DmC 5: Stairway To My Heaven
24 5º Dia, Pelos Olhos de Dante: Um Salve ao Meu Pai.
Notas iniciais
...Um Salve ao Meu pai, Abençoado pela Santa Água; Noite negra, Céu escuro; O Pranto do Demônio... (...)"
Dormi feito um defunto.
Estava cansado, dolorido, e minhas feridas ainda estavam cicatrizando. A mansão tava uma zona; tudo quebrado, a parede toda afundada e a janela pra onde arremessei o velho Joshua continuava fodida. Tava que é só estilhaço pra tudo quanto era lado. Não preciso mencionar que capotei no sofá da sala, né?
Uma das empregadas me acordou, na maior gentileza, e perguntou se eu queria comer alguma coisa. Caralho, que santa! Tinha lido meus pensamentos; eu tava numa larica sem tamanho. Barriga vazia e mente cheia não combinava, então aceitei o que viesse. E a empregada foi generosa; trouxe uma bandeja lotada de tudo. Tudo mesmo! Não me fiz de pouca boca e devorei tudo sem dó. Parecia um ogro, mas tava pouco me fodendo. Precisava arranjar forças pra encontrar a Mada.
Depois de recobrar as energias, fiquei intrigado com o paradeiro da vadia da Dália. Onde aquela vaca encrenqueira poderia ter ido? Junto com o pai na ambulância é que não foi, pois bem vi que ela tava prestando depoimento mentiroso pra polícia. Realmente ela me tirou do sério. Miserável... Mereceu cada enfiada que dei naquele rabo gordo. Que sangrasse até morrer!
Me ajeitei e fui até o hospital onde Mada tava internada. Pensei em levar algumas flores, mas sei lá... Nem sei que tipo de flor ela curte! Puta merda... Pensando bem, sou um zero à esquerda como namorado... Não sei nem os gostos da minha mina! Sou um babaca. Ponto pacífico. Mereço um peteleco na nuca por não prestar atenção nisso. Mas foda-se; depois a gente ajeita esse detalhe...
Chegando lá no hospital, a atendente me reconheceu do outro dia e arregalou os olhos. Senti cheiro de medo nela; era inconfundível. Acenei de forma cínica e segui direto pro andar onde o quarto da Mada ficava. Olhei pra porta e respirei fundo. Senti a ansiedade me tomar; minhas mãos gelaram. Eu tinha que buscar um jeito legal de dizer que tinha dado uma sova no pai dela... E certamente eu não iria contar que a mãe dela se feriu nem a merda que fiz: que estuprei a irmã dela. Ela não aceitaria um troço desses assim tão fácil, ela é muito correta pra levar isso de boa... Meu rabo tava preso e eu não daria chance pro azar; levaria isso pra cova... Ou pra eternidade, sei lá.
Meti a mão na porta deslizante e abri. Agora era a hora.
Assim que ela me viu, arregalou os olhos e engoliu em seco. Que reação mais tosca pra me receber! As mãos dela tremiam; ela agarrava o lençol com se quisesse que ele se esmigalhasse. Estranho... Do mais, ela tava muito linda; com o rosto corado e os olhos bem mais brilhantes. Até os peitos estavam mais redondinhos e maiores, confesso que deu um pouco de tesão ver que estavam bem mais bonitos... Eu sei que não presto.
-... E aí, Mada...
- Oi, Dante... Como vai? – a voz dela não tava muito natural.
- Meio confuso, mas de boa. – sentei na poltrona, evitei olhar nos seus olhos. – Conheci sua mãe nesses dias atrás.
- Minha... Mãe?
- Pois é. – eu tava brincando com meus próprios dedos. Nervosismo puro. – Ela é gente fina pacas, me tratou super bem...
- Nossa, que bom... – ela realmente queria parecer normal, mas tava complicado. – E... Você sabe de mais alguma coisa?
-... É que rolou uns negócios tensos de uns tempos pra cá. E acho que é melhor você ouvir de mim do que da boca dos outros.
Eu tava evitando seu olhar quase que toda hora. Eu tava me sentindo um bosta por estar omitindo tudo que aconteceu, não tava me aguentando. Mas não queria estragar nada. Procurei as melhores palavras, mas sinceramente, não sou o mestre da poesia. Puta merda, né?
- E o que houve?
-... Eu dei porrada no seu pai.
- Porrada... No meu pai? – ela tremia ainda mais. – Então, era você o agressor?
- Então você ficou sabendo? – eu tive de rir, me anteciparam. – Notícia ruim chega rápido...
- Não tinha razão em você ter feito isso, Dante! Meu pai foi um ogro, eu sei disso melhor do que ninguém, mas o que você fez foi completamente desnecessário!
- Desnecessário? Você acha que o ódio e o sofrimento que eu senti de não ter podido te defender na hora da surra realmente é descartável? Tá me zoando, menina?
- Eu não disse isso levianamente, entenda Dante... Eu só achei que isso poderia agravar sua vida, te trazer problemas desnecessários... Não quero isso pras nossas vidas!
- E desde quando eu te considero um problema, Mada? – ela me detonou dizendo aquilo; fiquei chateado. – Você é a garota da minha vida, não quero mais ninguém, manja? Levou um bocado pra que eu assumisse pra mim mesmo esse sentimento, e agora você tá se desfazendo dele na maior lata...
- Não me entenda errado, pelo amor de Deus! Eu me preocupo com você por que eu te amo!
Eu fiquei pasmo.
Ela havia dito a frase mais foda desse mundo; uma frase sagrada.
Ela havia dito “EU TE AMO”. Ela me amava. Caralho, ela disse que me amava...!
Fiquei desarmado. Eu não tinha como ignorar um troço daquele; ela verbalizou o que tava sentindo, e eu aqui, moscando! Porra, como eu sentia falta daquela frase sendo dita por alguém só pra mim... Eu a amava também! Só não sabia como falar... Talvez sentisse medo de falar, vai saber. Mas ela me amava, de verdade!
Mada se deu conta do que havia dito, e os olhos verde-claros estavam mergulhando em lágrimas. Não sei o que ela percebeu olhando pra mim, mas deve ter sido algo que lhe deu alegria. Me senti leve do nada.
Era sério. Agora não existiam dúvidas, imprecisões, temores ou desconfianças. Eu não tinha mais olhos pra outras garotas. A gente se amava e ponto final. Não havia como ignorar esse fato; não iria me meter em encrencas ou iria atrás de briga. Ela era minha e eu era dela... Eu não precisava de mais nada nessa vida a não ser ela. Felicidade maior que essa só se a gente formasse família.
- Dante... Tem algo que você precisa saber... –a voz da Mada estava trêmula, tava uma coisa esquisita.
- Diz aí, bonitinha.
- Não sei como a gente vai resolver isso... E estou com medo...
- É só falar que a gente vê o que vai fazer; não esquenta não! – eu tava me sentindo invencível; dá pra acreditar!?
-... É que estou grávida.
CARALHO. PUTA QUE PARIU. PUTA MERDA. AI MEU SACO.
Eu tinha ouvido bem...?!? Ela falou que tava... Grávida?!? Ela tava esperando um filho... Meu?!? Um filho meu?!? É isso mesmo?!? Eu ia ser pai??? Eu, pai?!? Porra, alguém me belisca, que tô delirando geral!!!
Eu tava perdido; o chão faltou. Eu tava desorientado; tava tentando pensar de forma racional, mas tava complicado. Eu engravidei uma garota; e justo a garota que eu amo!!! Puta merda, isso era...
Era o máximo!!! Caralho!!!! EU IA SER PAI, PORRA!!!!
-... Você tá grávida?
- Sim...
- E... Eu vou ser o pai?
- Pergunta besta... –ela deu um risinho nervoso.
- Mals aí... – Meu deu coceira na cabeça; eu tava realmente na paranoia. – Eu ainda to tentando assimilar... Tá meio foda, sabe como é...
- Desculpa... Nem me lembrei de proteção quando a gente tava junto...
- Caralho! Dona Teodora tinha comentado se a gente tinha usado camisinha!!! Puta que pariu, nem me toquei!!! – Por que diabos eu comentei isso?!? Realmente eu tava doido.
- Como?!? – ela arregalou os olhos; ficou mais vermelha que molho de tomate. – Você contou sobre o que a gente fez... Pra MINHA MÃE?!?
- Ora essa, a conversa que a gente teve rolou tão de boa que caímos nesse assunto!
- Santo Deus, Dante! Não vou ter sequer coragem de olhar minha mãe nos olhos!!!
- Ah vá! – eu ri de forma cínica. – Como se você tivesse nascido do ovo numa chocadeira!
— Não é esta a questão! – ela gesticulava de forma exagerada, parecia um dono de cantina italiana. – O nível de privacidade que mantenho na minha família é muito maior do que você imagina!
- Não foi o que eu ouvi da sua mãe! Ela sabe cada passo que você dá, e sabe até que dia você tá “naqueles dias”!
- Não acredito... – ela ficou boquiaberta. – Então ela já deve suspeitar... Eu to perdida...
- Não tá não! Por que você tá comigo!
Eu tava animado. Aquela notícia de que ela me amava e de que eu iria ser pai me deu um ânimo maior do que matar demônios. Eu tinha uma razão pra continuar vivo, pra lutar com o dobro das minhas forças; tinha um pirralhinho vindo! Hah, eu ia ser o pai mais doido desse mundo! Será que eu seria como meu pai foi comigo?!? Mesmo não lembrando muito, ele me deixou heranças muito loucas, e pretendo ensinar tudo que sei pro meu guri também! Eu realmente tava gostando da idéia.
- Como pode ter tanta certeza...?
- Por que sou o pai desse neném que tá na sua barriga! – eu apontei pra barriga dela com tanto vigor que acabei cutucando de leve. – E sendo um pai, não posso deixar a mãe na mão, senão estarei deixando ambos na mão. Não sou disso, e não quero isso! Então bora lá encarar o que vier!
Mada me olhava meio incrédula, como se tudo o que eu havia dito não parecesse sério. Mas eu tava realmente determinado a assumir meu filho, e cuidaria dele com todas as minhas forças. Eu nunca deixaria os dois sozinhos – nem a mãe nem a criança-, pois eu finalmente tava vivendo o que tinha fantasiado quando moleque: ter uma família. Eu seria pai. Mada seria minha mulher. E seria mãe do meu filho.
Ela não aguentou as lágrimas pesando nos olhos e chorou de emoção. Pulou no meu pescoço – como sempre-, me abraçando de quase enforcar, mas eu gostava quando ela fazia isso. Era um abraço sincero, sem formalidades ou frescuras. Eu me sentia querido quando ela fazia isso. Eu estava adorando aquele aperto sufocante. Pois era Mada. Minha Mada.
Eu não sabia mais enxergar o mundo sem Mada por perto.
Não havia mais como.
Acho que só a morte poderia nos separar. E mais nada.
Notas finais
Ele tá ficando mais soft, vai ter quem reclame; mas convenhamos, quem não fica parvo quando tá apaixonado?
Mas não se preocupem, ele não vai deixar de ser o Dante de sempre, gente... Se acalmem que as coisas que ficaram "boiando" na visão da Magdalena vão ser desfraldadas na visão dele. Aguardem bastante loucura! 8D
Agradeço com amor os feedbacks, e leio todos, sempre. ♥ E quando consigo, respondo sem cerimônia!
Dica: As notas do capítulo, quem for apaixonado pelo game, vai reparar que é trecho de uma trilha sonora do DMC3... Hu hu hu! ♥
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