Isso é verdade?

Hinata não havia esperado para ouvir o fim da pergunta, já havia saído em disparada pela porta do ginásio sem nem mesmo virar para trás quando Kageyama o chamou.

Imitou suas ações, tentando persegui-lo. Quando saiu da quadra já o havia perdido de vista, contudo perseverou e continuou gritando por ele enquanto o procurava.

Chamá-lo-ia pelo nome quantas vezes fossem necessárias, até que o encontrasse.

Do contrário, o fim em breve fazer-se-ia tangível.

Notas finais
@MexericaBlue