Diário de Isabela......parte 2
23 Téo, cuida da minha família....
Notas iniciais
Quando amanheceu, eu estava cansada, passei a noite acordada, primeiro pelo Téo, que não estava bem, segundo eu é que não ia conseguir dormir com a família monstro lá em cima. No instante que enxerguei o Téo, me tranquilizei, ele ainda não acordava, mas já não estava com febre, e não estava mais pálido, já conseguia notar um pouco de cor no rosto dele.
A porta do porão se abriu, e o pai da Camila, entrou, como medico, ele notou que o Téo passou uma noite difícil, e percebeu que eu estava acabada.
— como ele passou a noite.
— com febre, só abaixou agora de manhã.
— é normal.......ele vai ficar bem, eu trouxe outros remédios.
— você acha que ele quebrou mesmo a perna.
— acredito que não, pra mim, parece mais uma inflamação no osso devido a queda, junto com os ferimentos que estão infeccionando.......ele vai melhorar.
— você podia soltar a gente..... você não parece tão ruim.
Ele me olhou.
— porque você aceitou fazer isso....... você se arrependeu....por isso que está ajudando a gente.
— eu precisava de dinheiro....eu estava falido.....e a Renata e a Camila.....não queriam viver na pobreza......então eu vi a Regina.....e.....
— e ela convenceu você a ajudar ela.
— é........mas agora eu não posso desistir......já fui longe demais......eles me matariam se eu tentasse sair.
— e o que vão fazer comigo.
— eles querem somente o seu dinheiro.
— você realmente acredita nisso.
— olha.....o garoto daqui a pouco vai ser libertado.......você eu não sei.
Ele me olhou, parecia que não acredita nas próprias palavras, ele deixou mais agua e sanduiches e uns remédios, e saiu. Ele deixou só dois sanduiches, o Téo estava fraco, precisava se alimentar, então eu só tomei um pouco da agua, deixaria o lanche pra quando ele acordasse.
Depois de um tempo, o Téo acordou, eu ajudei ele a tomar o remédio, a tomar agua, e a comer.
— pode comer Téo.
— e você.
— ah..... eu já comi um.....eles trouxeram três sanduiches.....eu comi um e deixei dois pra você.
— e você não quer mais um pedaço.....esse sanduiche é pequeno, você vai ficar com fome, só com um.
— não Téo.....você sabe que eu sempre comi pouco, pra não engordar.......então to acostumada....pode comer.
Eu estava com fome, mas ele precisava mais do que eu......... e era culpa minha ele estar aqui. Ficamos deitados naquele colchão, sem falar nada, será que ele estava arrependido de ser meu namorado, bem eu só trouxe problemas pra ele.
— sabe Isa.
— que.
— quando você me disse sobre eles....eu nunca imaginei que eles fariam algo contra mim.
— é pra me atingir.
— eu sei......mas eu não estava muito preocupado comigo, e sim com você e com a Manu......eu achei que eles iriam sequestrar uma de vocês e não eu.
— deve ter sido ideia da Camila.
— como assim.
— esse tempo todo....ela ficou de olho em mim......e percebeu uma coisa.
— o que.
— que você é o meu ponto fraco, Téo..
Ele olhou pra mim.
— você também é o meu ponto fraco Isa, eu não conseguiria seguir minha vida sem você.
— o pai da Camila, me disse que vão soltar você.
— mas e você.
— não......só você.
— eu não vou sair daqui sem você.
— não seja burro Téo.
— Isa.....eu sei perfeitamente, que se eles me soltarem, já estarão muito longe com você...... e você também sabe.
— eu sei.....mas dai você conta pra minha família o que aconteceu, fala que a Regina tá viva......e.....
— e.
— você me promete uma coisa Téo.
— o que.
— cuida da minha família.
Ele olhou pra mim apavorado.
— cuida da Manu, ela é tão bobinha, precisa de alguém pra orientar ela, diz pra minha mãe, que apesar de eu não ter sido criada por ela, eu a amo muito, diz pro Otávio cuidar bem delas, e diz pra minha vó que ela é muito especial pra mim.
— Isa...o que...
— e Téo, você foi o único garoto que eu permiti que se aproximasse de mim, foi meu melhor amigo, quando eu me passava pela Manu, sempre me ouvia, depois eu me apaixonei, e você é incrível, eu nunca pensei que aquele garoto cego, amigo da Manuela, um dia seria o amor da minha vida; você me transformou em outra pessoa.
— Isa....
— e nunca se esqueça......que eu te amo........entendeu.......não se esqueça de mim.
— PARA COM ISSO......ISA......- ele gritou.
— Téo me promete.
— eu não vou prometer essa loucura, porque a gente vai sair dessa junto.
Eu queria acreditar nisso, mas a forma que o pai da Camila me olhou, eu sabia, eles já tinham pensado num destino pra mim.
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Enquanto isso.....
— mãezinha.....eu preciso contar uma coisa.....talvez ajude.
— fala Manu.
— sabe a Camila.
— a nova vizinha.
— a Isa acha que ela é sobrinha da Regina.
— O QUE.
— eu não sei se é verdade, mãe, mas.....
A Rebeca nem deixou a Manu terminar de falar, e chamou a policia, eles revistaram toda a casa, mas não acharam nada, afinal, o Téo tinha razão, ninguém acharia aquele porão, e também não tinha nem sinal da Regina, nem do Geraldo.
Na praça.....
— e ai Manu...... alguma novidade.
— não Omar.
— eu soube que revistaram a casa da Camila.
— não tem nada lá.
— tem certeza.
— como assim.....
— eu acabei de ver eles saindo de casa.
— que.
— e o carro estava cheio, tava a Camila, a mãe dela, o pai, uma mulher ruiva muito parecida com a mãe da Camila, e o Geraldo.
— o Geraldo...... você tem certeza....
— sim....eu já vi ele com o meu pai.....e por isso que eu sei quem é.
— a Isa tinha razão....e....espera.....você disse mulher ruiva.......como era essa mulher.
— eu não vi direito....... mas agora que a casa esta vazia porque a gente não vai lá ver......e.....
— e...
— levamos o manteiguinha junto.
— porque.
— será que eu sou o único que tem cérebro nesse vilarejo......se o Téo colocou os pés naquela casa, o cachorro vai saber.
— é verdade....
Então a Manu e Omar chamaram o Mateus e o Joaquim para irem juntos e levaram o cachorro e invadiram a casa. Assim que entraram o manteiguinha começou a latir sem parar, começou a cheirar tudo e parou em frente a uma estante, e começou a latir.
— o que foi manteiguinha. – disse a Manu.
— não é obvio......tem alguma coisa atrás dessa estante. — disse o Omar.
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