DmC 5: Stairway To My Heaven

4 2º Dia: Um Segredo Só Meu. Part II


Notas iniciais
Um Universo conhecido, agora não o reconheço mais.
Quero distância, mas ela só me persegue.
As coisas saíram do controle.
SOCORRO.

Peguei o ônibus e me sentei no banco do fundo. Sentia um aperto no peito; uma ansiedade insuportável me afogava em imaginações absurdas, possíveis, incalculáveis. Eu havia feito tudo aquilo.

Eu menti, eu enganei, eu transgredi. E não obstante, me envolvi com um cara que tem a palavra “confusão” escrita na testa. Mas e daí? Me sentia feliz, mais leve, realizada. Queria ver Dante de novo e de novo. Queria ele comigo, queria ele dentro de mim outra vez. Eu ainda era capaz de sentir suas enfiadas abusivas latejando em mim, e o sabor do seu beijo não aparentava que iria se perder com o tempo. Mesmo que eu devesse desconsiderar tudo por ter sido meu primeiro homem, estava impossível ignorar o que eu sentia por ele. Eu estava fascinada, iludida. Trocando por termos poéticos, eu estava apaixonada.

Cheguei em casa toda sorridente, cantarolando uma canção qualquer do qual não me lembrarei. Minha irmã continuava no seu mundinho estúpido; assistindo seriados bobinhos e pirando neles (detalhe: ela tá na casa dos 22 anos...Não me perguntem, pelo amor de Deus.). Minha mãe, uma pobre coitada alienada, estava na cozinha, pra variar. Sempre a serviço da família feliz... Meu pai lia seu jornal calmamente, enquanto saboreava uma xícara de chá preto. Nada havia mudado. Apenas eu.

Todos me saudaram alegremente, e pela primeira vez na vida achei aquilo enojante. Estava tendo uma perspectiva da vida meio extremista; tudo que faziam que antes eu achava normal agora soava falso e doentio aos meus olhos e ouvidos. O que uma noite fora de casa não causou, heim?

Minha mãe se atreveu a anunciar que meu suposto pseudo-noivo viria em casa. E pelo que bem entendi, pretendiam fazer o dito cujo interagir comigo, pra que eu não me sentisse deslocada com relação a ele. Afinal, na cabeça da minha família, ainda sou a virgem indefesa que nunca viu um homem de perto...

Quando entardeceu, ele veio. Pensem num cara extremamente boçal não só fisicamente, mas nas atitudes também... O desespero gritava loucamente dentro mim!

Lá estava ele: magro, de mais ou menos com um metro e setenta, com o porte físico de um palito de dente (disfarçado por roupas que compensava com elegância...), cabelos castanhos bem ajeitados para o lado, olhos verdes e dono de covinhas. Charmoso, mas não tinha aquela aura imponente que só Dante emanava.

As horas se arrastavam, eu não aguentava mais fingir boa educação, tava sufocante demais aquela sala. Antes que eu me descontrolasse e acabasse revelando toda minha farsa, coloquei meu celular para realizar uma chamada falsa. Assim que tocou, forjei estar decepcionada com a ligação inesperada e sai prontamente pra “atender”. Logicamente meu pai demonstrou leve desagrado, e minha mãe pediu desculpas por mim, mas pouco me importava. Pedi para me retirar, pois ao que parecia era assunto importante; aleguei estar engajada numa ONG que auxiliava no tratamento de pessoas problemáticas (que desculpa mais retardada que arrumei!), e que estavam solicitando minha ajuda num caso em especial. Depois dessa, ninguém mais ousou sentir-se contrariado; muito pelo contrário. Meu pai e minha mãe transbordavam de orgulho... Minha irmã, bem... Fez bico de inveja, sentiu-se excluída mais uma vez. Logo ignorei e subi as escadas correndo, me tranquei no quarto e suspirei de alívio por ter parado de respirar o mesmo ar doente dos presentes na sala. Sim, sei que foi cruel da minha parte dizer isso da minha própria família, mas infelizmente não me sentia mais parte daquilo. Era tanta ilusão, alienação e loucura que fazia com que a lavagem cerebral apenas pareça uma hidratação capilar no salão do cabelereiro. E me bastou uma fuga típica de adolescente pra que eu fosse capaz de enxergar melhor. Ou será que eu já enxergava tudo isso e só ignorava?

Ao me olhar no espelho do meu guarda roupa, enxerguei uma garota imersa em dúvidas, insegura mais uma vez e agora apavorada por ter ido tão longe pra perceber que tudo aquilo talvez nem se repetiria. Ou viraria o maior problema que já arranjei na minha curta vida cinza.

Tomei um susto quando celular vibrou. Eu o peguei de forma desajeitada e olhei no visor. Era uma mensagem que me gelou a espinha, e me causou um ataque de pânico silencioso:

“Oie, bonitinha!

Gravei seu número no meu celular, assim a gente não se perde.

É o seguinte: to com saudades. Quero te ver ainda hoje.

Me diz seu endereço e chego aí de boa. :D

Beijos do seu Dante.”

Notas finais
Perdão da demora!
Trabalhei até no carnaval, foi osso. Mas nunca que deixaria vocês na mão sem capítulo. :D
Desta vez a Maria tá pra lá de encrencada, cercada até os talos. E o que vocês acham que ela deveria fazer?
Ela guarda surpresas!
Obrigada pelos feedbacks, respondo todos de coração! ♥
Abraços! Até o próximo capítulo! ♥