Diário Proibido
23 Poetas, pensadores e assassinos.
Notas iniciais
Onde estariam? Onde poderiam estar afinal?A garota ruiva de porte pequeno e delicado corroia-se por dentro tentando encontrar uma explicação plausível.Sim a aparentemente , mera bailarina de uma famosa casa de opera renomada, agora deparava-se com os cadeados de seu baú arrombados, toda sua verdadeira identidade estava ali dentro, todos os seus ideais.A pequena revolucionaria precoce e genial, se sentiu como um animalzinho acoado.Sentou-se em sua cama abraçando os joelhos e ficou a fitar cada rosto das garotas que adentravam aquele local.Nenhum sinal de perigo aquelas sonsas apresentavam.Eram meras bonecas de luxo moldadas para divertir a nobreza, cada qual se expondo e sonhando em ser escolhida por um nobre ou ao menos por um comerciante de peso.Era licito que nada mais se passava naquelas cabecinhas enfeitadas com belos penteados.
Finalmente a primeira bailarina adentra esbelta e delicada, desfilando pelo dormitório, dispensando os paparicos e seguindo até a amiga.
— Devemos seguir para os jardins.Sumistes por vários dias e por causa da espalhafatosa confusão pelas ruas, ninguém se deu conta, mas mamãe e eu sabíamos que estavas cativa do Fantasma.Vamos Elise conte-me o que houve.Conte-me onde ele está agora.
— Shhh!Meg são muitos ouvidos curiosos neste local.Estou a salvo como pode ver.Vamos para os jardins!
E ambas enlaçaram os braços e saíram pelos corredores, passando pela recepção e descendo as escadarias que davam acesso aos jardins.Seguras em um canto isolado sentara-se nos balanços infantis e da boca da pequena ruiva ouviu-se um suspiro angustiado.
— Ele feriu você Elise?Você recebeu ajuda para matá-lo e deu fim no corpo?- A loira parecia estar falando sobre um livro de investigação policial.
Os olhos azuis da ruiva arregalaram-se.Ela pensou em se ofender, mas conhecendo a si mesma ela bem sabe que se o Fantasma fosse seu inimigo ela o faria sem hesitar.
— Que absurdo esta a dizer Meg?Mas claro que eu não o matei.Ele aderiu minha causa e vestiu minha identidade.Está em um local afastado da cidade dando novo treinamento á irmandade.- Ela soltou finalmente a noticia que fez a loira se contorcer no balanço.
— Valha-me Deus Elise!Seus amigos eram revolucionários, mas em tudo eram pacíficos, agora nem posso imaginar o que virá.- As mãos fora para cobrir a boca, os olhos verdes da pequena Giry pareciam saltar para fora.- Essa cidade vai virar um campo de batalha e tu bem sabe disto.
Girando os pés no gramado, baixo e bem cuidados do jardim, a ruiva responde sem levantar seu olhar.
— E que assim seja minha amiga...Que assim seja!- O tom saiu baixo, mas não inseguro, na verdade sugeria realmente não encontrar outra solução.
-Oras Elise, parece divergir, lutar pela justiça usando violência, sendo esta uma forma injusta de se resolver as coisas.- A mais velha questiona enfática.
— Eu compreendo seu ponto, eu já compartilhei, deveras por muito tempo, mas agora eu sei que a conquista do respeito social, usando belos textos, poemas , musicas e peças teatrais não passa de um conto de fadas.Devemos preparar as gerações futuras para lutar por nosso ideal seja com quais armas forem, seja do jeito que for.- Elise brada, decidida
— Que Deus tenha piedade de sua alma minha amiga.- Meg completa horrorizada.
-No momento devo estar precisando, uma vez que minha identidade corre perigo.- Mesmo sendo sério a ruiva soa brincalhona, a amiga se espanta mais ainda.
— Mas do que está a falar?- A loira salta do balanço.
— Meus textos, livros, rascunhos e pensamentos, foram todos afanados e neste exato momento os soldados do império devem estar vindo ao meu encalço. – Ela sorriu fracamente.
— Como pode dizer isto e continuar sentada assim sem fazer nada?Sabe o que podem fazer com você?- Meg se exalta, estarrecida com a postura da amiga.
— Hão de me torturar, me violentar, causar-me torturas piscologicas, quando não conseguirem informações, eles me matarão lenta e dolorosamente.- A ruiva brada conformada, sorrindo novamente.
— E você diz isto assim?
— Cresci preparada para este dia.Eu aprendi a superar a dor e a valorizar.É o preço que se paga por fazer a diferença.Hei de morrer com honra feliz por ter feito tudo o que eu sempre quis.Saberei que deixei frutos neste mundo, pois ideais são como sementes, elas germinam.
— PARE COM ISTO ELISE! Você não vai morrer...Pare com isto sua ruiva maluca.- Meg abraçou a amiga.
E de fato, os dias se passaram, os meses se passaram e nada aconteceu.Firmim não estava com pressa para agir, ele não queria ser morto pelo maldito Fantasma e em seus passeios, durante muito tempo Elise apenas visitou a cigana da cidade, era de habito da bailarina visitar a amiga cigana, que lhe garantia poções potentes para que não engravidasse, além disto a velha mulher, era uma boa informante, uma vez que recebia em sua tenda todos os tipos de pessoas, devido a sua renomada fama de vidente.A pequena bailarina revolucionária bem sabia que seu Fantasma nem poderia desconfiar das poções que a mesma tomara ou se sentiria muito ofendido, mas o fato é que na vida de uma rebelde não há tempo para ser mãe.
Elise estava apreensiva quanto ao desaparecimento de seus textos e com o mistério de nada ter lhe acontecido ainda.Já fazia mais de um mês que ela não via seu Fantasma, ele foi se dedicar a causa, nos arredores da cidade na casa que extorquiu do amante nobre de Antoniette Giry.O Fantasma estava se comportando como um comandante, estava trabalhando duro para transformar pensadores em assassinos, ensinando-os o uso silencioso de armas e matérias naturais de efeito entorpecente, como se vestir e se esconder nas sombras, como ser invisível.Pierry que por muitos anos recebera os treinamentos do tio junto com sua irmã, estava maravilhado com tamanha habilidade em batalha e tantas as formas de assassinato que o homem mascarado conhecia, podia-se dizer que ele sabia ser silencioso e mortal.Sem perceber Erik conquistava a cada dia mais a admiração e o respeito do grupo, sua vida reclusa não o fizera muito sociável, mas ali entre aqueles jovens, que a principio o Fantasma julgava serem tolos e desprezíveis, deixando claro para Elise que somente lutaria em nome dela e não se importava com a causa, mas ali se vendo todos os dias sendo tratado com respeito, alguns chegaram a chamá-lo por mestre e assim como ele tinha seu cod nome Fantasma, os demais também decidiram abandonar seus nomes e adotarem outra denominação, como os ídios faziam ao batizar um novo guerreiro.Assim muitos nomes de assassinos recém formados, começaram a ficar marcado nas paredes de Paris com o sangue dos nobres que abusavam de seu poder “Lobo Vermelho, Visão de Águia, Arcanjo Negro e os jovens se mostravam cada vez mais criativos em escolherem seus novos nomes, aos poucos a irmandade ia novamente crescendo e se tornando uma força potente e invisível.Essa força amava seu novo mestre e demonstravam-lhe respeito e aos poucos Erik começou a conhecer a história de vida de cada um, muitos com rostos bonitos e passado não tão horrendo quanto o seu, mas ainda sim um passado dramático.Estar com estes jovens fez o Fantasma repensar todos os seus conceitos, a vida maltratou e humilhou aqueles jovens e eles procuraram uma causa para continuar lutado o honrá-la enquanto ele se escondeu e só lutou em prol de seus interesses.Aqueles jovens viram as irmãs e mães sendo violentadas, torturadas, vendidas para bordeis e agora estavam ali lutando para que não acontecesse com as irmãs e mães de ouros, eram de fato pessoas de valores, as vezes ele sentia-se mal por ensiná-los a serem assassinos, mas só assim poderiam obter a vitória e limpar a cidade daquela corja de ratos nobres.
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A cidade estava em festa, já se passara mais de um mês desde a queda dos rebeldes e agora os nobres compravam o povo com comemorações idiotas nas praças.De suas mansões os nobres se gabavam do poder que tinham de controlar a massa alhienada que era só ver um dia de comida e bebida de graça que se esbaldavam como porcos na merda, esquecendo-se dos dias corriqueiros de miséria.
— Veja como é fácil Sr Fausto, ontem nos odiavam por causa do aumento dos impostos.Agora já nos amam.É fácil se divertir com um bando de ratos imundos sem capacidade de raciocínio como estes!- Brada o homem alto rechonchudo com uma peruca branca na cabeça e uma farda que indica um alto titulo de nobreza.O duque Catier Renuy não mede suas palavras quando a questão é demonstrar seu desprezo pelo povo.
— Pare de se gabar e traga logo a novilha que me prometeu.Espero que não tenha piolhos e que ainda seja casta.- Antony Lenir, jovem , bonito, visconde e um ogro que adora violentar donzelas camponesas com violência, gosta de humilhá-las.
— Não quer guardar para mais tarde Lenir?- O duque pergunta debochado.
— Sou jovem, tenho minhas necessidades!- Lenir responde virando uma taça de vinho. O mais velho fez um sinal para que seu capanga trouxesse a moça e assim ele o fez sem nenhuma delicadeza, puxando a moça com violência pelos cabelos.Lenir se aproximou da vitima e afundou uma de suas mãos entre os seios da mesam, admirando o pânico nos olhos da garota.
— Huhhh!- Ela tentou gritar mas sua boca estava presa com uma mordaça.
— O que foi querida eu não ouvi direito.- Debochou o visconde agora afundando as mãos entre as coxas da moça levantando-lhe o vestido, quando a mesma deu-lhe um chute violento, levou um soco no estomago, que a fez cospir sangue.
— Vadia!- Ele chutou a moça assim que ela caiu sob seus pés.- Vou acabar rapidinho com você aqui mesmo neste chão imundo, depois te darei para que a minha tropa se divirta.
Mas neste momento Lenir viu o chão se tingir de vermelho e quando olhou para trás o duque estava com uma adaga cravada no pescoço, não conseguia gritar ou emitir qualquer som, mas estava vivo agonizando e assim ficaria se seu assassino não tivesse piedade e lhe tirasse logo a vida.O jovem visconde tentou gritar por seus homens, mas foi atingido por um pequeno o fino arpão que cravou-se em sua nuca paralisado todos os seus movimentos.
Lenir arregalou seus olhos para ver três homens de vestes negras e uma espécie de capa com capuz, cada um deles tinha uma faixa de cor diferente amarrada em seus braços, por debaixo da capa era possível notar as amarras de quantidades de pequenas armas diferenciadas, algumas assemelhavam-se a instrumentos cirúrgicos.Um dos homens estranhos saiu pela janela, levando a camponesa em seus braços a altura era absurda para cair em queda livre, certamente morreriam e lá fora estava cheio de soldados do império.
Outro homem sentou-se na poltrona e apenas observou , com os braços cruzados, enquanto os outros dois, castravam o visconde sem piedade e escreviam em seu corpo com canivete REVOLUÇÃO.E assim terminado o trabalho da noite o Fantasma saudou seus pupilos e sumiram pela nevoa da noite levando a jovem camponesa para os cuidados da velha cigana.
De certo o jovem visconde não chegou a falecer, ele precisava servir de exemplo, mas as torturas que sofrera naquela noite não permitiriam que ele continuasse a ser o mesmo que era, foi também uma declaração de guerra contra a nobreza.A revolução não acabou mas os pensadores agora se auto denominam assassinos, escalam paredes e muros extremamente altos, possuem magníficas armas, e estão prontos para limpar a cidade.
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