DmC 5: Stairway To My Heaven
13 3º Dia, por Dante: O Limbo.
Notas iniciais
Baixei minha guarda."
Não queria que amanhecesse.
Eu sabia que se a porra do sol surgisse no céu ela iria embora. E eu não queria que Mada fosse embora. Maldição... Por que tinha de amanhecer?
Eu tava me sentindo estranho. Me irritava saber que ela tava voltando pra casa dela, e eu passaria o resto do dia longe dela. Me ardia o cérebro saber que o noivo dela estava com mais chances que eu de se aproximar dela, mesmo ele sendo um verdadeiro bosta. Me dava tremedeira de raiva saber que o pai dela era um genuíno monte quente de bosta... Caralho, mas que ódio que eu tava sentindo de tudo aquilo!
Desta vez insisti em ir junto. Ela até tentou argumentar, mas perdeu feio (sabem como é, tenho lá meus meios de desarma-la...). Prometi que não faria nenhuma cagada que comprometesse nosso segredo, mesmo que eu estivesse na vontade de gritar na fuça do velho dela o seguinte: “Comi tua filha e to afim dela; portanto vá se foder, sogrão!”. Heh, isso seria o ápice do épico a se fazer!
Ela foi segurando minha mão por todo trajeto, com os dedos entrelaçados. Eu nunca tinha andado de mãos dadas com ninguém; só me lembro de apenas ter andado assim com a minha mãe. Porra, eu tava experimentando situações que eu jamais imaginei que fosse vivenciar de novo... Tava complicado não ficar molenga por causa disso...
Chegamos num bairro do tipo “familinha feliz da casinha de madeira”. Parecia filme; era surreal demais! Até a casinha de cachorro de algumas casas eram mitológicas; que só se veria num filme vagabundo de fim de tarde. Eu queria me acabar de dar risada; tava até lacrimejando... Mas me segurei o máximo que deu e depois fiz um esforço a mais e engoli minha crise de riso, senão Mada ia ficar uma fera comigo!
-Chegamos! Minha casa é aquela ali, ó! – ela apontou pra uma quadra, em direção à maior casa que tinha. – Acho que daqui já posso ir sem traumas.
-... Vai mesmo embora?
- Ah vá, seu besta! – ela deu um risinho e um sopapo no meu braço. Nunca que um sopapo tão fraco doeu tanto. – A gente não tá se separando, tô só indo pra casa!
Ela não tinha entendido o que eu quis dizer. E na verdade nem sabia o porquê eu tinha dito aquilo. Eu tava me sentindo vazio de novo, e desta vez aquele vazio tava doendo. Doendo tanto a ponto de me deixar transtornado, quase a ponto de chorar. Que merda era aquela? Eu quase desabando no choro? Caralho, pra que rumo esse sentimento pela Mada tava me levando?!?
Tentei segurá-la mais um pouco, até pensei em agarrá-la e sair correndo, mas não consegui. As pernas tinham travado, minhas mãos ficaram geladas e pesadas. Só vi minha bonitinha me dando as costas, e indo pra onde eu ainda não podia acompanhar. Assim como foi com a minha mãe...
Mas estranhei quando vi Mada congelar no meio do caminho. E mesmo de longe, eu conseguia vê-la tremer... Quando vasculhei ao redor com o olhar, vi uma garota, meio parecida com a Mada, diante da casa dela. Provavelmente deveria ser a irmã dela... Será que ela nos viu?!?
Caralho... Se ela nos viu, isso ia dar um puta B.O sem tamanho nem nome pra Mada! Merda, e agora?!? Eu disfarço e saio andando, cumprimento e dou um risinho, saio correndo...? Puta que pariu; pela primeira vez na vida não sabia o que fazer!!! Eu tava travado no meio da rua, cacete!!!
Pra minha sorte, Mada olhou pra trás discretamente e acenou com a cabeça, dizendo pra que eu saísse andando de boa. Sem dizer uma palavra nem olhar pra lado algum, saí andando. Eu tava num cagaço que só senti quando eu acordei da amnésia e me vi sozinho no orfanato. Puta merda, que adrenalina ruim...
E o pior era que eu tava preocupado.
Mada certamente tava numa enrascada, e dessas que torturava a cabeça de qualquer um. A cara que a aquela garota fez era tão sinistra que tava óbvio que ela ia usar o que descobriu pra tudo que pudesse imaginar ser possível a seu favor. Cara de menina chantagista do caralho... Eu queria dar meia volta e vigiar Mada, mas prometi não arrumar confusão. Mas eu tava irritado, me sentindo de mãos atadas numa promessa escrota que poderia prejudica-la num nível foda demais pra consertar depois... E ainda tinha um fator que eu só fui lembrar por que fui tragado no meio do caminho pra casa: O Limbo.
Distorção do espaço-tempo ao meu redor, calor insuportável. Fedor de enxofre, sangue e lava. Um mesmo lugar, mas que ao mesmo tempo não era. Um universo onde eu era o caçador de demônios Dante, e nada mais.
Vivem tentando me matar, e talvez pela razão de que nunca tive certeza se sou realmente humano. Já me feri inúmeras vezes; já tentei até o suicídio, mas tinha algo em mim que não me deixava morrer, pelo menos não pelos métodos mais óbvios. O que mais intrigava era a cicatriz que tenho nas costas... Ela parece aquelas escarificações tribais, um troço esquisito que me permitia cura instantânea, isso sem mencionar a força absurda que tenho e a invocação da espada que tecnicamente era do meu pai; a Rebellion.
Eu sempre soube que ela era minha por direito. Era uma espada viva; eu a sentia respirar e responder a tudo que eu desejasse fazer. Quando a evoquei pela primeira vez, senti ressoar seu nome, como se a gente já se conhecesse a mais tempo do que se supunha. Eu não me importava pra isso, pois ela sempre me defendia e nunca questionei o porquê dela literalmente brotar das minhas costas. Eu só queria lutar e me defender, e a Rebellion fazia isso por mim lindamente.
Era hora de matar uns demônios fedorentos. Brotavam do chão; vinham pelo ar. Eu sempre fui prevenido, e já vim com as minhas “meninas” prontas pra hora do show: Ebony e Ivory, minhas pistolas anti-demônio. Logo me surgiu o sorriso sádico de sempre no rosto e comecei meu trabalho de extermínio, me divertindo com cada morte sem ao menos suar e me preocupar. Cada golpe era como se eu sentisse uma alegria imensa, eu sentia que nasci pra fazer aquilo. Não me perguntem do porque, mas Ebony e Ivory nunca precisaram de recarga de balas, eu sempre atirei à revelia sem me preocupar com isso... Era realmente uma arma de capacidade sobrenatural. E adorava o estilo delas; as minhas duas meninas. Agora eram três né... Heh!
Levou um bocado de tempo, mas acabei com meia-dúzia de demônios meia-boca. E claro, eu tava meio arrebentado, e ficaria foda de explicar pra Mada se caso eu aparecesse fodido daquele jeito. Que hora pro Limbo vir incomodar! Caralho! Mas aquilo fazia parte da minha vida deturpada, e eu não queria esconder, principalmente porque não tinha como esconder. E não queria ter segredos, Mada não merecia. Ela não merecia viver se perguntando o porquê eu sumia assim do nada e voltava todo esfolado e fedendo a sangue e enxofre. Pior que isso, só o fato de ela estar na minha vida já era noção total de perigo.
Corria-se o risco de os demônios tentarem dar um fim nela só pra me atingir... Talvez até pior. Me dava calafrios pensar nisso, meu peito doía num aperto esquisito, que sufocava e parecia esganar a garganta. Meu cérebro começou a divagar pra longe nessas paranoias, o que me custou uma lança enferrujada enfiada no ombro. Caralho, como aquilo ardia... Demoniozinho filho da puta...!
Avancei sem dó; atirei até os dedos darem câimbra. Finalizei com um golpe da Rebellion, no melhor estilo quebra-crânios. De repente, as coisas começaram a voltar ao normal. Pelo visto, eu tinha eliminado o último merdinha daquela ida ao Limbo, então me restava ir embora pra casa tratar das feridas. Isso era a única coisa que não sumia junto com aquele universo deturpado: as feridas...
Cheguei no trailer me arrastando, arranquei as roupas e fui direto pro banho. A cicatriz nas minhas costas brilhou e me fez o divino favor de curar as feridas mais sérias, mas os hematomas e os cortes superficiais ardidos ainda iriam me dar trabalho. Cacete, como era penoso tomar banho quente tendo esses cortinhos! Era quase como queimar a língua quando mordia uma batata frita que acabou de ser servida: o meio tá sempre fervente. Foda de aturar...
Busquei alguma coisa pra tomar na geladeira; só tinha refri. Eu esqueci de reabastecer de cerveja, mancada minha... Mas com a Mada por perto, eu virava “bom menino”; me esquecia de beber, chapar e comer mal. Era engraçado como eu me transformava, me comportava como outra pessoa nada a ver: eu ficava mais bobão, largava a imagem de fodão revoltado só pra agradar ela. A única coisa que eu mantinha – isso por que era impossível não se comportar dessa maneira perto dela-, era o jeito tarado e sem limites. Ela fazia essa mágica em mim, mal sei explicar o porquê. Ela tava se tornando parte da minha história, parte da minha vida, e eu queria que nada disso fosse maculado. Mas a cada descoberta, tava ficando cada vez mais difícil a chance da gente poder ficar junto de fato... Não, pera... Que é que eu tô pensando?!?
Notas finais
Finalmente terei tempo para escrever de forma apropriada! Hoorray!!! o/
E para comemorar, um combo de capítulos vem por aí! Espero que gostem!
Abraços! ♥
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