Diário de Isabela......parte 2
22 No porão...
Notas iniciais
Eu estava com frio, com fome e estava ficando escuro naquele porão, o Téo continuava no mesmo lugar sentado, e eu andava de um lado pro outro, eu sabia que não adiantava nada, não tinha saída, mas eu não conseguia ficar parada.
Me sentei naquele colchão imundo, e olhei pro Téo, foi então que reparei que ele de vez em quando colocava a mão na perna.
— o que ouve.
— que.
Eu fui até ele, ele tentou se levantar mais caiu de novo no chão.
— o que tá acontecendo.
— nada.....não precisa se preocupar.
— TÉO.......FALA....
— eu acho que quebrei a perna.
— como assim.
— é que quando eles me jogaram aqui, eu rolei pela escada, e depois o Geraldo, me pegou e me jogou aqui nesse canto, eu senti minha perna doer muito, e depois que você me desamarrou, eu não consegui levantar.
Eu notei que ele estava ficando pálido....... e então a porta do porão se abriu, e um homem que deveria ser o pai da Camila entrou trazendo uma garrafa de água e dois sanduiches. Eu fui até ele.
— nem pense em fazer nada garota. – ele me disse.
Mas antes que ele saísse, eu disse.
— por favor, ajuda o Téo, ele não tá bem.
Ele me olhou, depois olhou pro Téo, e depois saiu, mas voltou logo depois com o Geraldo, pensei que eles iam fazer alguma coisa contra gente, mas ele trazia uma maleta.
O Geraldo, pegou o Téo e jogou ele em cima do colchão, ele gritou pela dor na perna.
— ficou maluco Geraldo.....se esse garoto morre aqui.......você me prometeu que não haveria mortes......eu sou um bandido, e tudo mais, mas assassino eu não sou.
— mas...
— fica quieto e me ajuda.
O pai da Camila, enfaixou a perna do Téo, não foi uma coisa bem feita, devido ao local e as condições, mas era tudo que tínhamos.
— olha garota, isso vai ajudar que ele não sinta tanta dor, vou deixar esse remédio, pra dor e um anti-inflamatório, e amanha eu volto........e ali tem comida, ele precisa se alimentar.
— obrigado.
Ele me encarou, e por um momento, ele parecia arrependido, talvez ele não fizesse ideia de onde tinha se metido, e agora não conseguia sair dessa situação.
Eles saíram, eu fui até o Téo, peguei a garrafinha com água, e o remédio, e ele tomou; depois peguei os sanduiches, quando terminamos de comer, o porão estava completamente escuro.
— eu não consigo nem ver você Téo.
— eu to aqui do seu lado.
Ele segurou a minha mão.
— sabe o escuro não me incomoda, eu passei tanto tempo assim, que é como se eu estivesse cego de novo.
— mas pra mim, eu me lembro dos dias no hospital, eu tenho pavor do escuro Téo.
— eu sei.
Eu me deitei ao lado dele, estava ficando frio, o Téo parecia que tinha adormecido, mas quando eu toquei nele, ele estava muito quente, estava com febre. E agora o que eu faço, não conseguia nem ver ele.
Tirei o meu turbante, e com dificuldade achei a garrafa de água, derramei o restante da agua no meu turbante, e comecei a passar pelo rosto do Téo, ele não falava nada, eu estava em pânico.
Comecei a chorar no escuro, e fiz uma coisa que eu não fazia a muito tempo, uma coisa que a Manuela até tentava me ensinar, uma coisa que eu sempre achei desnecessário. Eu orei, fiz uma oração pedindo que encontrassem a gente, que a febre do Téo passasse.
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Enquanto isso.....
Todos já haviam notado o sumiço da Isabela, enquanto uns achavam que era coisa de namorados, a família Agnes e a Cavichiolli, estavam na sala, preocupados.
A dona Fiorina chorava sendo consolada, acredite se quiser, pela dona Nina; o Otávio, o Pedro e o seu Giuseppe, ainda procuravam pelo vilarejo, a Rebeca chorava abraçada a Helena, mas a Manu estava distante junto com o Joaquim, o Mateus e a doida da Sabrina.
—Tem certeza, Manu.
— tenho, alguém sequestrou o Téo, a Isa foi atrás dele e pegaram ela também.
— mas....como você pode ter tanta certeza.
— porque eu sinto, que é isso, eu sempre senti quando a Isa tava em perigo, e é o que eu estou sentindo agora.
— mas o que a gente vai fazer. – disse o Mateus.
— eu posso usar meu talento de detetive e investigar.
— SABRINA. – disseram os três juntos.
— calma gente, eu to falando serio........olha o que eu achei de tarde, quando eu sai pra procurar.
De dentro da bolsa ela tira a boina do Téo.
— meu deusinho. – disse a Manu.
— e do Téo. – disse o Joaquim.
— porque você não mostrou isso antes ....... em Sabrina !!!! — disse o Mateus.
— porque eu estava investigando, quando eu achasse o Téo, todo o vilarejo, ia ficar orgulhoso de mim..
— VOCÊ É DOIDA SABRINA......A ISA TEM RAZÃO SOBRE VOCÊ !!! – disse a Manu, todos olharam pra ela, por um momento parecia mais a Isabela do que a Manuela.
— calma.
— como calma, a minha irmã tá em perigo, o Téo também, e você esconde uma informação dessas, que atitude infantil.
— mas Manu.
— diz logo onde você achou isso afinal.
— aqui na rua de trás, estava no chão, perto de uma mancha vermelha.
— QUE TIPO DE MANCHA VERMELHA !!!!! – os três disseram juntos.
— não sei, parecia...... – ela ficou em silencio, parecia que somente agora tinha se dado conta do que podia ter acontecido. — ai meu Deus.....
— o que foi Sabrina.
— FALA DE UMA VEZ.
— sangue.
Eles ficaram em silencio, e a Manu começou a chorar, o Joaquim abraçou ela. A Sabrina também começou a chorar, mas o Mateus estava tão chateado com a atitude da Sabrina, que nem se aproximou dela.
Já era muito tarde, mas ninguém nem se mexia, todos estavam na sala, um silencio absoluto, se podia ouvir somente o choro das pessoas, apesar de não se falarem, todos tinham o mesmo pensamento, onde estão o Téo e a Isa, e espero que estejam bem.
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