Diário de uma caçadora de Ártemis
4 Depois do jogo...
Notas iniciais
Após o jogo vi Jason cumprimentando Thalia por ter ganhado dele, ele não ficou chatiado por ter perdido, não conhecia a irmã à muito tempo mas já sabia o quanto ela era boa estrategista. Não costumávamos ficar na fogueira com os campistas, mas como tínhamos ganhado o capture a bandeira resolvemos comemorar. Como de costume o chalé de Apolo liderou a cantoria, todas as caçadoras sentaram juntas na extremidade leste do anfiteatro, comendo doces e se deliciando com o desanimo dos campistas que perderam o jogo.
Fui até a mesa buscar mais guloseimas, mas me arrependi amargamente, à caminho avistei Thomas indo na mesma direção, ele sorria pra mim novamente, pensei em dar meia volta e dizer pras caçadoras que os doces tinham acabado ou ir direto pro chalé de Ártemis, mas ele também tinha me visto e se eu o fizesse ele perceberia que eu o estava evitando, e por algum motivo eu não queria isso. Pensei em confrontalo, perguntar porque não me deixava em paz, ou porque tinha me insultado me tratando como uma garota indefesa. Segui até a mesa e comecei a pegar as guloseimas, logo ele parou ao meu lado, fazendo o mesmo.
– Foi uma boa luta — disse ele com um sorriso.
– Não pra você — respondi carrancuda.
– Bom, eu sou novo aqui, mas acho que se eu tivesse treinado um pouco mais você não estaria dizendo isso agora.
– Nem que você treinasse um bilhão de anos venceria uma caçadora numa luta.
– Acho que está errada — disse ele — quer apostar que, se eu treinar, em um mês eu consigo te vencer numa luta?
– Com certeza não, e eu nunca estou errada — respondi, evitava olhar diretamente nos olhos azuis dele.
– Porque vocês ficam sempre na defensiva? — perguntou.
– Vocês quem? Não estou vendo mais ninguém aqui.
– Vocês caçadoras.
– Então você também anda perturbando outras caçadoras? — perguntei — Além do mais, não estou na defensiva.
– Não, não ando perturbando nenhuma outra, só a mais bonita. E sim você está na defensiva.
Senti minhas bochechas queimando com o comentário.
– Então você perturba apenas a mim? O que eu fiz pra merecer isso? — falei um pouco dramática.
– Acho que não consigo evitar, então, você é filha de Afrodite não é? Bem que imaginei.
Revirei os olhos.
– E você é filho de Hermes?
– Nem, sou filho de Apolo.
– Então porque estava sentado à mesa de Hermes? — perguntei. "Ele é filho de Apolo?" pensei "o deus mais convencido e egocêntrico, até que faz sentido".
– Parece que alguém anda prestando bastante atenção em mim — disse ele.
– Prestei atenção nada, só vi porque não sou cega, agora responde.
– Estava indeterminado, mas fui reclamado por Apolo à algumas horas.
– Bem, não importa quem é seu pai — falei. — Você ainda não conhece as regras? Caçadoras não gostam de garotos, e garotos não devem perturbar as caçadoras, que, são caçadoras e sabem muito bem como enfiar uma espada no pescoço do garoto que as perturbar — falei, numa indireta muito direta. Ele continuava me olhando nem um pouco intimidado, aqueles olhos eram tão lindos... Foco! — disse pra mim mesma.
– Eu não costumo seguir as regras — disse ele — e você fica ainda mais bonita fazendo ameaças.
– Thomas, por favor, você vai me criar problemas se continuar assim — falei suplicante.
– Thomas é sobrenome, me chame de Liam — disse ele.
– OK, Liam, você poderia parar de ficar me seguindo?
– Não estou te seguindo, só vim pegar doces — disse ele jogando uma bala direto na boca.
– Melhor assim...
– Mas já que você está aqui — continuou ele. — Aliás, você não me disse seu nome — olhei para ele fazendo cara feia — Você tem um, não tem?
– Claro que tenho um nome — falei.
– Então? Qual seu nome?
– É Selina — disse por fim.
– Bonito — disse ele — Posso te chamar de Sel?
– Não.
– Lina?
– Não.
– Cara, você é difícil heim? — disse ele.
– Então porque você não desiste?
– Se fosse fácil não teria graça.
– Então você fica me perturbando porque me acha engraçada?
– Em parte, mas eu gosto de você — disse ele me surpreendendo.
– Podemos ser amigos se você aceitar — falei -, e se parar de ser inoportuno.
– Eu tinha algo mais em mente — respondeu. — Mas pode ser, por enquanto — disse Liam com um sorriso maroto em seus lábios — pelo menos até você se apaixonar por mim.
"Esse não é o problema, eu já me apaixonei" pensei mas não disse.
– Quanto a isso pode ficar tranquilo — falei — não vai rolar — foi difícil falar isso olhando nos olhos dele, mas o fiz.
– Abraço? — perguntou.
– Não força!
– Tudo bem — disse ele — te vejo depois, Lina!
E ele voltou sorrindo pra fogueira, logo em seguida fui também, pensando "Onde eu fui amarrar meu burro?".
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