DmC 5: Stairway To My Heaven

15 3ª Noite, por Dante: Trauma.


Notas iniciais
"Nunca tive nada que valesse a pena.
Todos que chegavam perto de mim sofriam ou se machucavam.
Eu era a fonte do problema, sempre...
Mas desta vez não dá pra ignorar."

Eu me sentia com febre.

Eu tava tão puto, mas tão puto que eu sentia que tava com febre. Eu tava alucinado: queria matar, esfolar, retalhar, espancar, quebrar, picotar, vaporizar, destruir. E queria fazer isso umas dez vezes de cada coisa.

Aquele porco filho da puta... Como ele teve colhão pra levantar a mão contra a própria cria?!? Pior que isso; contra uma menina?!? Mas era um viado de merda, desgraçado do caralho, um covarde miserável cuja mãe deu o cú pro capeta! Tenho certeza que minha vida foi uma bosta, mas NUNCA bati numa mulher! NÃO se bate em mulher!!! Nada justifica levantar a mão contra uma mulher!!! Argh, quanto mais eu pensava, mais o ódio me subia o sangue! E o que mais me irritava era saber que ele era o pai da Mada... Ele era meu suposto “sogro”!!! Puta que pariu, que raiva que eu sentia!!!

Eu tava elétrico, mas precisava me acalmar; pois tava a caminho do hospital. Não queria causar mais merda do que já causei; acho que não teria pique suficiente pra saber que Mada sofreu ainda mais só por que foi vista comigo. Minha única felicidade verdadeira poderia sumir só por ter chegado perto de mim. Puta ironia...

Cheguei na recepção do hospital, e obviamente que todo mundo reparou em mim, o moleque grandalhão mau encarado dos coturnos sujos. Os seguranças já ficaram de olho, achando que eu ia causar alguma merda; ficavam rodeando o perímetro da recepção sem a menor discrição. Eu já tava começando a me irritar, e antes que aquilo virasse confusão, recebi as informações da moça o mais rápido possível e fui direto pro elevador sem olhar pra lado nenhum.

Ela estava no terceiro andar, no quarto 416. O cheiro de desinfetante hospitalar era nauseante; cacete! Que troço ruim de aguentar; ardia o nariz e dava ânsia... Mas eu tava aturando tudo por causa da Mada. O quarto era particular; coisa de quem tinha grana pra pagar pela sua privacidade. Entrei e olhei direto pra cama; senti uma puta vontade de chorar: a Mada tava bastante machucada, e pior de tudo era que ela ainda tava inconsciente. Eu não conseguia acreditar no tamanho do estrago que ele causou, o velho devia tá muito maluco. Dei a volta na cama e sentei numa poltrona de acompanhante que tinha no quarto, e fui inocente o suficiente pra começar um monólogo; escroto da minha parte, mas achei que precisava fazer aquilo.

-... E aí. – me ajeitei na poltrona, o estofado fez uns barulhos idiotas. – Você parece mal pacas...

-... ... ...

- Sinceridade, to me sentindo babaca em estar falando meio que sozinho aqui... –Fiquei sem graça com a situação, a ponto de coçar a cabeça e ficar sem jeito. – Mas acho que você consegue me ouvir legal, então bora lá. Só direi uma vez e espero não ter de assumir depois!

Respirei fundo, e olhei pra Mada. Cada ferimento, cada hematoma que eu descobria me doía a alma, eu ficava ainda mais puto que antes. Não dava pra segurar tanta raiva.

“Sabe, bonitinha... Eu nunca fui um cara chegado a envolvimento, por que sempre achei que nunca vale a pena se prender a alguém se você sabe que um dia tudo acaba. Nem vou te explicar o por quê disso, por que nem eu mesmo sei, mal lembro da minha infância direito... Mas foda-se, Não to aqui pra ficar miando sobre meu passado e minhas ideias. O assunto aqui é você, e acabou.

Quando a gente se esbarrou lá na boate, pra mim você era mais uma garota que eu iria comer de boa e esquecer assim que acordasse no outro dia. Mas isso não aconteceu; a gente trepou e eu acabei meio viciado em você, entende? Sempre que batia uma vontade de transar, era você que aparecia na minha cabeça. E sabendo que você tinha uma vida diferente da minha, me dava uma angústia do caralho; eu trepava com várias vadias imaginando que elas eram você... Mas não era a mesma coisa! Elas não gemiam como você, não agiam como você, não correspondiam como você... Tava foda aturar de boa sua ausência. E quando você apareceu toda louca da vida por causa da mensagem que te mandei, não posso deixar de admitir que fiquei contente. E ver você aqui agora, toda fodida, machucada e sofrendo só por que saiu comigo me deixa irritado, manja? Não consigo aturar uma coisa dessas. Por isso, fique boa logo... Garota minha não desaba fácil, falou?”

Me levantei depois de um suspiro de alívio, pois tinha dito o que tava sentindo. Queria poder ter falado mais, mas achei que iria me embananar todo e iria ficar falando merda sem lógica. Acariciei o rosto castigado de Mada, e me corroeu o cérebro sentir os calombos, os hematomas e os cortes. Queria que meus poderes pudessem curá-la... Naquela hora eu não me importaria de ceder minha cicatriz das costas pra ela melhorar.

Mas tudo que pude fazer foi dar um beijo leve nos seus lábios inertes e ir embora...

Quando me virei pra olhá-la mais uma vez; me bateu uma puta alegria besta: Mada tinha escutado e entendido o que falei e fiz. A prova disso eram as lágrimas que rolaram de seus olhos, mesmo fechados. Sabendo disso, acho q era desnecessário qualquer outro esforço; eu tinha certeza de que Mada seria a mulher da minha vida, a mãe dos meus filhos. Sim, eu queria ser pai e agir do jeito que acredito que meu pai agiu enquanto morávamos juntos. Não sei como, mas tenho lá minhas suspeitas...

Enquanto eu saía do hospital, eu não conseguia enxergar o ambiente ao meu redor. Eu tava consumido num ódio peçonhento; queria dar o troco. Trombei numa enfermeira, a coitada barrou meu caminho sem querer. E mesmo eu parecendo um monstro aos olhos dos outros, ela me encarou nos olhos e me questionou:

- Você veio visitar alguém muito importante pra sua vida, não é?

-... Não te interessa.

- Oh, perdão da intromissão. – ela sorriu como se já soubesse quem eu tinha vindo ver. Fiquei intrigado. – É que não pude evitar a curiosidade. Não são todos os dias em que uma pessoa vem para visitar um ente querido e sai do quarto tão transtornado de ódio...

- E isso te incomoda, por acaso?

- Não, muito pelo contrário. Só acho que o ódio só nos leva ao abismo... Melhor dizendo; nos leva ao inferno.

- Desculpa te desapontar, enfermeirinha... – deixei um sorriso sádico escapar. – Eu já sou um morador de longa data por lá.

Deixei a enfermeira com os seus pensamentos e segui meu rumo, pronto pra começar uma confusão. Eu ia colocar as coisas nos seus devidos lugares... A começar pelo meu “querido” sogrão...

Notas finais
Ok, são capítulos miúdos, mas com "significância"...Ou não. =w='
Agora, com mais tempo, poderei escrever mais e com mais calma, e assim as situações se desenrolem melhor. :')
Espero que gostem! ♥
Até o próximo! ♥