Diário de uma garota quase perfeita. - O Retorno.
12 Meu nome do meio é Perigosa. - Vinte e três de março.
Notas iniciais

Anteriormente em diário de uma garota quase perfeita...
Anna já chorava em meus braços e me abraçava fortemente ajoelhada no carpete da mesma forma que relatou a mim que ficou quando assistiu seu pai indo embora com a amante. Era sua história sendo contada e discutida na frente de mais de cem pessoas. A verdadeira história. A verdadeira verdade.
– Cobras desfarçadas em pele de galinha! Muitas garotas desse colégio são assim por quê aprenderam com aquela que vocês costumam chamar de rainha. Aquela também que vive de aparências. Sim meus caros, eu falo de Anna King’s....
Eu não sei como, e eu não sei porquê, mas quando algo está vivo, você não pode dizer 'morra'. É assim que as coisas devem terminar? Derrota é a saída?
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Debilitada e cansada de minhas razões, me encontro perdida em um turbilhão de persamentos. Olho para o céu do estrangeiro, e abraço minha solidão, segurando-a com a palma da mão. As lágrimas que o vento leva se acumulam. Nós perdemos nossos sonhos pelo caminho tão facílmente, não é? Durante a chuva, tenho minha liberdade pois o tempo mantem minha mémoria ativa.
A cena se passa novamente em minha mente várias e várias vezes, como se tudo se resumisse naquele momento. Tão quebrado se tornou meu coração agora, alguém pode por favor segura-ló com as mãos e dizer que se importa? Preciso me sentir amada. Preciso de alguém...
Já notou que, você não pode fugir de uma lembrança mesmo que sinta ódio dela? Você já fez bobagens, das quais se arrepende amargamente? Não podemos caçar nosso passado para simplesmente livrar-se das atitudes que nele deixamos para trás. Não podemos, simplesmente mudar uma parte persistênte e mêdiocre, pois a marca já foi deixada no asfalto da estrada com o caminho trilhado.
Sem volta e sem sáida, estou preparando minhas cinzas. A cada suspiro, a cada lágrima, a cada pequena e curta pontinha de felicidade, crio esperanças de que um dia eu poderei viver em paz com meu passado, presente e futuro, assim retornando ao meu lugar de origem. Um fim quase trágico, isto é claro se estivessemos falando de um fim.
Uma simples invasão nos sistemas da escola se tornou o pior pesadelo da minha vida. Ouvi coisas, senti coisas, me parece não ser real. Porém é uma pena, eu estou acordada e com os olhos bem abertos.
Meu quarto parece tão pequeno agora. Vóvó conversa com alguém ao telefone lá em baixo. Daqui consigo escutar a sua indignação sobre as coisas ditas nos auto falantes no dia de ontem. Definitivamente, preciso de uma direção a seguir apartir do dia de hoje, eu não sei o quê vai acontecer, ou se vai acontecer.
É sábado e amanhã é o aniversário de alguém muito especial. A única coisa que me faz querer levantar da cama hoje é saber que amanhã terei um dia com minha melhor amiga depois de mêses sem poder fazer isso. Mesmo não estando em clima algúm para festança, só de estar ao lado de Carina faz o meu eu se encher de vontade de seguir em frente.
– Anna, pode descer aqui por favor? — Berrou vovó.
Nada respondi, apenas calcei minhas pantufas e corri escada abaixo. Quando cheguei na cozinha encontrei a pia bagunçada e a empregada lavando os pratos sujos. Vovó estava sentada na mesa com o telefone fora do gancho. Percebendo minha presença passou a fitar-me de cima abaixo procurando em meu rosto traços de uma noite mal dormida, as olheiras e minha púpila dilatada.
– É Marrie ao telefone. — Fala vóvó entregando o aparelho em minhas mãos, em seguida voltando para a pia, estava focada na torta de amoras que tentava terminar.
Pensei inumêras coisas naquele momento, cheguei até a achar que Marrie estava me ligando para dizer que também iria me deixar. Eu não duvído de mais nada depois do que Cauanne ( isso se for Cauanne) ousou dizer sobre mim na frente do colégio inteiro e Marrie estaria em seu total direito se quizesse se voltar contra mim. Levei o telefone até minha orelha, logo saindo da cozinha e sentando-me no sofá da sala.
– Marrie?
Ouvi seu suspiro de alívio do outro lado da linha, ela parecia um pouco preocupada comigo, ou talvez só se sentisse obrigada a me ligar por algúm motivo.
– Oi Anna. — Ela comprimenta com sua voz docê e delicada, Marrie era o tipo de garota que não ficava irritada e nem se magoava facíl. – Você está bem? Precisa que eu vá ai te ver? — Questiona.
Pousei minhas mãos na almofada do sofá e ajeitei-a para poder me deitar.
– Obrigada por estar preocupada baixinha. É tão tipíco . — Falei sorrindo, quase pude perceber que ela fez o mesmo. – Tudo que eu sei esta manhã desde que acordei. É que eu sei de uma coisa que não sabia antes. Tudo que eu vejo há 18 horas são paredes altas e pintadas de azul. Mas eu vou derrubá-las. Não precisa vir, eu já passei por coisas piores.Você sabe disso.
Busco palavras para tentar descrever-me, as vezes, tento a todo custo me estabelecer. Forte é quem eu sou. Preciso continuar sem desabar. Agora é hora de caminhar para o fim. Eu nao quero ir como os outros foram. Nunca me deixei levar por um descuido. Estou aqui...
– Certo então. Se precisar e sempre que precisar, chame. Te vejo amanhã a noite na festa de Carina. Sim, eu fui convidada. Sua melhor amiga parece ter gostado de mim, pelo menos foi isso que deu a entender ontem. Bye. — Disse Marrie rindo.
Nos despedimos sem rodeios e eu desliguei. Foram questões de segundos após tal ato até a campainha tocar. Presumi que fosse Carina, então levantei-me e fui atender. Fiquei um pouco incrédula ao ver quem era, mas não deixei de sorrir e abrir passagem para que ele podesse entrar, e assim conversar comigo, dando -lhe chances de explicar o por quê está aqui.
– Hey, Anna Banana. — Retribui meu sorriso me fazendo gelar por dentro.
Você se encontra em minha porta, como todas as outras vezes antes, você usa sua melhor desculpa. Mas sei que está aqui para me ver.
– Cade a Carina? — Perguntei.
Ele parou e olhou para o teto por alguns instantes, estava sem palavras. Provavélmente não fazia ideia da resposta. Não existia um sentido concreto sobre a sua visita. Vovó o viu da cozinha e acenou cumprimentando-o, os dois se conheceram no primeiro dia de Carina em Londres a pouquissímo tempo. Subi as escadas mas Renny continuou parado no meio da sala sem saber o quê fazer.
– Você vem ou não Mr. Clark? — Falo puxando-o pela mão em direção ao meu quarto. – Lá em cima conversamos com mais calma.
Ele assentiu com a cabeça, me seguindo até a grande porta de madeira no final do corredor com as minhas iniciais ''AK'' pintadas no meio. Girei o trinco da maçaneta fazendo Renny se espantar com o tamanho absurdo do meu quarto deixando escapar um ''Ual'' de seus lábios. Permaneciamos em silêncio, me joguei de qualquer jeito sobre a cama ainda desarrumada e suspirei pesadamente. Renny por sua vez sentou-se ao meu lado e em nem um momento tirou seus olhos do meu cabelo, além disso contornava cada detalhe em meu rosto como se eu fosse uma deusa grega ou algo do tipo.
– Você estará na festa de Carina amanhã, mesmo depois de tudo o quê rolou ontem? — Disse, finalmente se dirigindo a mim.
Levantei-me e encarei aqueles olhos escuros com intensidade o suficiênte para faze-ló desviar e fitar o chão.
– É claro que eu vou! — Exclamei com veemência. – Não sei se já percebeu Renny, mas nós somos melhores amigas. — Conclui.
Desta vez, cheguei um pouco mas perto do rosto dele, o fazendo ficar cada vez mais hipnotizado com o meu olhar profundo. Aquilo de fato, era a minha maior arma e essa essência em mim já mais seria perdida, mesmo que eu passe por todas as situações ruins no mundo, das quais eu precisei descer do meu salto, sempre terei esse ''ar'' de garota perigosa. E mesmo sem perceber já estava me encantando e deixando meu ego transparecer de uma forma tão glorificante que mal pude resistir a sensação. Não consegui parar de jeito nem um.
– Falando em você, como se sente? — Renny rebateu ao meu olhar entendendo o meu jogo e se aproximou mais ainda.
As palavras ficaram presas em minha garganta. Eu não poderia dizer que estava melhor agora com sua presença aqui, pois seria golpe baixo usa-ló para me sentir amada. Estou tentando me controlar, mas não garanto que irei conseguir por muito tempo.
– Eu estou... hum... — Meus olhos percorreram para seus lábios – Bem. — Completei.
O jeito que você se move feito uma completa tempestade me faz lembrar que eu sou um castelo de cartas. Você está aqui em frente de mim apenas perto o suficiente para me tocar, perto o suficiente para torcer que você não saíba o que eu estou pensando. Largue tudo agora. Me encontre na chuva. Me beije na calçada.
Leve pra longe a dor, porque eu vejo faíscas voarem sempre que você sorri. Me surpreenda baby enquanto as luzes se apagam, minha mente esquece de me lembrar que, você é uma má ideia. Eu vou passar meus dedos pelo seu cabelo e ver as luzes desaparecerem. Só continue mantendo seus olhos em mim, isso é apenas errado o suficiente para fazer parecer certo.
Voltei para seus olhos, brilhavam de uma forma estranha e não consegui identificar o sentimento, cada vez mais perto.
– Anna.. - Renny sussurou baixo com a voz cheia de despreocupações.
Coloquei a ponta do meu dedo em seu lábio e em seguida fiz questão de deslizar aquele mesmo dedo pela sua barriga fazendo-o estremecer. Acabei de vez com aquilo no momento em que coloquei minha boca na sua, iniciando um beijo quente, ambos não recuamos.
Meus problemas sumiram. Estou no comando novamente. Ainda que a culpa tome conta de mim juntamente a uma pitada de confusão, eu adoro me sentir desse jeito e não me encomodaria de fazer isso mais vezes....só por diversão.
– Que diabos está acontecendo aqui? - Gritou uma voz um tanto quanto conhecida, tive medo de me virar e encontrar quem eu menos esperava que aparecesse nesse momento.
Alguém havia acabado de entrar no quarto, fazendo o beijo ser encerrado. Renny levantou-se e assim como eu tratou de logo se recompor.
– Carina, eu posso explicar....
Continua....
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