Diário de Isabela......parte 2
4 Camila....
Notas iniciais
Na manha seguinte, quando sai de casa, tinha alguma coisa acontecendo, havia um caminhão de mudanças, em uma casa próxima a minha, novos vizinhos, pensei. Fiquei observando, de dentro da casa saiu uma garota, ela tinha os cabelos ruivos e cacheados, até que ela era bonita, mas o que mas me chamou a atenção nela, foi o jeito dela, me lembrava alguém.
Ela me olhou, e sorriu, não sorri de volta, por algum motivo, que ainda não sei qual, mas senti que não seriamos amigas. De repente o olhar dela mudou, como se tivesse achado algo engraçado, olhei para o lado, e entendi. A Manu estava do meu lado, sorrindo para a nova vizinha, ela olhava de mim pra Manu, deu vontade de gritar nunca viu gêmeas antes.
Ela se aproximou.
— oi....meu nome é Camila, vocês são gêmeas.
— é obvio.... eu disse.
— Isa...seja educada.....oi...meu nome é Manuela, mas pode me chamar de Manu...seja bem vinda.
— obrigada, e você.
— Isabela.
— eu posso te chamar de Isa.
— não.
— ah....tudo bem então, o que vocês fazem pra se divertir por aqui.
— eu pensei em chamar meus amigos e ir comer jabuticaba, tem uma árvore próximo do haras......você pode ir com a gente.
— claro......e você Isabela vai ir também.
— não gosto de comer fruta quente e sem lavar, mas vou.
Fomos até a praça, onde o Mateus, a Sabrina, e a Dóris já estavam, eles adoraram a Camila, não sei porque, achei ela tão sem graça.
— vou até a sorveteria chamar o Téo. – eu disse.
— quem é Téo.
— e nosso amigo e namorado da Isa. – a Manu disse.
Fui a sorveteria.
— oi Téo. — disse, dando um beijinho nele.
— oi. — ele me olhou.
— aconteceu alguma coisa Isa.
— uma garota se mudou pro vilarejo.
— e você não gostou dela.... é isso.....deu pra perceber.
— não.
— dá uma chance pra garota, talvez ela seja legal.
— é talvez......vamos até a praça.
Fomos na praça, onde estavam nos esperando, o Téo cumprimentou a Camila, mas não gostei do jeito que ela olhou pra ele, fomos até a tal árvore, eles começaram a comer jabuticaba, eu só sentei num banco.
— oi Isa.
O Omar sentou do meu lado.
— oi.
— quem é aquela garota.
— Camila, acabou de se mudar.
— bonita ela.
— você achou.
— sim, mas parece que não fui o único.
Olhei na direção onde o Omar olhava, meu coração chegou a doer, o Téo olhava pra ela, senti tanto ciúmes que até o Omar percebeu.
— eu não acredito, que ele está olhando pra ela.
— se arrependeu de ter pago a operação do cegueta.
— que.
— se ele ainda fosse cego, não olharia pra nenhuma garota, e ficaria só com você.
— não fala bobagens.
— mas é verdade, agora que ele pode ver, ele também pode achar outras garotas bonitas.
— eu...
— atrapalho.... – o Téo veio em nossa direção, não gostou de eu estar conversando com o Omar, mas eu até gostei de ver que ele ficou com ciúme de mim, pra sentir o que eu estava sentindo.
— não....estávamos falando de você. — disse o Omar.
— de mim.
— sim.....a gente estava falando de quando você ainda era cego.
— quem era cego. – disse a Camila.
— eu. – disse o Téo.
— você.
— sim, nasci cego, faz poucos meses que fui operado.
— então, até pouco tempo, você não via nada.
— se ele era cego é obvio que não podia ver nada. – disse o Omar.
Olhei pro Omar e senti vontade de rir, ele percebeu que eu tinha achado engraçado a resposta, mas o Téo também percebeu.
— e você é.
— Omar, sou dono do haras.....e você é Camila.
— sim, eu morava na cidade, meu pai é medico, o melhor da cidade, mas minha mãe quis morar num lugar mais calmo, ela é advogada.
Eu levantei do banco, e me aproximei da Manu.
— que garota mais chata, tá lá se exibindo.
— sabe, Isa, ela me lembra você.
— o que.
— bem...... um pouco..... ela conversou um pouco comigo....ela é meio arrogante, fala o que vem na cabeça, é meio grossa, acredita que ela me chamou de caipira....só porque eu disse que as minhas roupas são feitas pela vovó.
— e você me acha parecida com ela.
— agora não, mas você era.
— não gostei do jeito que ela olha pro Téo, e nem do jeito que ele retribui o olhar.
— o Téo te ama, irmãzinha, não precisa ficar com ciúmes.....não diz que eu te contei, mas ele ficou com ciúmes quando percebeu que você estava conversando com o Omar, falou umas coisas, e foi correndo em direção a vocês.
— eu só estava conversando com o Omar.
— e que ele ainda gosta de você, e não esconde de ninguém isso.
— mas ele é só meu amigo.
— da sua parte até pode ser, mas da dele eu acho que não, Isa, o Omar te olha de um jeito, que dá pena, como se ele implorasse sua atenção.
— não fala bobagem Manu.
— é verdade Isa, até a mamãe já notou isso, ela disse que ia falar com você.
— o Omar disse que eu queria que o Téo fosse cego, pra ele não poder olhar pra ninguém.
— e você queria.
— é claro que não.
— é que se ele ainda fosse cego, você teria certo controle sobre ele.
— até você Manu...... com uma irmã assim, não precisa de inimigas.
— Isa, eu sou sua irmã, e te amo muito, e bem, eu conheço você.
Deixei ela falando sozinha, não me despedi de ninguém, o Téo estava contando como ele se sentiu quando viu pela primeira vez, e a Camila estava quase babando em cima dele, que ninguém percebeu que eu fui embora.
Cheguei em casa, fechei a porta do quarto com tanta força, que ela quase caiu, me joguei na cama, será que todos pensavam isso de mim, eu sei que eu sou mandona, mas querer que o Téo ainda fosse cego, só pra ele não prestar atenção em ninguém, não, eu não seria capaz disso, ou seria.
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