Diário de uma garota quase perfeita. - O Retorno.
16 ESPECIAL DE NATAL: É noite dos espíritos traiçoeiros. - Vinte e três de dezembro.
Notas iniciais

Anteriormente em diário de uma garota quase perfeita...
(Capítulo 5 e 15 )
Sinto que estou sem uma alma, meu espirito dorme em algum lugar frio. Frio como este dia que surgiu de uma maneira tão banal que sou capaz de achar que eu tenho que abrir meus olhos para tudo, não encontro um pensamento ou uma voz para me guiar a não ser a minha própria. Por favor, segure o vento se eu não conseguir respirar e envie-o quando eu sair.Sopre-o pelas arvóres e me indique o caminho. Direção oeste ou norte? Sul ou leste? Quem sabe? Você acha que eu sou livre das minhas lembranças?
Mentes parêcidas, pelos quais tem a mesma capacidade e inteligencia, devem trabalhar juntas. Como a lenda da Fênix, tudo termina com começos. Chegamos longe demais para deixarmos de ser quem somos. Então vamos elevar o nível.
A chamada da escuridão..
POV'S Carina.
– Cade você? - Marrie perguntava desesperadamente, do fundo da sala escura e vazia onde nós duas nos encontravamos. – Eu tenho fobia a lugares sem luz. Por favor, não me deixe aqui sozinha! — Implorava. Sua voz estava fraca e quase rouca.
Uma parede oca e cheia de pó me impossibílitava de ir até o encontro dela. O chão daquele lugar, parecia que a todo momento iria desabar. Não havia foco algúm de luz, a não ser a vela que eu acendi e que o ar gelado não hesitou e logo apagou. Aquelas alturas eu já não entendia mais nada, minha mente parecia querer me pregar peças a todo o momento. Horas escutava uma respiração ofegante de um outro alguém que não era eu, horas sentia um arrepio que começava na ponta do meu pé e ia até os meus braços, como se algo tivesse me tocado.
Tudo ficou ainda mais fora do controle, quando a única coisa que escutei foram os berros de Marrie do outro lado da parede.
– Socorro Carina, SOCORRO! Me solte. Me solte! Me solte seu imundo. Argh...
Duas horas antes.
POV'S Anna.
Sordidamente hoje de manhã, me lembrei de uma cantiga antiga, pelo qual eu cantei no coral da escola, mais ou menos a uns dois anos. Estranhamente, ela me fez refletir muita coisa, que a tempos não faziam parte dos meus pensamentos.
Então é Natal. E o que você Fez? O ano termina. E nasce outra vez! Então é Natal! A festa cristã, do velho e do novo. Do amor como um todo. Espera, que amor? Desculpe-me pela sinceridade. Amor é passageiro, assim como tudo na nossa vida. Esses cliches de que ninguém é feliz sem amor, não passam de mentiras que a sociedade criou para poder se sentir melhor. Eu não me sinto melhor amando. Eu não amo. Eu sinto prazer, são fatores que andam lado a lado, porém tem significados bem diferentes para mim.
Quero fazer você adivinhar que noite é essa. Quero fazer você entender, onde é que está a mágia do Natal. Bem meus caros, é simples. Hoje, o meu sonho estará um passo a frente de se tornar realidade, cá estou eu, frente a frente comigo mesma, irônizando as minhas atitudes, rindo da minha própria vitória planejada. Você já sentiu em seus lábios, um pouquinho do que é veneno? Concentre-se, imagine. É melhor sensação que existe, não? Estou errada? Oh, não responda-me, foi uma pergunta retórica.
Planos, injurias, calúnias. Isso faz de você uma completa vádia. Mas é tão revigorante ser uma vádia, que você acaba não se importando que as pessoas te chamem assim, por que você sabe que estão falando a verdade.
Pinte de vermelho a sua máscara e a vista. Pronto! Agora, estamos lado a lado. Vá e brilhe, brilhe mais que o seu inimigo. Corra. Corra o mais depressa que conseguir, esteja sempre um passo além. Boa sorte, você vai precisar.
– Ca, onde é que está o meu gloss de morango? — Questionei, frente ao espelho do meu quarto, eu o dividia com Carina naquele momento.
A mesma após minhas palavras anteriores, saiu do meu ponto de vista e abriu o ármario do banheiro, desfilando com seu glamuroso penteado e vestido dourado chamativo, dignos.
– Está aqui Anny. — Falou Carina sorrindo e entregando o objeto em minha mão, em seguida, passou mais uma camada de sua sombra.
Encarei-a pelo seu reflexo. Ela aparentava ter dormido tão bem. Diferentemente de mim, que apenas consegui pregar os olhos as quatro da manhã, com todos os meus pensamentos a flor da pele.
– Que cor o Renny vai usar? Você sabe? — Arrisquei-me a perguntar.
Carina revirou os olhos e bateu com força o estojo de maquiagem que se encontrava em suas mãos , me fitando com raiva e indignação.
– Anna, lembre-se que seu namorado também vai estar no baile. Chega de brincar com os sentimentos do Renny. Você não gostava quando eu fazia isso com você. Quero que me prometa que vai ficar longe dele. — Disse, séria e repreendedora.
Pensei por uns instantes e infelizmente ela estava certa, como sempre. À medida que você vencer, será o amorzinho de Hollywood e se a sensação não for boa, para que está fazendo isso?
– Juro, juradinho. — Cantarolei, lembrando-me vagamente, de que sempre falava isso quando era criança e não tinha certeza se podia cumprir aquilo que eu dizia.
.......
Mais unidas do que nunca e mais dispostas a derrubar o alvo, nos aprontamos e nos propomos a esperar nossos pares, Marrie também já estava na minha sala de estar, discutindo juntamente a mim e Carina o jeito que encontramos, para desvendar o mistério por trás da invasão nos sistemas do colégio no começo deste ano.
Pedro foi o primeiro garoto a chegar. Ele usava um smoking da mesma tonalidade do vestido de Carina com uma gravata borboleta preta, clássica com o nó feito. Cumprimentou minha melhor amiga com um selinho rapído, eu e Marrie por vez, recebemos um abraço.
Enquanto os três jogavam conversa fora, caminhei em direção a cozinha, abrindo a última gaveta do lado esquerdo da pia. De lá, tirei um canivete, pois sabia que iria precisar de algo para me defender. Embrulhei-o em um guardanapo de papel e escondi no fundo da bolsa. A campainha tocou no mesmo segundo que adentrei a sala. Por sorte, Carina, Pedro e Marrie não sentiram minha falta, com toda certeza não iriam permitir que eu levasse um objeto cortante para a guerra.
Willy e Renny chegaram juntos por mêra conhecidencia. Ambos estavam lindos com as vestimentas que escolheram. Elêgancia era o ponto alto da noite e também, uma regra a ser seguida. Sem me dar conta, estavamos mais que prontos. Declaro, que essa noite só está começando.
.........
POV'S Carina.
A limousine branca estacionou na frente do tapete vermelho no chão do prédio do colégio A rua estava movimentada e inumêros carros se encontravam estacionados. O letreiro '' Bem — Vindos ao baile Natalino da instituição de ensino Couci Gold'' estava aceso. Descemos em casais. Pedro e eu. Anna e Willy. Renny e Marrie. E nessa formação ficamos até chegarmos no salão do quinto andar, onde acontecia o evento.
Anna virou uma estátua viva assim que avistou Cauanne e Ágata perto da mesa do champanhe. Por algum motivo que desconheci, Ágata estava de fofoca com a ameaça.
– Eu não acredito que a sua protegida está usando rosa. Qual é! Todo mundo sabe que essa é a minha cor. – Anna sussurou em meu ouvido desfarçadamente. – Olha a Cauanne, usando um vestido quase identico ao meu. Para mim já chega. — Ela concluiu, dirigindo-se na direção de Cauanne e Ágata. Não a deixei fazer tal ato, segurando-a delicadamente pelo braço.
– Não faça besteira Anny. Cauanne só quer te provocar. Mas lembre-se, estamos aqui para acabar com essa vádia. Quanto a Ágata, estou confusa do por quê ela se afastou de mim tão de repente. Mesmo assim, esse não é o foco.
Anna pareceu ficar incomodada quando mencionei Ágata, como se houvesse muitas coisa que ela sabe, e que deve ser dito e estão escondidas no fundo de seu coração. Entrelacei nossos braços, quando percebi que Cauanne nos fitava pelo canto dos olhos e desviava constantemente.
Não podiamos esperar mais nem um segundo para agir.
– Garotas, vocês já sabem o que fazer. Agora é a hora perfeita. a melodia Somebody do nosso cantor Gotye, vai começar a tocar. Anna, fique na cola de Cauanne, eu e Marrie iremos atrás de pistas. Devemos nos encontrar aqui a meia noite em ponto, nem um minuto a mais e nem um a menos. Tomem cuidado e não ultrapassem os limites.
As duas assentiram com a cabeça, foi o tempo suficiênte para a batida da música começar.
''Você pode ficar viciado a um certo tipo de tristeza
Como uma negação ao fim, sempre o fim
Então, quando descobrimos que não fazíamos sentido
Mas admito que estava feliz que tudo tinha acabado
Mas você não precisava me ignorar
Agir como se nada tivesse acontecido
E que o que vivemos juntos não foi nada
E nem sequer preciso do seu amor
Mas você me trata como um estranho
E isso é tão rude
Não, você não precisava se rebaixar tanto
Mandar seus amigos pegarem seus discos
E depois trocar de telefone
E acho que não preciso disso
Agora você é apenas alguém que eu costumava conhecer''
Nos separamos. Respirei fundo e puxei Marrie para o elevador, rumo ao porão no subsolo.
...................
POV'S Anna.
Levei Willy para a pista de dança, no intuito de desfarçar um pouco. Cauanne ria calorosamente e bebia na companhia de suas aliadas, até que inesperadamente pediu licença e se retirou.
– Amor, eu já volto. — Avisei, sem dar-lhe chances de resposta, correndo no meio da multidão.
Por sorte, não perdi Cauanne de vista. Eu parecia adivinhar o local onde iriamos dar uma voltinha. Sala de espelhos. Ficava um lance de escadas abaixo, propositalmente afastado. Por que será que ela está indo para lá? Será que vai encontrar a pessoa que está a ajudando a me derrubar?
Estralhei os dedos tomando coragem o suficiênte para entrar ali. Apertei as mãos com força e manti certa distância. Meus olhos estavam bem abertos. Aproposito, foi assim por todo o dia.
Meus reflexos apareciam distorcidos. Parei e observei atentamente um que me deixou mais gorda. Sem evitar, coloquei minhas mãos por todo o meu corpo, buscando imperfeições.
FlashBack On.
– Anna, não faça... – Minha consciência gritava, porém, minha vontade era de não obdecer a nada e a ninguém.
E ainda se vier noites traiçoeiras... se a cruz pesada for, Cristo estará contigo. O mundo pode até fazer você chorar, mas eu te quero sorrindo...
Estava sozinha trancada no banheiro ao auge dos meus onze anos, chorando, implorando para mim mesma apenas mais uma vez, me sentia tão bem colocando as coisas que me encomodavam para fora. Lá em baixo, papai e mãmãe descutiam. Ignorei aquilo tudo, e levantei a tampa do vaso sanitário.
– Perdoe-me... não posso parar...
FlashBack Off.
Sacudi minha cabeça no intuito de afastar aquelas lembranças de uma êpoca que além de fraca, eu era estúpida. Da última vez que pratiquei o ato de forçar, fui parar no hospital, ganhei um belo de um psícologo, problemas com rinite e alergia a todo o típo de leite.
Parabéns sua idiota, quase acabou com a sua vida por causa do canalha do seu pai.
– Sou um pensamento. Sou uma voz. Sou uma alma. Você tem vivido uma mentira, não há nada lá dentro... não há nada... – Um sussurro abafado surgiu, me fazendo pular de susto.
Começei a tremer, cruzei os braços e busquei todos os cantos possivéis no ambiente. Parei perto de uma sombra atrás de um dos espelhos, não consegui destinguir se era feminina ou masculina.
– Apareça Cauanne. Eu não tenho mais os mesmos medos de antes. Se a sua intesão foi me fazer lembrar sobre as minhas crises de bulímia, conseguiu. — Falei, parecendo soar segura sobre o que afirmava.
– Cauanne? — A voz gargalhou. – Ela não é a única que sabe sobre o seus segredos mais intímos. Traga-me para a vida Anna... me acorde... Não há nada lá dentro... não há nada. - Susurrou novamente.
– Não brinque comigo. Existe fogo em mim. — Ordenei. – Espero que saiba do que eu sou capaz. Há alguém nesse baile trabalhando para que você seja desmascarado. – Rebati chegando mais perto, tirando da minha bolsa, minha arma de defesa, apenas para garantir.
– Calma querida. — A sombra se mexeu, virando em minha direção. – Meu espirito dorme em algum lugar frio, até que você o encontre e o leve de volta pra casa.
As luzes se apagaram, e um corpo rigido me jogou contra o chão, sem pensar duas vezes afinquei o canivete na perna daquele ser, que deixou escapar um gemido de dor. Isso não o fez parar, então, correu entre os espelhos e desapareceu, como num truque de mágica.
Enquanto isso..
POV'S Carina.
A última porta do último andar. Um local exatamente com a descrição de um esconderijo. Que tipo de pessoa veem parar aqui , sendo que aparentemente a décadas ninguém teve coragem de entrar? O meu tipo de pessoa, destemida. Quanto mais nos impregnavamos, mais Marrie segurava firme a minha mão. O silêncio nos dominou. Não sabiamos do que se tratava aquele monte de fios que levavam até uma outra repartição. Algumas caixas de papelão faziam questão de atrapalhar nossa passagem, tentei chuta-lás para longe, mas infelizmente o peso delas não colaborou muito. Marrie se agachou para pegar um papel amarelado que estava no chão. Assim que bateu o olho, sua boca se abriu levemente e seu rosto tinha traços de surpresa.
– Carina, dá uma olhada nisso aqui! — Exclamou boqui- aberta, entregando-me sua descoberta.
Parei e observei cada detalhe e cada linha traçada no papel. Um caminho com caneta vermelha destacava-se, arregalei os olhos ligeiramente ao associar as peças do quebra cabeça, que agora, começavam a se juntar. Era a planta do prédio, um mapa com todas as cordenadas certas, datado do dia da invasão. Cada passo seguido pela voz computadorizada no alto falante, cada pensamento, o plano completo. Parei meu dedo indicador e localizei-nos na planta. Sim, a pessoa tinha passado por ali. Ainda prosseguindo, mais embaixo, a frase '' Sala de controle'' estava circulada. Bingo. Há uma outra parte que não sabiamos da existência e que não avistamos no caminho para cá. Está explicado como a voz conseguiu invadir sem estar na diretória. Nos entre olhamos , soltando um sorriso vitórioso.
– Vamos voltar para o baile. — Falei, indo em direção a sáida.
Fácil de mais. Fácil de mais para ser verdade. Nem tudo é como imaginamos. Nada nos dava uma pista do que viria a acontecer em seguida. Se quer ganhar esse jogo, seja esperto o suficiênte. Senti o toque de Marrie desaparecer, a porta de ferro bateu e a escuridão se fez presente se fez presente. Não conseguia enxergar nem minha mão.
– Cade você? — Marrie perguntava desesperadamente, do fundo da sala escura e vazia onde nós duas nos encontravamos. – Eu tenho fobia a lugares sem luz. Por favor, não me deixe aqui sozinha! — Implorava. Sua voz estava fraca e quase rouca.
Uma parede oca e cheia de pó me impossibílitava de ir até o encontro dela. O chão daquele lugar, parecia que a todo momento iria desabar. Não havia foco algúm de luz, a não ser a vela que eu acendi e que o ar gelíto não hesitou e logo apagou. Aquelas alturas eu já não entendia mais nada, minha mente parecia querer me pregar peças a todo o momento. Horas escutava uma respiração ofegante de um outro alguém que não era eu, horas sentia um arrepio que começava na ponta do meu pé e ia até os meus braços, como se algo tivesse me tocado.
Tudo ficou ainda mais fora do controle, quando a única coisa que escutei foram os berros de Marrie do outro lado da parede.
– Socorro Carina, SOCORRO! Me solte. Me solte! Me solte seu imundo. Argh.
– Marrie, não, nãaoo... — Gritei batendo com a palma das mãos na parede.
.......
POV'S Anna.
Droga! Cauanne sumiu, assim como as minhas esperanças de acabar com isso essa noite. Agora só me resta rezar para que Carina e Marrie tenham consegido chegar ao porão.
Me recompuz e sai normalmente da sala de espelhos, como se nada tivesse acontecido. O baile parecia mais animado do que quando começei minha caçada. Willy e Renny brindavam juntos. Soltei um riso ao ver tal cena, os dois eram amigos. Isso era bom, já que, um beijo pode ter valido mais que mil palavras, e uma noite de amor pode ter sido tão prazerosa quanto ter dois caras completamente loucos por mais um pouco de você. Mereço ser amada, mereço te-lós para mim, mesmo sabendo que tenho que escolher um. Não tenho pressa, prefiro jogar, pois Anna King's tem esse direito. Eu não quero amar, não fui feita para isso. Rainhas não amam.
O telão do palco começou a rodar imagens de todos os alunos do Couci. O salão todo parou para ver, inclusive eu. Apareceu uma fotógrafia minha e de Carina, que tiramos especialmente para fazer parte desses slides. A música de fundo era Jingle Bell Rock, que inclusive, tocou no filme que define a nossa amizade, Mean girls.
É uma pena que ela não esteja aqui agora. Iria adorar a situação. Isso me faz lembrar, que já é mais de meia noite.
''Dançando e empinando na praça do sino
No ar congelante
Que tempo brilhante, é o momento certo
Para agitar noite adentro
Hora de bater o sino, é hora de se encher de emoção
Para andar em um trenó carregado por um cavalo
Corra, cavalo, o sino do cavalo; levante os seus pés
Sinos em volta do relógio
Misture e unifique na batida do sino
Essa é a batida do sino do rock''
– Olha a Anna ali.– A voz de Marrie invadiu-me. Ela estava acompanhada de Carina.
Um alivío tomou conta de mim, assim que as duas se aproximaram em silêncio, entrelaçaram nossos braços. Carina do lado esquerdo e Marrie do direito.
– O que aconteceu? Por que estão atrasadas? — Questionei.
– Alguém nos prendeu no porão, levando embora a nossa única prova de que Cauanne está por trás de tudo. Não temos nada Anna, nada. — Carina explicou, com tristeza.
Marrie protestou:
– Hellow! — Diz, estralando os dedos na frente de Carina. – E isso nem é o pior. Não se esqueça que eu fui abraçada por uma sombra.
A mesma sombra que me atacou. Não acredito, como ele consegiu se manter de pé depois que eu o machuquei?
Eu encontrei um túmulo, tirei o pó do rosto. Senti a sua luz e me lembro por que conheço este lugar. Eu encontrei um pássaro. Fechando os olhos. Uma última vez. E eu me pergunto se ela sonhou como eu. Por mais que doa, não é maravilhoso sentir? Então vá em frente e quebre suas asas. Siga seu coração até sangrar. Conforme corremos para o fim do sonho. Eu não tenho medo. Eu passo em meio a dor e estou pegando fogo. Lembro-me como respirar novamente.
– Vocês não foram as únicas. Essa sombra também me seguiu até a sala de espelhos, me disse coisas... me fez lembrar de coisas. — Abaixei os olhos. – Garotas! Não é a Cauanne.
– A Anna está certa e... — Carina não pode completar, seus olhos foram até o telão.
Marrie e eu fizemos o mesmo que ela. A multidão soltou um '' Oh'' surpreso, ao ver a foto que tinha sido pausada. Levantei o olhar e pousei-o em Renny e Willy...
......
POV'S Renny.
Mal posso acreditar. Alguém além de Carina estava no quarto no momento em que eu e Anna nos beijamos. — Isso... isso não pode ser real. Essa foto não pode ser real —. Me dei conta de que Willian ficou furioso. Caminhou até o encontro de Carina, Anna e Marrie. Com agressividade, apertou o punho de sua namorada.
– Você não pode ter feito isso comigo. Não pode. — Apontou o dedo para Anna. – Eu odeio você, com todas as minhas forças!
Você diz que ele a ama mais do que eu. Então eu te libertei . Quero que você saiba, que eu ainda te amo muito. Mas se ele a ama mais, vá com ele. Toda a minha vida, eu estive procurando por uma garota para me amar como eu amo você, mas toda a garota que eu tive, partiu meu coração e me deixou triste. O que devo fazer? Me diga, Anna...
– Que conhecidencia em querido? — Irônizou. – Será que você só percebeu agora, que eu só fiquei com você para me vingar de tudo o sofrimento que você me fez passar? Eu um dia já amei você. Um dia. — Em sua frase final, Anna virou um tapa no lado esquerdo da face dele.
Ele suspirou de raiva, entrei para apartar a briga antes que ficasse pior.
– A culpa é sua.
Eu estou aqui para testemunhar, os negócios interiores de Candice. Ela quer que os garotos percebam, seus arcos-íris e seus pôneis. Ela era instruída, sem conseguir contar até dez. Como ela conseguiu vários cavalos diferentes de vários homens diferentes, não passa de um mistério.
Recebi um soco no rosto. Minha última imagem foi Carina correndo atrás de Anna, no banheiro.
......
POV'S Carina.
Outra promessa quebrada. Outra dívida que não foi cumprida. Confiança além do limite em alguém que já provou que não é capaz de saber quem realmente é.
Novamente, presa no olho do furacão, ele me atinge. Me faz voar, temendo o tornado traiçoeiro.
Estou pondo tábuas nas janelas, trancando meu coração. É como se a cada vez que o vento soprasse, o sentisse nos destruindo. Cada vez que ela sorri, a deixo entrar de novo. Tudo fica bem, quando você está parada no olho do furacão. É quando você me abraça, me abraça, Diz que me conhece, nunca ficarei só, Diz que sobrevivemos à tempestade.
– Você mentiu para mim! Você disse que tinha mudado. — Parei tomando folego. – Você não mudou, é a mesma Anna de antes, mil vezes mais vádia, mil vezes mais você. Estou cansada dos seus jogos. — Gritei.
Anna encarava o espelho fixamente, nem uma lágrima foi derrubada em minha presença. —
Quem é ela? Onde está a Anna que eu conheço? Se foi, tão de repente?
– Eu não menti para você Carina. Estou cansada de ser duas pessoas ao mesmo tempo. Você é a única que sabe quem eu sou de verdade, o resto do mundo só vê o meu alter ego. — Responde.
Antes de Anna sair, parou no meio do corredor do sanitário e berrou:
– Não diga que eu sou uma péssima melhor amiga e que nunca te dou nada, Cauanne e Ágata estão juntas, Ágata só está te usando, assim como Cauanne me usou.
Uma onda de ódio imensa tomou conta de mim. Ágata, você me paga por isso!
Ela saiu do banheiro feito o furacão que sempre foi, não ví que direção Anna tomou — e prêfiro mesmo não ter visto —. O melhor a se fazer agora, é deixa-lá sozinha. Além do mais, é melhor ela não presenciar o que estou prestes a fazer.
Liberem seus filhos e filhas. O arbusto é alto e no buraco há água.
Você pode conseguir um pouco quando eles derem. Nada sagrado, mas é uma forma de viver. Um pouco alto demais ou um pouco baixo demais. Não tem autoestima e vertigem, porque ela acha que é feita de açúcar ou um pouco estrondosa demais , um pouco perto demais. Há um furação no fundo da sua garganta.
Desfilei no salto dourado. Cutuquei Ágata com a ponta do meu dedo, já que ela estava de costas ajudando Renny a fazer o corativo, no meio do baile.
– Oi Ca, eu nem te ví.
Balancei a cabeça em sentido negativo e cruzei os braços.
– Por quanto tempo você acha que ia me enganar? Eu já sei de tudo. Você se juntou com Cauanne por que estava — e ainda está — com ciúmes de mim e Anna. Oh garotinha; chega de farsas. Ágata Besk, eu te expulso da minha vida e desse baile para sempre.
......
POV'S Anna.
Entrei no elevador, apertando o botão que me levaria até o jardim. Deslizei até o chão e coloquei as mãos em meus joelhos sem me importar se sujaria o vestido. Naquele momento, não era o vestido que estava sujo e sim, eu mesma.
A campainha soou, avisando que eu estava onde queria estar. Levantei-me e busquei um banco qualquer, me sentando nele. O céu estava fechado, sem estrelas e sem lua. Minhas lágrimas quentes rolavam. Fechei os olhos por frações de segundos, deixando-as descerem devagar.
– Você está bem? Eu ví o que aconteceu. — Uma voz feminina, doce, e conhecida falou.
Me virei para ver quem era a dona daquela voz. Cauanne... Cauanne...
– Não estou. Me deixe em paz, você já fez o suficiênte! — Exclamo.
Casa cheia de rosas, uma carta nas escadas , uma fita cheia de mensagens aos que se importam, colagens de palavras quebradas, histórias cheias de lágrimas. Lembrando a sua vida. Porque nós gostaríamos que você estivesse aqui. Nada é mais difícil, do que acordar sozinho, percebendo que nada está bem. É o fim de tudo o que conhece, o tempo continua passando, parece que continuo congelado nele. As cicatrizes são deixadas para trás, algumas são profundas demais para sentir.
Cauanne nada disse, apenas me abraçou fortemente como na vez em que ela e vóvó foram me buscar no aeroporto. Não recuei, senti a necessidade daquilo...
– Nada dura para sempre. Isso sempre acontece com as coisas boas como nossa amizade. É verdade, eu preferia trocar tudo, para salvar você de alguma forma. — Falou gentilmente.
Não está acabado. Só acaba quando eu dizer que acabou.
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