Do Negro Ao Laranja
12 Dia 12 - Like a Virgin, de Madonna
Notas iniciais
— Você p-pode tomar banho se quiser! Há toalhas limpas penduradas, vou arranjar um pi-pijama meu pra você também! — Kageyama estava tenso e mexia seus membros roboticamente enquanto abria a porta do banheiro pra Hinata.
Intimamente, ambos se arrependiam de terem aceitado – no caso de Hinata – e oferecido – no de Kageyama – a estadia do ruivo durante a noite.
Adolescentes que se gostavam dormindo lado a lado? Realmente, não era uma ideia das mais inteligentes.
O hóspede agradeceu, tão corado quanto, e adentrou o banheiro timidamente. Desconhecia que, do lado de fora, o moreno recostava-se na porta, os ouvidos colados nela, tentando ouvir um mínimo de roçar de roupas, de torneira aberta.
Se a porta fosse aberta nesse segundo, estaria numa confusão, com certeza.
Perdido. Para falar com franqueza.
Se bem que Hinata conseguia ser bem parvo...
Irônico pensar que era aquele parvo o único que o salvara quando estava perdido. Quando estava sem rumo no vôlei.
Como que Daichi falara uma vez? Ah, sim “O oni e sua clave”.
O Rei da Quadra e sua... Herm... Sua.... Rainha?
.
Consegui sair dessa confusão
De alguma forma, consegui
Não sabia o quanto estava perdida
Até encontrá-lo
.
— Então... Boa noite, Hinata.
— Boa... Noite. — a resposta de Hinata era tão vacilante quanto a sua própria fora.
As luzes foram apagadas e o breu instalou-se completamente. Kageyama, já na cama, ouviu o roçar dos lençóis quando Hinata fez o mesmo e deitou-se.
Silêncio.
Permaneceu estático, querendo até parar o coração acelerado, tentando ouvir qualquer movimento que o menor fizesse no futon. Uma perna se levantando, um braço se mexendo, o cabelo se desarrumando. Qual seria a posição de Hinata?
Um suspiro alto.
Significava que Hinata já estava relaxando e quase dormindo.
Cinco minutos se passaram,
Ouviu o ruído do ruivinho agitando-se. Uma. Duas vezes. Sabia que ele era de se mexer durante o sono.
Vinte minutos.
Outro suspiro. Shoyo fazia sons vez ou outra.
E estava lá. Ao seu lado.
Sob seu teto.
Seus lençóis.
Seu pijama.
Sua cueca.
Lambeu os beiços.
O coração cada vez mais se acelerava.
Vinte e cinco minutos.
Outro suspiro. Respiração estabilizada. Kageyama tentava se mexer, mas os nervos impediam-no.
Lentamente – muito lentamente – ergueu a mão caladamente sob as cobertas. Tentou ajeitou o pênis sob o pano.
Ficara duro.
Como um virgem maldito – que ele era.
Trinta minutos.
O desejo que tentava controlar por uma sofrida meia hora acabara de vencê-lo.
Puta que pariu!
Puta que pariu!
E agora, o que faria?
Era aquilo que Hinata o fazia sentir.
“Novinho” em folha.
Como um jovem, um virgem maldito.
Na flor da idade.
Trinta e cinco minutos.
.
Estava vencida, incompleta
Fui enganada, estava triste e deprimida
Mas você me fez sentir
É, você me fez sentir
Novinha em folha
.
Antes que controlasse seus atos, já sentava-se na cama com os pés no chão. Não podia continuar assim. Ou se... masturbava ali mesmo, ou corria ao banheiro.
Pôs-se de pé. Espere! E se trombasse em Hinata sem querer? Ajoelhou-se lentamente, foi apalpando o chão para reconhecer a localização do garoto-isca. Quando encostou na borda do futon, expirou brandamente.
Hinata remexeu-se novamente, havia virado de lado em direção a si. As mãos subiram um pouco sobre o futon, e roçagou em sua mão estendida.
Outro suspiro.
Mais desespero.
Como um virgem tocado pela primeira vez.
Pode sentir a pulsação de seu coração na ponta do dedo, que tocava Hinata. Imaginou que podia sentir o dele também.
Próximos demais.
.
Como uma virgem
Tocada pela primeira vez
Como uma virgem
Quando seu coração bate
Próximo do meu
.
Apertou os olhos, amaldiçoando-se pro ceder aos próprios anseios, mas sem hesitar nenhuma fez, foi passando a ponta do indicador graciosamente sobre a pele alheia.
Macia demais.
Passou do antebraço ao braço, ao tecido de sua camiseta, ao ombro coberto, desceu à cintura, ao quadril. Descoberto.
Pele novamente. Um dedo já não era mais o suficiente, e adicionou o do meio ao indicador. Acariciava gentilmente a região, às vezes usando os nódulos dos dedos, as unhas.
Deus. Como era bom. Macio demais. Completamente lisa. Queria tanto lambê-la.
Controlou-se. A excitação cada vez mais apertava-lhe na roupa proporcionalmente ao seu receio que diminuía. Mais ousado rapidamente.
Subiu novamente os dedos e se deteve na clavícula. Demorou-se lá mais um pouco, apreciando também as fundas saboneteiras. Escalou o pescoço, inconsciente dos nervosos movimentos de deglutição. Roçou a unha por toda a extensão do lado direito do maxilar.
Abeirou-se – finalmente! – no canto da boca pequena. E semiaberta.
Sim. Semiaberta. Completamente indefesa. Esperando pelo ataque de seus lábios, seu hálito, sua mordida. Sua língua.
Mas contentou-se em circundá-la com um dedo, ciente de que se o beijasse agora, acordaria.
O fez repetidamente, parar parecia muito pouco atraente agora. Nem notava que a boca abria-se mais aos poucos. Quando chocou a unha sem querer com os dentes inferiores e o dormente não acordou, a coragem aumentou.
Não resistiu inserir lentamente o dígito na cavidade úmida, cuidadosamente. Apreciou o primeiro contato com a língua.
Ah, a língua! Era morna e molhada, pequena, e gostava do contato um pouco áspero que tinha contra sua pele. Permaneceu lá mais um momento, deliciando-se, indo para trás e para frente, da ponta a quase o fundo do músculo – tomando cuidado para não aprofundar-se demais. Afinal, se o fizesse Hinata podia acordar.
.
Vou lhe dar todo meu amor, rapaz
Meu medo está sumindo rapidamente
Andei guardando tudo isso para você
Pois apenas o amor dura.
.
Moveu o dedo curioso para o lado, experimentando os dentes superiores, a gengiva, o interior da bochecha, o céu da boca. Demorava-se tanto lá que se surpreendia pelo outro não despertar.
Percebeu que a frequência de deglutição diminuíra, e que a baba concentrava-se na boca a até transbordar pelo canto. Colheu-a um pouco com o dedo, e com ela lubrificou toda a extensão de seus lábios – para quê, não sabia, todavia fazia apenas o que lhe dava vontade, não havia espaço para a racionalidade.
Imaginou se eles haviam se tornado mais rosados e entumecidos. Mais convidativos ainda para um beijo. Aventurava-se agora pela região sublingual, deleitando-se com o acumulo de saliva lá. Era muito mais escorregadio.
Fazia movimentos circulares lá, lentamente. Pela primeira vez, não impedia sua imaginação de correr solta.
Ali estava Hinata, completamente à sua mercê.
Sua desproteção e inconsciência havia há muito derretido seu medo de ser descoberto. Afundara-o ao fundo de sua mente.
.
Você é ótimo, e é meu
Me faz forte, sim, me faz ousada
Oh, seu amor derreteu
Sim, seu amor derreteu
O que estava frio e com medo
.
Devaneava como um virgem inexperiente. Explorava aquela boca como se explorasse a genitália do menor. Imaginava-se roçando seus pelos pubianos, sua virilha, seu períneo... Seu.. Seu... ânus.
As pernas completamente abertas.
Levou a mão automaticamente ao baixo-ventre, adentrando a própria roupa. Quando ia retirar o dedo da cavidade para ajudar a si mesmo melhor...
A língua voluntariamente pôs-se a mexer e o movimento de deglutição da garganta unida a ela impediram-no de afastar-se. Dentes pequenos mordiam-no levemente, dificultando mais ainda seu escape.
Hinata... Hinata acordara.
Ou já estava acordado há um tempo?
E se ele nunca tivesse dormido?!
Desesperado, Kageyama tentava retirar-se da cavidade do menino. Um mísero insucesso. Ele chupava-o mais forte ainda a cada tentativa. E apenas quando desistiu... Acalmou-se.
Porque Hinata fazia exatamente o mesmo que si.
Cedeu um pouco a tensão do pulso, e como resposta, o outro afrouxou o aperto dos dentes. Com mais liberdade para mover-se, rodeava o dígito com o músculo rapidamente, voltando a succioná-lo logo em seguida.
Completamente despudorado.
Kageyama não tinha nem tempo de constranger-se com toda a situação. A maneira como agia. A maneira como Hinata agia. Estavam tão submergidos nos próprios sentimentos e torpores que racionalidade não era uma opção.
Naquele momento, ambos não tinham nada mais a esconder.
As batidas do coração próximas uma à outra, em sincronia.
Como virgens.
Pertencentes um ao outro.
.
Como uma virgem
Tocada pela primeira vez
Como uma virgem
Com a batida do seu coração
Próximo do meu
Oooh, oooh, oooh
.
Sentia na ponta do dedo a garganta do pequeno. Não sabia porque, mas isso o havia deixado mais louco ainda. Torceu o pulso um pouco e com os outros dedos segurou o maxilar delicado, manipulando-o completamente. Penetrou mais profundamente na garganta, e Hinata engasgou um suspiro.
Kageyama se segurou para não gemer.
A saliva era pressionada para fora a cada investida, e sua excitação era tal que, de repente, nada daquilo era o bastante. Mordeu violentamente o lábio inferior tentando controlar a própria agressividade de seus movimentos, tentando também, adicionar mais um dedo à soma.
Hinata recebeu-o de bom grado, vez ou outra acariciando a fresta entre ambos os dígitos. O levantador sentia-se demais. Integralmente alheio ao absurdo da relação. Tampouco parecia se importar o outro.
Na verdade, vasculhando o cerne de sua mente, sentia-se num filme pornô amador, daqueles que se fazia com o próprio parceiro. Teve gana de inovar nos movimentos e, sem pudor em satisfazê-la, viu-se aprisionando a língua do ruivinho entre os dedos, massageando-a e puxando-a para fora da boca.
Nada conseguia ver, dependia apenas do tato e do olfato, no entanto pode perceber Shoyo abrindo-se mais ainda, erguendo a cabeça enquanto esparramava-se mais na cama. Kageyama teve uma fantasia de como se encontrava agora e, diante da entrega do outro, não resistiu em tocar a si mesmo.
Seu pênis já estava entumecido, inchado e vermelho. Percorreu toda sua extensão com a mão esquerda, enquanto a mais hábil brincava com Hinata. Esse, por sua vez, abandonara seus dois dedos para lamber a todos, intermitentemente. Alternava entre um ou outro, mudava os pares. Era fácil fazê-lo quando havia saliva o bastante para escorrer de seu queixo e cair no futon.
Kageyama percebeu que estivera em negligência por tanto tempo que poucos segundos mais duraria sem gozar. Apertou a base do próprio membro, para puxar até a cabeça, e assim sucessivamente.
Enquanto o fazia, ambas as mãos meladas, teve a confirmação de que Hinata também se tocava. Pois suspirava baixinho – assim como ele – e a cada segundo puxava seus dedos mais fortemente. Seu tesão, como se fosse possível, elevou-se mais ainda – ao pensar que apenas seus dedos fizeram o menor se sentir assim.
Ciente de que a magia logo acabaria para ambos, e que logo o constrangimento e o arrependimento tomariam seu lugar de volta, tentou retirar os dedos. Hinata mordeu-o na mesma hora, tão forte que chegou a machucar; um gemido estrangulado escapou-lhe dos lados, e naquele momento sabia: havia gozado.
E sua tentativa de dar-lhe um último beijo havia sido frustrada.
Deu a si mesmo uma estocada final, atingindo também o orgasmo. Revirou os olhos e mordeu o beiço.
.
Você é ótimo, e é meu
Serei sua até o fim dos tempos
Pois você me fez sentir
Sim, você me fez sentir
Que não tenho nada a esconder
.
Kageyama, retirou os dedos da cavidade de Hinata, ambos arfantes. Por pouco mais de um minuto, mantiveram-se lá, próximos, aprazendo-se com os ofegos um do outro. Apenas saíram daquilo quando o moreno percebeu que a respiração de Hinata estabilizara-se.
— Hi... Hinata — sussurrou. Nenhuma resposta.
Maldito!
Havia dormido!
Enfrentou um misto de decepção, alívio e vontade de rir, tudo simultaneamente.
Aquilo era tão a cara de Hinata...
.
Como uma virgem
Tocada pela primeira vez
Como uma virgem
Com a batida do seu coração
Próximo do meu
.
A decepção e tristeza, por fim, reinaram, e o moreno lembrou-se de que, provavelmente, amanhã tudo seria... “esquecido”.
Teve vontade de esgueirar-se na cama com o pequeno, abraça-lo, ouvir seu coração bater, e dizer a ele que o amava – e receber uma reposta recíproca, óbvio.
Sentir-se-ia tão bem...
Mas não.
Ambos continuavam amigos.
Tímidos.
E virgens.
Virgens inexperientes.
Virgens tocando-se pela primeira vez.
.
Como uma virgem, ooh, ooh
Como uma virgem
Me sinto tão bem aqui dentro
Quando você me abraça, e o seu coração bate, e você me ama
.
Brandamente, aproximou a cabeça no peito de Hinata, almejando ouvir seu coração. Achou o compasso bonito, e mais uma vez viu-se tentando a ficar lá a noite inteira.
Sem nem cogitar a ideia, arranjou um pano para limpar a ambos como podia e, aos trancos e barrancos, deu um jeito de trocar a rouba de baixo de Hinata – sua, na verdade. Por um milagre, os shorts que lhe emprestara não havia se melecado.
A tarefa foi árdua e tentadora. Não conseguia ver um palmo a sua frente, e tocá-lo tão intimamente – e num pequeno intervalo de tempo – mexia consigo.
Suspirou, lamentando pela enésima vez o amanhã que chegaria.
Passariam de amantes esporádicos a virgens amigos de time.
Será que aquilo se repetiria?
.
Oh, oh, oh, oh, oh, oh, oh, oh, oh
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