Diário de Caroline
5 Arcano
Notas iniciais
Tentei voltar a dormir, porém meus pensamentos se encontravam presos ao sonho e na oportunidade de um dia poder saber a verdade.
Sentia-me em meio a um tédio terrível na busca pelo o sono da acalmação e esquecimento. Como não obtive exito sai em busca de meus próprios problemas, mesmo que isto incluísse perder a prova mais importante que eu já tive desde que entrei na faculdade, a prova que decidiria meu futuro profissional.
Já que meus olhos não dormiam, me pus a levantar e ir diretamente ao banheiro, encarar aquela terrível água que congela até mesmo os miolos, para, enfim, ir a casa de Bonnie em busca do tão preciso grimório que me mostrará a verdade sobre tudo.
Quando, por fim, terminei meu banho, senti no andar de baixo alguém parado perante a porta, talvez seja minha mãe contemplando a bela paisagem, mas por meio de dúvidas decide descer para conferir, ainda não estava completamente vestida, devido a isto pus minha toalha, que realçava minha pele a qual era num tom rosa bebê para nudez, e enrolei em meu corpo quase todo despido.
Ainda terminando de arrumar meu coque, enxuto, abri a porta com dificuldade, na esperança de que a toalha não caísse, e segui rumo a escada de uns vinte e cinco degraus.
Descendo de maneira silenciosa, como um gato em perseguição, olhei a sala vazia e agradeci a pessoa que não estava nela. Quando, por fim, atingi o último degrau me deparei com o Stefan "paradão" perante a minha porta me olhando com seu sorriso de bom dia, que em instantes se transformou em rosto avermelhado, de imediato ele colocou sua mão sobre seus olhos.
— O que você está fazendo aqui? Eu estava...
Ele tirou as mãos dos olhos e colocou uma delas na cintura e a outra era para explicação.
Caroline se encontrava em uma situação delicada, devia ter subido para colocar o resto das roupas, mas, não, ela continuou ali verificando se nada estava a mostra.
— É, eu percebi que você estava tomando banho. — ele a olhava das cabeças aos pés — Desculpe não ter ligado, mas resolvi ir com você a casa de Bonnie, era para ser uma surpresa, mas eu é quem fiquei, ao vê-la de toalha.
— Eu pensei que era alguém com mal intenções, mas é só você. Espera um segundo e já volto.
Subi com rapidez as escadas, e coloquei as roupas, que estavam separadas em minha cama, com uma velocidade incrível, eu diria que até mais rápido que as asas de um beija-flor em pleno vôo, e quando notei estava no andar de baixo vendo o Stefan se assustar comigo.
— Pensei que vampiros mais velhos não se assustassem — Caroline ria da sua própria frase.
— Eu me virei e não a vi e alguns segundos depois você aparece atrás de mim, como queria que eu ficasse? — Stefan batia a mão na perna esquerda tentando esconder seu sobressalto.
Caroline o observava atentamente de maneira repetitiva, pensando sobre que assunto falariam para sair daquela situação impertinente que ocorreu minutos atrás.
Stefan me olhava da cintura para cima e olhando meus olhos de uma forma delicada como um Romeu extasiado.
— O que você esta olhando? — eu balançava a cabeça tentando o entender.
Levantando o braço direito, Stefan mentiu para si mesmo e para Caroline.
— Você vai com o seu cabelo desse jeito? — Stefan apontava para os brilhosos cabelos de Caroline.
— Vou, porque? É só hoje.
— Nossa a Miss Mystic Falls sendo uma pessoa normal — batendo palmas ele se reverenciava a sua amiga que agora o olhava nervosamente e se posicionava para correr.
Eu apenas concordei:
— Vai demorar não tenho o dia todo.
Revirei os olhos e olhei para a porta.
— Desculpa aí, o Damon.
Ele apenas riu e começou a dirigir.
Bonnie não ia a sua casa desde a sua morte, para salvar a vida de Jeremy, nem mesmo quando ela voltou do outro lado teve a coragem de voltar para buscar suas coisas.
Eu pensava fortemente em Bonnie enquanto olhava as casas que haviam sido abandonadas naquela região. Espero que as pesquisas com a Bonnie tenham avançado.
— Stefan! E a Bonnie?
Stefan pensou que dessa vez seria diferente, que Caroline não iria ficar mal, pois todas as vezes que eles mexiam ou argumentavam sobres as memórias de Bonnie ela ficava tristonha, se calava até que as lágrimas tomassem o seu rosto, mas dessa vez ela não chorou.
— Eu ia com Elena hoje a Portland...
Ela se virou e levantou os braços batendo o da esquerda no banco.
— Porque você não foi, mas que droga Stefan.
Ele olhava a rua e para mim e não sabia se devia me olhar ou olhar a estrada.
— Eu ia, porém pedi para ir a casa de Bonnie com você primeiro, e depois irmos a viagem.
— Assim, mas porque você veio?
Stefan batia os dedos no volante desviando de um cone de interdição.
— Você acredita que à uma resposta. Está vendo como você acredita no sonho.
Eu ria internamente para mim mesmo.
Caroline não sabia, mas Stefan apenas queria confirmar sua intuição sobre um determinado momento do sonho.
Eles chegaram a última rua daquele território e avistaram de longe a casa da vó de Bonnie.
— Mas e aí, porque estamos aqui.
— A avô de Bonnie era mais experiente que ela, talvez haja livros melhores aqui.
Eu falava com dificuldade, pois estava quebrando o trinco da porta para entrarmos.
— Quando aprendeu a quebrar os trincos da porta? — Caroline havia jogado o pedaço no meio das plantas e arbustos ali presentes, enquanto limpava uma das mãos na calça.
— Eu aprendi com o Enzo é claro.
Stefan a questionava mentalmente, "desde quando eles tinham momentos de aprendizagem, quando Enzo passou a prestar a atenção em Caroline?", ele não entendia como eles podiam ter aprendido algo juntos, pois Enzo um homem duro e frio mostraria isso para uma garota que nem a Caroline Forbes?
— Enzo?
Stefan me fitou com sua expressão confusa, como em uma manhã de ressaca.
Concordei com a cabeça durante o movimento que entrei na casa de uma das Bennett. Tudo estava em seu devido lugar, nada havia sido mexido, exceto por alguns móveis empoeirados que tinham uma camada grossa de areia.
Olhei para o lado e vi uma espécie de mini biblioteca bem organizada, de a até z.
— Vamos ver! — Stefan subia as escadas para atingir o limite da prateleira, à medida que eu cruzava os braços — Feitiços básicos?
— Não, isso não tem nada haver com feitiços.
— Histórias ancestrais? — Stefan limpava o livro com o sopro de seus lábios espalhando poeira por todo lado.
— Me de esse, já que vou sair da faculdade tenho que ter algo para ler.
— Você o que? - eu não sei explicar o modo como Stefan a olhava, mas era terrivelmente terrível.
— Não me questione por favor, já vai ser difícil dizer isso a minha mãe...
Stefan a atrapalhou.
— Falando em sua mãe, eu a procurei pela cidade inteira e não a achei, eu precisava dela uns três dias atrás.
Stefan já retirava seu quarto livro, quando em meio a milhares deles foi descoberto um de coloração vermelho desbotado.
— Ela sofreu um pequeno acidente durante uma perseguição vampiresca, e uma das enfermeiras do hospital pediu para que fizéssemos um checape para que fosse possível prevenir qualquer doença.
— Assim, e Liz está bem? — Stefan observava o nome do livro atentamente.
— A claro que sim, são apenas exames de rotina, desde quando Liz Forbes tem alguma doença?
Eu sorria freneticamente para Stefan, enquanto apanhava um pedaço de pano que se encontrava fixo no braço do sofá.
— Acho que achei
Ele mostrava a mim o livro de capa vermelha que continha letras enormes que indicavam o nome do livro "Tradução de 1525 — Sinais".
Eu não sabia que existiam livros daquela época.
Algo em mim dizia para abri-lo imediatamente, mas tinha que esconder a minha ansiedade.
— Eu vou atrás de uma caixa, me espere aqui.
Caroline avia o deixado sozinho em uma casa totalmente isolada que odiava vampiros, a sorte dele era que não existia mais o outro lado, ou os espíritos das bruxas estariam o perturbando intensamente.
A cada degrau que ele descia o ambiente ficava ainda mais sozinha, e Stefan pensava como a companhia da amiga o fazia se sentir bem. Quando, enfim atingiu o último degrau, ele lembrou-se de Caroline descendo as escadas de sua casa apenas de toalha, e aquela lembrança o fez tirar um sorriso que foi interrompido pelo toque do celular de Caroline.
Stefan talvez não atenderia se fosse algum amigo incomum, porém o nome descrito na tela era o de sua mãe.
— Alô!
— Stefan? O que faz com o celular de minha filha?
— Eu estou a ajudando em busca de respostas — Stefan olhava o chão imundo e tentava secamente jogar a poeira para outro lugar. Caroline me disse que você está em Whitmore!
— Sim, estou. Será que poderia falar com ela?
— Ela não está, mas caso queira que fale...
Liz estava com pressa, e engolia com dificuldade o choro que tentava invadir seu rosto.
— Stefan eu tenho neuroblastoma! — Liz parecia estar sem ar.
— O que? — ele não sabia a gravidade da doença ou o que ela seria.
— Câncer Stefan, câncer terminal — de uma forma bastante calma a xerife se dirigia ao câncer como algo inofensivo.
Ele pensou em Caroline, em todos os momentos com o qual ela o ajudou a superar, Stefan tinha a plena consciência que poderia perder a amiga naquela noite antes mesmo dele partir em busca de Bonnie.
Seria ele capaz de curar o coração de Caroline? Será que ele conseguiria ser um amigo assim como ela foi?
Stefan não sabia o que dizer, mas concluiu:
— Caroline sabe?
— Não, que contar pessoalmente. Os médicos me mandaram para casa, estou voltando...
Ela ficou em silêncio, e do outro lado da linha a xerife apertava uma de suas mãos nos lábios ao mesmo momento que lágrimas escorriam diretamente para sua boca.
— Promete pra mim, Stefan, que você não vai contar nada a Caroline? Se caso eu morra você vai cuidar dela? Ela vai precisar de você, eu conheço minha filha, Stefan, e sei que ela não irá conseguir sozinha.
Ele deixará uma lágrima cair de seus doces olhos, pois perder uma mãe ele sabe na pele como é.
Após desligar o telefone Stefan se pós a apagar a chamada da mãe de Caroline para que ela não desconfiasse de nada, e ele sabia como a amiga era neste aspecto.
Eu e Stefan guardamos os livros na caixa e fomos para minha casa, estranhei ao ver-lo com os olhos avermelhados ao entrar o carro e se colocar de maneira descontraída enquanto eu dizia boa viagem, Stefan apenas sorriu e fechou a cara, após ligar seu carro e se dirigir a mansão dos Salvatore.
Passei quase quatro horas, seguidas, pesquisando informações, que traduzissem meu sonho bizarro, para chegar a um conclusão terrível sobre aquele maldito livro, o ingênuo exemplar não funcionava como aparentava mostrar, talvez Stefan estivesse certo sobre minha obsessão, possivelmente a verdade seja falsa, falando em falsidade tenho um assunto inacabado para resolver.
***
Lá estava eu, entrando pela porta da frente da mansão Salvatore, torcendo para que Stefan já estivesse longe numa hora dessas.
Eu tinha um objetivo obvio e não me atreveria a desvia-lo ou entregar-me a persuasão de Damon.
Tudo dentro da casa se encontrava em absoluta serenidade, nem parecia que o demônio em pessoa morava ali, era como se aquela mansão se transformasse em um convento onde a paz reinava junto a fé, mas como todas as vezes que entrei por aquela porta, e não encontrei Stefan, me preparei pelo susto que Damon ousaria me dar.
Hoje se completa quatro meses que estamos em busca de respostas para trazer Bonnie do mundo prisão, mas por mais que tivessemos procurado informações e pistas dentro de conversões, entidades e livros, não encontramos respostas. Estou sem animo para continuar as pesquisas, quero dizer, todos nós estamos, nos encontramos em um estágio de negação ao que já sabemos, principalmente Damon, por isso que estou na mansão, pois se Bonnie estivesse aqui eu saberia o que realmente rolou entre ela e o senhor Salvatore. Não nego que ele voltou diferente, extremamente diferente, Damon que antes odiava a menina baixinha, que era egoísta e altruísta está agindo de forma comportada, até demais, para si mesmo. Vejamos que sua humanidade não é apenas aberta para Elena, mas, também, para Bonnie.
Me aproximei do centro vendo ele sentado em uma poltrona de costas para mim.
Assustando-me com a pronúncia de meu nome, eu fiquei chocada ao pensar que entraria sem ter nenhum susto.
— Olá Barbie! — Damon mantinha seu olhar fixo a lareira que iluminava grande parte da sala e os belos azuis de seus olhos.
— Damon, porque você esta tentando trazer Bonnie de volta?
Olhando a mim com seu olhar mais assustador e inferior ele jogou na minha cara tudo que estava preso em sua garganta.
— Mas que merda Caroline, ela é minha amiga. Você não consegue pensar que eu possa ter feito uma amiga? Você não pode considerar essa possibilidade?
— Não Da... - Damon nem deu tempo para que ela terminasse.
— Pare! — Damon se levantou a olhando fixamente — Não estou fazendo isso para ter Elena em meus braços novamente, e, sim, porque sinto que posso desmoronar sem a irritante voz dela, sem ela me julgar por todas as besteiras que eu falava todas as vezes que eu bebia muito, pois ficar presa com ela foi a melhor coisa que ocorreu desde que pensamos que iríamos desaparecer, ou até mesmo morrer, e por mais que aquele fosse o meu inferno pessoal, eu estava feliz por não estar sozinho. Bonnie me ajudou Caroline, quando eu pensei que não veria a Elena e sentiria sua doce voz. Mesmo ainda que todas as vezes que aquela maldita matraca falava e eu não a suportasse escutar, ela parava para me ouvir e me ver quebrando os poucos as coisas, eu a culpava e me odeio por isso. Eu a quero de volta, pois eu não suporto dormir e a escutar mentalmente chorando, por todas as barbaridades que eu disse a ela.
Eu estava lá quando uma lágrima soprou no rosto de Damon, nunca o vi chorar, nem mesmo por Bonnie.
Ele estava me convencendo, mas eu tinha que abrir a matraca.
— Mas não rolou nada além disso, "que você diz ser amizade"? — Caroline encostou sua cabeça na poltrona, observando Damon limpar a gota que demorava para cair.
Virando-se a mim ele jogou a mão de lado.
— Você quer saber a verdade? — ele me encarava freneticamente com frieza à medida que eu concordava com a cabeça.
— Está bem, mas antes você tem que contar a meu irmãozinho que toda aquela obsessão era uma completa mentira, pois nós sabemos que desde o início você já estava a par da verdade - Caroline se mantinha estável, porém confusa sobre o assunto que Damon falava.
— Que verdade? Você bebeu hoj...
— Não! Cale a boca! Pare de tentar esconder, seja honesta com você mesma, e admita que você sente algo pelo meu irmão.
— Sim, eu sinto...
— Pronto, transparência é tudo, sabia?
— Sinto uma conexão forte de AMIZADE, Damon, que pelo visto você não sabe o que é.
Caroline o levou ao extremo. Já sem paciência ele a pós contra a parede mostrando a ela suas enormes pressas afiadas.
Damon me espremia, ao mesmo tempo em que seu corpo apertava o meu em posição de ataque. Minha sorte foi Stefan ter aparecido naquele momento oportuno.
— Solte-a Damon! — Stefan puxava o irmão, com toda a sua força, para trás, o afastando de Caroline — Mas o que vocês estão fazendo?
— Pergunta a ela - Damon se retirou junto com a chave de seu carro.
Stefan me encarava como se eu fosse a culpada de toda as desordem, até que era um pouco, porém nem tanto.
Tentando me acalmar e falar o mais devagar eu disse:
— O que você veio fazer aqui? — eu arrumava o meu cabelo.
— Pelo o que eu sei essa é a minha casa.
Menti descaradamente a ele.
— Vim te convidar para reencaixar as coisas do porão lá de casa, é muita coisa — brotei o sorriso mais falso que já fiz na vida.
— Missão impossível, vejo pelo seu sorriso.
Stefan nunca me levava a sério, espero que um dia ele me leve.
— Não é pra tanto, eu... — fui interrompida pelo toque do celular — Alô, Mãe?
Stefan arregalou os olhos em direção a Caroline.
— Oi querida, eu voltei...
— A senhora já voltou, que ótima notícia, onde a senhora está? — Caroline arregalava seus belos dentes brancos demonstrando sua felicidade.
— Eu estou no Mystic Hospital, tenho que lhe dizer uma coisa importante.
Meu coração havia apertado com aquelas terríveis palavras.
— Caroline eu estou com câncer terminal.
Não tinha como eu continuar aquela conversa, apenas estendi meus braços ao chão e soltei o celular. O que? Como assim?
— Ela está com câncer Stefan.
Agora ela chorava como uma criança, e pensava na possibilidade de perder sua mãe para a doença e nunca mais vê-la.
Ele a acolheu em seus fortes braços e foi ali que Stefan percebeu o quão importante a promessa lhe custaria. Sua insanidade não seria mais a mesma com essa tal aproximação, seus pensamentos mais íntimos não seriam mais os mesmos.
— Me leve até ela.
Durante o caminho não houve se quer uma só palavra, Caroline segurava em uma das mãos de Stefan enquanto a outra se segurava ao volante. Não demorou muito e Caroline já estava dentro do hospital, entrando pela porta do quarto trinta e dois, sua mãe dormia, e os cabelos que antes eram sedosos hoje estavam sujos e mais brancos que o normal.
Caroline se agachou perante aos pés da mãe e segurou a mão, do braço lotado de aparelhos, os médicos só aguardavam sua morte e ela não aceitava essa verdade.
Todos os seus amigos estavam presente. Damos de forma indelicada bateu na porta:
— Você tem que ir, não temos tempo. Eu cuidarei de Caroline por você.
— Você está louco Damon, eu não irei fazer isso, ela precisa de mim, e eu ficarei.
Damon falava o certo, precisávamos de Bonnie e isso era o mais importante.
— Vá Stefan! — Eu o olhei enxugando minhas lágrimas — Damon está certo, se algo acontecer, eu ligo para você.
Ele se aproximou de mim passando uma de suas mãos em meu rosto, Stefan sentia toda a minha dor e eu sabia que não estaria sozinha se ela morresse.
— Eu não vou Care, Damon pode ir no meu lugar. Quero ficar com você.
Eu não queria que ele ficasse e nem que fosse.
— Por favor, vá! — Caroline chorava de novo — Eu ficarei bem, pois eu estarei com você bem aqui — eu apontava para o seu coração.
Demorou, mas ele concordou, e, assim, os dois saíram diretamente para Whitmore em busca de informações.
***
Horas haviam se passado e os dois ainda estavam na estrada, a gasolina atingia a parte vermelha e o único posto mais próximo estava a 124 km afrente. Com os pensamentos em Caroline, Elena pensava no tanque de gasolina.
Ele não percebeu quando o carro parou e Elena desceu para conferir se um galão reserva se encontrava no porta malas. Ela o chamou uma, duas, três vezes, mas não foi correspondida, somente quando mencionou o nome de Caroline, Stefan voltou a si.
Andando juntos em busca de um transporte ou alguém que os ajudasse eles entraram em meio as grandes árvores na beira da rodovia.
Elena dizia como era incrível eles ficarem sozinhos perdidos pelas ruas ao mesmo tempo que a cada cinco minuto Stefan olhava o celular na esperança de saber algo sobre Caroline.
— Stefan você está me ouvindo? — Elena colocou uma de suas mãos no ombro de Stefan que se mantinha hipnotizado pelos seus pensamentos interrogativos.
— Estou preocupado com Caroline! — ele pegou novamente o celular vendo o papel de parede que havia tirado com a amiga.
— Stefan sei que todos estamos preocupados com ela, mas tente se concentrar na missão, ela merece uma boa notícia hoje.
***
Eu estava feliz por ter alguém ao meu lado, porém queria que esta pessoa fosse Stefan, ele sabia como eu me sentia, saberia dizer as coisas certas.
A cadeira a direita localizava-se vazia a espera dele.
Aos meus ouvidos o som perturbante de "bibi" mostravam-me uma perspectiva que eu já não tinha mais, a cada batida meu coração ficava ainda mais apertado. Matt acariciava meus cabelos quando o som desandou para um bi eterno que nunca acabava.
Me desesperei, eles tinham que fazer algo para salva-la, eu ainda tinha coisas para dizer e ela não devia morrer. Os meninos me convenceram a não dar o meu sangue a ela, mas, sabe a verdade, era o que eu tinha em mente desde o momento em que eles me proibiram.
A dor a comia de dentro para fora, e por não suportar isso ela se pós ao chão se agitando loucamente.
Ao ver aquela situação, Damon, resolveu informar o irmão.
Ele sentia pena, dó, e vontade de abraça-la, como nunca houvesse abraçado alguém, ninguém entendia como ele se sentia, mas era daquele jeito que seu alto-ego se sentia ao pensar em Bonnie, tudo parecia que ele nunca a teria de volta.
Do bolso esquerdo vi Damon retirar seu celular que sumia ao passar por cima da blusa. Sinceramente, não tinha ideia para quem ele ligava, apenas torcia para que fosse Stefan.
***
Stefan atendeu no segundo toque:
— Fala Damon.
Stefan havia ficado decepcionado ao perceber que era o irmão e não Caroline.
— Seja menos grosso maninho.
— Não enche, o que você fez desta vez?
Stefan não sabia, mas Damon encarava o celular como se ele fosse o telefone. Como se tudo fosse culpa do "pobre Damon".
— Não foi eu desta vez, — ele fitava a pobre loira — foi a Care.
Desesperado esperando pelo pior ele perguntou:
— O aconteceu? — Elena arregalou os olhos preocupadamente.
— Caroline está desesperada, faz alguns minutos, não sei o tempo certo, mas a mãe dela morreu. E eu estou sentindo pena da loirinha. Pensei que gostaria de saber.
— Mas já? E como ela está?
— Câncer terminal não tem tempo maninho — Care o olhava enojada — Está choramingando, fazendo do chão o rio do lago dos cisnes.
Damon não largava seu lado sarcástico nem mesmo em um momento fúnebre, mas ele sabia como era estar daquele jeito, pois já passara por isso uma vez, e não foi sozinho. Ele estava feliz por estar ali com duas amigas extremamente corajosas, Liz e Caroline Forbes.
— Eu estou voltando Damon, fale para ela me esperar.
— Não Stefan, você tem que trazer Bonnie de volta, você tem uma missão.
Stefan esqueceu totalmente que Elena se estava perto de si.
— Eu vou Damon, eu preciso de Caroline... Ela precisa de mim, e não é por causa de uma pista qualquer que largarei minha amizade de anos por você.
— Você precisa de Caroline, e eu entendo, mas eu preciso de Bonnie.
— Damon, larga de ser egoísta, se você quer ela de volta, vá você atrás dela, eu não sou seu escravo, mas eu vou te avisar se você a trazer de volta trará para Mystic Falls um problemão, e, especialmente a você.
Damon mudou de feição olhando diretamente para as paredes.
— Se você quer alguma coisa encare seus problemas primeiro, pois não é possível uma pessoa amar duas...
Ele parou e disse logo o que estava em mente:
— Você e Kaí não podem amar a mesma pessoa, você não irá querer cometer o mesmo erro de Katherine e... De Elena.
Não houve mais assunto depois daquilo, Damon havia desligado, e uma cara totalmente confusa atrás de Stefan o interrogava.
***
Stefan correu contra o tempo, procurou-me por toda a cidade e seu último palpite certeiro foi a ponte da morte dos pais de Elena.
A noite estava fria.
Eu pensava nas coisas boas que passei com a minha mãe, revia tudo aquilo que deixaria para trás.
Ele era silencioso, sua respiração se comparava a de um coelho em perseguição.
— Caroline!
A maneira como ele me chamou me faz relembrar o primeiro fora que tomei de um irmão Salvatore.
— Eu sei o que você está pensando, e sei o que está pretendendo fazer, mas você não precisa fazer isso, você não está sozinha.
— Quem eu tenho? Damon não gosta de mim, Elena nem se lembra quem é o namorado, Matt só tem tempo para o preparamento de xerife, Jeremy nem fala comigo, Alaric está saindo com a Jó, eu não tenho ninguém Stefan.
Ela olhava secamente de cima o rio.
— Você tem a mim, eu serei o seu ponto seguro, não deixarei você desmoronar.
— Isso não dá certo Stefan, você não poderá ficar comigo para sempre, um dia aparecerá alguém em sua vida e eu ficarei sozinha.
— Não é verdade Care.
— Se você tivesse me visto antes da Elena, talvez poderia ter acontecido algo entre nós.
— "Mas eu a conheci primeiro, antes mesmo de Elena".
Eu estava pronta para desligar, aquelas seriam as minhas ultimas palavras, mas escutar Stefan dizer as suas palavras me prendeu com total atenção.
— O que?
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