DmC 5: Stairway To My Heaven
3 2º Dia: Um Segredo Só Meu. Part I
Notas iniciais
Não quero mais voltar. Não quero mais mentir. Não quero mais fugir.
Simplesmente não quero mais nada.
É muito egoísmo, mas não me vejo abrindo mão da minha mais nova felicidade.
2º Dia: Um Segredo só Meu: Part I
Dante “gentilmente” me acompanhou até o hotel; e claro que fui agarrada, beijada e molestada das mais variadas formas por ele pelo caminho. Subimos até meu quarto sob protestos, já que a gerencia não aceitou com bons olhos o fato de eu ter ido passar a noite em outro lugar que não no hotel (não sei definir isso como retardo mental ou amor à empresa...). Nem sei por que estavam reclamando, as diárias já estavam mais do que bem pagas...
Ao chegarmos lá, Dante não escondeu o sarcasmo disfarçado de espanto:
- Olha só quem diria! É cheia das granas! – ele olhava minhas compras com uma expressão de supervisor. – Deve ser bancada pelo papai, né não?
-... Desculpe se minha família é abastada... – resmunguei ironicamente, com cara de desdém.
- Mas e aí? – ele enlaçou minha cintura e ficou me dando leves selinhos nos lábios. –Como a gente vai se ver? E quando a gente vai se ver...?
- Eu nem sei o que farei com todas essas compras... – respondi com dificuldade; eu não tinha resistência para as investidas dele. – Não posso leva-las pra casa, mas não quero me desfazer delas...
Ainda abraçado à minha cintura, Dante olhou para as sacolas, com um ar intrigado, para logo em seguida expressar um nível de maldade que me deixou assustada:
- Ah, então você não vai mais ter problema!
-... ?
- Suas compras vão ficar lá no meu trailer... Se quiser usar alguma coisa ou levar alguma coisa, você vai ter que vir buscar...
Petrifiquei. Dante simplesmente criou um meio pitoresco de me aprisionar! E o pior é que eu não parecia me importar, estava completamente rendida pelos encantos- mesmo que rústicos e brutos- dele. Não conseguia pensar em nada melhor, então me restou concordar com a ideia insana que ele ofereceu. Apesar de o medo me invadir o estômago, eu estava adorando; eu queria aquela sensação de estar fazendo algo errado, algo que realmente iria aborrecer meus pais de uma forma enlouquecedora. Mas eu tinha de ir devagar, pois ainda temia as reações, não tinha psicológico pra enfrentar tamanha reprovação.
Fui tomar uma ducha e me arrumar para retornar pra casa. Dante não se deu por satisfeito e invadiu o banheiro sorrateiramente; quase escorreguei no box de susto: ele apareceu já sem roupa, com o sorriso mais mal intencionado do mundo. Senti um calor imenso invadindo meu corpo, e não era proveniente da água quente do chuveiro...
- Tem lugar pra mais um nesse chuveiro?
- Não sei... – resmunguei, tentando disfarçar meu descontrole. – É um box grande, se quiser tentar...
Quando dei por mim, ele avançou. Me agarrou com extrema ferocidade, como se eu não fosse autorizada a escapar. Pra variar, já me ergueu no colo, disposto a me pegar de jeito da maneira que ele mais gostava. Me cercou na parede; o azulejo gelado amparando minhas costas, arrepiei e encolhi. Dante foi surpreendentemente carinhoso ao ver meu incomodo com o ar frio: ele me desencostou da parede, foi agachando aos poucos e estávamos no chão do box, sentados um sobre o outro, se beijando e se curtindo sob o calor calmante da ducha quentinha. Meu coração pareceu derreter... Não conseguia mais pensar em Dante como mera aventura pessoal, ele estava virando algo diferente pra mim. Pode até ser que eu estivesse fascinada pelo trato que ele vem fazendo em mim nas últimas horas, mas o sentimento era tão bom e acolhedor que eu não queria acreditar em outra coisa, em alguma realidade tão dolorosa como aventura ou ficada ensandecida.
Quando estava terminando de me arrumar, olhei para Dante se vestindo. Uma vontade sufocante de chorar me subiu à garganta. Tentei esconder e engolir o choro iminente, mas algumas lágrimas estavam teimosamente escapando.
- Que isso, bonitinha?!? Tá chorando por quê?
- N-não é nada... – me esforcei em algum disfarce, mas tava complicado. – Acho que é só bobagem da minha cabeça oca.
- Não minta pra mim, vai... – ele amparou meu rosto com as mãos gentilmente. – Que é que tá pegando?
- Acho que... Acho que não saberei esconder o que fiz aos meus pais... – minha voz ficou embargada, agora já não dava mais pra segurar o choro. – Nunca fiz nada parecido na vida; me sinto como se tivesse matado alguém!!!
Desatei a chorar feito uma criança, soluçando e inundando meu rosto em lágrimas intermináveis. Dante ficou um pouco desconcertado, mas fez o seu melhor e me abraçou, deixando que eu encharcasse sua regata. Senti um beijo carinhoso e protetor na minha cabeça, e ele me enlaçou num abraço apertado; me senti como se estivesse amparada pelas asas de um anjo. Com todo cuidado que ele conseguia prover, Dante me amparou no colo e me colocou na cama, sentando-se na beirada com um olhar curioso:
- Olha, não é por nada, mas preciso saber onde meti meu pau. –ele me olhava de forma incisiva. – Além de eu ter tirado sua virgindade, pelo que deu pra notar você ainda obedece aos pais feito cachorrinho. E aí?
- Desculpa... – eu soluçava desavergonhadamente. – Sou um fracasso, só valho alguma coisa por ter peitos e um “parquinho de diversões” no meio das pernas... Até para os meus pais eu sou uma mercadoria de troca e benefício!!!
- Ei, espera aí... Explica isso direito. – ele fez um gesto de pausa; parecia preocupado. – Você não acha que me deve satisfações? Não quero me foder nessa confusão só por que eu fodi você!
Olhei nos olhos de Dante, queria que ele entendesse a situação. Mas seu olhar permanecia irredutível, congelado, perfurante. Não me restava nada para evitar contar minha vergonhosa trajetória nessa vida ridícula em que fui parar. E após um suspiro profundo e uma rápida enxugada nas lágrimas, comecei a contar mecanicamente minha história, e Dante variava as expressões entre curiosidade, assombro e incredulidade. Ele levou um bom tempo para se pronunciar; certamente estava ponderando os fatos. Eu estava explodindo de vergonha, tenho de confessar. Ele não parecia habituado a conviver com garotas tão medíocres quanto eu, e acho que o choque da verdade estava além do que era capaz de processar.
- Pelo visto, meti meu pau num vespeiro... – ele ironizou, com um ar de deboche impagável.
- Mais uma vez, me desculpe... Se não quiser mais me ver, eu entenderei...
- Só uma coisinha... – ele cruzou os braços, fez uma expressão desconfiada. – Você não é daquelas que exige casamento depois da trepada, né?
Tomada de surpresa, arregalei os olhos e por alguns momentos depois, desatei a gargalhar. Ria tão alto que pensei que fosse morrer por falta de ar! Dante não entendeu minha crise de riso, e ficou bravo pela minha atitude. Tentei buscar um pouco de fôlego e respondi:
- Não, pode ficar tranquilo. Duvido que meus pais fossem te aceitar como genro! Hahahaha!
- Ei, posso não ter grana, mas não sou bundão que nem esse seu noivo arranjado! – ele fez cara de emburrado, foi a coisa mais fofa que já vi na vida!
- E então? Como faremos daqui em diante?
- Comece a se programar, bonitinha. – ele avançou pra cima de mim, prendendo meus pulsos. – De agora em diante seu noivinho bundão tem concorrência forte!
- Será nosso maior segredo...! – dei-lhe um selinho, senti um sorriso se formar nos lábios de Dante. – Mal vejo a hora de te ver de novo!
Notas finais
Ai Dante!
Mas acredito que muita garota(o) já deve ter passado por pelo menos um terço do que a Maria vivenciou- mesmo que de uma perspectiva bem torta ou avessa. Não existe 100% altruísmo sem ter vivido um toque de egoísmo, pois ser humano é assim; nada é gratuito, um dia a vida cobra. Seja de você ou pra você...
Obrigada pela leitura, e agradeço de coração os feedbacks! Sou muito feliz em responder a todos! :'D
Abraços! E até o próximo capítulo! ♥
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