Do Negro Ao Laranja

13 Dia 13 - Só Hoje, de Jota Quest


Notas iniciais
Gente, vocês não gostaram do capítulo passado? Acharam o lime muito escroto? Porque achei que esse capítulo seria o mais comentado/visualizado e de repente... Puff: todo mundo desaparece. Tudo bem não gostar, eu só quero saber a opinião de vocês. Obrigada aos que comentaram no capítulo passado: Celyzinha Ayelet E Hensel JoyceLima Tenten Flango É... Nossa. Não sou de dizer isso, até porque os leitores desanimam, mas... Não gostei de escrever esse capítulo. Não podiam ter escolhido música pior pra proceder "Like a Virgin", na boa. Se a colocaram pra ter aquele clima "manhã after sex"... Não deu certo. Pelo menos, não comigo. Perdoem minha incompetência. Espero que gostem (o que seria um milagre), @M_Blue_Rose

Hoje eu preciso te encontrar de qualquer jeito

Nem que seja só pra te levar pra casa

Depois de um dia normal

Olhar teus olhos de promessas fáceis

E te beijar a boca de um jeito que te faça rir

(Que te faça rir)

.

— O quê? Kageyama já saiu?

— Sim, sim! Ele sempre faz a corrida matinal dele, então pediu para que fosse antes! Eu fiz um café da manhã especial só porque você está aqui, Hinata-kun, venha comer! —Kageyama-haha*, explicou-lhe tudo em sua voz macia e materna, embora isso apenas não fosse o bastante para acalmar a mente inquieta de Hinata.

Oras... Hinata também fazia uma espécie de corrida matinal e Kageyama sabia disso, custava a ele chama-lo para ir junto?

— Ok, muito obrigada, Kageyama-haha-san.

A senhora morena riu graciosa e terminou de colocar a mesa, convidada Hinata a sentar à ela — Que isso, menino, pode me chamar de Saeko! Esse é o meu nome.

— Obrigado, então... Saeko-s-san. — Saeko Kageyama juntou-se a ele e começou a comer. Hinata conversava muito educadamente, contudo sabia que sua mente estava em outro lugar...

Em Kageyama.

De uma forma muito estranha, tinha a impressão de que ele o estava evitando – e o faria até sabe-se-lá-quando.

Na noite passada... Não se lembrava de ter dormido. Quer dizer, raramente alguém lembrava-se disso, porém adquirira uma lembrança que não podia ser nada mais além de um sonho! Estava acordado naquele momento, não estava? Não... Não podia ser, estava dormindo.

“Vamos, Shoyo, recapitulando. Você estava com dificuldades pra dormir, mas finalmente conseguiu. E então sonhou com Kageyama te tocando de um jeito estranho... Mas se eu dormir depois de gozar, como que eu já havia dormido antes? Arrhgg, isso é muito complicado!”

— Hinata-kun, você está bem...? Está balançando a cabeça de um lado pro outro! — Saeko apoiou a cabeça na mão, parecendo nostálgica — Você parece o Tobio quando está com problemas...! Fez igualzinho!

Hinata riu junto, achando pouca graça naquilo. Por que tinha a mãe de Kageyama lembra-lo dele, de que ele não estava lá, e sim evitando-o?

Ah... Não deixaria!

Hoje, ele precisava encontrar Kageyama de qualquer jeito.

.

Hoje eu preciso te abraçar

Sentir teu cheiro de roupa limpa

Pra esquecer os meus anseios e dormir em paz

.

— Mais uma! — Hinata gritou e pulou para a rede. Num segundo, a bola estava em sua mão: mais um ponto feito. — Valeu, Kageyama! — levantou a mão esperando um Hi5 do levantador – hábito que haviam adquirido há pouco tempo –. Este, por sua vez, fingiu que não viu, virando-lhe a costas e dirigindo-se ao treinador Ukai, que o chamava.

Sim. Definitivamente, Kageyama ignorava-o.

O garoto-isca ficou lá, cabisbaixo. Lambendo as próprias feridas e tentando descobrir a origem dos atos do outro... Ah, aquilo o machucava. Bastante. Kageyama não o queria-o nem como amigo.

Cruelmente, a situação fazia-o perceber o quanto gostava dele. Mais do que imaginava. Sentiu saudades do uniforme de escola que usava hoje – de Kageyama. Tinha um cheiro dele de roupa limpa. Queria poder leva-lo pra casa, dormir agarrado a ele, pacificamente.

Talvez assim esquecesse seus anseios...

... E o medo de que Kageyama o havia descoberto.

Porque, afinal, haveria outro motivo para comportamento tão peculiar?

.

Hoje eu preciso ouvir qualquer palavra tua

Qualquer frase exagerada que me faça sentir alegria

Em estar vivo

.

Segundo período depois do almoço. Hinata Shoyo estava frustradíssimo. Tentara várias vezes chegar no moreno maior e peitá-lo sobre suas ações.

Por que você está me ignorando?

O que eu fiz?”

“Por que não posso ficar ao seu lado?”

“Você descobriu?”

“Fale qualquer coisa, qualquer palavra serve”

Não me evite.

Não me ev-

— Hinata-kun? Você tá avoado hoje, né? — Masumi-kun, seu colega de classe, tirou-o dos pensamentos. Durante todo o dia simulava em sua cabeça a possível conversa que teria com o levantador. Nada parecia certo... Parecia que tudo que imaginava daria dicas de que estava apai... ap-pai... xonado por ele.

Mas também... O que diria?

“Por que você está me ignorando quando tudo o que quero é ficar com você, não importando o seu humor?”?

Não! Definitivamente não falaria aquilo!

Ah... O que acontecia consigo? Ele estava melosamente romântico. Admitir a si mesmo que só a presença de Kageyama o fazia sentir mais alegria, por si só, já era um absurd-

— Hinata-kun! Eu acabei de te chamar, pô!

— Ah, Masumi-kun! Mil perdões! Nossa, tô avoado mesmo...

— O que você tem? Ta a-pai-xo-na-do?! — Masumi-kun provocou-o, logo depois surpreendendo-se com o sangue que subia a suas maçãs do rosto. — Então você realmente ta apaixonado? Como assim? Conta quem é! É bonitinha, é daqui da escola? — o maldito falara alto demais. Num segundo, mais quatro amigos se aproximavam para interrogá-lo também.

Talvez, se Kageyama tivesse tomado café-da-manhã consigo, não estaria naquela enrascada. Nem teria notado sua atitude estranha.

.

Hoje eu preciso tomar um café, ouvindo você suspirar

Me dizendo que eu sou o causador da tua insônia

Que eu faço tudo errado sempre, sempre

.

— E, você ouviu? Parece que um menino do 1ºD, Shoyo Hinata, tá apaixonado! Quem será, hein? — uma colega de classe que sentava a frente de Kageyama comentou com uma amiga, não tão baixo quanto deveria.

— Quê?! — Tobio levantou-se de supetão da mesa a que se sentava e gritou igualmente rápido, logo tapando a boca, reprovando-se pela falta de controle.

— É... Foi o que meu namorado me contou... Parece que ele é amigo desse Hinata... Você é amigo dele também?

— B-Bem... Acho que você pode dizer isso. É. Algo assim.

— Estranho... — a amiga da menina comentou incomodada, nem se importara que Kageyama ouvira o comentário.

— Mas e então... Você sabe de quem esse Hinata gosta? É alguém dessa classe? É uma amiga minha, talvez?!

— Se eu soubesse não teria me surpreendido tanto, né?! — a irritação explodiu por seus lábios, sem um mínimo arrependimento de ter sido tão grosso com a garota. Levantou-se, murmurando um “merda” e dirigiu-se para fora da classe – já que era horário de intervalo.

— Por isso que a Himeko-chan* já achou um outro namorado! Ela nunca ia continuar gostando de um grosso como você!

— Como se eu me importasse — murmurou mais para si mesmo. Claro que não se importaria se as meninas ouvissem.

Recostou-se na parede logo ao lado da porta da sala de aula. Suspirou.

Talvez, se tivesse ficado e tomado café-da-manhã com Hinata, seu humor estivesse melhor. O sorriso dele sempre o fazia se sentir mais vivo.

O que era irônico. Porque aquele mesmo garoto era o causador de todas as suas insônias mais recentes.

Não sabia até quando conseguiria segurar aquilo para si.

.

Hoje preciso de você

Com qualquer humor, com qualquer sorriso

Hoje só tua presença

Vai me deixar feliz

Só hoje

.

— Hinata-kun, você e Kageyama brigaram de novo? Não se falaram direito o dia inteiro. — Era prática de vôlei após o término das aulas. Sugawara-senpai perguntou, preocupado com ambos, e o ruivinho não sabia o que responder.

“Ele descobriu que sou apaixonado por ele e agora não quer nem me olhar na cara”? Rá! Como se pudesse confessar aquilo...

— O Hinata tá apaixonado, você não sabia, Sugawara-senpai? O 1º ano inteiro estava fofocando isso hoje... Talvez tenham algo a ver, não? — Tsukishima intrometeu-se na discreta conversa, automaticamente tornando-a indiscreta com o timbre de sua voz. O pequeno olhou mortalmente o loiro maldoso, que encarava-o debochadamente,

Mas qual era a de Tsukishima, hein...?

Tsukishima olhou de soslaio para o levantador titular do time, que no momento que ouvira sua declaração parara de treinar saques.

Sempre revigorante provocar Kageyama.

— Oh, é verdade, Shoyo? Parabéns, parabéns! — Noya bateu-lhe nas costas, machucando-o — Quem é a gatinha? É mais baixa que você, né? Porque se não for, – e falo isso por experiência própria – você não tem a menor chance. — o líbero falou ainda mais alto que o bloqueador, e numa questão de segundos, todos os membros do time se aproximavam para saber um pouco mais – menos Kageyama, é claro.

A confusão só foi desfeita quando o capitão Daichi fez o favor de chamar a atenção dos jogadores, que prontamente atacaram a ordem.

Kageyama olhou o ruivinho, tímido e enrubescido, ombros encolhidos e desconfortável. Pelo jeito, Hinata realmente gostava de alguém.

Seu humor piorou, um sorriso – mesmo que falso – seria impossível agora.

.

Hoje eu preciso ouvir qualquer palavra tua

Qualquer frase exagerada que me faça sentir alegria

Em estar vivo

.

— Ei, Hinata. — Como sempre, os primeiro-anistas eram os últimos a voltar para casa. Eles eram os encarregados de arrumar o ginásio, afinal. Kageyama esperava, na sala do clube, Hinata terminar de se aprontar, e só restavam os dois. — De quem você gosta? — mesmo se tentasse abrandar a voz irritada e exigente, sabia que não conseguiria. Era assim que se sentia.

O inagado sentiu um arrepio correr-lhe pela espinha. Ah, não... Aquele era o momento...

O momento de ouvir o maior brigar consigo.

— Ah... Na verdade... Eu não gosto de ninguém. Foi meu amigo que pensou isso quando estava viajando durante a aula. Não sei como acabou se espalhando tanto! — mostrou um sorriso amarelo. Queria saber mentir tanto quanto sua irmãzinha.

— É mentira. Toda vez que tocam no assunto você fica vermelho. Quem é a garota, qual o nome de-

— Olha, por que isso te interessa? Que saco, eu já disse que não gosto de ninguém! — explodiu, finalmente. Não podia se controlar, era sua personalidade, falava sem pensar. Todo mundo sabia disso — O pior é que você fica me interrogando quando quem tá agindo mais estranho é você! Você me ignorou o dia inteiro! Todo momento que tentava falar, você simplesmente me evitava e dava um jeito de desaparecer!

Droga, ele percebeu”.

— Eu não te evitei eu realmente estava ocupado naqueles momentos!

— Tava nada! Você preferiu ajudar o presidente da classe a levar as tarefas pro professor chato de bioquímica sendo que eu tinha te chamado! — silêncio. — Você faz tudo errado, Kageyama! Sempre, sempre!

.

Hoje eu preciso tomar um café, ouvindo você suspirar

Me dizendo que eu sou o causador da tua insônia

Que eu faço tudo errado sempre, sempre

.

Kageyama observou Hinata sair enfadado pela porta da sala do clube. Entristeceu-o pensar que era a segunda vez em 48 horas que via aquela mesma cena.

Hinata indo embora e deixando-o para trás.

— Espere! — alcançou-o e segurou-o pelo pulso, apertando tão forte e ainda tão indisposto a afrouxar. O menor virou o rosto para trás, revirando os olhos — Eu só quero saber de quem você gosta.

— Por quê?! Por que você quer saber?! Mesmo se eu gostasse de alguém, seria totalmente irrelevante pra você!

— Não seria! Eu preciso de v-... E-Eu... Eu preciso de você completamente focado no vôlei quando estivermos jogando. E se essa garota diminuir o seu rendimento? — um suor gelado escorreu em suas têmporas. Por um segundo iria (quase) de declarar pro garoto. Abençoou seu raciocínio rápido.

Hinata deixou pender os ombros melancolicamente. Lá estava sua imaginação, novamente pregando-lhe peças, fazendo com que ouvisse o que queria ouvir, visse o que queria ver.

Sai dessa, Hinata.

Remexeu o braço, tentando se livrar da mão direita de Kageyama. Um pequeno detalhe nela chamou sua atenção.

Um machucado no dedo. Em dois deles, na verdade. Era de um tom arroxeado profundo, com certeza havia sangrado, pelo menos um pouco. Parecia uma mordida.

A imagem despertou lembranças em sua mente que dificilmente seriam recordadas em situações mundanas. A confusão acompanhou-as. Puxou com ainda mais afinco o braço. Queria sair dali agora.

Agora!

— A gente conversa amanhã, pode ser...? Hoje você me deixa em paz. Só Hoje, só hoje. — estava com medo e vergonha de olhar o maior nos olhos, seu toque já era o bastante para mais memórias virem à tona.

Ao ver seu braço solto, correu para longe do moreno, não se apercebendo do loiro bloqueador recostado ao lado da porta, do lado de fora.

.

Hoje preciso de você

Com qualquer humor, com qualquer sorriso!

Hoje só tua presença

Vai me deixar feliz

Só hoje

Só hoje

Notas finais
*Kageyama-haha: 'haha' é um termo provindo de 'hahaue', que significa mãe. Hinata, literalmente, a chamou de "Mãe do Kageyama", o que lá no Japão seria normal, uma forma bem impessoal e um tanto formal de se chamar alguém. *Himeko-chan: pra quem não se lembra, ela é a menina que se declarou pro Kageyama no capítulo 4. Se vocês puderem comentar nesse capítulo... (nem que seja pra falar o que acharam do passado, que, pra mim, é mais importante) Obrigada por lerem até aqui, @M_Blue_Rose