Notas iniciais
Oi, alguém tem ideia de capa?

Acordei no outro dia com uma dor de cabeça infernal, poderia jurar que tinha alguém apertando ou alguma máquina prensando meu cérebro. Me sentei. O peso da cabeça desceu pelo corpo e me deixou fraca, alguns instantes depois minha visão estava completa por pontinhos pretos. Como se fosse automático abri a gaveta do bidê e puxei a cartela de remédio que eu sempre escondia comigo, já que minha madrasta era contra “Drogas”. Engoli junto com a água da garrafinha e me virei para acordar minha amiga.

Cutuquei-a chamando.

_Mari, acorda feia.

_Fala sério, Gus.

Oi??? Por acaso meu porre de ontem deixou minha voz grossa?

Segurei suas duas mãos e puxei para que ela ficasse sentada, só então abriu os olhos e limpou a remela.

_Fala sério, Mia. –ela disse mal humorada.

_Melhor assim. – me referi ao nome – sabe, daqui a pouco meu pai passa nos quartos para chamar pro café e preciso saber se você não hibernou na minha cama né. E além disso você deve esquecer tudo que se passou depois da janta ontem ta? Por favor não menciona nada, muito menos eu na mesma frase que álcool.

_Duvido que foi só álcool Améllia, teus amigos são muito louco. Nunca te vi assim.

Comecei a gargalhar.

_Só para acabar com mais uma barreira entre nós, vou deixar claro que nunca fumei sequer maconha. Ta bom?

_Nem experimentou? –ela ainda desconfiava.

_Meu tio Enzo é o que mais prende jovens em SC por APENAS utilizar isso. Não importa se foi uma vez ou cem vezes ele dá um jeito de colocar a pessoa atrás das grades. Quando eu tinha doze anos tive duas semanas para montar um relatório de pesquisas das dez drogas mais utilidades no Brasil. E não foi legal! Principalmente repetir dez vezes cada efeito colateral delas.

_Estou com medo de conhecer o resto da sua família! A do seu pai já não é bem certa né. –ela afirmou e eu não me ofendi, pois também achava isso. – mas cara será que dá pra gente ir comer agora? Tem um buraco negro na minha barriga.

Descemos as escadas e já estavam todos na mesa, menos as crianças que –graças a deus- dormiam até tarde.

Logo que nos sentamos o Gus começou a falar:

_Meninas – olhou para mim e para a Mari — meu pai ligou faz meia hora. Ele recebeu um e-mail da escola. Criaram um ambiente de aprendizagem online, e vai ter muito mais tarefa e trabalho, por isso ele me quer em casa. Até comentei sobre a ponte que tinha estragado, mas parece que já consertaram. Então eu queria agradecer mesmo –Gus olhou para meu pai – por ter nos hospedado aqui, senhor.

_Vocês podem voltarem quando quiserem. Mas espero que não soe inconveniente, vocês foram na hora certa. Améllia Catarina sua mãe ligou pedindo para que fosse pros seus avós. Eu também vou ao casamento, mas preciso resolver muitas coisas antes.

_Pode deixar que ela vai comigo, senhor Kuertte.

_Como assim ela vai com você garoto?

_Eu também fui convidado. – Nate se defendeu.

_Aé e por qual motivo? – minha madrasta se meteu.

_Porque o tio fez o sitio com a construtora do pai dele né. – falei a primeira coisa que me veio na cabeça.

Nate me olhou arregalado, mas entendeu meu lado. Aquela conversa não ia acabar legal.

_É verdade até eu já estive visitando o lugar, é bem bacana. – ele me ajudou a mentir.

_É verdade, mas eu não colocaria minha herança toda naquilo lá. Poderia ter investido em tantos outros negócios. – meu pai começando com suas ambições.

Terminei meu suco e dei qualquer desculpa para sair das conversas do meu pai.

_Enfim pessoal, precisamos arrumar nossa mala, não? – perguntei para que sentissem a indireta.

Subimos nós quatro e entramos no meu quarto. Ficamos jogados em qualquer canto –para variar- conversando baixo sobre ontem.

_Ei o que rolou com vocês. –Mari perguntou curiosa olhando pra mim e pro Nate.

_A vadia da Isabele Fontana se metendo entre nós. – Nate bufou, ele odiava que eu falasse assim dos seus amigos.

_Améllia .... –ele ia começar a me repreender e eu estendi a mão para ele em sinal de stop.

_Ta bom. – falei fazendo aquele sinal.

E depois ficou um clima tenso, até que o Gus resolveu quebrar isso e o silêncio que tinha se instalado comentando:

_Meu, eu nunca vi a Mia dançar tanto. Meu deus quantas doses você virou? – ele falava com um sorriso impressionado.

_Ah augustinho, tu nunca tinha me visto dançar. –Dei uma gargalhada com o resto da turma. –eu não lembro mas acredito que mais de quatro na tequila não foi. Eu sempre estou tonta na segunda, não aguentaria outras duas dose.

_Então vamos apostar! – Gus falou e foi cortado por alguma batida na porta.

_Mana? – ouvi uma voz fininha e baixinha de sono.

_Oi amor, pode entrar. – Leninha entrou com seu pijama da frozen e abraçada ao boneco Olaf.

Sentou no meu colo e me abraçou.

_Bom dia gente. –falou como gente adulta e sorriu aparecendo as covinhas.

_Mia, desse calmante para ela também? – Gus perguntou.

_Ela é assim quando acorda, SÓ quando acorda. –enfatizei.

_Eu vim aqui para te contar meu sonho, nós estávamos no castelo do gelo – dá pra notar o quanto ela é viciada em frozen né? – ele era tão bonito, ai a gente brincava na neve e estávamos com vestidos de princesas. Nós duas. – ela sorriu ainda mais e eu ri me imaginando com um vestido de princesa- Era tão legal. Só que o seu vestido era mais bonito. –ela fez beiço — Mas ai a gente troca. Né?

_Eu já sei o que eu quero apostar. – Gus falou com um sorriso meio diabólico.

_Então me diga, querido.

_Se você não conseguir beber cinco doses de tequila sem vomitar vai usar um vestido de princesa por um dia todo. –todos riram –topa?