Notas iniciais
Gente esse capítulo dedico as Bonkai e Bamon, espero que se divirtam.

Querido diário,

Não tenho boas notícias... Após ter sido sequestrada por Enzo, Klaus colocou todos de Nova Orleans a minha procura, embora eu quisesse sumir e me esconder nas montanhas do Apalaches​ eu necessitava de ajuda. Liguei para alguns amigos que fiz durante o tempo em que estava desligada e nenhum deles souberam me dizer um lugar seguro para esconder.

Demorou um bom tempo até que deixei meu orgulho de lado e liguei para Bonnie que também estava fugindo de Henriette. Bonnie me disse sobre Nova Orleans e Klaus, que apenas ele sabia sobre o lugar que eu precisava.

Com um friozinho na barriga segui a viagem por um dia com a cabeça em Enzo e no perigo que passava todos os dias.

Faltando um quilometro para chegar em Nova Orleans estacionei o carro na rodovia para tomar um lanchinho, ela estava uma delicia e muito bem vestida. Quando finalmente a comida acabou apanhei suas roupas e coloquei em meu corpo, em seguida arrumei ela no porta malas e fui direto me encontrar com Klaus.

Logo que cheguei contei tudo que tinha acontecido, desde as aparições de Henriette e seus controles sobre mim e a história esquisita que ela havia me contado. A principio ele não acreditou, mas Stefan o convenceu e pediu para que me escondesse em um lugar anti-magia. Klaus tinha o local perfeito, era em Thousand Islands no Canadá, um lugar isolado e com uma casa para dormirmos. Fomos, nós dois, junto com o Stefan.

Bonnie me ligou quando estávamos embarcando em um voo para a cidade mais próxima de Thousand Islands e me contou que estava indo atrás do ascendente de suas antepassadas, ela também vai se esconder junto com Kai e Damon, espero que ela saiba o que está fazendo, se prendendo aos dois.

PS: Não sei se vou suportar o Stefan por muito tempo. Klaus já não suporta mais e está nesse exato momento encarando ele pela janela do quarto.

[...]

Nós nunca pensamos ou quisemos viajar juntos, sempre que íamos a outras cidades tinha algo relacionado a procurar isso ou matar aquilo, sempre sobre mistério. Eu estava com uma pontada de felicidade de não ter que matar alguém dessa vez, ou pelo menos ter Damon ao meu lado para não matar alguém. Minha sorte é que ele é experiente e sabe quando uma garota está preste a surtar.

Damon estava dirigindo com os olhos bem atentos na pista e na cara de Kaí, o qual estava no banco de traz.

Kai em um pulo apoiou-se com os braços nos nossos bancos e danou a falar, tão pior quanto uma tradução japonesa, pois você sabe que tudo é mais extenso na língua deles.

— Isso vai ser divertido! Eu e você, nós dois Bonnie na beira da piscina de biquíni e tudo... Fala ai Damon o corpo dela é que nem o da Elena? Você sabe que gente magra tem um corpo que é de tirar o fôlego.

Ele me chamou de gorda e ainda me comparou com a Elena, Kaí tem sérios problemas, eu já achava isso antes, mas depois disso tenho certeza que ele tem metade dos parafusos soltos.

— Nossa! Não precisava me olhar assim, não sabe brinca não? Eu sei que a Bonnie é gostosa e muito bonita... Você ficaria linda de cabelos loiros — Kaí alisou meu cabelo como se eu fosse um pedaço de carne.

— Arf – eu estava cansada dos papos dele – Você que ficaria melhor de loiro, tenho certeza que as garotas do seu tipo iriam adorar – disse empurrando a cabeça e a mão dele para trás.

— Então você admite que faz parte do meu tipo? – olhei para traz indignada, ele mordiscava o lábio inferior enquanto me observa de cima em baixo.

Ficou um silêncio tão intenso naquele momento, eu implorava para Damon tivesse sede ou um servo entrasse na estrada para que eu não ficasse o encarando. Eu me sentia um cubo de gelo, se eu me mexesse Damon saberia o que estava acontecendo e eu não aguentaria olhar a cara dos dois no mundo prisão.

Minhas melaninas doíam como se eu não dormisse a umas três noites, Damon ao ver que ele estava olhando-a por muito tempo gritou.

— Bonnie você pode olhar o GPS pra mim e ver quantos quilômetros faltam, pois se tiver faltando pouco me avisa o Kaí vai andando.

Sentei-me da maneira que pudesse arrumar meu sinto e ver o aparelho de GPS ao mesmo tempo.

Kaí parou de falar alguns minutos como se estivesse armando algo. Mas como a paz sempre dura pouco ele soltou uma pergunta tão estrondosa que meus olhos e de Damon se encontraram antes mesmo dele dizer a última palavra.

— Eu andei investigando algumas coisas desde que voltei e fiquei sabendo que Damon disse a Elena que nada havia acontecido entre vocês dois no mundo prisão.

— O que? – reparei que Damon apertou com mais força a mão no volante.

— Deixa eu te explicar direito, sabe quando rola uma atração entre duas pessoas e elas não resistem e acabam se beijando? – foi um notório silêncio, Damon olhou o retrovisor fechou a cara o encarando e Kaí parou – Hun, bem que eu pensei nisso! – ele deu um leve sorriso para mim, encostou a cabeça na janela e se calou o resto da viagem inteira.

[...]

Nós tínhamos acabado de chegar, a visão era linda e se andássemos alguns metros poderíamos encontrar uma casinha secundária, não sabia ao certo o que tinha lá dentro, mas uma sensação estranha invadiu meu olhos, algo ia acontecer, não muito mal, mas ia.

Olhei algumas árvores que rodeavam a casa e percebi que Klaus já havia entrado, Stefan estava tirando as malas do carro. Caminhei até a escada que levava a porta principal quando ele me chamou, nós não tínhamos conversado muito desde o dia em que contei toda a verdade a ele.

— Pode me ajudar? – ele estendeu algumas malas enquanto olhava para mim.

— Claro! – disse soltando as mãos que se afastava do corrimão.

Abri a boca com um largo sorriso, tentando demonstrar que estava a vontade na presença dele. Ele havia me deixado um pouco nervosa e destrambelhada. Mal sabia ele que eu não aguentava ficar tão perto dele.

— Claro, sem problemas... – eram minhas malas, não sabia que tinha pegado tantas roupas, pensei que o baby-lis e o secador não pesavam tanto.

Entrei na casa reparando cada detalhe que nela havia, eram dois cômodos na parte da frente e outro atrás, uma escada que levava a um corredor com duas portas frente a frente e uma no final do corredor. Pensei em escolher uma das portas mais próxima da escada, porém imaginar que poderia esbarrar em um dos dois me fez escolher a porta no fim do corredor.

Stefan apareceu uns dois minutos depois que atingi a porta do quarto, eu tive um pouco de dificuldade ao tentar equilibrar minhas malas e abri-la.

— Quer que eu te ajude? – ele veio com passos ligeiros estendendo suas mãos.

— Não – eu assustei a mim mesma com tanta frieza.

Stefan se encolheu entre os ombros da mesma forma que os cachorrinhos fazem quando estão com medo ou fazem algo de errado. Ele não disse nada, apenas deu um espaço para traz.

Eu entrei com rapidez para dentro do quarto encostei minhas coisas perto dela e cerrei a porta, vendo antes de fecha-la os olhos atentos de Stefan sobre mim.

[...]

— Pronta – Damon segurou a mão de Bonnie e com a outro segurava o ascendente.

— Pronta! – Bonnie olhou no fundo dos olhos de Damon temendo que ele poderia ser sua salvação num mundo que ela ainda não conhecia.

Kai agarrou os ombros de Damon quando Bonnie começou a recitar o feitiço, ele queria mais uma chance, mas a bruxinha não dava espaço para que ele entrasse e pudesse se desculpar, talvez presos naquele mundo ele conseguisse mostrar que havia mudado e queria ser algo além de seu inimigo.

Uma tempestade de folhas seguida por uma luz forte os levaram para uma época bastante distante das deles. Estava nevando, com certeza era inverno. Nada naquele lugar era familiar aos olhos de Damon e nem de Bonnie, tudo era novo, até mesmo as arvores caídas a alguns metros dali. O bruxo Malachai, aproveitou-se da curiosidades de seus companheiros para provar um pouco de neve.

— Já almoçou Peppa Pig? – Damon enojava tudo o que Kai fazia.

— Vamos crianças, temos que encontrar um lugar para passar essa noite e depois temos que descobrir aonde estamos – com metade da bota afundada na neve ela se segurou em uma arvore puxando com toda força para continuar.

[...]

O almoço foi bem tenso, Stefan entrou no quarto e não saiu mais, Klaus e eu tivemos uma conversa interessante sobre nós dois e Stefan.

— Tenho que agradecer Stefan e acho que você também! — eu olhei para Klaus implorando para que não me pedisse isso.

— Acho que você agradecendo já é o bastante.

— Diz isso pra ele, pois não parece que é de mim que ele espera algo.

Eu continuei comendo, como se as palavras de Klaus estivessem criptografadas:

— Caroline, olha pra mim — tentei me esquivar por alguns segundos, mas a tentação dos olhos dele nos meus me fizeram ceder.

— Eu não posso Klaus — eu me levantei e fui direto para a porta — Não agora.

Sai correndo antes que ele continuasse a falar, eu queria um momento de distancia daquela casa, tudo que vinha de lá me fazia ficar cada vez mais confusa, eu já não aguentava esconder que eu estava sofrendo por dentro, que eu estava em um colapso com o botão de religar.

Klaus me seguiu até um banco no meio do mato ele sentou ao meu lado deu um sorriso de canto a canto e começou a acariciar meus rosto, como forma de ajuda. Naquele instante eu não senti mais medo, não doía mais dentro de mim, as coisas pareciam mais claras, da forma mais serena.

— Volta pra mim amor – Klaus me impressionava a cada dia, ele foi delicado como uma flor.

Eu poderia até pensar sobre a proposta, mas eu já havia decidido, pois precisava resolver meus problemas e principalmente decidir o que meu coração tanto ansiava em esconder deles.

Fechei meus olhos por alguns instantes pensando neles, tentando achar minha ancora para a salvação e por mais que eu tentasse pensar em Klaus nada adiantava. E, no meio de tentas imagens, um par de olhos verdes iluminaram os meus sentimentos e quando voltei a mim eu era a antiga Caroline, a loirinha doida por controle.

Eu apertei com força o corpo de Klaus, agradecendo por me ajudar naquele momento, e dei um largo sorriso sincero antes de ver Stefan em lágrimas atrás de nós. Ele estava ali a pouco tempo, parecia triste por ver nós dois tão íntimos como nunca.

Stefan não disse nada, virou-se e saiu andando.

[...]

Andamos por uns cinquenta quilômetros quando atingimos a primeira casa desde que entramos naquele mundo. Era uma cidade pequena, com casas simples e apenas um prédio mediano, uma torre com um sino enorme.

— Nossa, isso tá mais pra casa Billy — olhamos para Kai, estávamos confusos e o interrogando — Meu cachorro!

***

Era uma cidade um tanto estranha, alguns edifícios me lembravam Mystic Falls enquanto outros eram um mistério. Damon ousou enfrentar um deles, enquanto eu encarava um caixão dentro de um armazém do outro lado da rua. Eu segui em frente e entrei dentro do estabelecimento.

O caixão era negro, como os cabelos de Damon, eu excitei em abri-lo por alguns segundos, no entanto minha curiosidade foi maior que meu ego e quando a tampa foi aberta um rangido longo se estendeu pelo ambiente atraindo a atenção de Damon.

— Eu não acredito — Damon paralisou-se na porta olhando o fundo do caixão.

— É o Enzo, como isso é possível? — um calafrio atingiu cada canto do meu corpo, aquilo era assombroso.

Não a ideia dele estar ali em um mundo prisão, mas por estar morto.

— Não é tão estranho como esse jornal — lá estava Kai, segurando um amontoado de folhas.

Aquele tempo era surpreendente, nós estávamos no ano de 2083, vendo o corpo do Enzo perante nossos olhos.

— Se o Enzo está aqui, será que é possível... – fui interrompida por Damon.

— Olha a boca Bonnie – Damon colocou o dedo na boca me silenciando e revirando os olhos para Kaí – Vamos embora, eu não quero saber quem mais morreu e foi mandado pra esse lugar.

Ele não me deu nem tempo de se despedir quando me arrastou até a porta.

— Eu preciso comprar algumas coisas, toma conta dela Kaí – Damon deve ter ficado doida – fica tranquila Bonbon, qualquer coisa me grita – ele colocou a mão em meu ombro aparentemente angustiado com algo.

Eu e Kai fomos embora, direto para a nossa "cabana".

Damon demorou demais, e quando vi estava examinando cada detalhe daquele lugar.

Entrei em dois cômodos antes de entrar em um dos quartos da casa velha. O silêncio dentro dele era constante, se não fosse por um ruído aparentemente em cima do sofá que vinha de Kai, o qual dormia como anjinho, ele podia ser o bicho mais feio quando estava acordado, mas quando dormia parecia tão sereno e puro, um ser de arco e não chifres.

Eu fiquei hipnotizada por alguns minutos, tentando lembrar o que havia de melhor nele.

Kai em um bocejo acordou, ele estava confuso e fazia expressões confusas.

— Eu estou...

— O que faz aqui? Você... – Eu balancei a cabeça negando a nós dois – estava me observando dormir – Kai estava um pouco suado e eu mal conseguia abrir a boca para tentar explicar.

— É... Não e sim.

— Oi? – Kaí levantou uma sobrancelha.

— Acho que Damon chegou – eu fui direto para a porta, mas ele me segurou com suas mãos.

Ele chegou tão perto que eu paralisei, não consegui falar nada e nem imaginar como sairia daquela situação. Eu o encarei tentando diminuir a tensão, o olhei nós olhos tentando encontrar um pouco de conforto.

Seu toque foi diferente dessa vez, pois não era grosso e firme, e sim doce e delicado. Ele mexia os dedos em meus braços como se fossem de argila e pudessem quebrar com facilidade.

O momento foi tão bom que me esqueci da chegada de Damon.

— Você tem que parar de me olhar assim – com uma de suas mãos ele acariciou meu rosto me colocando de cara-cara com ele – Deus, se eu soubesse o que você está pensando agora.

Kai se inclinou para frente, encarando cada detalhe de minha boca antes de me beijar, eu sabia que aquilo era tudo o que ele queria desde quando fiz o feitiço localizador para o ascendente no mundo prisão. Eu sabia que havia algo acontecendo, não que eu esperasse um relacionamento com o bruxo mais perigoso da Gemini. Apenas desejava que se fosse pra acontecer que demorasse muito, mas muito tempo.

As bruxas haviam me avisado que ele deveria me proteger. Acho que quando disseram isso estavam apenas preocupadas com o futuro da conversão Bennett ou simplesmente gozavam internamente com a minha cara. Imagina... não, é melhor nem pensar numa coisa dessas, as pessoas não dizem que tudo que imaginamos se torna real.

Com a mão no seu pescoço meus lábios se entrelaçaram com os dele. Um frio vindo por dentro de mim se espalhou pelo resto de meu corpo e com uma voz grossa e ríspida meu coração saltitou.

"Bonnie" – era Damon dentro de minha mente. Eu sabia que era e proibido, mas eu não escutei ele.

Num impulso confuso meus olhos se abriram e minha visão foi totalmente corrompida pela minha imaginação. Um homem charmoso agora se agarrava a mim. Era de cabelos negros como carvão, macios como lã, com olhos inesquecíveis e inconfundíveis. Seu nome, Damon Salvatore.

Me soltei de Kai logo que escutei o barulho na porta.

— Bonnie? – havia confusão em seu olhar, assim como também estava exposto na minha – Kai?

[...]

— Espere Stefan! – agarrei o braço dele quando já estávamos a uns cem metros de Klaus.

— Meu tempo aqui acabou – nunca tive a oportunidade de ver Stefan chorando por mim.

— Stefan, eu te...

Nós nos encontrávamos de baixo de uma árvore, eu estava abrindo o meu coração, meus sentimentos e minha humanidade para ele quando o espírito de Henriette, totalmente humano, se materializou nas costas de Stefan. Eu não consegui completar o que dizia antes dela quebrar a cabeça dele.

— O que faz aqui?

— Atrapalhei o climinha? Me desculpa, mas precisamos ir.

Eu sabia que ela era forte, que contava com truques poderosos, e que se eu tentasse algo poderia morrer, então gritei Klaus para me socorrer.

— Klaus – dei um passo me esquivando dela.

— Nem adianta ele não pode nos ouvir.

— O que você fez com ele?

— Muitas perguntas – ela só fez um gesto com as mãos e eu entrei num sono profundo.

Parece que o mundo não quer que, eu e Stefan, fiquémos juntos. Talvez Henriette esteja correta, Klaus deve ser a pessoa certa pra mim, por mais que ele tenha feito tanta coisa ruim para meus amigos.

Notas finais
Gente, comentem o que acharam do capítulo e favoritem também. Bjs até a próxima.