DmC 5: Stairway To My Heaven

18 5º Dia, por Dante: Seu Deus me enviou pra Destruir


Notas iniciais
"Não tenho mais por que.
Retroceder não fazia parte. Desistir não era opção.
Mas isso era meramente um alento quando aquilo que você menos esperava acontece no meio da sua cara.
E é nessa hora que você descobre que seu Deus me mandou pra te destruir."

O dia tava frio e chuvoso, até estranhei. Acordei desanimado, mesmo estando disposto a detonar com o velho Joshua. Olhei pra janela, e o céu tava um breu só; o aguaceiro que caía dava uma preguiça tremenda de sair da cama quentinha e do edredom confortável. Me lembrei da Mada; sozinha naquele hospital, sentindo todas as dores do mundo, tanto as de fora quanto as de dentro. Queria ela comigo, com a gente dormindo de conchinha depois de uma trepadinha rápida só pra esquentar o corpo naquela madrugada fria. Me bateu uma saudade imensa que chegava a doer o peito, de me fazer lembrar o cheiro de morango que sua pele emanava. Não deu outra; eu já tava armado. Acabei rendido pelos meus instintos e comecei a imaginar Mada comigo; me tocando, me beijando, sendo minha por inteiro. Claro; esse delírio todo culminou numa sessão de masturbação insana, poderosa e que tava me enlouquecendo. Imaginei aquele rostinho de boneca com a face avermelhada, me olhando de um jeito indecente com os olhos verdes imersos em lágrimas de vontade de me dar, e saindo gemidos de sua boca que só de lembrar me arrepiavam, me davam cada vez mais tesão.

Eu me contorcia, gemia alto, tava ofegante e delirando. A única coisa q tava abafando meu escândalo eram os travesseiros, onde eu afundava a cara sempre que passava do limite nos gemidos. Eu ficava de um lado para outro na cama, me sentia sensível e carente demais. Quando imaginei Mada gozando na minha frente, não consegui mais segurar; acabei explodindo geral, deixando escapar o que quase seria um grito. Virei de quatro, afundei a cara no travesseiro e deixei todo o jato sair sem dó. Pois é, manchei o lençol da minha sogrinha logo no primeiro dia de convivência... Caralho, como eu gozei!

Exausto e sem forças, tombei pro lado todo suado e ofegante. Meu pau ainda latejava, como se ainda houvesse mais coisa pra sair. Eu ainda tava sentindo cada espasmo do baita orgasmo que proporcionei pra mim mesmo... Era novidade. Fazia um bom tempo que eu não surtava geral depois de uma punheta; e olha que só me senti assim pela primeira vez quando tinha doze anos! Putz, como tava bom sentir aquilo de novo...

Arrumei forças e levantei pra tomar um banho. Demorei um tempo deixando a água quente cair desde a cabeça aos pés, e fui ruminando tudo que aconteceu e o que eu faria daquela hora em diante.

Pensei na dona Teodora; uma mulher frágil que nem a Mada, sofrendo numa casa onde ela não apitava nem na cor da própria roupa que ia vestir. Pensei nas consequências do que eu iria fazer; se daria polícia (como sempre deu) ou se eu seria pego por demônios. Pensei na Mada; no que ela pensaria se soubesse o que eu fiz. Pensei em tudo e mais um pouco, não deixei de raciocinar sobre nada. Sei que estaria selando meu destino de merda quando tudo terminasse, e não haveria mais volta. Mas se eu não fizesse, talvez não conseguiria me olhar no espelho, muito menos conseguiria olhar pra Mada. Eu viraria um verdadeiro bosta.

Tava terminando de me vestir quando ouvi barulho de carro: alguém tava chegando. Olhei pela janela e vi um carro de figurão estacionando, com os vidros golfando insulfime de tão escuros que estavam. Logo pensei que poderia ser o meu “amado” sogrão voltando... Era hora de acertar as contas.

Não tinha mais volta. Ou eu dava um jeito no cara ou eu viveria a amargura de ter sido um cuzão omisso. Estalei os dedos, o pescoço e as costas. A Rebellion reagiu, e minha cicatriz brilhou e esquentou. Eu iria causar geral. E não iria deixar barato.

Abri a porta do quarto já ansioso, sentindo um troço estranho no estômago que me deixava inquieto. Caminhei lentamente pelo corredor, calculando cada atitude a ser tomada, repassando e ensaiando tudo mentalmente. Enxerguei as escadas e comecei a ouvir vozes diferentes, e resolvi prestar atenção. Me bateu um troço doido no estômago e meu sangue ferveu; era o agressor da Mada; o Senhor Joshua:

-... Estou exausto, foi uma reunião difícil e cheia de lacunas... Não quero ver trabalho tão cedo!

- Já comeu algo, querido?

- Me contento com uns petiscos, traga alguns. E Magdalena?

- Fui visita-la, e infelizmente foi terrível.

- Como assim, mulher?

- Ela teve um acesso de raiva incontrolável... Praticamente quis voar no pescoço de Dália, algo assombroso. Para fazê-la soltar tive de intervir... Infelizmente foi uma péssima intenção da minha parte.

- Essa menina descambou depois que fez tudo aquilo. Foi pra perdição pra nos dar dor de cabeça! E olha que fim nos leva? A mais dor de cabeça!

- Seja mais razoável, meu bem... Maria só queria ser diferente...

- Ser diferente? Hah, que piada mau gosto, mulher!- Ouvi o que seria um baita arroto. Cara porco do caralho!- Ela já é diferente do resto: tem dinheiro, tem as melhores roupas e acessórios que o dinheiro pode comprar! Vai as melhores escolas e come nos melhores restaurantes! E ainda frequenta clubes que a maioria teria de pagar só por olhar os portões!

- Entendo seu ponto de vista, meu bem... Mas o mundo que você oferece pras meninas pode não ser aquilo que elas desejam...

- Não diga asneiras, mulher! E antes que eu me irrite com você, traga logo meus petiscos!

O cara era um merda. Um genuíno malote de bosta. Como era possível uma mulher tão bondosa como a dona Teodora ter se casado com ele?!? Por dinheiro que não foi; provavelmente ele a enganou fazendo o tipinho “bom partido”. Ela era uma mulher bondosa, inocente, livre de podridão. O único pecado que cometeu foi aceitar os desmandos do idiota do marido. E isso eu ia corrigir naquela hora.

Resolvi dar o primeiro passo e pisar o primeiro degrau. Tava dando a sensação de que tava descendo pro inferno. Desci cada degrau lentamente, como se quisesse adiar as cagadas que eu iria fazer, mas não podia retroceder sabendo que minha garota precisava de ajuda. A cabeça daquele barrigudo seria minha.

Fui notado; bom começo. A primeira a me ver foi Dália, que arregalou os olhos em pânico, e tremia tanto que dava pra ver seu esqueleto chacoalhar de longe. Dei um sorriso sacana em resposta ao seu olhar; ela faltou ter uma síncope nervosa; bateu uma fobia forte na guria...

Dona Teodora também me viu, e revelou um olhar preocupado junto com um falso sorriso. Ela queria me proteger, me avisar, me questionar se era realmente aquilo que eu deveria fazer. Respondi seu olhar com um sorriso decidido, resignado, de que só desistiria se Mada me impedisse. Com um argumento silencioso e forte desses, quem iria me impedir?

E de repente, o bostão me viu.

Agora não tinha mais salvação, eu ia começar meu massacre. Não tinha mais como me retratar ou retroceder. Por mero instinto, expressei um olhar violento, insano, que cintilava ódio por cada centímetro. A Rebellion reagiu de novo; ela implorava pra ser evocada. Mas não era o momento. Além do que, eu não iria manchar a lâmina dela com sangue podre feito o daquele velho.

- Quem é você, guri?

- Quem sou eu? Meu nome é Dante, tio.

- Não me chame de tio, moleque! – ele bebia cerveja de um jeito nojento. – Não reconheço você como um parente... Nos conhece de onde?

- Não te conheço. – caminhei em direção da sala e me sentei no sofá. Na maior cara-de-pau, coloquei os pés na mesinha de centro. O velho detestou. – Mas conheço sua filha.

- Como é que é? O que está me dizendo?!?

- Desculpa, mas... Você tem problema de audição, tio? Não acho que falei tão baixo assim. Eu falei que conheço sua filha.

- Moleque desaforado!!! – ele bateu na mesinha de centro, ela trincou até a metade. – Como ousa sequer mencionar minhas meninas?!?

- Suas?!? Não fale delas como sendo sua posse; vai parecer que você é um pedófilo incestuoso. Dá cadeia esses tipos de merda, tio...

- Já aturei o bastante!!! Teodora, como permitiu que esse delinquente colocasse os pés imundos em nossa casa?!?

- Desculpe, querido... – dona Teodora tentou me ajudar. – Ele é o namorado da Maria...

- NAMORADO!?!?

Naquela hora, o velho Joshua explodiu. Os olhos mudaram de cor, e a cara redonda e gorda dele avermelhou de ódio. Sem mencionar que ele começou a suar; e cada gota de suor parecia cartucho de espingarda calibre doze de tão grande!!! Não me movi do lugar, mas eu já tava preparado pra qualquer reação da parte dele. Dona Teodora e a Dália vadia se afastaram, pois a coisa ia ficar feia.

- Você se diz “namorado” de Magdalena, mas você não é digno de sequer lamber o chão que ela pisa, seu verme insolente!!! Não criei minhas filhas pra serem vítimas de merdinhas predadores feito você!!!

- Ah tio, vou ter de discordar... – me levantei na maior paciência, preparado pro pior. – Você não as criou pra serem minhas vítimas, mas também não as criou pra serem seus troféus... Ou algo pior; vai saber, né.

- MOLEQUE INDECENTE!!!

Ele ergueu a mão pra me socar a cara; eu já esperava pelo soco olhando direto nos olhos dele. Cego de raiva e suando bicas, o velho Joshua acertou o primeiro soco. Doeu um bocado, admito; ele tinha a mão pesada. Logo imaginei o que a Mada sentiu, e fui acumulando aquilo em várias vezes. O sangue me subiu tanto, que a Rebellion se evocou sozinha, aparecendo nas minhas costas. Eu tava adorando imaginar o que eu iria fazer pra ferrar com aquele filho da puta.

Recuei uns dois passos com o soco, e cuspi um pouco de sangue que escorreu do corte que ganhei. Toquei de leve o lugar do soco e lambi meus dedos sujos de sangue. Dei um sorriso sacana pro velho Joshua, e vi que ele bufava, tremia de ódio incontido. Isso mesmo, bufa bastante; era bem desse jeito que eu o queria. Fervendo de ódio...

- Seu filho da puta insolente!!! Como ousa duvidar do meu respeito e carinho pelas minhas crias?!? Nunca em minha vida fui tão desrespeitado!!! Seu infeliz imbecil!!!

- Ah, a máscara caiu, velho Joshua? Te incomoda ter as feridas cutucadas? No fim das contas, por trás dessa pose de ricaço fodão você não passa dum bosta barrigudo, frouxo e covarde...

-Você vai engolir cada palavra que acabou de vomitar na minha frente, moleque!!! – ele começou a avançar, com uma aura assassina. – Moleques de rua delinquentes feito você tem como final a morte ou a cadeia!!! E pra você, eu decido a morte!!!

Ele catou um taco de golfe pra me atacar. Dona Teodora implorou por mim, chorava e gritava, e a vadiazinha tava gritando em um mais absoluto pânico. Ele gritava também, mandava as duas calarem a boca, mas tava complicado. Ele deu o primeiro golpe; me ajoelhei de dor. Caralho, aquele troço era duro e pesado! Assim que me viu de guarda baixa ele mirou minha cabeça. Filho da puta dos infernos! Fiquei zonzo, subiu uma vontade de vomitar na hora. A visão ficou duplicada e turva, e a cabeça ficou leve e o corpo pesou. Senti o sangue escorrer do supercílio direito, e não era pouca coisa! Sangrou tanto que tingiu minha visão já detonada. Tentei recobrar as forças, mas tava foda. Um golpe na cabeça deturpava todo o esquema de luta. Puta merda... Seria meu fim? De todo esse tempo lutando contra demônios, eu ia perder pra um gordo velho filho da puta?

O golpe também fodeu minha audição; eu escutava tudo picado e com sensação de som abafado. Eu não podia recuar, mas tinha que me defender, senão ele ia me matar naquela hora! Tentei buscar algo pra revidar, mas não havia nada de útil; então me restava a Rebellion e as meninas; Ebony e Ivory. Mas usá-las significava minha passagem pro inferno de vez... E eu acabaria matando o velho num piscar de olhos. Caralho, eu tava limitado e indefeso!!! Como eu odiava isso!!! E quando pensei em sacar a Ivory e atirar na perna do velho Joshua, um troço desgraçado aconteceu.

Dona Teodora se pôs na minha frente, e tomou uma tacada no braço.

Puta que pariu. Caralho. Puta merda.

Só escutei o osso do braço se quebrando, estilhaçando geral. O grito dolorido e agoniado da dona Teodora foi a única coisa a ser ouvida além do osso partindo. A expressão de dor absoluta dela foi o que enxerguei direito diante daquele rebu todo.

Cacete. Puta que pariu. Caralho.

Ela acabou caindo em cima de mim, com o braço destruído e quase desmaiando de dor. Meu Deus, o que foi que fiz pra merecer um sacrifício daquele tamanho?!?

- Dona Teodora!!! P-por que, dona Teodora?!? Caralho, o seu braço...!!!

- Você... N-não merece... Sofrer... D-Dante...

- Calma, dona Teodora!!! – fiquei desesperado. – Não se mexe, não fala nada, fica calma, tá ok?!? Puta merda, por quê???

- Você é... A felicidade... Q-que a... Maria... Tanto... Procura... – com um sorriso fraco e dolorido, ela estendeu com uma puta dificuldade o braço bom e acariciou meu rosto detonado. – P-por favor... Proteja... Maria... Por... favor...!!!

- Dona Teodora!!!! Aguenta aí, sogrinha!!! – eu ajeitei ela no meu colo, ela já parecia estar inconsciente. Fiquei ainda mais transtornado. – Dália, sua vagabunda inútil!!! Para de dar chilique e vem aqui ajudar sua mãe, caralho!!! Anda, sua filha da puta!!! Ela tá sofrendo, se mexe sua lesma!!!

Dália veio correndo acudir a mãe, e ambos colocamos ela sobre o sofá. Improvisamos uma tala pro braço, mas tava complicado de mexer, pois estilhaçou os ossos; necessitaria cirurgia pra reconstituir. Eu sentia o desespero de estar vendo uma mãe sofrer por mim; aquilo me ardia o peito de um jeito insano. Era como se eu estivesse perdendo minha própria mãe.

- Teodora?!? – o velho não acreditava no que a esposa dele tinha feito. – Meu Deus, Teodora!!! Por que defendeu esse merdinha?!? E agora estou manchado!!! Maculei sua imagem!!! Santo Deus!!! Ah, mas vou mata-lo com gosto, seu moleque! Você destruiu minha família!!!!

Eu tava cego. A raiva me impedia de enxergar qualquer coisa que não fosse o velho Joshua. Eu tremia, rosnava, sentia o sangue ferver e a cicatriz latejar. Minhas veias pulavam, meus músculos respondiam bombeando sangue, davam espasmos enlouquecidos. Em poucos segundos minha cicatriz deu um jeito na ferida da cabeça e logo voltei ao normal. Mas estranhamente, ficou a marca do golpe... Haja rancor pra ter deixado marca em mim...

O velho foi me golpear e alvejou minha cabeça mais uma vez. Apenas me defendi usando a Rebellion, e o velho caiu pra trás. Me virei e caminhei em sua direção, já com um ódio sem precedentes cintilando a alma:

- Você... Fez da sua família seu objeto de posse... Machucou sua filha... E agora teve a moral de machucar sua esposa. Seu velho gordo filho duma puta... Seu viado covarde... Vou ter comer vivo!!!

O olhar dele dizia tudo: pânico, fobia, desespero, impotência. Ele não imaginava que eu iria acabar com a raça dele; provavelmente sempre se orgulhou de manter tudo sob seu controle. E quando se viu sem isso foi apelando, achando que iria trazer tudo de volta ao seu normal. Ele só não contava com a minha raiva.

Dei-lhe uma cabeçada que arrebentou o nariz. Voou sangue; ele gritava desesperado e segurava o nariz destruído e ensanguentado. Um chute de bico afundou na sua barriga imensa e o fez voar longe, acabou estampado na lareira. A essa altura ele já tinha algumas costelas quebradas; pois se chocou contra uma lareira de puro mármore. Eu não queria ser ele naquela hora...

- Argh!!! Garoto, tenha misericórdia!!!

- Tá me zoando, “sogrão”...? – Eu o ergui pela gola da camisa facilmente. Ele ficou com os pés flutuando. – Eu falei que vou te comer vivo... A começar por agora. Bora ter uma dieta de minerais!

Catei sua cabeça e a afundei no chão. Como usei sem querer um pouco de força sobrenatural, afundou o piso. Arrastei aquela fuça dele pelo chão, e depois o arremessei janela afora. Só ouvi o vidro estilhaçando, e depois cachorros latindo e gritos de horror da vizinhança. Já estava mais calmo, e dei um suspiro.

- Pena que não posso soltar minha raiva de verdade... Senão você não teria durado nem meio segundo, “sogrão”. Fica a dica, viu?

Voltei minha atenção pra dona Teodora, e ela parecia inconsciente. Dália me olhava desesperada, e quando fui medir a febre da minha sogrinha, ela estapeou minha mão. Não titubeei; catei a maldita pelos cabelos e a puxei diante de mim.

-... Monstro! Você é um monstro!!!

- Pra começar, cale a sua boca, vagabunda. – eu ainda tava fervente da briga. – Tudo começou em você. Sua invejinha culminou nessa pilha quente de merda que você tá vendo. Assuma suas cagadas e responsabilize-se. Ou eu farei você assumir.

- Vai me espancar, como fez com meu pai...?

- Não seria má idéia... – fiz cara debochada, e logo mudei pra um olhar odioso. –Mas não sou como seu pai. Aliás, vocês dois se merecem! Deve ser por isso que ele sempre te prioriza; você é a cópia barata dele!

Joguei Dália no chão e saquei do meu celular pra chamar uma ambulância pra dona Teodora. Eu tinha obrigação de ajuda-la e protege-la; eu devia isso a ela. De repente ela abriu os olhos e parecia um pouco mais forte que antes. Estranhei tal fato, e fui dar uma olhada: ela tinha sangue meu espirrado na roupa. Será que foi isso que diminuiu seus ferimentos? A cicatriz proveu poder de cura pra ela através do meu sangue? Que troço louco; eu imaginava um trilhão de coisas e nada fazia lógica. Ela ainda estava com braço quebrado, mas conseguia suportar a dor um pouco melhor. Me sentei ao lado dela, preocupado.

- Dona Teodora, eu...

- Não se martirize, Dante... – ela sorriu fracamente e acariciou meu rosto de novo; eu me sentia indefeso quando ela fazia isso. – Você fez o que achou necessário, mesmo que por circunstâncias hediondas. Não aprovo sua atitude, mas também não lhe condeno. Era sua maneira de se defender das atrocidades de meu marido, e sinto muito que ele tenha te machucado e machucado a todos nós... Doeu muito?

Tal pergunta; tão simples e tão poderosa.

Me vi atravessado.

Dona Teodora mostrou um carinho e atenção de mãe mais uma vez. Eu não tinha mais como manter as estruturas, então eu chorei. Chorei como um moleque que acabou de sair duma briga besta e manteve a pose pra manter o orgulho. Mordi os lábios pra não fazer escândalo, fiz força pra não desmontar de vez, mas eu já tava fragilizado demais. Chorei de ensopar a blusa suja da dona Teodora; eu realmente tava um bagaço, agindo feito um bundão. Ela percebeu minha tristeza e só me acalentou, fez carinho da minha cabeça e deu colo como toda mãe fazia quando via seu filho sentindo-se desprotegido. A ambulância havia chego, juntamente com a polícia. A acompanhei o tempo todo, e fiquei vigiando Dália com o olhar; se caso ela disse qualquer coisa à polícia, eu iria mata-la. E ela sabia disso, por isso mentiu o depoimento inteiro. Pelo menos pra isso ela servia. Dona Teodora estava sendo repreendida pela enfermagem por estar tentando usar o celular. Ela apenas usou os lábios pra dizer “Estou mandando uma mensagem pra Maria... Tá tudo bem!”.

Acenei com a cabeça e fui terminar de resolver o resto. Olhei pra fora e vi o que seria o resto do velho Joshua. A ambulância teve de requisitar a UTI móvel pra ele; tava todo esbagaçado.

Eu tinha finalmente me vingado. Acabou. Mas e agora?

Notas finais
Gente, perdão da demora!
Fui engolfada pelo horror de escrever sobre estupro (é terrível; fica moquiado no cérebro assombrando sempre), então tirei um tempinho pra ver, ler, jogar, e ouvir coisas felizes. ( ^‐^)_且~~
Agora, com uma insônia meramente ilustrativa me assolando, aproveito para postar o mais novo capítulo que conclui esse drama do Dante x sogro!
Tá enorme esse capítulo, quem me visse pensaria que estava sob efeito de drogas, de tanto que escrevi sem parar. (╯°□°)╯︵ ┻━┻
Espero que gostem, e já me preparo para os próximos, que serão teeeeensos. XD
Abraços, até mais! ♥