DmC 5: Stairway To My Heaven
16 4º Dia, por Dante: Temporada de Caça.
Notas iniciais
Mas usarei num ser Humano... Será que vai dar?
Mas que se foda, não vou sossegar enquanto nada se resolver..."
Voltei pro píer obcecado. Queria a cabeça do maldito velho numa bandeja; com pedaços faltando. Entrei no trailer e acabei capotando num sono pesado; a raiva era tanta que dava exaustão. Acordei horas depois determinado a tomar minhas providências; então tomei um banho, me vesti, catei a Ebony e a Ivory e catei meu celular – a única coisa que costumava esquecer de pegar, sempre – e logo saí pra rua novamente, desta vez pra caçar o filho da puta do meu sogro.
Tá legal, também tava achando esquisito esse negócio de chamar o cara de sogro, mas infelizmente essa era a verdade! O pavê de merda ambulante era pai da minha garota, e como eu tava querendo compromisso (puta que pariu, como isso soava fora da realidade quando eu falava...), não tinha como dizer algo diferente; até por que não conheço nenhuma palavra similar ao termo...
Voltei ao bairro onde Mada morava e desta vez eu não tava com crise de ansiedade. Muito pelo contrário; eu tava era ansioso pra sentar a porrada. Toquei a campainha, e como eu suspeitei, mal tocou a terceira vez e a porta se abriu. Quem atendeu foi a garota com cara de chantagista; a irmã da Mada. Vadia...
- ... Pois não?
- Vim fazer uma visita pra dona Teodora. Ela tá aí?
- Da parte de quem?
- Meu nome é Dante.
A garota me deixou entrar e fiquei esperando no hall de entrada. Ela ficava me olhando de um jeito bizarro; como se nunca tivesse visto um cara na vida. Era a primeira vez que eu sentia nojo dum olhar de mulher pra cima de mim. Uns minutos depois ela voltou acompanhada da dona Teodora, que parecia ainda mais abatida e maltratada. Ela abriu um sorriso fraco e me recebeu com toda atenção:
- Olá, Dante... Como vai?
- Indo, dona Teodora... – a gente se cumprimentou, porém ela foi extremamente carinhosa; fiquei sem jeito. – E a senhora, como é que tá?
- Juntando forças aqui e ali, sabe como é... E Magdalena, você a visitou?
- Sim, fui ontem.
- E ela está... Consciente?
- Não tava não, senhora. –senti o peso da dúvida na voz da mulher; pelo visto ela não conseguiu ir ver a filha. – Ela tava sedada e tendo os ferimentos tratados.
- Entendo... – ela baixou a cabeça, resignada. – Aceita algo para beber? Um chá, um café, ou uma água...
- O café seria de boa...
Dona Teodora acenou para a filha chantagista, que se aproximou da mãe pra atender o que seria pedido. De repente, ela saiu em passos acelerados e voltou logo em seguida, com um sorriso doente na cara. Eu tava detestando ficar no mesmo lugar que ela; caralho... Mas eu tinha prometido caçar o merda pai, e não a merda filha. Me segurei e mantive a educação; se bem que tava ficando cada vez mais impossível...
Uma empregada trouxe uma bandeja enorme, não somente com os cafés pedidos como também lotado de doces e petiscos. Fui servido primeiro, e logo em seguida dona Teodora foi servida. A vadiazinha se serviu, e fez questão de sentar do meu lado. Puta que pariu, que provocação...
- Você e Magdalena se conhecem... Há quanto tempo, Dante?
- Há um tempo. – não tive coragem de contar a real. Ela não merecia mais perturbação.
- E... Você tem quais intenções acerca dela?
- Antes, era só curtição. Mas atualmente, ficou um negócio sério, dona Teodora.
- Você... Gosta da minha filha, Dante?
- Gosto muito. – Eu mal percebi que tinha deixado um sorriso acanhado escapar.
- Seu olhar não deixa dúvidas de que você gosta realmente dela... – dona Teodora parecia aliviada. – Só desejo o melhor pelo bem de Maria, mas se ela escolheu se arriscar por você, acredito na decisão dela.
-... A senhora já sabe da gente?
- Sim... Mas infelizmente descobri da pior maneira. – ela olhou discretamente pra filha degenerada que tava do meu lado. – E isso culminou na desgraça que nos assola neste momento.
- Não sei o que dizer pra senhora...
- Não se torture, Dante... – ela se inclinou com leve dificuldade, mas se aproximou e segurou minha mão. – Se Deus quis que vocês se encontrassem e se gostassem, quem somos nós pra Contrariá-lo...? É uma situação desconcertante e cruel, mas se houvessem outras maneiras de tudo ter sido constatado, já teria acontecido...
- Sinceramente, dona Teodora... As coisas não funcionaram assim. – Eu tava me sentindo babaca por estar escondendo a real pra minha sogra; resolvi contar. – A Mada não tinha intenção de nos assumir tão prontamente como a senhora acredita. Pra ser mais exato, acho que se não fosse por essa loucura toda acho que nosso lance não duraria mais um dia sequer, ou talvez seria um segredo a longo prazo. Todos nós erramos, e esses erros tão dando dor de cabeça pra todo mundo. Eu to errado desde o início, pois levei ela pra cama sem ao menos perguntar seu nome direito.
- Oh, Deus do Céu! – dona Teodora arregalou os olhos verdes e ficou boquiaberta; acho que eu tinha falado demais...- Mas vocês já...?!?
- ... Pois é, dona Teodora. Já fizemos sim.
- Santa Maria Mãe de Deus! Como o tempo passa...! Magdalena já é uma mulher feita... Oh, Senhor...! – depois de conjurar todo panteão cristão, ela voltou a si. – Por favor, me digam que se preveniram!?!
Por essa eu não esperava. Dona Teodora tava mais preocupada com uma gravidez ou algo do tipo do que com a “honra e integridade” da filha? Que negócio louco foi aquele que testemunhei?!? Cadê a mãe alienada que a Mada tinha me contado?!? Eu tava perdido, não conseguia associar o relato à pessoa. Gaguejei e fiquei meio confuso, não tinha como esconder. A outra filha tinha até engasgado com o café depois de ter ouvido o que eu disse. Tava polêmico o clima...
- Espera um pouco, dona Teodora! Tô perdido aqui...
- Sei que pareço alheia à tudo, mas sou uma dona de casa, Dante... – ela deu um sorriso leve, bem sorriso de mãe mesmo. – Conheço minha família nos mínimos detalhes, afinal sou responsável pelo bem estar de todos. E por ter duas filhas, tenho pleno controle sobre o que elas possuem, fazem e escondem. Me esforço pra não interferir, mas meu marido não é um homem que costuma ponderar... Por isso, a ignorância é uma bênção quando se convém...
Ela era uma mulher esperta, apesar de fraca. Heh, com uma sogra dessas, quem precisa do resto? Mas eu ainda queria o babaca do marido dela. E falando nele, onde tava o safado?
- Entendi a senhora... Mas pra matar a curiosidade... Cadê o senhor Joshua?
- Ele foi à uma reunião presencial da empresa; em meia hora ele retorna. – mesmo com dificuldade de se locomover, ela tentou se levantar do sofá. Ajudei sendo um apoio. –Caso queira conversar com ele, fique à vontade para permanecer o quanto quiser, Dante. Mesmo sendo em circunstâncias tão tristes, gostei muito de conhecer você. Apesar de aparentar possuir má índole, você é naturalmente um bom rapaz...
As palavras da dona Teodora apertaram um gatilho dentro de mim. Ela foi a segunda pessoa que mostrou sentir confiança em mim, e isso me acendeu ainda mais. Abri um sorriso simpático e aceitei ficar o tempo que precisasse, pois as circunstâncias estavam assoprando a meu favor.
Posso não ter visto, mas percebi que a vadiazinha da filha chantagista soltou um sorriso de satisfação; afinal ela tava de olho em mim desde a hora que eu botei os pés dentro da casa. Dona Teodora foi providenciando tudo que eu fosse precisar enquanto o grande senhor Joshua não apareceria. Eu precisava de um banho, um rango e de um descanso. Queria estar no jeito pra fazer tudo que precisava pra compensar toda a dor e sofrimento que a Mada sentia. A vingança seria plena, completa e sem restrições. E o melhor?
Eu iria caçar minha presa na toca dela...
Notas finais
As coisas tomaram rumos sombrios, E vai ganhar o ambiente q o jogo sempre oferece: violência, sobrenatural e reviravoltas!
Aguardem!
Espero q gostem, e até a próxima! ♥
Abraços! ♥
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