Notas iniciais
Oi Pessoas MARAVILHOSAS! Obrigado por todos vocês que comentaram, de verdade, pelo Carinho por cada palavra, pela disposição em honrar meu esforço! Estou muito feliz, pois, vocês são os melhores leitores! Gratidão! Eu dedico este TERCEIRO Capítulo ao carinho da Sandy que RECOMENDOU essa short fim para mim, Deus a abençoe! Sem mais demoras, vamos ao capítulo 3! Vejo vocês nas Notas Finais! Gratidão!

POV HENRY LAZAR

Não me contenho e saio cuspindo para tudo quanto é lado, começando a tossir engasgado em seguida. Vejo algumas pessoas, e, inclusive Peter, sair desesperado de perto, fugindo da chuva de café...

Quando eu consigo parar de tossir e erguer a minha cabeça, vejo aquele par de olhos, diabolicamente verdes e observo formar-se um sorriso triunfante em seus lábios.

A minha fúria é tanta, que, sem pensar, endireito-me e sigo em direção a ela, com passos rápidos e firmes, um minuto antes, dela deixar o recinto bruscamente, creio que, temendo por sua vida, pois, certamente viu a cólera em meu olhar. E, eu admito, que, no momento, exatamente o que eu desejo é mata-la!

Que sujeita abusada! Porém, o gosto é tão terrível, que deixo o homicídio para mais tarde, pois, antes preciso lavar minha boca com urgência!

Subtraindo o episódio com o café “Salgado”, o meu dia hoje foi normal, sem muitas intercorrências.

Por falar em episódio, aquilo rendeu muitos comentários indiscretos na empresa, e, também, deixou o Peter com um receio enorme, de minha reação com ele.

Ele me relatou que, como ele era a pessoa que estava mais próximo a mim naquele momento, ele ficou com medo de que eu interpretasse que ele havia feito aquilo. Entretanto, eu o disse que sabia de quem se tratava, e que a pessoa não perdia por esperar.

***

À noite, apesar de muito solitária, como sempre, conseguiu ficar maravilhosa depois das 22:30 horas.

O tempo que passo teclando com a minha Baby, tem o poder de alegrar qualquer circunstância. E como isso é bom.

Após algumas considerações, nós resolvemos antecipar o nosso encontro. Jantaríamos juntos na quarta-feira. Visto que, achamos melhor já estarmos mais familiarizados até sexta, porque em todos os nossos planos, firmamos o objetivo de passarmos a véspera de natal juntos, portanto, acreditamos que, conhecendo-nos antes, será mais confortável.

Contudo, os presentes seriam antecipados. Pois, o sinal de que éramos quem estávamos esperando, seriam justamente os nossos presentes.

Combinamos assim: amanhã eu vou ao Bistrô Gourmet, um dos restaurantes requintados da cidade. Inclusive, é muito difícil se conseguir reserva. Mas, eu usei as influências que possuo, para fechar a reserva que fiz hoje, ao telefone.

Assim, ela chegará ao restaurante, apresentando-se por seu pseudônimo, Baby, e procurará pela reserva feita através do meu, Lindo. Desta forma, eles a conduzirão a mesa reservada. Ela aguardará a minha chegada. A forma que eu utilizarei para identifica-la, será o livro em sua mesa endereçado a mim: “O Mercador de Veneza”.

Depois de tudo acertado, conversamos por mais cerca de duas horas... e nem parecia, com ela o tempo passa muito rápido, pois ela é muito doce, meiga, além de muito inteligente, falamos sempre sobre os mais variados assuntos e eles nunca se esgotam.

Por fim, senti que as letras começaram a vir embaralhadas, e imediatamente, eu percebi que ela estava com sono. Principalmente, quando estávamos conversando sobre o quanto apreciamos caminhadas, e que para que seja agradável, é necessário estar bem equipados com roupas leves e tênis, e ocorreu que, por umas três vezes ela teclou PÊNIS ao invés de teclar Tênis e nem se apercebeu.

Não resistindo, eu disse-lhe teclando...

— Baby... Dê uma lida nas quatro últimas frases que você escreveu para mim.

E como resposta, tive um:

— Sorry!...

Seguido de um silêncio absoluto por três minutos.

Finalmente, eu teclei...

— Baby, fique tranquila! Acontece. Você já está cansada e com sono!

Mas, bem que no fundo eu fiquei pensando: será que ela está tão carente quanto eu, que a mente dela está começando a fantasiar estas coisas comigo?

Bem, pelo menos, a ansiedade dela pelo encontro, a faz, pensar nestas coisas comigo, pior sou eu que me faz ter fantasias eróticas, com uma mulher que me odeia e que com certeza, se eu ao menos tentasse qualquer uma coisa deste tipo com ela, certamente correria o risco de perder o meu “Brinquedo”, DEUS ME LIVRA! Arrepiei-me só de pensar na ideia!

Depois, de alguns segundos, ela teclou...

— Lindo, perdoe-me, vou deitar-me, pois, além de cansada estou com extrema vergonha, pois, até agora nem acredito que fiz aquilo.

Ela realmente havia ficado sem jeito com o ocorrido.

— Tudo bem, Baby, mas, não queria que você se constrangesse com isto. Pois, todos nós podemos passar por isto. Tudo bem?

— Tudo, obrigada! Até amanhã.

Mais uma vez, assim que terminamos de teclar, estou relaxadíssimo e vou direto para cama, e a esta altura Spike já dorme profundamente. Porém, quando deito ao seu lado, ele dá um ultimo olhar de afeto para mim, antes de cair na inconsciência de novo.

***

Meu dia começa bem leve, pelo menos nada de sonhos. Ao que parece, o fato de estar a um dia de me encontrar com a minha Baby, me deixa mais aliviado e light.

Assim que chego à empresa, instintivamente corro para pegar o elevador, mas, estanco na porta antes, lembrando-me dos últimos eventos e com receio dela já estar lá.

Eu juro, que se Valerie estivesse lá dentro, eu não subiria, ficaria para o próximo que aparecesse. Não importa o quanto demorasse.

Vejo que, milagrosamente, não há ninguém no elevador, o que é muito difícil para o horário.

Entro feliz da vida! No entanto, para o meu terror absoluto, quando as portas estão para fechar, uma mão aparece e num átimo, um corpo se materializa ali dentro e as portas se fecham. Somente assim, a pessoa, recém-chegada, se dá conta, de quem estava à sua frente.

Sinto-me vigorosamente satisfeito, quando a vejo corar, tão intensamente ao perceber que, estava sozinha comigo no elevador, depois do que aprontou no episódio com o café.

Noto também que, ela afasta-se sutilmente o máximo que pode para o lado mais oposto do que o que me encontro. Finalmente, eu percebo que, ela está com medo. E, automaticamente, o meu sonho erótico, com ela no elevador, invade a minha mente. Fazendo-me, agora olhá-la com profundidade.

Percebo que seus olhos estão arregalados ao estremo, ela está totalmente desconcertada, com a minha presença tão próximo a ela. Orgulhosamente noto que hoje sem querer, eu consegui causar nela um efeito tão grande, quanto o que ela causa a mim. Ela está perceptivelmente, muito desconfortável.

A cada mínimo movimento meu, ela mexe-se revelando ainda mais o seu desconforto, creio que, lembrando-se do episódio com o café e do olhar mortal que lancei a ela naquele momento.

Bem neste instante, a luz do elevador oscila, levando-me a arfar no mesmo momento que ela. Com um detalhe de diferença. Eu pelo medo do que vi em meu sonho. E ela, creio eu, que devido a alguma fobia que possui.

Vejo Valerie fechar os olhos. Eu a observo atentamente, mas antes observo que ainda estamos no décimo oitavo andar, e ela vai para o quadragésimo oitavo, eu vou para o quadragésimo nono.

A luz oscila de novo, e de repente, chega um sinal de aviso pelo radiocomunicador, e meu coração entra em desespero: vai acontecer... Vai acontecer...

O meu sonho, aquilo foi um Aviso!

“Meu Deus, eu prometo, por tudo o que é mais sagrado, que nunca mais, eu subo de elevador, me tira desta, Senhor! Eu me mato todos os dias, subindo quarenta e nove andares a pé, mas, eu não quero e não posso, ficar um minuto se quer, preso com esta mulher aqui dentro! Meu Deus, meu Deus socorro”... Fico repetindo isto, como um mantra em minha cabeça...

E o rádio anuncia...

— Estamos com problemas técnicos em nossos elevadores de acesso. E ficaremos fora do ar por cerca de 30 minutos sem câmeras ou qualquer outra comunicação. Portanto, não se apavorem, pois, em 30 minutos a equipe técnica garante que tudo estará normal.

O que é pior, é que não há nem como avisar no escritório, pois, os nossos elevadores são revestidos por um material que corta qualquer tipo de onda eletromagnética, por medida de segurança.

Enfim, só me resta esperar. Consternado, eu sento-me para esperar. Fecho os olhos e inclino minha cabeça para trás, recostando-a na parede de metal. Repentinamente, me lembro da minha companhia. No momento em que abro os olhos e abaixo a cabeça, vejo-a.

Observo-a e ela tem sua cabeça baixa e vejo tremor em suas mãos. Levanto-me lentamente novamente e chego-me mais perto. Creio que ela sai do choque e olha-me repentinamente. Imediatamente, eu paro e congelo-me onde estou.

Porém, quando vejo os seus olhos marejados por lágrimas, minhas defesas cedem, porque, por mais que ela demonstre o tanto que me odeie e eu me irrite bastante com ela, por suas indelicadezas e implicâncias, eu não a odeio.

Olho-a com compaixão e carinho, como eu olharia para uma criancinha assustada e sinto desejo de confortá-la, pouco me importando com as suas reações hostis.

Ali naquele momento, eu deixei o meu lado humano falar mais alto, pois, afinal, por mais terrível que ela fosse, era um ser humano que estava em minha frente.

Então, digo-lhe:

— Você já disse, me mostrou, e, eu sei o quanto você me odeia, porém eu devo dizer que, eu não sinto o mesmo por você, e não consigo ficar confortável, vendo que você não está se sentindo bem... Desculpa perguntar, você tem alguma fobia? Quero dizer que, se precisar de ajuda, eu estou aqui. Sou capaz de deixar os ressentimentos de lado para ajudá-la, como te disse, não tenho nada contra você. E também quero dizer que, se seu medo for, de eu fazer algo contra você, porque ninguém irá ver por causa da falta de comunicação, você pode ficar tranquila. Eu jamais faria isto. Só para você saber. Mais uma vez, me desculpe.

Por mais durona que ela seja, e vejo que ela é, aquilo mexe com ela, pois, o tanto que ela tem aprontado comigo e eu ter aquela atitude, a surpreende.

Depois de um longo tempo, ela acena com a cabeça. Então, pergunto...

— Quer que eu sente-me ao seu lado, para te ajudar a vencer este tempo aqui devido à fobia? É só dizer, só farei se quiser.

Ela assente que sim com a cabeça, ainda com evidente ressalva. Percebo que, ela evita me olhar nos olhos.

De fato, com o seu aval, sento-me ao seu lado. Exatamente como no sonho, aproximo a minha mão da sua, lentamente e observando seus movimentos.

Embora seu olhar me mostre espanto por minha atitude, ela não hesita e nem retira a mão, quando toco a minha mão sobre a sua.

Assim como no sonho, sinto uma corrente elétrica potente e poderosa me percorrer a partir daquele pequeno ponto de contato com Valerie. Concentro-me em acariciar a sua mão com círculos, na verdade, eu tenho firme o objetivo de lhe mandar ondas de paz enquanto tudo aquilo não acaba.

Depois de uns cinco minutos, ela adormece, creio eu, que entorpecida pelo abalo que sofreu pelo o medo. Recosto, com cuidado, a sua cabeça em meu ombro e deixo-a descansar ali.

Fico pensando, que nenhuma vingança que eu fizesse com ela, seria tão impactante quanto o que eu estou fazendo. Porque após todas as atitudes dela para comigo, o acontecimento de hoje, certamente irá marcá-la de alguma forma. Pois, eu pude retribuir o seu mal com o bem e me mostrei muito acima dela!

Não sei como, mas, sinto que isto mexerá com ela de alguma forma, assim, passo o tempo apenas a observando e acariciando os seus cabelos. ali naquele estado de inconsciência, tão linda e indefesa, noto o quanto ela está mais parecida com um “Anjo” do que uma “Diaba” e a admiro...

Passados na verdade trinta e cinco minutos, o rádio volta a dar sinais de que irá funcionar e assim digo-lhe no ouvido...

— Está na hora, estão terminando o serviço.

Ela acorda atônita e ao ver-me, instintivamente se afasta e eu digo-lhe retirando minha mão da sua...

— Espero que tenha melhorado. Sinceramente falando.

Ela dá um leve sorriso para mim, porém, se afasta mais ainda de mim, e diz...

— Obrigada. – Ela diz também com sinceridade.

Levanto-me e ela também. Assim que o elevador volta a funcionar, ela olha-me, e diz:

— Olha... Eu realmente agradeço a você pelo seu cavalheirismo, mas, devo lhe dizer que isto não muda nada. Pois, ainda, eu odeio você!

O impressionante é que, mesmo com a entonação de suas palavras, aquilo já não tem tanto efeito sobre mim, e eu simplesmente respondo...

— Tudo bem, eu fiz e faria de novo, na realidade, eu faria por qualquer pessoa. E no mais, é você quem me odeia. Devo dizer que, eu não odeio você!

Sinto que as minhas palavras, a nocauteiam, porém, ela é dura na queda. Rapidamente, ela silencia qualquer expressão de emoção.

Dessa forma, quando as portas se abrem em seu andar, ela sai e eu fico, mas, sem todo aquele turbilhão de sensações ruins que sinto quando estou com ela.

No instante em que chego ao escritório, vejo-me totalmente mexido com tudo que acabou de acontecer. Porém, preciso tomar foco de que tenho muitas coisas a fazer no dia de hoje.

Primeira coisa, eu não posso esquecer-me de que, no horário de almoço, preciso ir ao Bistrô Gourmet, acertar minha reserva e passá-los todas as informações necessárias para que em hipótese alguma, eles revelem minha identidade real, ou qualquer coisa que remeta a ela.

Ainda permaneço muito tocado com o acontecimento do elevador. De uma maneira estranha aquilo me revirou internamente. E eu nem sei explicar como.

Mas, a verdade é que pensar em Valerie desprotegida, como ela esteve no meu ombro, sem suas barreiras e defesas, ou seja, vê-la completamente exposta e vulnerável, não foi confortável para mim.

Talvez, o normal seria que eu ficasse muito feliz por ter presenciado aquilo, ela mal, na pior. Mas, na verdade, eu não me senti assim, ao contrário. Senti-me péssimo, não sei o por que, mas o sofrimento dela trouxe incômodo para mim.

O dia transcorre categoricamente. Não “a” vejo mais em nenhum lugar, mas é claro, que o incidente de hoje, não me permite relaxar ou facilitar com ela.

Na hora do almoço, como de costume, eu e Peter descemos ao refeitório.
Vou até o balcão, fazer a retirada da minha refeição. A empresa nos entrega nossos pratos individuais já preparados, baseados nos cardápios semanais que montamos com antecedência. É tudo muito organizado, de uma forma que nossa alimentação, seja a mais saudável possível.

Assim que pego o meu prato, mesmo lacrado e com o meu nome, eu sou acometido por uma ânsia de olhá-lo, cheirá-lo e analisá-lo.

Sinceramente, depois do evento com o café, eu fiquei cismado de comer qualquer coisa, com receio de estar contaminado... Sei lá, vai que ela tenha colocado laxante, ou uma porção exagerada de pimenta, ou açúcar... A verdade, é que eu não consigo nem se quer tocar na comida, pois, a sensação horrível daquele sal no meu café, ainda está viva em minha boca. E isto é terrível.

Mesmo com o que aconteceu pela manhã, não me sinto seguro. Pois, lembro-me do que ela me disse que não havia mudado nada...

Deixo o meu prato intocado. Saio dali, com o propósito de almoçar na rua e claro, ir ao Bistrô.

Ao chegar ao restaurante que pretendo comer, quem encontro comendo sozinha por lá?

Ela mesma, Valerie. Porém, permanece como se estivesse alheia à minha presença e sigo o que vim fazer calmamente, também a ignorando, porém, este gesto não é nenhum pouco confortável para mim.

Ao final do dia, eu estou com tudo pronto para o meu encontro com a Baby, tudo resolvido no trabalho.

A única coisa complicada de tudo isto, é que eu não deixei de estar preocupado com Valerie neste dia. E percebo também, que agora não é tão confortável para mim, clamá-la de inimiga, ou “Diaba”, afinal, ela tem um nome. E por sinal, lindo nome: Valerie.

Em casa, me percebo mais introspectivo que o normal. Nem mesmo a Baby, escapou do meu humor melancólico de hoje. Ela percebe que estou um pouco fora do normal e em um determinado momento, ela tecla...

— Lindo, você está arrependido?

Não entendi sua pergunta então teclo...

— Como assim? Arrependido de que?

— Bem fico pensando se você não desistiu de nos conhecermos...

Bem naquele momento, vejo a mancada que estou dando... Bem na véspera de conhecer minha futura namorada, estou depressivo e melancólico, sendo que antes, eu estava ansioso e preocupado, é óbvio, que ela vai interpretar isto como falta de interesse meu ou desânimo.

— Me perdoe, você está certíssima de pensar isto, porque observou o meu comportamento mudar bruscamente, porém, na verdade, não é isto. Estou muito ansioso e preocupado, e claro, apreensivo, e se caso você não se agradar de mim? Já pensou nisto?

Ela faz um tempo de silêncio e por fim tecla...

— Achei que era somente eu que estava insegura...

— Claro que não! Eu estou muito inseguro, Baby. Porém, enfim, amanhã terminamos com esta espera e agonia angustiante.

Terminamos nossa conversa e mais uma vez durmo tranquilamente.

***

Acordo com uma maravilhosa sensação de que terei um dia perfeito! E minha ânsia hoje, não tem limites.

Passo o dia inteiro sem ver Valerie. Porém, apesar de me sentir incomodado com aquilo, minha atenção hoje, graças a Deus, está focada em meu encontro com a Baby. Melhor assim.

Ao final do expediente, vou correndo para casa. Ao chegar, tomo banho, me arrumo e perfumo-me especialmente para hoje, de Calvin Klein Be.

Quanto estou pronto, pego o embrulho com o presente.

Ao passar pelo espelho, olho-me admirando-me, estou em um terno preto muito alinhado da Dolce & Gabbana, que gosto. Noto que estou até bem atraente... Dou um sorriso com aquilo, imaginado, se eu mesmo passaria despercebido por mim, se eu fosse uma mulher...

Toda minha expectativa vai aumentando em larga escala, em especial, quando desço do carro e entrego as chaves ao manobrista. Tomo fôlego e sigo em direção à área interna do Bistrô.

Vou direto em direção à entrada, próximo a ala que fiz a reserva. Escondo-me por trás de uma parede de vidro que oculta o lado em que me encontro, porém, deixa à mostra todo o interior do recinto.

Busco com os olhos, o local de minha reserva.

Nada me preparou para o que eu veria ali. Meu coração dispara no peito, e meu corpo inteiro incendeia-se com aquela visão!

Que mulher linda, meu Deus!

Ela está virada de lado para mim, porém seu rosto está oculto, pois, ela está observando alguma coisa na capa, creio eu, do “meu livro”, o meu presente, do outro lado.

Seus cabelos estão num muito alinhado coque baixo, e ela está em num muito justo e elegante vestido vermelho de decote baixo, um pronunciado talho que evidencia boa parte de sua perna esquerda, que por sinal, é belíssima.

Bem no momento em que minha mente começa divagar sobre como eu sou um baita filho da mãe. Que além da mulher que me relaciono virtualmente ser maravilhosa como pessoa, ela é linda! Começo a achar interessante como a aparência física dela me lembra de alguém...

Porém, minha mente não consegue buscar de imediato quem seja. E bem no instante que as engrenagens da minha cabeça, começam a girar fazendo a conexão, ela vira o rosto em minha direção, claro que sem poder me ver por aquela camada de vidro...

E um choque paralisa todo meu corpo quando me deparo com aquelas ÍRIS VERDES! NÃO! NÃO PODE SER!

De tudo o que é de mais terrível que poderia me acontecer, não acredito que estou passando por isto...

Eu estou confuso, e tudo em mim, ainda se recusa a acreditar... Que a mulher com a qual tenho sonhado nestes seis meses em conhecer, é a menos provável, a que mais me odeia!

Fico desesperado e sem saber o que fazer. Se eu me revelar, qual será sua reação? Será que ela seria agressiva mesmo depois do evento com o elevador? Algo dentro de mim, confirma que sim, seria...

Rapidamente, busco voltar ao controle sobre mim..., vou respirando fundo, buscando clarear os meus pensamentos, que estão em total desordem, na tentativa de montar uma estratégia de como agir.

Resolvo ir ao carro, deixo o presente lá e decido entrar no restaurante. Vou me sentar bem à sua frente, e a partir daí, verei o que irei fazer, dançarei conforme a música!

Assim, faço. Aproximo-me de sua mesa, e num gesto rápido e preciso, puxo a cadeira e sento-me.

Ao olhar em seus olhos a primeira expressão que vejo é choque. Acho que refletindo a mim, quando a vi pela camada de vidro...

Seus olhos estão arregalados, seus lábios se entreabrem formando um “O” perfeito, e noto que, suas mãos, estão levemente trêmulas. Porém, ela não desvia os seus olhos dos meus. Quando finalmente, o choque cede dando lugar à razão, seu semblante toma a expressão de raiva!

E realmente nada me preparou para aquele momento... Porque, ela diz furiosa...

— O que você está fazendo aqui?

Fico mudo sem reação, pois, obviamente, eu não sei o que dizer... E ela continua...

— Você não tem noção das coisas? Só pode. Anda me seguindo? Olha, se você está aqui, pelo o que aconteceu no elevador, eu já lhe agradeci e disse-lhe que não mudou nada...

— Mas... – Tento dizer alguma coisa, mas, ela não me permite, ela está transtornada!

— Você precisa sair daqui e ir embora imediatamente! Eu estou esperando uma pessoa, tenho um encontro muito importante que eu estou esperando há um tempão. E eu não admito que você estrague tudo! Já basta você ter acabado com o meu sonho de lançar o projeto da minha vida! Pelo amor de Deus me deixa em paz...

Ela cospe as palavras para mim, sem tomar fôlego.

— Mas... – Ela ainda não me deixa prosseguir...

— Saia daqui, por favor, não me obrigue a chamar o segurança, porque eu tenho uma reserva aqui, por favor, evite este constrangimento para nós dois...

— POR FAVOR ME OUÇA! Digo bem alto, e já sentindo o meu rosto queimar pela vergonha, por ter todos no recinto, me olhando. E ela também fica roxa. Porém, me deixa dizer...

— E se a pessoa já houver chegado?

Ela move a cabeça várias vezes à procura, buscando...

E com o seu gesto, eu percebo que, jamais passou por sua cabeça que a pessoa pode ser eu. Ela nunca se quer, considerou a hipótese. Mesmo agora, com todas as evidências ali. E por mais estranho que pareça, no meu íntimo, eu gostei de saber que a minha Baby é ela, eu não sei o por quê...

Porém, entristece-me saber que, talvez, eu não deva mais nutrir esperança por causa do seu ódio por mim. E para confirmar o que acabei de pensar, ela abaixa a cabeça e respira fundo. Quando ela volta a olhar para mim, ela possui lágrimas de fúria e raiva nos olhos, então, diz:

— Eu já disse e repito: Eu odeio você! E agora, por favor, saia daqui, não arruíne mais a minha vida! Você não tem este direito!

Desarmado por suas palavras, levanto-me dali destroçado, realmente arruinado por dentro...

Sigo em direção à área externa do restaurante. Porém, como alguém que está com dificuldade de acordar de um sonho, que parece ser tão bom, e não quer voltar para realidade, fico observando-a por detrás da parede de vidro que me oculta, e vejo o tempo passar, e ela ficar ansiosa quando percebe que ninguém chegará, mas, em nenhum momento considera que este alguém esteve ali e que sou eu.

Saio dali abalado, juntando os meus pedaços, pois, ainda estou desfeito e nem sei como me refazer.

Pela primeira vez, dou-me conta de que, talvez, eu tenha perdido algo que realmente valha a pena. Percebo que após aquela descoberta, muitas coisas perdem o sentido.

Chego ao apartamento, e a única coisa que me vem à mente o tempo todo, é que isto não poderia ter acontecido comigo! Como pode? Como isto? Por que comigo?

O pior momento, é quando percebo que são 22:30 horas, e pela primeira vez, não poderei falar com Bab... Deus meu, eu não consigo nem pronunciar.

A minha cabeça está uma confusão só. Primeiro, pelo fato de que, não dá para acreditar que a minha, doce Baby é ela; segundo é que, eu sei que a Baby sempre deixou claro, que o que ela era com seu inimigo, que agora sei que sou eu, não é ela de verdade. Aquilo é somente uma máscara que ela usa apenas para ele, ou seja, somente para mim.

E por todas as vezes que eu já a vi com outras pessoas, ela realmente é doce, sorridente, gentil. O problema é comigo, é pessoal, mas, por quê? E terceiro, o maior problema, na verdade, é este, se ela é a minha Baby de fato, provavelmente, ela nunca será minha, de verdade!

Minha reflexão dura um longo tempo. Penso em inúmeras possibilidades.

Imagino um futuro com Valerie, descartando todo o mal que ela dispensa a mim, vendo-a apenas como a pessoa que ela é com os outros, a lembrando-me de cada gesto dela com alguém ou até mesmo com o Spike que eu já presenciei, lembro-me de o quanto ela foi maravilhosa comigo nesses seis meses em que nos correspondemos virtualmente.

Dentro de mim, eu sei que no fundo ela realmente é incrível. Eu já a observei no trabalho, com os outros ela é prestativa, carinhosa, ela é muito inteligente...

Involuntariamente, eu sou tomado por uma força interior esmagadora, que eu nem sei explicar como surgiu...

Eu ainda não vou desistir! Eu não sei como, mas eu vou tentar!

***

O resto da semana passa rápido. A confraternização de Natal da empresa no sábado, enfim chega...

Eu confesso que eu não estou com a mínima vontade de ir. Principalmente porque não a vi mais, e nem muito menos falei com Baby no restante da semana. Três dias, em seis meses de relacionamento, que eu não falo com ela, e como isso tem me feito mal. Como eu sinto falta...

Por algum motivo, a diretoria, deixa-me claro que eu não posso estar ausente do evento de confraternização, como nenhum dos outros editores, e a maior novidade de todas é que teremos de ir preparados para um baile de máscaras.

***

Chega a hora da festa... Eles escolheram este ano, um Cerimonial muito elegante e disputado de Nova York.

O local está belíssimo e muito cheio de convidados, porém, o meu clima para festas está em um nível muito abaixo da cota. O local já está cheio de pessoas muito importantes.

No meio do evento, um dos diretores de edição, assume o palco e notifica os agradecimentos aos presentes. Diz os motivos de estarmos ali, e surpreendo-me quando é anunciado que um dos grandes motivos, é me parabenizar como Editor Elite Revelação do Ano! Na verdade, estou presente, para receber este título esta noite, e este evento também é para, mim.

Talvez esse fato devesse me soar como maravilhoso, mas, a verdade é que isto é angustiante e assustador. Porque, em meio a tudo aquilo, eu me sinto ainda, mais excluso e isolado que sempre, o que é bem interessante, visto que supostamente esta festa é para mim.

Depois de todos os cumprimentos, vejo-me totalmente deslocado, e penso ser, porque na verdade, não estou acostumado a ser o centro das atenções. Mas, lá no fundo começo a identificar o que me incomoda, recebi vários cumprimentos, mas faltou um. E percebo que, é aquele que realmente me importa!

Quando passamos para a parte do baile de máscaras e todos nós, somos encaminhados a nos preparar num espaço reservado para isto. Penso em ir embora, porém, sou advertido por Peter para ficar ao menos um pouco, para fazer o social. Pois, preciso manter minha imagem.

Num determinado minuto, em que me dirijo para a mesa de canapés. Para respirar um pouco e escapar das atenções. Meu coração dispara quando sinto um determinado cheiro...

Viro-me repentinamente, para me dar conta de que ela está bem atrás de mim, e sem máscara naquele momento.

Notas finais
E aí Pessoas o que Acharam? Mereço Reviews e Recomendações? Gratidão e até o Capítulo 4.