DmC 5: Stairway To My Heaven
14 3ª Noite, por Dante: Agora Fodeu.
Notas iniciais
A ficha caiu.
Eu devia estar parecendo um idiota; segurando a lata de refri completamente estático, olhando pro vazio e boquiaberto, atordoado pelo que havia acabado de perceber. Eu tava APAIXONADO pela Mada.
Senti como se o chão tivesse se despedaçado debaixo dos meus pés, uma sensação de estar flutuando e sem um apoio fez minhas pernas fraquejarem, e fiquei zonzo. Eu não conseguia manter a visão focada e nítida, era uma embriaguez mental muito louca! Procurei uma cadeira pelo trailer já meio desesperado, e me sentei sentindo falta de ar. Não queria acreditar no que tinha acabado de notar; não imaginava que eu, com tudo que já vivi e acredito, cheguei a esse ponto: me apaixonar por alguém. Agora fodeu!
Eu tava apavorado. Era uma coisa que eu não sabia lidar, era uma novidade escrota demais pro meu gosto. Puta que pariu, então era aquilo?! Sentir-se apaixonado, sentir amor por alguém que não fosse sua mãe ou alguém de família?! Caralho, eu tava assustado! Era um troço estranho, desmedido, sem noção; confuso pra cacete! Eu sofria por ter a Mada comigo, mas sofria o dobro sem ela! Queria vê-la feliz, nem que pra isso eu tivesse que me matar. Não conhecia limites quando estava com ela, mas me controlava pelo bem dela... Queria protege-la de tudo, queria ser capaz e ir mais além do que já consigo ir pra poder mantê-la segura. E não dava mais pra considerar Mada só uma ficante; eu queria poder dizer pra quem quisesse ouvir que ela era minha namorada. Sim, minha namorada. Minha garota, e de mais ninguém...
Me vesti o mais rápido que pude, tranquei o trailer e resolvi encarar a família dela. Pois é, eu iria me apresentar e enfrentar as feras! Tava num cagaço enorme – afinal, sempre resolvi meus perrengues na porrada; argumentação era meu fraco-, mas pela Mada eu tava disposto a engolir alguns sapos e acertar as coisas de forma civilizada. Mal percebi, mas eu tava com um sorriso confiante na cara. Pela primeira vez na vida eu tava na razão de que tava fazendo algo legal, de que não iria ter que arrebentar ninguém pra ser ouvido e respeitado. Acho que tava amadurecendo; virando homem só pra variar... Heh!
Peguei o táxi do Jeff e passei o endereço da casa da Mada. Eu tava nervoso, numa ansiedade escrota. Eu olhava pela janela todo o movimento da cidade, tendo mil e um tiques que eu achava que iriam me acalmar. Eu ficava imaginando as possibilidades, do que poderia acontecer quando eu aparecesse e dissesse o que tava rolando... Eu tentava me preparar o máximo que podia pra que não cometesse nenhuma cagada; desapontar a Mada estava fora de cogitação.
Quando chegamos no bairro, desci às pressas do táxi e saí andando num passo acelerado até chegar na última quadra onde a Mada e eu nos despedimos. Eu tava meio ofegante, ansioso, completamente alterado. Minhas mãos estavam geladas, e meu coração tava parecendo que ia explodir. Olhei pros lados, e tentava não chamar atenção, mas tava complicado. Respirei fundo, ajeitei a postura, e comecei a caminhar em direção àquela casa insana de tão enorme.
Durante o caminho, eu percebia olhares e cochichos, mas fui ignorando pra não ficar ainda mais pilhado. Quando me vi diante da porta, eu tava tremendo. Cacete, como eu tremia! Olhei pra minha mão, e ela parecia vibracall de celular; tava tenso de controlar. Não deu outra; tive que dar um tapa na minha própria cara pra ver se eu conseguia me domar! Antes de apertar a campainha, fui repetindo mentalmente: “Dante, você não pode fazer cagada, e não seja um cuzão!” e depois de todo esse preparo psicológico amador, resolvi tomar as devidas atitudes. Mal dei o terceiro toque da campainha e a porta se abriu; uma mulher branquela, de olhos verde acinzentados e com aparência de quem dormiu muito mal foi quem atendeu. Provavelmente era minha sogra...! Caralho, meu coração subiu goela acima. Meu cagaço foi tanto que achei que fosse vomitar a pizza que eu comi mais cedo...
- ... Pois não?
- Oi, senhora. A Mada... Não, digo; a Magdalena mora aí? – a mágica do “bom menino” me atingiu na hora...
- Quem gostaria de falar com ela? – a mulher tava falando tão baixo que cheguei a pensar se eu tava ficando surdo ou se ela era aquela coisa morta mesmo...
- Meu nome é Dante, senhora.
- Temo que ela não vai poder lhe atender... – ela parecia que ia começar a chorar a qualquer segundo. – Houve uma emergência e... Ela teve de ser hospitalizada...
-... ! – não escondi o espanto e o medo. Que caralhos tinha acontecido?!? — E a senhora pode me dizer em que hospital ela está?
- ...Mesmo que tenhamos combinado entre nós de não comentar com terceiros, — O olhar da mulher parecia realmente morto; tava opaco e com uma expressão de quem tava pedindo socorro. – posso crer que você seja uma pessoa muito importante para ela, assim como creio que ela seja o mesmo para você. Ela está hospitalizada no Hospital Madre Deus; sabe onde fica?
- Sei sim senhora.
- ...Ótimo. Pergunte na recepção pelo quarto de Maria Magdalena Joshua, e acrescente que você foi autorizado pela mãe da mesma. Caso perguntem, meu nome é Eva Teodora Johnson-Joshua.
- ... Valeu, senhora. Prometo cuidar bem da sua filha. – logo me virei pra ir até o hospital, mas senti uma mãozinha magra e gelada tocando meu braço. Assustei.
- Posso lhe pedir uma coisa, é... Dante, né? – acenei com a cabeça pra confirmar; a mulher sorriu de um jeito fraco pacas.
- Se estiver no meu alcance, com certeza que eu atendo...
- Proteja minha Maria, por favor...! –ela implorou com a voz embargada e os olhos mergulhados em lágrimas. – Ela é uma menina frágil, sozinha neste mundo corrompido... E por termos lhe negado a verdade sobre o mundo por toda a vida dela é que acabou chegando ao extremo que chegou!
- Que extremo é esse, senhora?
- ...! – Ela fez cara de quem tinha falado demais.
- Que extremo foi esse?!?
- ... Ela apanhou do pai... Foi horrendo... Ela se encolheu, tentou se proteger, mas não deu... – a coitada da mulher começou a chorar e quase caiu de joelhos; amparei a queda. – Ele bateu sem medir a própria força... Feriu-a seriamente... Foi um horror... Sangue pelo chão... Ela desmaiando... Oh Deus! Perdão, meu Deus!!!
Puta que pariu... Caralho. Puta merda... Ai meu cacete.
Eu tava passado; pior que isso, eu tava nulo por dentro. Me deu um troço esquisito no peito e meu sangue ferveu; minha cabeça esvaziou geral. Eu fiquei oco. Não conseguia processar aquela informação toda, era muita bosta junta pra aturar duma vez. Eu comecei a tremer da cabeça aos pés, mas lutei contra aquilo pra não assustar a mulher, que já tava fragilizada demais. Em contrapartida, comecei a ranger os dentes, e senti minha cicatriz das costas esquentar loucamente. Eu não sabia o que pensar.
A Mada apanhou até cair. E a culpa era minha.
Agora fodeu.
Notas finais
Espero que gostem desse Dante mais fragilizado, mais perdidinho... Hu hu hu!
Mas calma que não vai ficar essa melosidade não, ok? :3
Até o próximo! ♥
Abraços!♥
Fale com o autor