Do Negro Ao Laranja

19 Dia 19 - Bem que se quis, de Marisa Monte


Notas iniciais
Obrigada aos que comentaram no capítulo passado: JoyceLima Naoko Ayelet E Hensel kake55 Lucychan Não sei o que aconteceu que esqueci tudo o que ia escrever nesse capítulo. Resultado? Ficou tão... repetitivo. Tipo, ia fazer umas correlações legais com a música, mas esqueci tão esquecido... Pelo menos o começo. Depois começa a ter mais informações relevantes. Espero que gostem, @M_Blue_Rose

Shoyo Hinata submergiu metade de seu rosto na banheira de água quente. Já estava lá há alguns minutos a vontade de sair para encarar Kageyama não lhe vinha. Mirou de soslaio as roupas que ele lhe havia dado.

O pijama de Kageyama.

A cueca de Kageyama.

Seria difícil dormir naquela noite.

Suspirou, submergindo-se completamente e voltando um segundo depois. Ah... O que a vida havia feito de si?

Primeiro, se apaixonou por um colega de time. E o que pretendia manter escondido e levar para o túmulo acabou virando uma confusão sem tamanho.

E não havia mais quaisquer caminhos para voltar.

E esse era seu medo: Não poder voltar atrás. Sua nova relação com o maior chegara a um ponto em que a amizade não seria a mesma que com Noya ou Tanaka... Lembrou-se do casal brigando na rua. “Sinto-me atraído por você” não significava que chegariam a algo sério, mas se um dia chegasse... Assim seria seu fim.

“Se você não disser algo, ele vai desistir de você”. As palavras da maldita garçonete ecoavam em sua cabeça – o único motivo para odiar banhos era que eles sempre eram momentos de reflexão – E o pior era que estava certa.

.

Bem que se quis

Depois de tudo

Ainda ser feliz

Mas já não há

Caminhos pra voltar

.

— Ah, merda, merda, merda! — praguejou alto e bateu os pés na água, birrento, o que fazia com que montes dela espirrasse para fora.

Afinal! O que havia de errado consigo?! Estava pensando demais! “Por que Kageyama fez isso?” “Por que ele falou aquilo?” “Ele realmente se sente assim?”

Droga!

Hesitação e insegurança não eram palavras que combinavam consigo! No final, não importava o que viveria nesse então. No futuro tudo seria uma memória distante e nem mais e afetaria pelo que acontecera.

Se ele e Kageyama brigassem... Não lhe iria mais importar.

Se Kageyama o machucasse... Não lhe iria mais importar!

.

Tomara que fosse assim, pelo menos...

Ele não suportaria sofrer por... por...

... Amor?

Merda, já havia chegado a esse nível.

.

O que que a vida fez

Da nossa vida?

O que que a gente

Não faz por amor?

Mas tanto faz

Já me esqueci

De te esquecer porque

O teu desejo

É meu melhor prazer

E o meu destino

É querer sempre mais

A minha estrada corre

Pro seu mar

.

E estava cada vez pior... Não entendia porque o outro ficara de repente tão... responsivo, mas quanto mais vezes ele tentava tocá-lo mais intimamente, mas vezes ele lembrava-se disso. Seu corpo reagia como nunca imaginaria, e tinha tanta vergonha.

Vergonha em morder os lábios, suprimir o gemido e falar seu nome.

Vergonha de sentir um arrepio na coluna ao lembrar daquela voz ao pé de seu ouvido.

Vergonha de abrir as pernas involuntariamente ao imaginar seu toque.

Vergonha de mexer os quadris e arquear as costas quando pensava nele ao atingir o orgasmo.

Que vergonha!

Seriam coisas que dispunha-se a admitir apenas para si mesmo, porém toda vez que Kageyama o sequer roçava queria sentir seu corpo sobre o seu, seu beijo, seu abraço vagaroso e sufocante.

Ele dentro de si.

.

Agora vem pra perto, vem

Vem depressa, vem sem fim

Dentro de mim

Que eu quero sentir

O teu corpo pesando

Sobre o meu

Vem, meu amor, vem pra mim

Me abraça devagar

Me beija e me faz esquecer

,

Antes que percebesse, estava exatamente como sua imaginação o descrevia a uns segundos atrás. Corpo rebaixado, quadris levemente levantados, pernas abertas e lábios presos entre os dentes.

Odiava quando ficava excitado em situações inconvenientes.

No entanto... Lá era o banheiro de Kageyama, não?

Seus pertences.

Seu cheiro.

Sua banheira.

Kageyama já havia se recostado ali tantas vezes...

Lembrou da noite em que se masturbaram juntos – o começo de tudo. Do dia no corredor da escola. De algumas horas antes, no banheiro do karaokê.

Ah... Não suportaria, teria que se... Se tocar.

.

Bem que se quis

Depois de tudo

Ainda ser feliz

Mas já não há

Caminhos pra voltar

.

Desceu a mão do tórax ao baixo ventre lentamente, fechando os olhos; roçou os poucos e ralos pelos pubianos, chegando ao pênis semiereto. Primeiramente, só raspava as unhas por toda a extensão, arrepiando-se. Depois os dedos inteiros foram tomando seu lugar, num movimento de vai-e-vem.

Passava o dedão pela glande vez ou outra, espalhando o pré-sémen que já despontava da uretra. Com os olhos chorosos e a face corada, mirou o próprio falo túrgido ganhar mais e mais tamanho.

O prazer se tornava maior e maior. Na casa de Kageyama... Na banheira dele! Imaginou-se dando prazer a ele também. Um desejo seu. Passando a-a língua por ele... Chupa-ando-o.

Quase chegava ao ápice.

E nesse momento, quase sublime, veio-lhe a epifania.

Já havia se esquecido de esquecer Kageyama.

Quem, há uns minutos atrás, tinha pensamentos pessimistas sobre o futuro de ambos?

Quase lá!

Quase lá!

— Hinata. — o moreno bateu na porta — Você está bem? Tá demorando...

Ah, não!

.

O que que a vida fez

Da nossa vida?

O que que a gente

Não faz por amor?

Mas tanto faz

Já me esqueci

De te esquecer porque

O teu desejo

É meu melhor prazer

E o meu destino

É querer sempre mais

A minha estrada corre

Pro seu mar

.

Alarmou-se tanto que mais água derramou ao chão, que deveria estar encharcado. Quase toda o tesão já se havia ido, pelo susto.

— Já vou, já vou! — praticamente pulou da banheira, tentando alcançar a toalha. Escorregou e bateu o quadril fortemente contra o chão, cujo barulho não foi baixo.

— Hinata, você tá mesmo bem...?

“Merda, merda!”

A partir daí, tudo foi uma sucessão de eventos em câmera lenta.

Ele tentando alcançar a toalha.

Kageyama abrido a porta do banheiro.

Ele escorregando novamente a seus pés.

Completamente nu.

Maldição!

Será que não conseguia fazer nada a tempo?!

.

Agora vem pra perto, vem

Vem depressa, vem sem fim

Dentro de mim

Que eu quero sentir

O teu corpo pesando

Sobre o meu

Vem, meu amor, vem pra mim

Me abraça devagar

Me beija e me faz esquecer

.

— Hinata, nossa, você tá bem?! — Sentiu mãos grandes e fortes sustentarem-no pelas axilas, enquanto era puxado para cima. Tentou em vão afastar-se, mas aquilo apenas fez ambos escorregarem juntos e se molharem.

Aquela era a pior situação.

Caiu sobre Kageyama, uma perna dele entre as suas. O braço, no momento da queda, se movera ao fim das costas enquanto o outro servia de apoio contra o chão.

O choque foi tanto que ambos calaram-se.

E seu pênis que já estava quase todo flácido deu sinais de vida novamente.

Não agora.

Não agora!

O maior deu mostrar de haver percebido também, porque sua expressão se metamorfoseou a uma mistura de constrangimento, indiscrição e libido. Tudo ao mesmo tempo.

Ele flexionou mais a perna, cruelmente, arrancando-lhe um gemido. Apertou as mangas da camiseta dele, descrente da adversidade pela qual passava.

Lembrou de seus devaneios eróticos há poucos minutos.

Seu peso sobre si, seu cheiro, seu abraço, seu beijo.

Inconscientemente, entreabriu os lábios e fitou-o, num convite mudo. Um semblante sofredor e uma boca já úmida nas bordas.

Aquilo já era demais pra Kageyama.

Queria tocá-lo agora!

Nesse instante!

Bem que se quis.

Desde sempre.

.

Bem que se quis

Notas finais
PRÓXIMO CAPÍTULO É O MOMENTO PELO QUAL TODOS NÓS ESPERÁVAMOS! Se puderem, comentem, por favor, @M_Blue_Rose