Diário de Caroline
4 Quimera
Notas iniciais
Agora são quase cinco horas da madrugada e o dia ainda nem nasceu, a luz ainda não mostrou vestígios de sua presença, a árvore que fica diante, da veneziana de vidro, de meu quarto está batendo e arranhando a vidraça de meu quarto.
Tinha que levantar e te contar o sonho o qual tive agora pouco, um tanto perturbador na minha opinião. Nele eu despertando de um sono profundo, sentia-me estranha e incapaz de saciar a sede que sentia raspando em minha garganta, tentei voltar a dormir, porém meus olhos ardiam, sendo a dor insuportável.
Após colocar-me em pé avistei um pouco ao norte três pessoas em um quintal que habitava plantas seriamente machucadas, sei o que pode parecer loucura para a concepção de um vampiro, mas podia sentir a dor que elas tentavam reprimir, por mais que elas tentassem não conseguiam seus sentimentos de desespero. Isto era tão fácil aos vampiros, bastava estralar o dedos que já estávamos com a humanidade desligada.
Em meio a tanta tortura consegui identificar as três pessoas que havia visto anteriormente, mas dessa vez eles brigavam.
O homem de olhos verdes, de postura rígida e média, avançou para cima do casal que estavam, de mãos dadas, com reações totalmente diferentes. A menina de corpo magro, mas com belas curvas, olhava os dois garotos que brigavam por sua causa, o mais alto deles possuía o olhar mais escuro que já vi em toda a minha vida, eram chamativos, ele especulava algo sobre ela ter o escolhido e que o rapaz de olhos verdes devia aceitar as coisas como assim foi decidido.
A garota parecia mais familiar do que antes, e a cada passo que me aproximava do trio, seus cabelos que pareciam lisos no princípio estavam se arquitetando em curvas ainda mais perfeitas que o normal, pela primeira vez eu a vi chorar desesperadamente junto a gritos de clamor para pararem.
Quando enfim cheguei ao ponto determinado de tanto alvoroço me pus a observa-los. Eu os conhecia, eram Elena, que mais parecia Katherine, Stefan e Damon, um pouco mais exaltado do que o normal, porém era o único que parecia mais calma entre os demais.
Em minha cabeça havia um grande ponto de interrogação sobre ao certo onde eles queriam chegar com tanta ignorância.
Quando, por fim, Stefan desistiu daquela terrível batalha ele me arrastou para fora do quintal. Não sabia ao certo porque ele estava fazendo aqui e porque era importante naquele momento.
Assim que paramos, visualizei uma casa abandonada, minha cabeça ficou ainda mais desordenada quando Stefan quebrou a porta. A casa tinha uma única mobíliam, um armário, no qual repousou no vão da porta. Após ter terminado o Salvatore olhou diretamente para meus olhos me deixando constrangida, aquela não era o lugar certo ou a hora certa.
Eu o olhei e o questionei sobre as coisas que haviam acontecido minutos antes, entre ele e o irmão. Sem respostas ele começou a andar em minha direção, algo que nunca havia sentindo na presença dele, brotou em mim, e por mais que pensamentos implorassem para que o deixasse continuar eu não deixei.
— Não, esse não é você!
Balançando a cabeça em negação Stefan me disse:
— Eu sei Caroline, mas não devia estar pensando numa coisas dessas, não sei se é por causa da Elena, mas eu sinto isso e sei que você também sente.
Negando todas as suas palavras ele se voltou novamente a mim e com todas as forças, que eu não queria ter, tentei o impedir, mas não houve saídas, no momento em que resolvi dizer algo sobre as suas ações ele colocou sua mão em meu rosto a acariciando, eu o olharei implorando para que parasse.
Se movimentando lentamente ele esperou pelo meu consentimento, e a cada pausa que cometia podia sentir o seu hálito ardente em meus lábios, a tentação era vigorosa, mas quando meu olhar se esbarrou com o dele, não tive como evitar, ele pousou lentamente seus lábios aos meus, minhas pernas fraquejaram e me entreguei plenamente a aquele momento, não havia ao certo no que pensar, só existia eu, ele e aquilo.
Quando percebi que aquilo estava errado já era tarde demais.
E como se nada daquilo houvesse acontecido Stefan desapareceu, e algo dentro de mim dizia para contar a ele o que eu sentia, porém a sede que sentia no começo havia voltado com força total, e antes que eu pudesse ir a sua procura resolvi me alimentar, no entanto acabei perdendo o controle e transformando todos aqueles cujo me alimentei.
Eu precisava de Stefan.
Chorando loucamente por ajuda, o mundo a minha volta desapareceu e vi entre milhões de folhas secas um corpo, catando uma por uma das folhas, tentei não machucar o corpo que estava coberto, porém quando percebi que aquela blusa verde era familiar eu esqueci tudo e o revirei espantada com sua feição, não acreditava no que estava vendo, minhas emoções se alteraram, principalmente com o enorme buraco vazio aonde devia estar seu coração.
Me lembro de haver um momento de pânico, mas ele sumiu rapidamente, pois eu havia acordado para te...
Eu parei de escrever e escutei o meu celular tocando e assustei ao descobrir que tinha perdido duas ligações de Stefan.
Muito preocupada o retornei, pensando que algo de errado poderia ter acontecido. Demorando um pouco para atender, sua voz soou desesperada no telefone:
— Oi Caroline! Você está bem?
Eu havia pensado em ligar para ele, talvez eu tenha ficado tranquila ao ouvir sua voz, mas naquele instante só queria saber porque ele falava tão pausadamente no telefone.
— O que ouve? Aconteceu algo?
— Não, porque?
Falei a primeira coisa que veio em mente e logo em seguida me arrependi.
— Por nada, pensei que Damon tinha esquecido a cueca dele em seu quarto e você queria que eu fosse aí retira-la.
— Caroline, isso não é hora para piadas.
— Então porque me ligou a essa hora? Se não foi para me ouvir falar besterias.
— Também não é para tanto Caroline, te liguei só pra saber se estava bem, pois eu tive um enorme pesadelo onde você chorava sob um enorme buraco no meu peito. Estava apenas preocupado com você.
Não podia ser verdade, pois a última vez que ouvi falar nisso foi quando Stefan estava ligado a Elena, não é possível. Eu e Stefan não possuímos nada de ligação, ou gene idêntico, somos pessoas de famílias diferentes, de destinos diferentes.
— Stefan, seria estranho eu dizer que tive o mesmo sonho que você?
— Caroline eu falei para você parar de brincar, isso é sério.
— Não estou brincando, e por acaso houve uma briga entre você e o Damon.
O telefone ficou mudo como se ele imaginasse o que eu falaria em seguida. Se eu sonhei a mesma coisa que Stefan, ele sabia o que tinha acontecido depois.
— Stefan? Você ainda está ai?
Demorou alguns segundos para que ele caísse na real.
— Oi, sim... Sim teve essa tal briga.
Eu queria esclarecer todas as minhas perguntas, mas decidi o deixei em silêncio.
Mas porque Stefan não falaria no acontecido, porque não me contou os verdadeiros detalhes, somos amigos não escondemos nada um do outro, somos um livro, eu sou as folhas e ele a tinta da caneta.
— Stefan, você acha que isso possa ser um sinal?
— Sinal de que? De que um dia irão nos matar?
— Eu vou amanhã na casa da Bonnie, procurar o grimório para saber o significado desse sonho, se quiser vir...
Vi sua voz entrar em desespero.
— Não, para que?
— Stefan alguém pode estar em perigo, ou até mandando um sinal para que possamos o ajudar.
— Assim! Eu entendo.
— Nossa, você achou que era o que?
Ele não respondeu, e foi assim que descobri que havia desligado, talvez a ligação tivesse caído.
Oi diário, desculpa não ter terminado de escrever, pois Stefan me ligou, no momento em que estava pensando nele.
Você não vai acreditar, eu tive o mesmo sonho que ele, talvez seja um sinal. Amanhã irei na casa de Bonnie, quero dizer hoje, porque já são sete horas, vou procurar o seu grimório pra saber o real significado do sonho.
PS: Vai ser dificil encarrar a cara de Stefan depois desse sonho.
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