Diário de uma garota quase perfeita. - O Retorno.

17 O rélogio e a verdade part I. - 26 de dezembro.


Notas iniciais
''O tempo de espera é o pior Eu mal posso sentar Ninguém tem o tempo Alguém de nós duas estava sempre atrasada, Eu olho para você E você olha pra mim, Eu não sei por que Eu desci Eu seguro o telefone Não acorde Eu ouço uma voz No chão Diga-me, não me diga A parte difícil é dizer-me Algo que você não é provável que irá dizer, O tempo de espera é a culpa Eu pensei que a fama era uma viagem Todos nós temos o tempo Alguém é sempre temido Eu olho para você E você desvia o olhar'' OLÁ! Cheguei. NARRADO PELA CARINAA.

Anteriormente em diário de uma garota quase perfeita...

Estou pondo tábuas nas janelas, trancando meu coração. É como se a cada vez que o vento soprasse, o sentisse nos destruindo. Cada vez que ela sorri, a deixo entrar de novo. Tudo fica bem, quando você está parada no olho do furacão. É quando você me abraça, me abraça, Diz que me conhece, nunca ficarei só, Diz que sobrevivemos à tempestade...

– Você mentiu para mim! Você disse que tinha mudado. — Parei tomando folego. – Você não mudou, é a mesma Anna de antes, mil vezes mais vádia, mil vezes mais você. Estou cansada dos seus jogos. — Gritei.

Anna encarava o espelho fixamente, nem uma lágrima foi derrubada em minha presença.

Quem é ela? Onde está a Anna que eu conheço? Se foi, tão de repente? [...]

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Querido diário,

Aqui quem fala é a Carina! Sim, a autora dessas palavras futéis — sobre assuntos futéis, de uma amizade mais futíl ainda —. As coisas escritas nessas páginas que agora não estão mais em branco são realmente sem nexo nem um as vezes, isso não acontece só com o meu diário, a maioria das pessoas normais faz isso, não é que eu não queria completar a minha ídeia, é que simplesmente eu não sei como completar. É um pouco parecido com perguntas sem respostas, não acha?

Voltando a realidade, lembro-me de ter escrito aqui pela última vez quando cheguei em Londres certo? Espero que você não esteja decepcionado comigo por ter simplesmente te largado por todos esses mêses é que, minha vida anda tão agitada últimamente que acabo me esquecendo de você. Certo, certo! Vamos parar de drâma. Você ai é obrigado a me escutar, mesmo se não quiser. Essa é a sua função.

Você sabe que quando desabafo aqui, é por que briguei com Anna, ou por que me sinto sozinha quando não estou com a Anna. — Já percebeu que tudo escrito aqui gira em torna da Anna? (Eu sim) —. Essa ídeia me faz rir. Quero ver você adivinhar o que aconteceu agora. Se palpitou por dizer que nós batemos de frente de novo, está corretíssimo.

É, nós discutimos no baile de Natal do Couci Gold. Anna teve outra crise de idêntidade. Eu não reagi muito bem a tal ato, pois não estou mais acostumada a vê-lá tão fria, hipócrita e rude comigo.

Desde o ocorrido a três dias, ela não me dá noticias ou sinal de que está viva. Isso está começando a me deixar com saudade, pelo incrivél que pareça, estou sentindo falta daquela vádia me enchendo o saco todo dia, com mensagens logo de manhã. Simplesmente, eu ainda não aprendi a nunca me apegar de mais quando se trata de Anna King's.

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Tranquei o diário e joguei a chave em cima da cômoda. — Ninguém vai entrar aqui mesmo —. O som da musíca Valerie da Amy WineHouse no volume mais alto o possivél, ecoava no meu quarto me fazendo relaxar. Na sala, ouvi Renny cantarolando juntamente a mim.

Deitada de bruços na cama, fechei meus olhos e começei a balançar as pernas no ar. Claro, foi impossivél não me lembrar de Anna. Imaginei o quê ela estava fazendo sem mim naquele momento.

– Droga! Eu odeio brigar com ela. — Joguei a frase no ar a mim mesma, pensando alto.

Após minhas palavras, o apito do telefone do apartamento tocou, me tirando dos pensamentos e do sentimento de arrependimento. Renny gritou dizendo que eu deveria atender, por que ele estava ocupado fazendo algo, que até agora não sei. Provavélmente estava com uma torta de limão no forno. Apesar dele não ser muito bom de cozinha, aprendeu alguma coisa com seu pai, que por sinal é um exelente cozinheiro. Prova disso são as comidas que ele sempre levava nas feiras da escola em New York. Revirei os olhos e levantei-me correndo, rezando para que o aparelho não tivesse parado de tocar.

– Alô? — Falei, ofegante.

– Me encontre na frente do big-ben assim que o mesmo bater 3 horas da tarde. Estarei te esperando, lembre-se, venha sozinha. — Disse uma voz feminina, que ao mesmo tempo, parecia familiar aos meus ouvidos.

Sem me dar chances de resposta, a pessoa bateu o telefone na minha cara, me fazendo ficar feito uma idiota do outro lado da linha. Maldito. Uma luz surgiu em minha mente de repente, me fazendo associar aquilo a Cauanne, e todo o resto do acontecido no baile.

– Quem era? — Renny questionou.

– Eu não sei. Só sei que alguém quer me encontrar no big-ben as três. — Respondi incrédula com as minhas próprias palavras, levantando uma sombrancelha e fazendo a minha cara de '' eu não quero ir sozinha, por motivos que você sabe muito bem'', que só Renny sabia decifrar. – Apropósito, pode me explicar o por quê de estar vestido assim? — Gargalhei, ao me dar conta de que ele usava um avental de cozinheiro.

– Engraçadinha você. — Disse irônico. – Se esqueceu que uma certa pessoinha me botou para cozinhar um jantar para ela e o namorado? Eu ainda irei me vingar por isso Carina Monteiro, guarde essas palavras. — Concluiu esbravejando, indo novamente em direção a cozinha.

– Não se esquece que a Anna adora garotos como você. Não sei, se citei o fato dela ser uma romântica que não se assume. Será recompensado por isso baby. — Gritei da sala, e não obtive resposta.

Ótimo o deixei bravo. Adoro isso. Sorri e coloquei a mão na cintura. Meu melhor amigo era uma figura, na verdade, uma obra prima. Não perdi a oportunidade de debochar do momento, apenas para descontrair um pouco e esquecer o ar pesado que se juntou após aquele telefonema anônimo. De jeito nem um eu vou sozinha.

Com esse pensamento, passei a procurar o celular por todo o ambiente e acabei o encontrando no sofá da sala, jogado, no meio das cobertas, necessárias para a quantidade de neve que caía la fora. Achei na agenda o numêro de Anna e apertei o botão verde. Um, dois, três, quatro toques e nada dela atender. Resolvi tentar de novo. Em vão. Quatro toques novamente e desta vez a ligação caiu, como se ela tivesse visto de quem se tratava e simplesmente ignorado. Que diabos essa vagabunda está fazendo que não me atende? . Resolvi enviar uma mensagem:

From: Anna King's.

Preciso que você retorne o mais rapído possivél as minhas ligações. Eu aceito que você esteja brava e tudo, mas eu preciso de você e você precisa de mim. Por favor, não me deixe sozinha.

Kisses,

– C.

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Depois de meia hora fazendo ligações para todos os conhecidos meus, incluindo Willy e a avó de Anna, nada de informações sobre o paradeiro da minha melhor amiga. Olhei para o relógio na parede do apartamento, o ponto menor se encontrava entre o dois e o três e o maior no nove. 2h45min. —. Onde ela se meteu, e justo agora? —. Sem perder mais tempo, vesti meu sobretudo preto, acompanhando da minha bolsa chanel marrom. Avisei a Renny que iria sair então, bati a porta com força. Apertei o botão do elevador que me levaria a entrada do hotel e em frações de minutos, eu já me encontrava dentro da limousine a caminho do centro da cidade. O motorista ligou o radio do carro e o playlist foi direto na melódia Ho Hey, uma das minhas músicas favoritas daquela banda.

''Eu tenho tentado fazer certo

Eu tenho vivido uma vida solitária

Eu tenho dormido aqui as vezes

Eu tenho dormido na minha cama

Eu não sei aonde eu errei''...

– Mrs. Carina, nós chegamos. — Avisa o motorista, descendo do carro e abrindo a porta para que eu pudesse sair.

Coloquei o salto da bota na calçada e caminhei sobre a mesma em direção ao Rio Tâmisa, que corta Londres no meio da cidade por inteira. Parei por ali mesmo apreciando a vista, afinal, o big-ben não era longe. Estranhamente um poema me veio a cabeça:

Se eu disser que as flores sorriem e se que os rios cantam não é porque eu julgue que há sorriso nas flores e cantos no correr dos rios. É porque sinto pena dos homens falsos cuja é a existência verdadeiramente real das árvores e das flores. Sacrifica-me às vezes, a sua estupidez de sentidos. Por que eu sou só essa coisa séria, uma intérprete da natureza; os homens não percebem a sua linguagem, por ela não é linguagem nenhuma.

Eu não disse Rio Tâmisa Mrs. Carina, e sim big-ben. — A mesma voz do telefonema surgiu, vindo de trás de mim, ao vivo eu a reconheci. – Eu sei que esse lugar tem tudo haver com você ainda mais no inverno, mas vamos ser realistas! Só eu tenho direito de vir aqui quando estou com saudades de alguém, inclusive se esse alguém for você.

Soltei um riso baixo e me virei. Não precisava de comprovação nem uma que era quem eu achava que era. Fitei o chão e coloquei a mão no bolso do casaco.

Mrs. King's, você me assustou sabia? Opa! Esqueci que você é mestre em me enganar as vezes. — Ironizei, percebendo que ela tinha seus sentimentos vuneravéis a mim, isso não é de hoje.

Ela cruzou os braços tentando se fazer de forte como sempre, tentei manter contato visual mais Anna não deixava, seus olhos fugiam de foco e em certos momentos chegavam a marejar.

– Já deve imaginar o por quê te chamei aqui, ou por quê eu sumi do mapa para você, pela milésima vez seguida. Porém, eu não consigo... — Anna não pode completar e completei eu mesma.

– Ficar longe por muito tempo? — Continuei com o mesmo sorriso no rosto.

Ela assentiu com a cabeça vindo se aproximando e me dando um daqueles abraços pós briga. Ficamos assim, até Anna resolver para o abraço, fazendo nós duas nos separarmos, fitando em seguida, o grande relógio do big-ben.

– Nós precisamos conversar. Eu andei pensando e... eu preciso te dizer toda a verdade, enquanto ainda tenho oportunidade, nós não temos muito tempo.

Continua...

Notas finais
E ai? Só eu estou achando que a Anna sabe quem é que está as perseguindo o tempo todo mas não teve coragem de falar até agora? Hahaha, isso vocês vão descobrir no próximo capítulo, por que euzinha aqui adoro fazer um suspence. Só por que sou muito boazinha, essa é a minha deixa para vocês ''https://www.youtube.com/watch?v=4WtRxtb97GU'' - O grito de Guerra de Carina e Anna. Fiquem em paz e até semana que vem! Beijos. - Mrs. CarinA.