Diário de uma caçadora de Ártemis
5 A melhor arqueira
Notas iniciais
Todas as caçadoras acordaram mau-humoradas no dia seguinte, não é fácil pra pessoas que vivem um vida perigosa matando monstros e detestando meninos passarem uma semana tranquila num acampamento onde se pode encontrar garotos em todas as direções que olhar, mas não poderíamos seguir sem Thalia e ela precisava passar um tempo com o irmão que passou anos pensando estar morto. Pra termos algo pra fazer Thalia pediu à Quíron que cancelasse a aula de arco e flecha com os campistas pra que nós pudéssemos treinar sozinhas, ele concordou.
Passamos a manhã inteira no campo de tiro com arco fazendo uma competição que foi bastante acirrada. Todas as caçadoras tinham benção de Ártemis, e eram ótimas arqueiras, mas pra se destacar numa competição interna era preciso ter sido boa arqueira desde antes de ser caçadora, e eu era.
Eu já estava com meu novo arco prateado, que era um pouco melhor que o anterior, e estava mesmo precisando me acostumar com ele.
À principio nos dividimos em grupos, éramos quinze competindo, já que Thalia seria juíza, então nos dividimos em três equipes de cinco, e depois a equipe que ganhasse das outras competiria entre si.
Eu, Phoebe, Anna, Maira e Halley ficamos num mesmo grupo. Começamos com alvos comuns à uma distância de trinta metros, os alvos tinham pontuação de um à dez contando da borda pro meio. Cada garota atiraria três vezes pela sua equipe e Thalia contaria os pontos. Haley foi a primeira da equipe à atirar, ao mesmo tempo que uma garota de cada uma das outras equipes.
Ela alinhou a primeira flecha, mirou e não acertou exatamente no meio, fez nove pontos. Nas duas outras tentativas Halley atirou perfeitamente no centro do alvo, fazendo vinte e nove pontos ao todo. As outras equipes conseguirão trinta pontos.
Depois foi a vez de Phoebe, ela era muito boa arqueira e acertou o centro nas suas três tentativas, fazendo mais trinta pontos.
Maira fez vinte e nove pontos nas suas tentativas e Anna fez vinte oito, ela ficou chatiada por ter feito a pontuação mais baixa, mesmo ainda sendo uma ótima pontuação.
Na minha vez estávamos com 116 pontos, as outras equipes estavam com 114 e 116, se acertasse todas e a garota da equipe que estava empatada com a gente também teríamos um desempate.
Preparei minha primeira flecha, Linna e Drew também se preparavam pra atirar pelos seus respectivos grupos. Olhei pro alvo e me concentrei, alinhei a flecha ao meu queixo, mirei perfeitamente no centro do alvo e a soltei, vi a flecha indo em alta velocidade em direção ao alvo e atingindo a marca de dez pontos. Na segunda tentativa eu repeti o ritual com a mesma precisão e acertei novamente bem no centro.
Linna e Drew também tinham conseguido vinte pontos, era a última tentativa. Preparamos mais uma flecha e atiramos, seria melhor se Drew tivesse errado um pouco, porém ela, assim como eu, acertou novamente no centro do alvo. O grupo de Linna já tinha perdido e o desempate seria no mata-mata, ou seja, eu e Drew atiraríamos várias flechas seguidas à cinquenta metros do alvo até que uma de nós errasse pelo menos um ponto. Eu não poderia errar de nenhuma maneira.
Seis vezes seguidas nós atiramos perfeitamente fazendo dez pontos a cada rodada, mas na sétima vez Drew, não faço ideia de como, errou totalmente o alvo não fazendo nenhum ponto, foi quase como se a flecha tivesse vida própria, minha equipe ganhou. Ninguém mais tinha ideia de como ela tinha errado tanto, pois Drew era uma das melhores arqueiras, mas eu sabia, a única explicação era uma praga de um filho de Apolo.
Procurei ao redor e vi Anthony assistindo a competição de longe rodeado de um grupo de garotos que imaginei ser seus irmãos. Só pode ter sido ele que fez isso, eu queria avisar as meninas, não há nada mas desonroso que ganhar algo com trapaça, mas não podia denuncia-lo, ele podia ter problemas com isso e principalmente elas perguntariam porque ele faria algo pra me ajudar e eu não poderia mentir pra elas.
Decidi continuar na competição rezando pra que ele não fizesse de novo.
A segunda parte seria com alvos móveis que eram bonecos alvos com rodas na base que se moviam magicamente tentando se esquivar das flechas. Errar uma única flecha já significava eliminação.
A primeira a errar o alvo foi Anna, na quinta vez que atirou. Depois de mais algumas rodadas Halley também errou e foi eliminada. Maira foi a próxima, depois de muito acertar, ela mirou num alvo sem prestar muita atenção no padrão de movimento dele e acabou errando por pouco. Phoebe era uma ótima arqueira e continuou acertando sempre, assim como eu. Uma competição entre nós duas poderia durar bastante, então eu fiz o que minha consciência mandou. Eu Mirei um pouquinho adiantada num dos alvos que, eu sabia, estava prestes a mudar de direção. Parecia que a flecha acertaria, mas o alvo mudou sua direção quando a flecha estava chegando perto e ela acabou fincada na grama algumas metros além do alvo. Acho que fiz o certo, sei que Phoebe poderia me vencer sem isso, mas se eu acabasse vencendo ficaria de consciência pesada.
Thalia anunciou que Phoebe havia ganhado e todas deram vivas à nossa melhor arqueira. Phoebe veio até mim.
– Você foi muito bem, Sel, achei que fosse ganhar.
– Bem, não foi dessa vez — falei num tom despreocupado. Ela merecia ganhar.
Depois da competição fomos todas tomar banho antes do almoço. Mas eu só queria encontrar logo Liam e perguntar sobre aquilo. O que ele achou que estava fazendo? Primeiro: Eu não gosto que tentem me ajudar. Segundo: Eu jamais aceitaria vencer algo por trapaça.
Se tiver sido ele mesmo então não será uma conversa agradável.
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