Notas iniciais
tem uma garota nova no vilarejo......

Na manha seguinte, quando sai de casa, tinha alguma coisa acontecendo, havia um caminhão de mudanças, em uma casa próxima a minha, novos vizinhos, pensei. Fiquei observando, de dentro da casa saiu uma garota, ela tinha os cabelos ruivos e cacheados, até que ela era bonita, mas o que mas me chamou a atenção nela, foi o jeito dela, me lembrava alguém.

Ela me olhou, e sorriu, não sorri de volta, por algum motivo, que ainda não sei qual, mas senti que não seriamos amigas. De repente o olhar dela mudou, como se tivesse achado algo engraçado, olhei para o lado, e entendi. A Manu estava do meu lado, sorrindo para a nova vizinha, ela olhava de mim pra Manu, deu vontade de gritar nunca viu gêmeas antes.

Ela se aproximou.

— oi....meu nome é Camila, vocês são gêmeas.

— é obvio.... eu disse.

— Isa...seja educada.....oi...meu nome é Manuela, mas pode me chamar de Manu...seja bem vinda.

— obrigada, e você.

— Isabela.

— eu posso te chamar de Isa.

— não.

— ah....tudo bem então, o que vocês fazem pra se divertir por aqui.

— eu pensei em chamar meus amigos e ir comer jabuticaba, tem uma árvore próximo do haras......você pode ir com a gente.

— claro......e você Isabela vai ir também.

— não gosto de comer fruta quente e sem lavar, mas vou.

Fomos até a praça, onde o Mateus, a Sabrina, e a Dóris já estavam, eles adoraram a Camila, não sei porque, achei ela tão sem graça.

— vou até a sorveteria chamar o Téo. – eu disse.

— quem é Téo.

— e nosso amigo e namorado da Isa. – a Manu disse.

Fui a sorveteria.

— oi Téo. — disse, dando um beijinho nele.

— oi. — ele me olhou.

— aconteceu alguma coisa Isa.

— uma garota se mudou pro vilarejo.

— e você não gostou dela.... é isso.....deu pra perceber.

— não.

— dá uma chance pra garota, talvez ela seja legal.

— é talvez......vamos até a praça.

Fomos na praça, onde estavam nos esperando, o Téo cumprimentou a Camila, mas não gostei do jeito que ela olhou pra ele, fomos até a tal árvore, eles começaram a comer jabuticaba, eu só sentei num banco.

— oi Isa.

O Omar sentou do meu lado.

— oi.

— quem é aquela garota.

— Camila, acabou de se mudar.

— bonita ela.

— você achou.

— sim, mas parece que não fui o único.

Olhei na direção onde o Omar olhava, meu coração chegou a doer, o Téo olhava pra ela, senti tanto ciúmes que até o Omar percebeu.

— eu não acredito, que ele está olhando pra ela.

— se arrependeu de ter pago a operação do cegueta.

— que.

— se ele ainda fosse cego, não olharia pra nenhuma garota, e ficaria só com você.

— não fala bobagens.

— mas é verdade, agora que ele pode ver, ele também pode achar outras garotas bonitas.

— eu...

— atrapalho.... – o Téo veio em nossa direção, não gostou de eu estar conversando com o Omar, mas eu até gostei de ver que ele ficou com ciúme de mim, pra sentir o que eu estava sentindo.

— não....estávamos falando de você. — disse o Omar.

— de mim.

— sim.....a gente estava falando de quando você ainda era cego.

— quem era cego. – disse a Camila.

— eu. – disse o Téo.

— você.

— sim, nasci cego, faz poucos meses que fui operado.

— então, até pouco tempo, você não via nada.

— se ele era cego é obvio que não podia ver nada. – disse o Omar.

Olhei pro Omar e senti vontade de rir, ele percebeu que eu tinha achado engraçado a resposta, mas o Téo também percebeu.

— e você é.

— Omar, sou dono do haras.....e você é Camila.

— sim, eu morava na cidade, meu pai é medico, o melhor da cidade, mas minha mãe quis morar num lugar mais calmo, ela é advogada.

Eu levantei do banco, e me aproximei da Manu.

— que garota mais chata, tá lá se exibindo.

— sabe, Isa, ela me lembra você.

— o que.

— bem...... um pouco..... ela conversou um pouco comigo....ela é meio arrogante, fala o que vem na cabeça, é meio grossa, acredita que ela me chamou de caipira....só porque eu disse que as minhas roupas são feitas pela vovó.

— e você me acha parecida com ela.

— agora não, mas você era.

— não gostei do jeito que ela olha pro Téo, e nem do jeito que ele retribui o olhar.

— o Téo te ama, irmãzinha, não precisa ficar com ciúmes.....não diz que eu te contei, mas ele ficou com ciúmes quando percebeu que você estava conversando com o Omar, falou umas coisas, e foi correndo em direção a vocês.

— eu só estava conversando com o Omar.

— e que ele ainda gosta de você, e não esconde de ninguém isso.

— mas ele é só meu amigo.

— da sua parte até pode ser, mas da dele eu acho que não, Isa, o Omar te olha de um jeito, que dá pena, como se ele implorasse sua atenção.

— não fala bobagem Manu.

— é verdade Isa, até a mamãe já notou isso, ela disse que ia falar com você.

— o Omar disse que eu queria que o Téo fosse cego, pra ele não poder olhar pra ninguém.

— e você queria.

— é claro que não.

— é que se ele ainda fosse cego, você teria certo controle sobre ele.

— até você Manu...... com uma irmã assim, não precisa de inimigas.

— Isa, eu sou sua irmã, e te amo muito, e bem, eu conheço você.

Deixei ela falando sozinha, não me despedi de ninguém, o Téo estava contando como ele se sentiu quando viu pela primeira vez, e a Camila estava quase babando em cima dele, que ninguém percebeu que eu fui embora.

Cheguei em casa, fechei a porta do quarto com tanta força, que ela quase caiu, me joguei na cama, será que todos pensavam isso de mim, eu sei que eu sou mandona, mas querer que o Téo ainda fosse cego, só pra ele não prestar atenção em ninguém, não, eu não seria capaz disso, ou seria.

Notas finais
estão gostando....