Do Negro Ao Laranja

18 Dia 18 - Say Something, de A Great Big World feat Christina Aguilera


Notas iniciais
Obrigada aos que comentaram no capítulo passado: Ayelet E Hensel JoyceLima Celyzinha Naoko Yunoha Menininha Inocente Lucychan GOSTARIA DE FAZER UM AGRADECIMENTO ESPECIAL À LINDA DA AllenAM QUE RECOMENDOU A HISTÓRIA! SÉRIO, AMIGA. NÃO SEI O QUE DIZER QUE TÃO GRATA QUE ESTOU NO MOMENTO!

— Ouvimos vozes daqui de fora quando saímos para pagar a conta... Quem trancou vocês. Hinata, Kageyama? — o casal já havia sido liberto e estavam agora reunidos com o resto do time. A menina garçonete já não estava mais entre eles e Tanaka parecia ter melhorado – e estava com um grande galo na cabeça, o que sugeria que Daichi tivera que ser mais... coercivo.

— Eu não sei, quando eu e Hinata tentamos sair do banheiro, já estava trancada e não havíamos notado quem a trancou... Sinceramente, não fazemos a menor ideia — Kageyama tomou a partida de falar por si e pelo garoto-isca; ele estava tão corado que não tinha condições de falar sem gaguejar.

A frente de Hinata, o moreno sentia-se protetor e possessivo, como se o estivesse protegendo-o – não sabia de que, embora gostasse da sensação.

A discussão decorria, e num momento dela, notou o sorriso de escárnio que contorcia seus lábios. Uma suposição originou-se de sua imaginação, e a raiva alastrando-se por seu corpo foi questão de segundos. — Tsukishima! Foi você que nos trancou, não foi?! Que merda, por que fez isso?!

Tsukishima lidou com vários rostos virando para si, mas não se abalou, fez uma cara de desentendido e ofendido — À troco de que ia perder meu tempo me intrometendo entre você e o nanico?! Eu posso gostar de te irritar, Kageyama, mas tenho mais o que fazer! Sem falar que não saí do lado do Yamaguchi e do Ennoshita por um segundo, não é? — virou-se para eles, que assentiram veementemente.

O moreno alto rangeu os dentes e rosnou, pouco crédulo. Quem mais o teria feito? A garçonete que não era!

.

Diga algo, estou desistindo de você

Eu serei o único, se você me quiser

Em qualquer lugar, eu teria te seguido

Diga algo, eu estou desistindo de você

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A garçonete de antes esperava todos saírem, um por um, pela porta principal do karaokê, a cada um deles, recitava “Obrigada, volte sempre!”. Hinata, atrás de Kageyama, seria o último a passar. Estava muito quieto e reflexivo, a conversa e os atos vividos dentro daquele banheiro... Ele sabia que aquilo mudaria sua vida, o patamar de sua relação com Kageyama se alteraria – se para pior ou para melhor, não sabia.

Talvez por seu estado atípico, notou os gestos suspeitos da garçonete e o jeito malicioso com que olhava para si e Kageyama. Uma provável resposta da pergunta que todos faziam há uns minutos atrás surgiu-lhe, e quase inconscientemente, pegou no pulso dela.

— Você... Você que nos trancou?

O sorriso dela cresceu mais. Hinata teve a impressão de ele deveria sentir medo agora. Ela lambeu levemente os lábios e assentiu — Fui eu mesma. Nossa, com você é perceptivo! Não achei que o fosse, ruivinho-chan!

— Geralmente não sou... — por que admitia aquilo? — Por que nos trancou?

— Porque vocês estão apaixonados um pelo outro.

A objetividade da declaração da morena baixinha foi explícita demais pra assimilar. Pela enésima vez – e já não aguentava mais – sentiu o sangue subir-lhe às faces, sem reação.

Manteve a mão no pulso dela, estático — Claro que não! Somos amigos.

Ela suspirou, compreensão e compaixão em seu semblante — Eu sei, o amor o faz se sentir pequeno. Mas se você não disser algo, ele vai desistir de você... Cedo ou tarde. — livrou-se do aperto numa agilidade imperceptível, empurrando-o levemente para fora da loja. Hinata virou o pescoço para trás, mirando seu rosto impassível enquanto fechava a porta transparente – devido ao ar condicionado.

Aquilo era muito para sua cabeça.

Não sabia de absolutamente nada do que verdadeiramente acontecia.

A única coisa que sabia era que já estava tarde demais para voltar para sua casa – nas montanhas.

Teria que dormir na de um amigo.

.

E eu, estou me sentindo tão pequeno

Foi muito pra minha cabeça

Eu não sei absolutamente nada

.

Kageyama e Hinata andavam em completo silêncio pelas ruas bem iluminadas e ligeiramente movimentadas. O clima estava um pouco estranho entre eles, ou então era apenas Hinata que se sentia assim.

Parecia que cada passo de Kageyama ecoava em seus ouvidos. Cada gesto alarmava-o. A direção a qual olhava, então...

Para si, a tensão no ar era palpável.

Insuportável.

Queria que ela se quebrasse.

Diga algo, Kageyama.

Diga algo.

Diga algo!

Um corvo noturno pareceu ouvir seus pensamentos, porque ele levantou voo audivelmente, assustando Hinata. Ele tropeçou e caiu. Estava inserto demais em seus devaneios.

Kageyama estendeu a mão como ajuda, mas recusou.

.

E eu, vou tropeçar e cair

Eu ainda estou aprendendo a amar

Apenas começando a rastejar

.

Faltava ainda um pouco para chegarem à casa do levantador. Já haviam pego o metrô e poucas quadras estendiam-se diante deles. As ruas ficaram ainda mais silenciosas que antes e vez ou outra ouvia-se o ruído de um gato remexendo no lixo, ou o motor de um carro aproximando-se para logo depois distanciar-se.

E um berro.

Uma briga, mais especificamente.

A atenção de ambos foi capturada pelo barulho incomum, e andando mais um pouco, depararam-se com um casal brigando em frente a uma praça. Uma loira mignon e bonita, roupas elegantes e talvez parecesse simpática e engraçada, não fosse a carranca de desgosto modelando seu semblante.

O homem, seu par, tinha a aparência mais medíocre, mas era alto e bonito, era pena e determinação que via-se em seu rosto fechado: olhos apertados, boca franzida.

A mulher gritava.

Ele nada retrucava.

— Diga algo, Yuu! Tenha a decência de parecer arrependido, pelo menos! — ela gritou-lhe próxima, pegando-o pelo bíceps! — Hein, diga-me! Desde quando está com ela? Hein, Hein! — a moça empurrava-o de raiva – o que não surtia efeito, sendo que ele era muito maior que ela.

Sem resposta. Nada saía da boca do homem.

Enraiveceu-se mais, empurrou-o de novo (ou tentou) e se distanciou alguns metros, esfregando as mãos no rosto e andando de um lado a outro. Parou, bateu o pé no chão e choramingou — Meu deus, Yuu! Por que está fazendo isso comigo? Por quê?! Eu teria te seguido a qualquer lugar, engolido meu orgulho por você! — voltou a tentar soca-lo no peito, insanamente. — Por quê?! Porquê?! — os braços fortes dele a impediram e imobilizaram.

Mais silêncio.

O cabelo sedoso cobria-lhe o rosto cabisbaixo — Diga algo, Yuu... — ergueu-o — ... Ou estou desistindo de você! — lágrimas rancorosas desciam por sua face de traços delicados, o nariz vermelho e os olhos inchados, sob os quais apareciam leves olheiras.

Hinata mudou o foco da mulher para o homem, e do homem para Kageyama, que observava-os com pouco interesse aparente. Foi mirado de soslaio.

E nesse momento soube que ambos sabiam o que cada um pensava.

O fim de um relacionamento.

Assistiam o fim de um relacionamento quando o deles nem havia começado.

(Não que começaria, também).

Quem ainda estava aprendendo a amar não devia ver aquele tipo de cena.

Era muito desanimador.

Voltou o olhar ao casal brigando.

Será... Será que ele passaria por isso também?

Tratar-se-ia de um amor temporário, diferente do que pensava ser no momento em que se apaixonara?

Retornou, mais uma vez, o foco à Kageyama. Ouviu o pranto da loira se intensificar.

Será que ele... Eventualmente... Tratá-lo-ia assim também?

Enquanto estivesse gritando, iria ele apenas ignorá-lo, esperando-o terminar?

Diziam que o primeiro amor nunca dava certo...

.

Diga algo, estou desistindo de você

Me desculpe por não conseguir te ter

Em qualquer lugar, eu teria te seguido

Diga algo, eu estou desistindo de você

.

O moreno suspirou e colocou as mãos em seus ombros, empurrando-o para frente. — Bem, vamos. Não temos porque ficar aqui olhando esses infantis brigarem.

— Infantis? São mais velhos que você!

— Isso não significa nada. Veja. Eles estão brigando a céu aberto para todos verem. Sem falar que, pelo que entendi, ele a traiu enquanto ainda a namorava. E não parece nem um pouco arrependido. Ridículo. Eu nunca faria algo assim.

O ruivo estacou na hora. Havia captado perfeitamente a indireta dita por Tobio. Enrubesceu-se e tapou o carmim do rosto com a mão.

Droga, ele falara a coisa certa.

Surpreendia-se com a quantidade de vezes que Kageyama vinha engolindo o próprio orgulho por si.

Não de uma maneira drástica... Mas o velho Kageyama nunca admitiria para si as coisas que admitira no banheiro e agora.

Isso apenas o fazia se apaixonar mais.

.

E eu vou engolir meu orgulho

Você é o único que eu amo

E eu estou dizendo adeus

.

Finalmente chegavam a seu destino final. A Saeko Kageyama já estava dormindo, então subiram as escadas vagarosamente. Após isso, Hinata recebeu um par de toalhas limpas e pijamas para tomar banho e vestir.

O dia de amanhã seria sábado.

E ele sabia que provavelmente passá-lo-ia todo com Tobio Kageyama.

.

Diga algo, eu estou desistindo de você

Me desculpe por não conseguir te ter

Em qualquer lugar, eu teria te seguido

Diga algo, eu estou desistindo de você

Diga alguma coisa

.

Notas finais
O clipe dessa música é tão lindo quanto a letra. Pena que tem a Christina Aguilera pra estragar tudo. . Espero que tenham gostado. Se puderem, por favor, comentem, @M_Blue_Rose