Do Negro Ao Laranja
14 Dia 14 - Really Don't Care, de Demi Lovato feat Cher Lloyd
Notas iniciais
Você quer jogar, você quer ficar
Você quer ter de tudo
Você mexeu com a minha cabeça
Até eu acertar uma parede
Talvez eu devesse saber
Talvez eu devesse saber
Que você iria sair
Você iria sair pela porta
Hey!
.
Agora era oficial. Hinata Shoyo e Kageyama estavam brigados, e ninguém do time de vôlei sabia o motivo – além de Tsukishima, é claro, que tinha uma vaga ideia desse.
A dinâmica dos treinos não estava indo bem. Hinata olhava mais para Kageyama que para o jogo, e este, por sua vez, evitava de todas as formas mirar o ruivinho – inclusive quando era ele que tinha a posse da bola. O treino decorria tão mal que Daichi teve que tirar a dupla dele, antes de mandá-los “esfriar a cabeça”.
Não havia forma de fazê-los se entender. Suga-senpai o havia tentado inúmeras vezes. Hinata estava bravo demais com evitamento do levantador moreno, que confundia-se demais com as ações do menor.
Afinal, agia como se nada houvesse ocorrido entre eles – sem falar que ainda não contara-lhe de quem gostava.
Naquele momento, o orgulho de ambos falava mais alto, mesmo que não soubessem sobre o quê – tal era o mal entendido.
Lá estava o par, sentado na parede da quadra, lado a lado. A tensão era sepulcral e nenhum dos dois estava disposto a começar uma conversação. Hinata fazia questão de suspirar irritadiço. Kageyama estava mais errado que si – em sua opinião.
Ele queria ignorá-lo, é? Tá bom!
Realmente não se importava!
.
Disse que terminamos
Conheceu outra pessoa e esfregou na minha cara
Pule pra parte que ela quebrou seu coração
E depois foi embora
Acho que você deveria saber
Acho que você deveria saber
Que eu iria falar
Iria falar
Mas mesmo que as estrelas e a lua colidam
Eu nunca vou querer você de volta na minha vida
Pode pegar suas palavras e todas suas mentiras
Oh, oh, oh
Eu realmente não me importo
Mas mesmo que as estrelas e a lua colidam
Eu nunca vou querer você de volta na minha vida
Pode pegar suas palavras e todas suas mentiras
Oh, oh, oh
Eu realmente não me importo
Oh, oh, oh
Eu realmente não me importo
.
Kageyama se incomodava com os três centímetros de distância entre ele e Hinata. Queria extingui-los mais que tudo. Queria roçar em seu braço como o fizera naquela noite. Suas emoções nesse momento se equivaliam aqueles que o preenchiam quando Hinata saíra pela porta de sua casa em direção ao ponto de ônibus.
Um vazio culpado. Um bolo na boca do estômago.
Quer dizer... Ele realmente agia como se fosse sua a culpa... Há um tempo que indagava-se se era verdade, ou se eles realmente fariam as pazes.
O mal entendido só seria desfeito se confessasse o que acontecera em seu quarto na penumbra... Ambicionava enterrar aquilo no íntimo de sua mente.
E esperava que Hinata fizesse o mesmo.
E o fazia. O fazia tão bem que fingia não saber o porquê da de sua estranheza.
Ou ele realmente não sabia?
Mas ele deveria saber!
Estava acordado... não estava?
Arghh! Perdera-se no próprio raciocínio.
Um apito soou no mundo real. Despertado de seu devaneio e mais ciente dos três centímetros que os apartava. Lembrou-se pela enésima vez da textura da tez de Hinata. Moveu o braço apoiado no joelho na esperança de um mísero toque.
Não acreditava que sucumbia a um desejo tão insignificante.
Ao ruivo pareceu lhe desagradar o toque, que se afastou e levantou, emburrado — Vou ao banheiro.
Kageyama nem respondeu, manteve-se lá, de cenhos franzidos e tentando entender a natureza dos próprios sentimentos. O bolo de culpa foi substituído pelo de incompreensão e melancolia.
Observou-o se retirar do ginásio. Mais uma porta pela qual Hinata ia embora. Se fosse atrás dele... Acertaria uma parede?
.
Não acredito que já fiquei acordada escrevendo canções sobre você
Você não merece saber como eu costumava pensar em você
Oh, não, não mais
Oh, não, não mais
Você teve sua chance
Teve sua chance
Mas perdeu
Agora se nos encontrássemos na rua eu não correria assustada
Eu caminharia direito até você e colocaria um dedo no ar
E faria você entender
E faria você entender
Você teve sua chance
Teve sua chance
.
Kageyama escondia algo, com certeza. Havia informações faltando naquela briga que ele não havia descoberto – ainda. A imagem do dedo machucado do maior veio à tona em sua cabeça.
Ainda não conseguia ligar os pontos.
Mentira quando disse que iria ao banheiro. O toque inconsciente do levantador despertara-lhe imagens desconfortáveis na mente. Como chamava-se isso mesmo? Ah, sim: “adolescência na flor da idade”.
Sentou num banco perto do campo do time de beisebol. Queria que Tobio pegasse suas omissões – e mentiras, talvez – e as levasse ao inferno. A um lugar onde as estrelas e a lua colidissem.
.
Mas mesmo que as estrelas e a lua colidam
Eu nunca vou querer você de volta na minha vida
Pode pegar suas palavras e todas suas mentiras
Oh, oh, oh
Eu realmente não me importo
Mas mesmo que as estrelas e a lua colidam
Eu nunca vou querer você de volta na minha vida
Pode pegar suas palavras e todas suas mentiras
Oh, oh, oh
Eu realmente não me importo
Oh, oh, oh
Eu realmente não me importo
.
— Hinata. — o ruivo esticou a cabeça para cima. Lá estava Kageyama fazendo sombra sobre si, com íris indagadoras e punhos fechados.
— Você tá muito estranho, Kageyama. Vai embora. — a frase pregou-lhe em cheio. Primeiro porque fora completamente rechaçado sem nem começar uma frase; e segundo porque o tom usado era tão... “não-hinata”. Era indignado e cansado. Exprimia desistência.
Hinata nunca desistia.
Raspou a unha do dedo no polegar, em visível nervosismo. Credo. Estava tão confuso que não sabia nem o que falar. Sentou-se ao lado do menor. — Por que estamos brigados mesmo?
— Por que você é um idiota e começou a me ignorar por nenhum motivo?
— Ah... — revirou os olhos. Estava mesmo falando o que queria tanto evitar? E ainda era ele que estava dando o braço a torcer! — Sinto muito se você esqueceu esquecer aquilo mais rápido que eu! É difícil voltar ao normal!
— Esquecer... o quê?
Lambeu os lábios, mais confuso ainda. Então Hinata não se lembrava? Mas ele tava acordado!
— Ah. Entendi. — Continuar ou dar uma desculpa? Se expor à probabilidade de Hinata descobrir seus sentimentos ou contorna-los? Suspirou. Não acreditava que havia aberto tanto a mão de seu orgulho – o que era irônico, porque há alguns minutos tanto ele quanto Hinata estavam tão apegados a ele.
Estava tão fora de si hoje... Atuava tão diferente de seu costume. Mirou o garoto ao seu lado, olhando-o com olhos impacientes — Entendeu o quê?! Esquecer o quê? Você não me explica nada, Kageyama!
Ah... Estava confuso, tão confuso! Tanto quanto seu ego soberbo se havia degenerado. Ele nem estava mais intacto... Expor-se à rejeição para, pelo menos, diminuir a confusão não custaria nada.
Quer dizer, custaria sim – mas alguma coisa o dizia que era para ignorar o fato e enganar-se.
.
Sim, ouça!
Hey, hey, nunca olhe para trás
Garoto confuso, ego intacto
Olha, garoto, porque você está tão bravo
Pensando melhor, mas deveria ter acertado
Hey, Demi, você escolheu o cara errado
Deveria ter escolhido aquele
Ele é mais bonito do que o outro
Eu só quero rir, porque você está querendo ser um hipster
Chute-o para a calçada e tire uma foto com uma Polaroid
.
— Você estava acordado ou dormindo? — a pergunta veio destoante de toda a conversa improdutiva. Shoyo não a entendeu de primeira, nem de segunda, ou terceira...
— Hãn?
— Perguntei se você estava acordado ou dormindo.
— Kageyama, não estou entendendo nad-
— Como pensei. Você tava dormindo. Por isso que não se lembra. — a decepção acompanhou-o no alívio. Por um lado, podia continuar como sempre fora com Hinata, por outro, ele não se lembrava de seu momento... juntos. — Ah... Esquece o que eu disse. Eu que entendi errado. Desculpa por ter te ignorado, Hinata, não vai acontecer de nov-
— Mas que porra! Será que dá pra me explicar? — foi puxado de volta ao bando logo que levantou-se dele, justo pela mão direita. O aperto em seu pulso progrediu à medida que via vários pensamentos passarem pelas íris chocolate-claro. — Cansei de fingir que não me importo, ok? Esse seu fala-não-fala tá me tirando do sério! O que aconteceu que eu não descobri ainda, hein?
O medo se alastrou no peito de Kageyama. O dilema corroía-lhe a sanidade. No momento que sanasse as dúvidas de Hinata, ele não o quereria mais de volta em sua vida (que jeito exagerado de se pensar, Deus). Acariciou levemente o machucado de mordida nos dedos, ainda ponderando.
O ruivo segurava essa mesma mão e, por tal, notou. Com receio na voz – o sonho continuava a atormentá-lo –, inquiriu: — O que aconteceu com os seus dedos...?
Não pergunte isso.
Mas um sentimento conflituoso apareceu. A excitação causada pela pergunta conscientizou-o de que o rumo da conversa seria decidido por sua resposta. Arriscou. Arriscou como nunca havia feito em sua vida — Uma mordida.
A perplexidade fez com que o aperto afrouxasse no pulso. Aquilo lhe trazia más memórias – ou seriam boas? — Quem... Quem mordeu?
Mais uma frase fatal. Cada segundo o deixava mais inquieto. Embora sabia que teria que arriscar de novo, a probabilidade de errar uma segunda vez deixou-o mais hesitante — Quem mordeu?!
Hinata Shoyo realmente não se importava com quem havia mordido Kageyama.
Sério.
.
Mas mesmo que as estrelas e a lua colidam
Eu nunca vou querer você de volta na minha vida
Pode pegar suas palavras e todas suas mentiras
Oh, oh, oh
Eu realmente não me importo
Mas mesmo que as estrelas e a lua colidam
Eu nunca vou querer você de volta na minha vida
Pode pegar suas palavras e todas suas mentiras
Oh, oh, oh
Eu realmente não me importo
Oh, oh, oh
Eu realmente não me importo.
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