Diário Proibido
22 Atitude!
Notas iniciais
velas Elise sentiu as mãos do Fantasma se apoiarem em seus delicados ombros, ela suspirou e ele começou afalar:
_Escute pequena, li todos os teus textos._E para ele ainda era difícil crer em suas próprias palavras._Você é um mistério para mim, sempre vivi nas sombras e fui o observador, mas não conseguir desvendar seus mistérios, até que tenham sido esfregados em minha cara.Confesso que me odeio por isto.O que você é , esta além da minha compreensão.
Elise franziu o cenho, suspirou já se preparando para falar pela primeira vez depois de muitos dias.
_Nunca quis que você criasse expectativas a meu respeito, como tentei não fazer o mesmo quanto a você.Não vim para este teatro com intenção de conhece-lo e sim com planos de ficar mais próxima da minha causa...Eu não sou uma artista, não sou delicada,na verdade eu tenho nojo de delicadeza estrema pois cheira a hipocresia, não sou uma dama e não era mesmo quando virgem, damas são projeções de fraqueza e conformismo e eu não sou conformista.
_Elise...
_Ouça bem Fantasma,não sou uma mera bailarina ou uma soprano inútil, futil alhienada dos fatos e da dura realidade a sua volta, servindo como diversão para os nobres, os mesmos que esmagam a população indefesa.Não tento me passar por culta apreciando obras literárias e artísticas de outras nações enquanto em nossas feras os verdadeiros artistas apresentam sua arte mendigando por moedas.Eu tenho um foco no presente, tenho os pés no chão, minha arte é o dom das palavras, o dom de fazer com que as pessoas tomem uma atitude...
_Elise...
_Se quer saber se eu te amo, sim eu te amo, nunca esteve em meus planos, me entreguei a todo prazer que você proporcionava ao meu corpo, toda aquela fuga da realidade, mas você acabou tocando bem mais fundo, busquei a lenda e encontrei o homem por trás dela, te amo, mas se você me priva de meus idéias, acaba por matar quem realmente sou...Eu não sei a quantas andam a nossa revolução, você me manteve cativa, meu irmão pode estar morto, meus amigos podem estar mortos, a causa pode estar morta e o que você quer de mim?Quer que eu use belos vestidos, quer me encher de musica e arte?Musica e arte, acha mesmo que me alimentarei apenas disto, acha mesmo que minha alma é tão limitada assim?
_Elise, eu queria dizer que lhe compreendo, não quero que seja uma dama, você é superior a isto, independente de seu aspecto físico, você é uma guerreira, tespeito seus ideais, quero me desculpar por mante-la aqui contra sua vontade e também...Quero lutar ao seu lado, melhor, quero lutar em seu nome!
_Lutar em meu nome?
_Se você morrer nesta batalha, suas idéias morrerão com você, precisa continuar nas sombras, seu segredo deve ser protegido.
_Mas as pessoas se uniram a causa influenciadas por Liberté, eles querem saber quem ele é, precisam ser guiados por ele.
_Se os revolucionários querem o Liberté, daremos a eles o que eles querem, mas não será, com o perdão da palavra, uma bonequinha delicada de apenas quinze anos, isto seria demais para a curta compreensão deles.
_Erik...Está a me dizer que...
_Que eu irei a sua causa e me apresentarei como Liberté, você voltará a ser a mera bailarina para o entretenimento dos nobres os quais tanto desprezas.Deve manter-se protegida, pela sua causa e por mim, pelo nosso futuro.
_Erik...Eu nunca esperei que..._O Fntasma não permite que a ruiva continue e sela um beijo carinhoso.
A pequena não sabe o que dizer sabe que seus pensamentos são incomuns para uma mulher e ainda mais sendo tão jovem, mas se orgulha deles, se julga iluminada e acredita que tem a missão de iluminar a mente das pessoas a sua volta, ela respeita a musica e a arte, mas crê que isto deva ser um direito de todos e acha absurdo se ater apenas nisto com uma batalha a ser travada a caminho da liberdade e igualdade social.Cantar a beleza da vida e do amor, não parece tão lindo quando lá fora no frio as pessoas morrem de fome,crianças morrem de fome, sofrem abusos físicos sexuais.Imaginar que seu Fantasma finalmente entendeu tudo isto a deixava em estado de plena felicidade pelo menos por um curto período até sua mente se lembrar de Pierry, neste momento ela se apressa em vestir algo mais confortável, menos dondoca e levar seu Fantasma para conhecer o subterrâneo do clube de arco e flecha.
A cidade fria e envolta em neblina ainda amanhecia, como se a mesma fora atacada por um furacão, as ruas pareciam um campo de batalha e a ruiva sentia seu peito apertado a cada passo, chegaram ao clube de arco e flecha e encontraram todo destruído, entraram e a menina já não podia conter as lágrimas, o Fantasma sentia um misto de culpa e alivio, culpa por não ter se decidido antes e alivio por sua atitude egoísta ter garantido a vida de sua pequena.
Elise guiou o Fantasma até uma passagem secreta e ambos desceram por uma enorme escada de pedra, logo foram rendidos por dois homens estranhos para a garota.Erik estava preparado para tudo , mas preferiu não reagir, logo Pierry chegou e Elise correu até ele, os dois se abraçaram em meio as muitas lágrimas e soluços e se deixaram escorregar ao chão:
_Pierry...Pierry eu tive tanto medo que...
_Eu também temi por você Morango...Folgo em ver que está bem.Nós tivemos muitas perdas minha irmã...
_Eu sei...Eu trouxe reforço.
Pierry olhou estarrecido, o homem alto e mascarado que acompanhava a sua irmã, então era ele mesmo o famoso Fantasma da Opera, estava ali com a pequena e estava disposto a entrar na batalha.
Alguns minutos depois a ruiva e o Fantasma já tinham posto o jovem a par de seus planos, Pierry foi totalmente de acordo, sabia que sua irmã devia ser protegida, que se ela morresse a causa morreria com suas idéias persuasivas e geniais,Erik já estava disposto a enfrentar uma de suas maiores dificuldades, interagir com outras pessoas para se apresentar como Liberté.Elise estava apreensiva diante desta expectativa,mas sabia que devia confiar em seu Fantasma.
Os revolucionários estavam desanimados e confusos, muitos feridos e abalados pela perda de amigos e pela traição de companheiros, quando Pierry chamou a atenção e diante de todos apresentou Erik côo Liberté, todos ficaram estarrecidos, o Fantasma mantinha muito bem sua postura autoritária , mas estava uma pilha de nervos;Elise roia as unhas na sala de Pierry.
Depois de duas horas de conversa com os revolucionários o Fantasma retornou a sala de Pierry onde Elise se encontrava a beira de um ataque de nervos.Ele olhou bem para a pequena e seu irmão ambos apreensivo com as sobrancelha arqueadas, Erik fechou a porta atrás de si e a pequena perguntou:
_Então...Como foi?
Erik andou de um lado á outro pelo local, com as mãos cruzadas para trás , parando e olhando para eles ele disse:
_Poetas, pensadores, idealistas,opositores...Definições para os nossos amigos presentes na sala ao lado. Guerreiros não!Ou pelo menos ainda não!
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