Notas iniciais
Vocês gostam de drama? Espero que sim haha.

—E quando eu ganhar você vai ser meu escravo por duas semanas. Então é claro que — eu aceito, antes que terminasse a frase o Nate me cortou.

—Claro que não né. Ela nunca te contou que tem diabetes? – ele falou grosso olhando para o Gus e continuou – Você sabe O QUE isso pode fazer? Pode abaixar tanto a glicose a ponto de ela entrar em COMA HIPOGLICÊMICO. – ele terminou gritando.

Todos ficamos assustados com a reação dele, Nataniel parecia tão irritado. Acredito que reagiu assim pelas vezes em que teve que me “socorrer” inclusive uma vez em que estávamos sozinhos e começamos a beber muita ice, como era fraca continuei tomando sem checar minha glicemia. A glicose no meu sangue baixou tanto que desmaiei e acordei no hospital ouvindo o batuque dos saltos da minha mãe no chão e sendo observada pelo Nate que suava frio. Depois dessa vez, ele nunca me deixava beber muito. E me obrigava a carregar o teste de glicemia onde fossemos.

Momento orgulho: Mas atualmente não dei entrada em nenhum hospital faz oito meses e treze dias. Isso é um recorde pra mim! Até um ano e meio atrás eu tinha vergonha de ser doente, ninguém sabia da minha diabetes. E por isso me comportava como os demais, nem sequer tomava insulina na escola -só as vezes quando conseguia carregar minha mochila para o banheiro. Comecei a me aceitar depois que minha mãe me obrigou a fazer terapia.

Por isso fiquei tão furiosa com o meu namorado, por que a vida é minha. Eu quem tenho que cuidar de mim, sou capaz disso agora.

—ISSO É PROBLEMA MEU! – respondi Nate no mesmo tom.

—E AQUELE PAPO DE NÃO CHEGAR ATÉ OS TRINTA ANOS? Sendo assim irresponsável não vai durar muito mesmo – Sim, eu já disse isso. Várias vezes. A cada exame feito. A cada órgão cujas funções desregulavam. E o Nataniel fez questão de jogar na minha cara na frente do Gus e da Mari.

—Isso não tem nada a ver com meus amigos. –falei com a voz que me restou depois de um nó se formar na garganta.

Me levantei da cama, meu casal de amigos estavam de mãos dadas observando-me sem saber o que fazer. Espantados. Caminhei até sair do quarto e fechei a porta lentamente. E agora para onde vou? Eles estavam no MEU quarto.

Entrei na primeira porta que vi. Encostei-me na parede e me permiti escorregar até o chão. Abracei minhas pernas e chorei silenciosamente me perguntando porque comigo. Com tantas pessoas no mundo, porque não um idoso que já vai morrer. Eu ainda tenho a vida inteira pela frente, poxa.

—MIA. – Nataniel batia na porta. — Por favor abre. Eu não queria dizer isso. Me desculpa.

Me levantei do chão e limpei as lágrimas, aos poucos consegui parar de chorar. Ô coisa difícil.

Abri a porta e me virei de costas. Nate entrou e fechou a porta atrás da gente. Ele tocou meu ombro e eu esquivei.

—Me desculpa. Por favor. Eu sei que não devia ter gritado.

—Me magoou. – fui sincera.

—Eu só quero o seu bem. Quero um a vida inteira ao teu lado. Vou cuidar de ti.

—Eu sei me cuidar, Nate.

—Não estava parecendo. Olha só eu me preocupo ta? Por favor tenta me entender.

Ele me puxou para um abraço que eu não esperava, me apertou e meu corpo — louco — soltou mais algumas lágrimas. Depois lavei o rosto e tentei parecer normal. O que não deu certo, já que meu nariz me denúncia.

Quinze minutos depois eu estava na varanda de casa me despedindo dos meus amigos. O taxista já havia colocado as malas no bagageiro e eles só estavam dando os últimos “tchau’s”.

—Me desculpa pelo ocorrido mais cedo. E também por não ter te dado tanta atenção. E por todas as outras coisas ruins que aconteceram aqui. – disse no ouvido do Gus, quando o abracei.

—Não foi nada, minha linda. Gostei de conhecer um pouco mais sobre você: sua família. E na boa, me liga. Até para chorar tu pode. – ele falou, sorriu e me fez sorri também.

Notas finais
Bye bye.