Notas iniciais
Isabela ou Camila....

— Isa; posso entrar.

— esse quarto também é seu.

— você ainda tá brava comigo.

— não.

— sabe..... se você tivesse ficado lá.....teria escutado, quando o Téo disse que você foi a primeira pessoa que ele viu..... e que ele nunca vai conseguir explicar o que ele sentiu, que ele tem muita sorte de alguém como você gostar dele, que você foi a única garota a se aproximar dele quando ele era cego, e que se apaixonou por ele mesmo assim, e que fez de tudo pra que ele pudesse ver.

— ele disse isso.

— disse...... e ele também disse, que quando ninguém sabia que você existia, quando se passava por mim, quando você estava no meu lugar, e ele ainda não sabia, ele já gostava de você..........ele ficou preocupado quando percebeu que você tinha ido embora sem falar com ele, ele quis vir atrás de você, mas eu disse que era melhor você ficar um pouco sozinha.

— você realmente acha que eu queria que ele ainda fosse cego.

— não, Isa, eu sei o quanto você gosta dele, e sei tudo o que você fez por ele, mesmo cego, mesmo agora, e ele também sabe disso.

Quando escureceu, eu fui pra praça, eu sabia que ele estaria lá, pra olhar as estrelas como sempre, mas quando cheguei próximo do banco, onde nos sentávamos juntos, eu parei, ele estava lá, mas não sozinho, aquela maldita garota estava lá, aquele era o nosso lugar, eu nunca entendi porque ele gostava tanto de olhar o céu, mas gostava de olhar com ele, gostava de passar esse momento com ele.

E agora era ela que estava lá, ele permitiu que ela ocupasse o meu lugar, de repente ela tentou segurar a mão dele, ele meio que ficou sem graça, e saiu, não me viu, foi direto pra casa.

Mas ela me viu, com um sorrisinho sínico, ela fez sinal pra mim, eu me aproximei, e percebi naquele momento, que o jeito dela, não era parecido com o meu, parecia com outra pessoa, por isso que eu achei familiar, eu só conheci uma pessoa capaz de descer tão baixo, a ponto de dar em cima de alguém que mal conhecia, de alguém comprometido, esse foi o motivo que eu não gostei dela, o jeito dela se parecia com o jeito da pessoa que mais me fez mal, da pessoa que eu mais odiei, Regina.

— oi, Isabela.

— o que você quer.

— você não quer sentar.

Me sentei, no mesmo banco onde sentava com o Téo, no mesmo banco que fazíamos juras de amor, no mesmo banco onde uma certa noite ele escreveu na madeira, Isa e Téo, e que a poucos minutos eu vi, ele com outra.

— o Téo tem sido muito atencioso comigo...... até me convidou pra olhar as estrelas com ele. — ela disse sorrindo pra mim, se fosse em outros tempos, eu teria dado um tapa nela, mas agora eu estava era tentando não chorar na frente dela.

— eu fiquei sabendo da sua história, deve ter sido horrível, ter sido roubada da própria mãe, e ter sida criada com uma mulher que te odiava.

— foi o Téo que te contou.

— não, foi a Sabrina.

— só podia ser ela.

— mas eu também fiquei sabendo que você herdou todo o dinheiro dos seus pais adotivos.

— sim, e porque você quer saber.

— o que você faz aqui, nesse vilarejo, se tem uma mansão na cidade.

Eu olhei pra ela.

— minha família mora aqui, e se você não gostou daqui porque não vai embora.

— porque minha mãe quis vim morar aqui, e eu fui obrigada a vir também.

— isso faz sentido...

— eu sei que você não gostou de mim.

— ótimo, assim não preciso fingir.

Ela sorriu.

— mas o Téo gostou muito de mim, ele não tirava os olhos de mim, assim como o Omar não tirava os olhos de você, o Téo conversou muito comigo aqui, me contou que gosta de olhar o céu, porque o céu era a única coisa que ele não conseguia imaginar, que por mais que os outros tentassem explicar pra ele, era estranho, imaginar nuvens parecidas com algodão, a lua que tinha várias formas durante o mês, ou o sol que era muito claro e amarelo, sendo que ele não fazia ideia de como era o amarelo, ou as estrelas, pontinhos luminosos na escuridão, a imensidão do céu, como era azul durante o dia e escuro a noite, como as nuvens ficavam diferentes quando chove, ele disse que por mais que ele tentasse imaginar, foi completamente diferente quando ele pode ver.

— ele nunca me falou isso.

— não.....mas falou pra mim......falamos muita coisa, sabia que ele faz aniversário no mesmo mês que eu, temos a mesma idade........ e que ele adora sorvete de pistache, e sabe tocar teclado e violão.

— pelo jeito, vocês conversaram bastante.

—sim..... ele também me contou tudo o que você fez por ele.

— ele gosta de mim.

— você tem certeza que não é só gratidão o que ele sente.

— gratidão.

— quando ele era cego, você ficava por ai, com ele, parecendo um cão guia, uma bengala humana, depois pagou a operação pra ele, e ele pode enxergar, é gratidão, não amor.

Ela disse isso, e saiu, me deixando sozinha com o coração angustiado e a mente cheia de dúvidas.

Notas finais
comentem....